9 de janeiro de 2014

Para Roseana, onda de violência ocorre porque Maranhão está mais rico



Reunião entre José Eduardo Cardozo e Roseana Sarney
Foto: Hans von Manteuffel / O Globo

Reunião entre José Eduardo Cardozo e Roseana SarneyHANS VON MANTEUFFEL / O GLOBO

SÃO LUIS - O ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, reuniu-se nesta quinta-feira com a governadora do Maranhão, Roseana Sarney, para discutir uma ação conjunta para tentar amenizar a situação nos presídios do estado, onde foram registradas 60 mortes de detentos. Em sua primeira aparição pública em entrevista depois que criminosos atearam fogo em ônibus, causando a morte de uma menina de seis anos, a governadora disse que foi pega de surpresa pelas atrocidades e fez uma análise curiosa para justificar o aumento da violência no estado e nos presídios: para ela, isso vem ocorrendo porque o Estado, um dos mais pobres do país, está ficando rico.
- O Maranhão está atraindo empresas e investimentos. Um dos problemas que está piorando a segurança é que o Estado está mais rico, o que aumenta o número de habitantes - justificou a governadora.

Roseana disse que em 2012 foram registradas quatro mortes no sistema penitenciário maranhense e, até setembro do ano passado, 39.

- Até setembro estava dentro do limite que se esperava - declarou, argumentando que as mortes ocorreram apenas em uma unidade do complexo de Pedrinhas, onde duas facções disputam o domínio do tráfico e da cadeia, matando seus rivais, inclusive decepando cabeças.

De acordo com a governadora, sua administração investiu em novas unidades prisionais e na melhoria ao atendimento ao preso.

- Nosso sistema de saúde é muito bom para os presos - afirmou, para complementar: - Nosso presídio feminino é um exemplo para todo o Brasil.

Roseana, assim como o ministro da Justiça, fizeram questão de lembrar que outros estados, como Rio de Janeiro, São Paulo, Santa Catarina, Alagoas e Rio Grande do Sul também enfrentaram uma onda de violência comandada por detentos e que o governo federal ajudou os outros governadores. Segundo a governadora, apesar das mortes, seu governo não cometeu nenhum ato contra os direitos humanos. A ONU, porém, pede uma investigação sobre o assunto.

- Não cometemos nenhum crime de direitos humanos por parte do governo. Mas temos de ser mais atentos - admitiu.

Ao ser perguntada sobre a intenção do procurador-geral da República, Rodrigo Janot, de pedir a intervenção no Estado por conta da violência, Roseana afirmou que não acredita nessa hipótese e passou a enumerar uma série de obras e ações que sua gestão tem feito.

- Eu não acredito que ele vá pedir a intervenção porque estou cumprindo meu dever. O Maranhão está indo muito bem. Talvez seja o único estado do Brasil que vai ter todas as suas cidades interligadas por asfalto.

Ela se irritou quando uma repórter perguntou ao ministro José Eduardo Cardozo por que a presidente Dilma Rousseff e mesmo ele não haviam se manifestado até o momento sobre os problemas no estado administrado pelo clã Sarney.

José Eduardo disse que o governo se manifesta de forma concreta e procura ajudar Estados administrados pela oposição e por políticos que apoiam o governo. Mas Roseana, exaltada, disse que não é certo falar em família.

- Não existe família. Eu sou a governadora. Quem manda aqui não é a família, sou eu. Vocês querem penalizar a família, mas eu, Roseana, sou a responsável pelo que acontece no Maranhão - afirmou, sendo aplaudida por parte da mídia que apoia seu governo.

As ações anunciadas pelo ministro da Justiça e pela governadora, porém, não têm um impacto imediato - exceto pela transferência de presos para penitenciárias federais, que José Eduardo recusou-se a dizer quando se dará, quantos serão transferidos e para onde.

Entre as ações está prevista a criação de um comitê de gestão, comandado por Roseana, mutirão da Defensoria Pública para ver os presos que podem deixar os cárceres, interligação do sistema de inteligência, criação de um núcleo de atendimento prisional, melhoramento no atendimento à saúde, capacitação de policiais e implantação de alternativas penais e monitoramento eletrônico.



oglobo

Após nove meses, Fidel aparece em público em Havana



Fidel Castro na inauguração de um centro cultural em Havana, no dia 8 de janeiro
Foto: -- / AFP

Fidel Castro na inauguração de um centro cultural em Havana, no dia 8 de janeiro-- / AFP

Na primeira aparição pública desde abril do ano passado, o ex-presidente cubano Fidel Castro participou da inauguração de um centro de arte em Havana, na quarta-feira. As fotos divulgadas pela imprensa estatal mostram o líder cubano com um casaco azul escuro e andando apoiado em uma bengala. A data de 8 de janeiro coincide com o aniversário de 55 anos da entrada de Castro na ilha a frente do exército rebelde, uma semana depois da vitória da Revolução Cubana, no dia 1º de janeiro de 1959.

Segundo o jornal “Granma”, Fidel participou do evento, no bairro Romerillo, e saudou artistas e moradores, “que aplaudiram com emoção o recém-chegado”. Na imagem, ele aparece com o braço esquerdo levantado, apontado para uma das esculturas do centro, enquanto conversa com o artista Alexis Leyva.

O ex-presidente cubano foi visto em público pela última vez em abril do ano passado, na inauguração de um centro educacional. Aos 87 anos, ele se dedica a escrever livros ou colunas de opinião publicadas nos jornais cubanos, e recebe presidentes e amigos. Uma das últimas visitas aconteceu no fim do ano passado, quando o presidente venezuelano, Nicolás Maduro, esteve na casa do cubano.


