Quando familiares e amigos souberam a data de chegada de Éderson à cidade de Pentecoste neste fim de ano, pensaram em receber o jogador do Atlético-PR em grande estilo. O artilheiro da Série A do Campeonato Brasileiro 2013 percorreria a cidade onde nasceu, localizada a cerca de 90 quilômetros de Fortaleza, em carro aberto, saudado pelos conterrâneos. Éderson dispensou a homenagem. Queria primeiro ficar a sós com a família. Depois, as portas da casa dele e dos pais estariam abertas para quem quisesse vê-lo.
Éderson volta à terra natal e exibe troféus conquistados em 2013 (Foto: Thaís Jorge)
Assim fez. Na casa simples no Interior do Ceará, vem recebendo familiares, conhecidos e curiosos. Deixa à mostra na estante da sala os troféus conquistados este ano. Com 21 gols marcados no Campeonato Brasileiro, o jogador de 24 anos ajudou o Furacão a se classificar para a Libertadores da América. Com o Atlético-PR, também foi vice-campeão da Copa do Brasil, perdendo para o Flamengo na final. Este mês, o Marca, principal jornal esportivo da Espanha, chegou a comparar o cearense com o baixinho Romário, em quem Éderson sempre se inspirou, algo que o orgulha.
- Levar o Atlético-PR para a Libertadores foi algo muito difícil mesmo. A gente conseguiu esse fato e é algo muito importante para mim. Eu lembro que eu só via o Rogério Ceni pela televisão. Agora, já fiz gol nele. Isso é algo muito gratificante – confessa.
Éderson volta a Pentecoste como artilheiro da Série A do Brasileiro (Foto: Thaís Jorge)
Ao chegar à artilharia da Série A, Éderson se junta a outros jogadores como Fred (Fluminense, artilheiro em 2012), Borges (Santos, em 2011) e Jonas (Grêmio, em 2010). O cearense, que tem contrato com o Atlético-PR até 2016, atuou durante a carreira no Ceará e no ABC-RN, mas nunca havia estado na elite do futebol nacional. No Alvinegro de Porangabuçu, foi muito cobrado e admite que deixou a desejar em 2012, quando a equipe disputava o Campeonato Cearense. Mas ele explica que a morte do filho Heitor, em 2011, o deixou fragilizado. Agora, sonha em voltar ao Vovô um dia para, quem sabe, ajudar a levar o time cearense à Série A.
- A gente estava sentindo muito ainda a perda do meu filho (que faleceu em agosto de 2011). Não dava certo o que eu ia fazer em campo, eu não rendi o esperado no Ceará, o maior obstáculo da minha vida foi superar a perda do meu filho naquele momento. Nenhum torcedor do Ceará sabe disso. No ABC, eu rendi o que sei render. No Atlético-PR, também. Mas, no Ceará, não deu. Devo isso para a torcida e espero que um dia eu possa pagar. Quero ter essa oportunidade de jogar no Ceará de novo. De preferência, com o time na Série A. Mas se for para ajudar a chegar à elite, também - desabafa.
De férias, Éderson não esconde que está ansioso para fazer sua estreia na Libertadores da América em janeiro. No entanto, confessa que recebeu propostas de equipes da Europa e também da China. O artilheiro e melhor atacante do Brasileirão garante se doar em campo em 2014, caso permaneça no Atlético-PR, e acredita que será mais cobrado devido ao rendimento deste ano.
- Vou voltar como artilheiro do Campeonato Brasileiro, então tenho a obrigação de fazer mais gols porque a torcida pede isso. Vou em busca de fazer um ano perfeito e de ajudar o Atlético a ir longe na Libertadores e no Campeonato Brasileiro.
Mesmo com o sucesso do filho nos gramados do País, o pai de Éderson, 'Marinho' da Silva, não deixou o emprego como vigia no Estádio Municipal Gomes da Silva, o 'Paraibão', em Pentecoste. A mãe, Eliane Rosa, era faxineira e só deixou de trabalhar em lares de famílias da cidade quando o filho começou a ter êxito em campo e pediu para que ela apenas cuidasse da própria casa. Os dois, hoje, emocionam-se ao receber na casa simples no Interior do Ceará aquele que virou 'o novo vencedor' no futebol. Marinho brinca que o desempenho do atacante era determinante para que ele ficasse acordado como vigia no estádio: se o filho não rendia o esperado nos jogos, ele não dormia de tão preocupado; se gols aconteciam, era a alegria que o mantinha sem sono na madrugada.
- Não tinha perigo de ladrão entrar no estádio - brinca.
Ao lado da família, Éderson se emociona ao relembrar trajetória no futebol (Foto: Thaís Jorge)
Mas, dos sonhos traçados por Éderson para 2013 um ainda ficou por realizar. O cearense conseguir atuar em um time grande, o Atlético-PR; comprou uma casa para ele, a esposa e a filha em Natal, no Rio Grande do Norte; e terminou a Série A como artilheiro e melhor atacante do Brasileirão. Para 2014, a meta agora é presentear a mãe com uma casa confortável, como ela sempre desejou.
- Tenho um quarto sonho que é minha mãe ter uma casa melhor, para ela fazer um jantar, um lugar onde caiba todo mundo. Ela sempre sonhou com isso. Espero realizar esse quarto sonho o mais rápido possível - confessa o jogador.
- Vai ser fácil, vai ser fácil, se Deus quiser - completa a mãe, que confia nas habilidades do filho de apenas 24 anos, mas que já está pronto para ganhar o mundo.
Por Thaís JorgeDireto de Pentecoste, CE