O GLOBO

Produção agrícola no Ceará em 2013 foi 80% menor que a esperada


estiagem que assolou o Ceará em 2013 foi responsável por uma produção agrícola 80% menor que a esperada, de acordo com a Estatística da Produção Agrícola, divulgada nesta quinta-feira (9) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
Safra estadual no ano passado, entretanto, foi um pouco melhor (3,3%) que a registrada em 2012 FOTO: Reuters
Em janeiro do ano passado, a previsão era que 1,2 milhão de toneladas fosse colhido. Entretanto, 2013 terminou com produção de apenas 239.324 toneladas, o que corresponde a uma quebra de 80%.
A queda no Ceará contrasta com o desempenho nacional, cuja produção em 2013 foi recorde, com alta de 16,2% em relação a 2012. A safra estadual no ano passado, entretanto, foi um pouco melhor (3,3%) que a registrada em 2012. Naquele ano, foram colhidas apenas 231,7 mil toneladas, a pior em 17 anos.
Produção de grãos no País foi recorde, diz IBGE
No País, foram colhidos, no ano passado, 188,2 milhões de toneladas de grãos, mais que o recorde anterior de 161,9 milhões de toneladas em 2012.
De acordo com o levantamento da produção nacional de grãos, a área colhida em 2013 cobriu 52,8 milhões de hectares, crescendo 8,1% na comparação com 2012.
No ano de 2013, dominaram a produção o arroz, o milho e a soja, que representam 92,4% da produção nacional de grãos e ocuparam 86,1% da área colhida. No período, a produção de soja foi a que mais cresceu (24,3%), seguida do milho (13%) e do arroz (3,2%).
DN

Após nova goleada, técnico do Crato desabafa: “Boicotaram a gente”

Crato.
Treinador Antônio Luís diz que falta atletas experientes no elenco do Azulão Foto: Reprodução/TV Verdes Mares
Depois de mais uma derrota noCampeonato Cearense 2014 e novamente de goleada, desta vez, para o Fortaleza por 6 a 0o técnico do CratoAntônio Luísdesabafou para imprensa na noite desta quarta-feira (8), no Estádio Alcides Santos. O treinador falou que o time necessita de contratações, no mínimo, de oito e falou que o clube foi “boicotado“.
Sabiamos que era dificil vencer o Ferroviário e o Fortaleza. Até pelas condições que deram para gente trabalhar. Não da diretoria. O campo do Mirandão….. não deixaram a gente treinar lá! Boicotaram a gente. Trabalhamos esse tempo todo em campo reduzido. Fizemos um jogo contra o Barbalha lá. Temos que trazer, no minimo, oito jogadores para mesclar com esses que estão aqui“, disse.
Antonio Luís ainda disse que o atual elenco do Crato é jovem e que as derrotas já eram esperadas, menos as goleadas.
Nosso time é muito jovem e não temos uma liderança dentro de campo para falar. Não temos jogadores experientes para mesclar com outros jogadores que estão ai, os mais jovens. Assim fica muito difícil. Você fica na borda do campo…… gritamos e os caras nem observam o que estamos querendo passar para eles. Isso ai já esperarmos, menos as goleadas“, afirmou.
O Crato enfrenta o Itapipoca, domingo (12), às 16 horas, no Estádio Mirandão. O Azulão da Princesa ocupa a lanterna do campeonato com nenhum ponto ganho e com saldo negativo de 11 gols.
DN

Jovem dada como morta apresenta sinais vitais durante doação de órgãos

Ela sofreu um acidente de trânsito e teve graves lesões no pescoço (Foto: Reprodução RIC)

Uma jovem de 24 anos, dada como morta pelo diagnóstico médico apresentou sinais vitais na hora da retirada dos órgãos que seriam doados.


O fato curioso foi registrado na cidade de Curitiba, capital do Paraná. A mulher que não teve o nome divulgado, foi internada no dia 16 de dezembro, após sofrer um acidente de trânsito.

Ela apresentava lesões graves no pescoço. No dia 31 o hospital atestou a morte da jovem. Diante das circunstâncias, a família autorizou a doação de órgãos.

Na mesa de cirurgia a jovem apresentou sinais vitais e foi transferida à UTI. A mãe da moça, Maria das Graças, contou ao portal Banda B que o estado de saúde dela é bastante grave, mas estável.

Segundo os médicos a mulher está com problema no rim e precisa passar por hemodiálise. O caso chegou ser registrado pela polícia para que fosse descoberta a causa da morte, mas diante dos fatos o registro foi cancelado.

CGN 

Caiu o primeiro técnico do Campeonato Cearense de 2014

Danilo Augusto deixou o Ita
Danilo Augusto deixou o Ita
Caiu o primeiro técnico do Campeonato Cearense. Após a derrota para o Guarani de Juazeiro, Danilo Augusto entregou o cargo à diretoria do Itapipoca. “Eu estava enfrentando muitas dificuldades pra trabalhar, então preferi sair, acertamos tudo numa boa e entramos num acordo”, explicou.
Danilo Augusto lamentou a dificuldade apresentada pela diretoria para contratar reforços. “Peguei um time formado, levei 3 jogadores apenas (os zagueiros Alisson e Mattia e o volante Cosmo), mas a gente precisava de outros jogadores”, avaliou. “Nosso elenco era muito limitado, só tínhamos 20 jogadores e perdemos quatro por contusão”, completou.
O Itapipoca continua no Cariri, onde joga no domingo contra o Crato. A diretoria ainda não definiu o substituto.
DN

8 de janeiro de 2014

Albert não era nenhum Einstein. Mas superou o trabalho chato e entrou para a história

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Albert não era nenhum Einstein. Os professores não iam com a cara dele. Nunca suportou a sala de aula. E só conseguiu se formar porque um amigo emprestava cadernos para ele estudar antes das provas. O diploma até veio, mas não adiantou grande coisa: o rapaz ficou dois anos sem arranjar um emprego decente. “Não sabia de onde viria minha próxima refeição”, lamentava. Albert tinha 21 anos.
Formado em física e matemática pela Escola Politécnica de Zurique, na Suíça, o alemão não conseguia uma vaga de professor de jeito nenhum – a fama de aluno relapso não ajudava. Suas tentativas de fazer doutorado também só davam na água. Desencantado da vida, passou a viver dos trocados que levantava dando aulas particulares. “Abandonei completamente a ambição de algum dia trabalhar numa universidade”.
Uma pena. Só que ele não era mais moleque: precisava arranjar alguma coisa estável logo. Do jeito que as coisas iam qualquer trabalho com salário fixo já estava ótimo. E foi aí que o mesmo amigo que emprestava cadernos para ele, Marcel Grossmann, o indicou para um emprego numa repartição pública suíça, o Escritório de Patentes, em Berna. O trabalho teria pouco a ver com ciência. Mas e daí? O fato é que “esse negócio chato de passar fome”, como ele mesmo disse numa carta emocionada para Grossman, iria acabar: “Estou realmente tocado por você não ter esquecido seu amigo azarado. Vou fazer tudo o que puder para não desonrar sua indicação”.
Não desonrou. Assumiu a vaga de “Expert de Terceira Classe” em 1902, aos 22 anos e, se a moda já existisse, teria ganho vários títulos de Funcionário do Mês. O trabalho dele era analisar calhamaços de especificações técnicas, comparando os projetos de quem requeria patentes com invenções que já estavam patenteadas. Chato.
E Albert passaria sete anos na repartição. Oito horas por dia, seis dias por semana. Mas foi de lá, da mesinha dele, que ele produziu boa parte de sua obra. Albert provou a existência dos átomos (com a Teoria do Movimento Browniano), fundou um pilar da física quântica (com a Teoria do Efeito Fotoelétrico, que lhe renderia um Nobel aos 42 anos). E ainda viria o Sgt. Pepper’s dele: a Teoria Especial da Relatividade, que apresentava o tempo e o espaço como uma coisa só; e a matéria e a energia como duas faces da mesma moeda. Era a maior revolução da história do pensamento. Agora sim: Albert virava um Einstein. Tudo nos intervalos de um trabalho massacrante. Escondido do chefe.
Quando for reclamar da sua vida, vale lembrar do que esse cara fez com a dele. 
Superinteressante

Conheça a lugar que pode ser a chave da cura para o Alzheimer

Os genes de um grupo de famílias de Angostura, na Colômbia, podem guardar a chave para decifrar e tratar o Alzheimer. Portadores de uma mutação que os leva a adoecer, eles serão cobaias de uma pesquisa de 50 milhões de dólares.

No extremo norte da Cordilheira dos Andes, uma imagem do beato mais famoso da Colômbia guarda a entrada de Angostura, a 139 km de Medellín. Centro de peregrinação desde os anos 20 para os devotos do padre Marianito, enterrado na igreja matriz, hoje a cidade atrai médicos, pesquisadores e a atenção do mundo. O que os moradores já chamaram de maldição pode ser a chave para um novo tratamento contra o Alzheimer. Mais de 12% dos cerca de 12 mil habitantes têm uma mutação genética que leva a um tipo raro e precoce do mal. Os primeiros sintomas surgem por volta dos 35 anos - de pequenos lapsos de memória, a doença destrói os neurônios e evolui implacável até comprometer as habilidades básicas da pessoa e matá-la.

Javier San Pedro Gómez e Maria Luisa Chavarriaga Mejía se mudaram com os 3 filhos para os arredores da atual Angostura perto de 1745. Na época, a notícia de que havia ouro nos rios da região atraiu muitos migrantes. Dali, os descendentes do casal chegaram a Yarumal, Medellín e pelo menos a mais 6 municípios de Antióquia. Não existe outra família tão afetada pelo Alzheimer precoce e hereditário - há no mínimo 5 mil pessoas de 25 ramos do mesmo clã. A metade de todas as pessoas no mundo que tem essa forma da doença está no estado colombiano. "Antióquia é uma ilha genética, uma espécie de laboratório natural e essa desgraça se converteu em uma oportunidade", diz Francisco Lopera, coordenador do Grupo de Neurociências da Universidade de Antióquia. Em parceria com um instituto americano, o grupo está concluindo o mapeamento genético dos moradores e vai selecionar 250 voluntários que serão medicados a partir do ano que vem, antes de apresentarem os sintomas da doença.

É uma das apostas para tentar atrasar ou impedir que o Alzheimer se desenvolva. Acredita-se que os remédios hoje disponíveis têm sido pouco eficazes porque chegam ao paciente tarde demais. O cérebro já estaria muito debilitado para reagir. "Outros testes precisam ser feitos, sobretudo em relação ao Alzheimer tardio, mas acreditamos que iniciar o tratamento antes que a perda de memória ocorra é um passo importante para dar um fim ao Alzheimer", afirma Pierre Tariot, um dos diretores da pesquisa no Instituto Banner do Arizona.

La bobera
Na sexta-feira, 25 de novembro passado, o conselho municipal de Angostura ouviu chocado as explicações do doutor Lopera sobre como la bobera - o nome popular da doença - se espalhou na região. "Perdi a minha mãe há dez anos. E tenho 3 irmãs prostradas, duas em fase terminal", contou o conselheiro Carlos Baltazar. "As pessoas diziam que elas tinham puxado a mamãe e ficaram bobas também. É a herança. Mas tive sorte. Acho que escapei porque já cheguei aos 60 anos." Como ele, quase todos os 11 representantes (no Brasil, seriam vereadores) têm um parente ou conhecem alguém que esqueceu a própria história e, nos estágios mais avançados da doença, não consegue nem se alimentar sozinho.

Por muito tempo acreditou-se que la bobera era contagiosa. Diz a lenda que um padre proibiu a população de encostar em uma árvore maldita (não se sabe exatamente por quê). Os primeiros doentes teriam sido aqueles que ousaram desobedecer à ordem. Quem tocasse nas feridas ou fizesse sexo com um enfermo também ficaria bobo. Até 3 décadas atrás, era assim que, de agricultores a vereadores, todos entendiam a epidemia. Isso começou a mudar quando Lopera e sua equipe identificaram a mutação paisa ("camponês") nos genes dos pacientes da região. Ao notarem a grande ocorrência de pessoas doentes em Angostura e nas cidades vizinhas, cruzaram certidões de nascimento e óbito e reconstruíram os galhos da suposta maldição.

Naquele 1o encontro com uma autoridade municipal desde o início das pesquisas, os médicos da Universidade de Antióquia ouviram apelos para que revelassem os sobrenomes dos afetados. Responderam com uma negativa e a explicação de que esse tipo de dado não poderia ser revelado em público, para preservar os interessados. Muitos dos pacientes são conhecidos somente por um código, de forma a proteger a informação. É de se imaginar o impacto que a notícia pode ter a quem carrega a mutação. Na prática, vale como uma sentença de morte - ser portador da paisa é garantia de desenvolver a doença.

Oferecer seus cidadãos como cobaias do programa (não se sabe com certeza dos eventuais danos que o tratamento antecipado pode trazer ao organismo) não é tarefa fácil, mas é certo que Angostura não tem nada a perder. Ter a mutação leva a pessoa a apresentar a doença provavelmente entre 30 e 40 anos. Idosos com uma espécie de predisposição genética (entre algumas já identificadas, que favorecem o aparecimento do mal mas não garantem que ele ocorra) nos EUA também participarão da experiência. Antioquienses e americanos receberão drogas para tentar impedir a formação de placas beta-amiloides no cérebro, uma das principais características do Alzheimer. Há 389 grupos genéticos no mundo que apresentam a mesma forma da doença do clã colombiano - quem tem esse tipo precoce e hereditário representa 1% do total de vítimas da doença.

À meia luz, mirando seu PowerPoint na única parede que não estava tomada por imagens do padre Marianito e estantes velhas no pequeno salão, Lopera explicou aos conselheiros que o difícil acesso à região, os hábitos rurais herdados da ascendência basca e uma sucessão de casamentos consanguíneos levaram à imagem projetada: uma árvore genealógica de 3 séculos e sucessivas gerações cada vez mais atingidas pela mesma alteração no cromossomo 14.

Outro médico da equipe, Andrés Villegas, destacou na reunião o alto custo do tratamento dos doentes e sugeriu opções para que o município os atenda. "Uma caixa de medicamento custa 300 mil pesos por mês (cerca de 150 dólares), dali a pouco são duas caixas. É mais econômico investir em prevenção." O impacto sobre as famílias, em geral de baixa renda, é brutal. Não há rede hospitalar adequada e muitas recorrem à solidariedade para dar conta de seus parentes. Com alguma frequência, o sistema de saúde nacional obriga os colombianos a ir à Justiça para pagar itens como fraldas geriátricas.

Vítimas também da guerrilha
Angostura e todas as cidades da região ainda têm outro problema que encarece e dificulta muito o atendimento dos atuais e futuros doentes. É intensa a movimentação de guerrilheiros das Farc e paramilitares naquele pedaço estratégico dos Andes, que dá acesso ao mar e é rota do narcotráfico. Até recentemente, assassinatos e massacres ali eram comuns. A viagem da SUPER a Angostura e Yarumal foi atrasada em vários dias porque as estradas ficaram interrompidas após outro dos recorrentes ataques em que veículos são incendiados e suas carcaças transformadas numa espécie de campo minado para dificultar a ação da polícia. Uma enfermeira da universidade já foi sequestrada e os achaques a integrantes do grupo de pesquisa fazem parte da rotina em todas as cidades vizinhas. Certa vez, os médicos foram autorizados a passar desde que vissem a mãe de um guerrilheiro com sintomas da doença.

Numa das últimas casas da ladeira que dá na praça principal de Angostura mora Alba. Ela cuidou de sua mãe até o dia em que Líbia morreu de Alzheimer - seu cérebro foi um dos examinados na última década. Agora, aos 57 anos, é Alba quem depende inteiramente de cuidados. A psicóloga Lucía Madrigal faz visitas periódicas a ela e a outras famílias. Nascida na cidade, cresceu entre seus futuros pacientes. Escapou da mutação, mas sabe muito bem o que significa conviver com ela: "Para quem cuida dos enfermos não existe um projeto de vida. Uma pessoa que tomou conta de sua mãe tanto tempo chega aos 50 anos de mãos vazias". A Universidade de Antióquia tenta convencer a prefeitura a adequar uma casa para atender os doentes quando não há quem faça isso e mantém uma fundação para socorrer os doentes de Alzheimer e outras demências. Em Yarumal, a 40 minutos dali, Maria Elsy, de 61 anos, apresentou os primeiros sintomas aos 48. Não sai da cama e só se alimenta usando uma sonda nasogástrica. "Agora ela está muito bem. Acontece que é muito mimada. `Não é verdade que você é uma bebê mimada?¿", diz Vitória para a irmã de olhar perdido. Vitória e sua mãe, Laura, de 82 anos, cuidam de mais 2 irmãos com la bobera. Um 4o vive em Medellín. "Maria Elsy andou desanimada, mas agora está melhor." Entre as novas gerações de sua família, todos temem o futuro e já há quem se recuse a ter filhos.

Tratar o doente exige dedicação e recursos, e não só na Colômbia. Nos EUA, calcula-se em mais de 17 bilhões as horas não pagas de quem cuida de um familiar, equivalentes a 219 bilhões de dólares. Há cerca de 35 milhões de pessoas com o mal no planeta ( a grande maioria tem mais de 65 anos). No Brasil, são aproximadamente 1 milhão. Somados os gastos dos sistemas de saúde, a conta do Alzheimer bate 1% do PIB mundial (mais de 600 bilhões de dólares em 2010). Não surpreende que a indústria farmacêutica invista na área. Uma droga eficaz soa como uma mina de ouro. A experiência em Antióquia, que ainda está definindo seus patrocinadores (mas já testou 2,4 mil cidadãos para a mutação paisa, e fez outros exames) vai custar pelo menos 50 milhões de dólares e durar 5 anos.

O Alzheimer vai consumir cada vez mais esforços e vidas. A perspectiva de envelhecimento da população pode levar o total de vítimas a quase quadruplicar até 2050. É difícil distinguir seus sintomas do processo natural de envelhecimento do cérebro. E pior: ainda não se sabe exatamente o que causa a doença. As pesquisas atuais também investem em técnicas de imagem e na identificação de marcadores, determinados danos ao cérebro que possam servir de alerta antecipado tanto quanto possível para o início do mal (e de como ele evolui). Os antioquienses são preciosos para a compreensão desses mecanismos porque já se sabe que cairão doentes. Serão medicados 15 anos antes do surgimento esperado dos sintomas. "É um estudo de grande importância", afirma Sonia Brucki, da Academia Brasileira de Neurologia. Peter J. Whitehouse, neurologista da Universidade Case Western Reserve, porém, é mais cético. "Não está claro se os remédios que funcionarem para os voluntários vão servir para o Alzheimer tardio ou se as drogas serão eficientes se ministradas mais cedo."

Ainda que os resultados da pesquisa demorem muito a aparecer, ela já tem consequências. "Aqui em Angostura há quem tenha vergonha de ter um parente com Alzheimer. Isso é a primeira coisa que temos de mudar. Não sabemos quando poderá ser alguém da nossa família", disse o conselheiro Albeiro Agudelo naquela sexta-feira de novembro. A cidade tem muito o que lembrar. Para o próprio bem.

Inimigo desconhecido
Um contingente assustador de pessoas no mundo tem demência e nunca recebeu diagnóstico ou tratamento. Isso pode significar até 90% dos doentes em países menos desenvolvidos e 36 milhões de pessoas no total. Para a Associação Mundial de Alzheimer, este é hoje o maior desafio a ser enfrentado. Para quem tem Alzheimer, a demência mais comum, faz toda a diferença. Após os primeiros sintomas, a sobrevida média é de 8 a 14 anos. A degeneração do cérebro é progressiva e irreverssível. E ninguém até hoje foi capaz de explicá-la. Apesar de tanta ignorância, o que se sabe é mal aproveitado na prática clínica, sustenta o neurologista Cicero Galli Coimbra, professor da Unifesp. "Numa das pesquisas mais longas da história da medicina, George Vaillant, na Universidade de Harvard, demonstrou que o estilo de vida, o estresse e a depressão aumentam muito a chance de a pessoa desenvolver Alzheimer", afirma Coimbra. Tudo isso interfere na formação de novos neurônios, diz, antes de defender o foco na prevenção. "A abordagem generalizada é na busca de uma droga salvadora. Já sabemos que a vitamina D controla 229 funções das células cerebrais, mas poucos médicos dão atenção a isso: na cidade de São Paulo, no inverno, 77% da população apresenta déficit de vitamina D."

Superinteressante

Elvis Presley faria 79 anos hoje. Relembre uma de suas frases:

Frase da semana: “Julgar um homem por seu ponto mais fraco ou dívida é como julgar o poder do oceano por apenas uma onda” – Elvis Presley

                       
A frase aí de cima poderia ter sido dita por um grande filósofo ou, até, por um líder pacifista. Mas, como você já viu, ela é obra do Rei, sim, de Elvis Presley. Isso não quer dizer que ela não tenha sido registrada em um contexto espiritual: Elvis escreveu essas palavras na sua Bíblia particular, que havia ganhado de seus tios em 1956.
Como muitos dos grandes músicos do rock, Elvis foi bastante influenciado pela música gospel e pelos cânticos cristãos e sua família também era bastante ligada à religião. Só que, como a gente sabe, não foi esse caminho que Elvis The Pelvis seguiu. Com suas dancinhas sensuais – para a época, né -, o garoto de Memphis fazia as garotas suspirarem e desmaiarem.
Os filmes meio trash, como Viva Las Vegas e Fun in Acapulco, ajudaram a construir a imagem de galã do cantor e a criar um fã-clube gigantesco. Mesmo quando voltou a suas origens cristãs, no álbum gospel How Great Are Thou, Elvis manteve seu público fiel e a crítica foi bem favorável às novas experimentações.
Na década de 70, conhecida como a fase dos macacões brilhantes e quilos a mais, Elvis não era o mesmo cara que escandalizava mães e conquistava as moças. Mesmo assim, seus últimos shows foram lotados e seu funeral, em 1977, foi dos momentos mais impactantes da história cultural norte-americana. Os telefones em Memphis, por exemplo, pararam de funcionar de tantas ligações.
A morte do músico foi tão surpreendente que, para muita gente, Elvis não morreu.
Superinteressante

Um padre escreve ao Papa antes de morrer aos 31 anos.

© DR
Fabrizio nasceu em Nápoles (Itália), no dia 8 de setembro de 1982. Quase 3 mil pessoas se reuniram no bairro de Ponticelli para lhe dar adeus na igreja de Nossa Senhora das Neves, onde ele era vigário. Padre Fabrizio viveu um grande sofrimento nos últimos meses, mas com fé e força interior. Sempre sorrindo, com uma palavra de consolo para os amigos e familiares que estiveram com ele até o último momento. Oferecemos a seguir a carta que ele enviou ao Papa Francisco.

A Sua Santidade o Papa Francisco:

Santo Padre,

nas orações diárias que dirijo a Deus, não deixo de rezar pelo senhor e pelo ministério que Deus lhe confiou, para que Ele possa lhe dar forças e alegria para continuar anunciando a boa nova do Evangelho.

Eu me chamo Fabrizio De Michino e sou um jovempadre da diocese de Nápoles. Tenho 31 anos e há cinco sou sacerdote. Desempenho meu serviço no Seminário Arcebispal de Nápoles como professor de um grupo de diáconos, e em uma paróquia em Ponticelli, que se encontra na periferia de Nápoles. A paróquia, recordando o milagre registrado na colina Esquilino, recebe o nome de Nossa Senhora das Neves.

Ponticelli é um bairro degradado por sua pobreza e alta criminalidade, mas a cada dia descubro verdadeiramente a beleza de ver o que o Senhor realiza nestas pessoas que confiam em Deus e na Virgem.

Também eu, desde que estou nesta paróquia, pude ampliar cada vez mais meu amor pela Mãe Celeste, experimentando também nas dificuldades a sua proximidade e proteção. Infelizmente, há três anos eu luto contra uma doença rara: um tumor no interior do coração. Há um mês estou com metástase no fígado e no baço. Nesses anos difíceis, no entanto, nunca perdi a alegria de ser anunciador do Evangelho. Também no cansaço eu percebo, verdadeiramente, esta força que não vem de mim, mas de Deus, que me permite desempenhar com simplicidade o meu ministério. Há uma citação bíblica que tem me acompanhado e me enche de confiança na força do Senhor: “Dar-vos-ei um coração novo e em vós porei um espírito novo; tirar-vos-ei do peito o coração de pedra e dar-vos-ei um coração de carne” (Ez 36, 26).

Neste tempo tem sido muito próxima a presença do meu bispo, o cardeal Crescenzio Sepe, que me apoia constantemente, ainda que às vezes me peça para descansar, para que eu não me sobrecarregue.

Agradeço a Deus também por meus familiares e meus amigos sacerdotes que me ajudam e apoiam, sobretudo quando faço as diferentes terapias, compartilhando comigo os momentos de inevitável sofrimento. Também os meus médicos me apoiam muito e fazem o impossível para encontrar os tratamentos adequados para mim.

Santo Padre,

estou me alongando muito, mas só quero dizer que ofereço a Deus tudo isso, pelo bem da Igreja e pelo senhor de um modo especial, para que Deus o abençoe sempre e o acompanhe neste ministério de serviço e amor.

Eu lhe rogo que reze por mim: o que peço todos os dias ao Senhor é que seja feita a Sua vontade, sempre e em todas as partes. Não peço a Deus a minha cura, mas a força e a alegria de continuar sendo um verdadeiro testemunho de Seu amor e um sacerdote segundo o Seu coração.

Seguro de suas orações paternas, o saúdo devotamente.

Padre Fabrizio De Michino

Aleteia

Papa suprime o título de 'monsenhor' na Igreja

O Papa Francisco, que deseja uma igreja mais humilde e próxima das pessoas, decidiu suprimir os títulos honorários, entre eles o de "monsenhor", medida que busca acabar com "o classismo e o espírito mundano" dentro da hierarquia eclesiástica.
A decisão foi tomada há várias semanas e divulgada nesta quarta-feira (8) pela imprensa italiana.
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Papa Francisco fala com fiéis durante a audiência geral desta quarta-feira (8) (Foto: Tony Gentile/Reuters)Papa Francisco fala com fiéis durante a audiência geral desta quarta-feira (8) (Foto: Tony Gentile/Reuters)











O secretário de Estado do Vaticano enviou uma carta aos núncios (embaixadores) da Santa Sé em todo o mundo, para que informem os bispos sobre a medida.
O único título que os bispos poderão conservar é o de "capelão de Sua Santidade", afirma o texto, que enfatiza que a medida não tem caráter retroativo. Por isso, muitos eclesiásticos da Cúria Romana – o governo central da Igreja – continuarão mantendo o título de monsenhor.
Em 1968, o Papa Paulo VI, fonte de inspiração para Francisco, reduziu dentro da Igreja Católica o número de títulos honorários, que chegavam a 14 na época.
A atual decisão está de acordo com o desejo do Papa jesuíta de reformar gradualmente a Igreja.
Da France Presse

PSB diz que críticas feitas pelo PT a Eduardo Campos são 'desespero'

                        
O PSB publicou nesta terça (7) em seu site nota na qual rebate críticas feitas pelo PT no Facebook ao governador de Pernambuco e presidente nacional do partido, Eduardo Campos. O texto do PSB (veja íntegra abaixo), assinado pelo líder do partido na Câmara, Beto Albuquerque (PSB-RS), afirma que “fica evidente o desespero” da direção do PT em relação ao PSB ter “candidato próprio” nas eleições presidenciais do ano que vem.
“Fica evidente o desespero da direção do Partido dos Trabalhadores frente à discussão democrática do PSB em ter candidato próprio à Presidência da República em 2014. Tal desespero só demonstra a força das ideias e do debate que o PSB está propondo, sendo a real alternativa para que o Brasil avance nas mudanças que o povo brasileiro clama e precisa”, diz a nota.
No texto publicado pelo PT nesta terça-feira (7), intitulado "A balada de Eduardo Campos", o governador é chamado de "tolo" e "playboy mimado". A ex-senadora Marina Silva, que ingressou no PSB depois que a Justiça Eleitoral negou registro à Rede Sustentabilidade, partido que ainda tenta criar, é classificada como "vaidosa" e praticante do "adesismo puro e simples".

"Beneficiário singular da boa vontade dos governos do PT, de quem se colocou, desde o governo Lula, como aliado preferencial, Campos transformou sua perspectiva de poder em desespero eleitoral, no fim do ano passado. Estimulado pelos cães de guarda da mídia, decidiu que era hora de se apresentar como candidato a presidente da República – sem projeto, sem conteúdo e, agora se sabe, sem compostura política", diz o texto do Partido dos Trabalhadores.

Campos rompeu com o governo Dilma Rousseff em setembro, quando entregou os cargos que o PSB ocupava na administração federal, "em face da possibilidade de, legitimamente, poder apresentar candidatura à Presidência em 2014", segundo carta entregue na ocasião pelo governador à presidente.

Em resposta, o PSB afirmou ser “impossível negar os avanços que o Governo de Pernambuco obteve nos últimos sete anos, sob o comando do presidente nacional do PSB, Eduardo Campos”.

“Alegar que o sucesso do Governo de Pernambuco deveu-se a ajuda federal é, no mínimo, ingênuo, pois tal ajuda se fez presente a todos os Estados, inclusive aqueles dirigidos pelo PT, que não tiveram a mesma capacidade de formulação de projetos, planejamento e execução que o Governador Eduardo Campos, o mais bem avaliado e aprovado do país, reeleito com a maior votação da história do seu Estado”, publicou o PSB.

"Não é nota oficial. O PT não fez reunião para discutir. Foi um texto escrito pela equipe que cuida do Facebook. Foi um fruto de insatisfação por conta das críticas de Eduardo Campos, que até ontem era um aliado, vem fazendo à nossa política. Não é nota oficial, senão teria que ser assinada pelo presidente ou pela direção nacional", afirmou Cantalice.

Para o PSB  a nota divulgada pelo PT “revela que a parcela que hoje domina o PT perdeu completamente seu espírito republicano, abandonou seu norte politico e transformou-se numa seita fundamentalista que ataca qualquer um, mesmo sendo um importante ator do campo das esquerdas, que discorde em qualquer medida da atual condução política e econômica do país e das velhas práticas políticas que se assiste em Brasília”.

Marina Silva
Ainda na resposta ao PT, o partido classificou como “covarde” e “despolitizado” a nota publicada pelo PT no Facebook. O PSB afirmou ainda que “termos chulos” foram usados pelo PT ao se referir à ex-senadora Marina Silva, filiada à legenda.

De acordo com a publicação do PT, Marina Silva se tornou o "ovo da serpente" para Eduardo Campos. "É bem capaz que o governador esteja pensando com frequência na enrascada em que se meteu", porque, segundo o texto, "o objetivo de Marina é se viabilizar como cabeça da chapa presidencial pretendida pelo PSB".


"Veja a íntegra da nota publicada pelo PSB:
Sobre nota publicada no perfil oficial do Partido dos Trabalhadores (PT) no Facebook, intitulada 'A Balada de Eduardo Campos', o Partido Socialista Brasileiro (PSB) considera que:
1. Fica evidente o desespero da direção do Partido dos Trabalhadores frente à discussão democrática do PSB em ter candidato próprio à Presidência da República em 2014. Tal desespero só demonstra a força das ideias e do debate que o PSB está propondo, sendo a real alternativa para que o Brasil avance nas mudanças que o povo brasileiro clama e precisa;
2. É impossível negar os avanços que o Governo de Pernambuco obteve nos últimos sete anos, sob o comando do presidente nacional do PSB, Eduardo Campos. Alegar que o sucesso do Governo de Pernambuco deveu-se a ajuda federal é, no mínimo, ingênuo, pois tal ajuda se fez presente a todos os Estados, inclusive aqueles dirigidos pelo PT, que não tiveram a mesma capacidade de formulação de projetos, planejamento e execução que o Governador Eduardo Campos, o mais bem avaliado e aprovado do país, reeleito com a maior votação da história do seu Estado.
3. Além do ataque covarde e despolitizado ao Governador Eduardo Campos, a nota ainda usa termos chulos para tratar a ex-senadora Marina Silva, líder da Rede Sustentabilidade e filiada do PSB, uma ativista reconhecida internacionalmente pela sua defesa do desenvolvimento sustentável e figura de postura ímpar na política brasileira.
4. A nota revela que a parcela que hoje domina o PT perdeu completamente seu espírito republicano, abandonou seu norte politico e transformou-se numa seita fundamentalista que ataca qualquer um, mesmo sendo um importante ator do campo das esquerdas, que discorde em qualquer medida da atual condução política e econômica do país e das velhas práticas políticas que se assiste em Brasília;
5. O PSB manter-se-á firme na propositura de mudanças profundas na forma de se fazer política no Brasil, resgatando a dignidade dos partidos e agentes politicos, tão desgastados pela descompostura daqueles que hoje formam a aliança que dirige Brasília.
6. Por fim, o PSB clama à sociedade brasileira que rechace a forma desrespeitosa, patética e desqualificada com a qual o Partido dos Trabalhadores está tentando conduzir o debate pré-eleitoral de 2014. O Brasil merece respeito.
Beto Albuquerque
Líder do PSB na Câmara dos Deputados"
Filipe MatosoDo G1, em Brasília

Veja responsabiliza Oligarquia Sarney por crise na Segurança do Maranhão

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Artigo do jornalista Gabriel Castro, da Veja Brasília, responsabiliza a oligarquia que governa estado há meio século pelo caos no sistema prisional do Maranhão, que faz vítimas dentro e fora da Penitenciária de Pedrinhas e coloca toda a população do estado à mercê das facções criminosas:
“A sequência de horror registrada nos últimos vinte dias no Maranhão chocou até mesmo uma sociedade já acostumada ao noticiário de crimes brutais. O banho de sangue, com imagens de presos decapitados e esquartejados na penitenciária de Pedrinhas, na Grande São Luís, já deixou 62 detentos mortos no período de um ano. O retrato da barbárie nas cadeias maranhenses inclui ainda estupros de familiares de presidiários nos dias de visitas íntimas. Na última sexta-feira, a selvageria ultrapassou os muros do presídio: ataques a ônibus e delegacias espalharam terror nas ruas de São Luís. Uma criança de seis anos morreu queimada. O criminoso obedecia a uma ordem de dentro do presídio de Pedrinhas.
Políticos costumam culpar os antecessores pelos problemas crônicos enfrentados por suas gestões. Mas a governadora Roseana Sarney (PMDB), no quarto mandato no Maranhão, não poderá fazê-lo: com exceção de um período de dois anos, o Estado é governado desde 1966 pelos integrantes do clã político de José Sarney.
O único revés do grupo ocorreu em 2006, quando Jackson Lago (PDT) derrotou Roseana nas urnas. Mas ele só resistiu até o começo de 2009, dois anos depois da posse: a Justiça Eleitoral tirou o cargo do pedetista sob a acusação de compra de votos. Roseana herdou o mandato, e venceu também as eleições de 2010.
Sarney nunca fez oposição a um presidente da República: apoiou a ditadura militar enquanto lhe interessou e foi pulando de barco até firmar a improvável aliança com o PT de Luiz Inácio Lula da Silva e Dilma Rousseff. Dos dois, recebe deferências – e o poder de nomear afilhados em órgãos importantes da administração federal.
Enquanto isso, os maranhenses convivem com um cenário desolador: segundo dados do Atlas do Desenvolvimento, o Estado tem o penúltimo lugar no ranking do Índice de Desenvolvimento Humano (IDH), à frente apenas de Alagoas. A renda per capita, de 348 reais, é a menor do país. Apenas 4,5% dos municípios do estado têm rede de esgoto.
Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), 20,8% dos maranhenses eram analfabetos em 2012. Pior: o número significa um aumento em relação a 2009, quando 19,1% da população não sabiam ler e escrever. Ou seja, durante o governo de Roseana, a situação se agravou – o Maranhão foi o único Estado do Nordeste que regrediu no período.
Um dos poucos índices nos quais o Maranhão não se destacava negativamente no plano nacional era a violência. Mas, como mostra o episódio de Pedrinhas, isto também é passado: entre 2000 e 2010, a taxa de mortes por armas de fogo no Estado subiu 282%. O surgimento de facções criminosas tornou mais evidente o fracasso do governo nessa questão. O governo do Estado falhou ao evitar o conflito sangrento entre criminosos encarcerados e novamente depois, ao tentar debelá-lo. Por fim, receberá ajuda do governo federal para resolver a situação, com a transferência de detentos para outras unidades prisionais do país.
O Maranhão já era pobre quando Sarney assumiu o poder. E sabe-se que não é fácil resolver o problema do subdesenvolvimento crônico. Mas, em 2014, isso já não pode ser usado como desculpa.”
Por Gabriel Castro, de Brasília

Faltam policiais no Maranhão, admite secretário-adjunto

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O secretário-adjunto de Segurança Pública do Maranhão, Laércio Mendes, admitiu nesta quarta-feira, 08, que o número efetivo de polícia do Estado - que tem média de um policial para cada 890 habitantes - é insuficiente. "Nós temos o menor efetivo do Brasil. Enquanto a ONU recomenda um policial para cada 300 habitantes, nós temos aqui um para 890", disse Mendes. Em entrevista à Rádio Estadão, ele fez questão de ressaltar que o Maranhão já fez concurso público para a polícia e que os novos homens estarão nas ruas até fevereiro.

O secretário-adjunto negou que a situação da violência no Estado tenha piorado nos últimos 7 anos, período de governo de Roseana Sarney (PMDB). Ele colocou a culpa pela piora de índices no cenário de poucos policiais encontrado pela administração de Roseana.

Questionado sobre a necessidade do envio de homens da Força Nacional de Segurança Pública para o Estado, o secretário-adjunto afirmou que a ajuda seria bem-vinda. A Força Nacional está no Maranhão há cerca de 60 dias, mas atua apenas no sistema prisional. "A presença da Força Nacional é bem-vinda, vai nos ajudar muito", disse. 

A opinião de Martins é diferente da exposta nesta terça-feira, 07, pelo subcomandante Geral da Polícia Militar do Maranhão, coronel João Alfredo Nepomuceno, que disse ontem que o reforço federal não é necessário. Os dois, porém, concordam ao afirmar que a violência na região metropolitana de São Luís está sob controle. Até o momento, 20 pessoas que participaram dos ataques foram presas.

A recente onda de violência no Estado começou dentro do Complexo Penitenciário de Pedrinhas, onde somente este ano duas pessoas morreram. A crise no sistema carcerário ganhou as ruas da capital na semana passada. Presidiários deram ordens para que bandidos queimassem quatro ônibus e atirassem em uma delegacia de polícia.

Agência Estado