24 de junho de 2018

Arábia Saudita finalmente permite que as mulheres dirijam

Riad suspende a proibição de dirigir para as mulheresRiad suspende a proibição de dirigir para as mulheres  GETTY IMAGES
Finalmente chegou o dia. A partir deste domingo, a Arábia Saudita permite que as mulheres dirijam. Nove meses após o rei Salman suspender a anacrônica proibição com um decreto real, as sauditas sentarão ao volante. “Vou dirigir. A qualquer lugar. De forma aleatória. Quero saber como é a sensação de conduzir de forma legal”, responde exultante Hatoon al Fassi quando lhe perguntam sobre seus planos para este dia. No entanto, a detenção de várias ativistas que, como ela, lutaram para conseguir a mudança, mancha a iniciativa e levanta dúvidas sobre a profundidade da reforma promovida pelo filho e herdeiro do monarca, o príncipe Mohamed bin Salman (conhecido pelas iniciais MBS).
“Isso significa muito para nós. Vamos assumir as rédeas de nosso destino”, afirma Al Fassi, professora universitária e veterana ativista dos direitos da mulher, após trocar sua carteira de habilitação de um país vizinho pelo novo documento saudita. Outras se prepararam nas autoescolas (só para mulheres) que funcionam desde março.
A mudança vai muito além do simples fato de poder sentar ao volante. A proibição limitou a mobilidade das mulheres num país sem um transporte público digno desse nome (o metrô de Riad ainda não foi inaugurado) e dificultou sua entrada no mercado de trabalho, embora a preparação delas seja, em média, superior à dos homens. É um desperdício de talento que o Reino do Deserto não pode continuar se permitindo.
Foi o que reconheceu o príncipe Mohamed, a quem é atribuída a decisão. MBS promove um ambicioso programa de reformas para superar a dependência do petróleo, o que exige a modernização da sociedade e a redução da influência do clero (bastião das posturas mais conservadoras, mas também fonte de legitimidade da monarquia). Um dos objetivos de sua Visão 2030 é conseguir que, este ano, as mulheres sejam 30% da força de trabalho (hoje são 10%). Daí a necessidade de acabar com a proibição de dirigir.
Os analistas já calculam os benefícios. Esperam que a medida abra o mercado de trabalho para as mulheres. Algumas já se inscreveram nos programas de plataformas de transporte como Uber e Careem, em busca de emprego. Logo de cara, a eventual redução do número de motoristas particulares terá um impacto positivo no orçamento de muitas famílias. Os analistas também preveem que a medida estimule a venda de carros e o setor de seguros.
“Mal posso esperar pelo momento. Sinto que vou chorar. Estou convencida de que será algo muito emotivo”, diz N., a saudita que há três anos conduziu esta correspondente pelas ruas de Riad. Tirou carteira nos Estados Unidos, quando estudava Medicina. No entanto, em seu próprio país, essa prestigiosa profissional em cujas mãos muitos sauditas confiam sua saúde e até mesmo suas vidas, era proibida de dirigir até este domingo, e ainda continua sob a tutela formal de seu esposo. “Não tem sentido”, constata. O fato de que seja mantido o ominoso sistema de tutela gera dúvidas sobre a profundidade da mudança. Para muitas sauditas, pouco adianta terem direito de dirigir se continuarem precisando da autorização de um homem (pai, marido, irmão ou filho) para ir à universidade, renovar o passaporte e viajar ao exterior.
Elas veem com preocupação a recente prisão de 17 ativistas (incluindo três homens) que há anos fazem campanha pelo direito de dirigir e pela abolição da tutela. Nove mulheres, entre elas as veteranas Aziza al Yousef, Iman al Nafyan e Loujain al-Hathloul, continuam presas acusadas de crimes muito graves, incluindo o de “traição”, que, além de serem punidos com penas elevadas, buscam abalar sua reputação, segundo várias ONGs internacionais. Seu caso preocupa o Escritório do Alto Comissariado da ONU para os Direitos Humanos.
As autoridades do reino parecem temer que o ativismo das mulheres se estenda a outras reclamações. Desde o início, deixaram claro que a suspensão da proibição de dirigir era uma concessão real, não um direito conquistado. Não houve nenhum reconhecimento às numerosas sauditas que durante três décadas fizeram campanha para consegui-la. Ao contrário: pediram-lhes silêncio.
“Cada passo nos lembra sobre a necessidade de passar ao nível seguinte. Ainda há um longo caminho pela frente”, admite Al Fassi, embora com esperança.

O PREÇO DE NÃO DIRIGIR

Para poder ir todo dia ao trabalho, as sauditas precisam de um motorista. Isso significa gastar entre 800 e 3.000 riais sauditas (entre 828 e 2.185 reais) por mês, dependendo da cidade, dos horários e do uso (ou não) de veículos compartilhados. Para muitas delas, o valor corresponde a metade do salário.
Segundo cifras oficiais, a Arábia Saudita, com 33 milhões de habitantes – um terço deles imigrantes –, gasta 25 bilhões de riais sauditas (cerca de 26 bilhões de reais) por ano nos salários de 1,38 milhões de motoristas particulares, a maioria estrangeiros contratados para facilitar a mobilidade das mulheres.

Por Ángeles Espinosa
Com informações do El País

Egito acelera a construção de sua nova capital no meio do deserto

O presidente egípcio Al Sisi, visitando as obras da nova capital
O presidente egípcio Al Sisi, visitando as obras da nova capital EL PAÍS

Pouco mais de 1.000 anos e centenas de batalhas e intrigas palacianas depois, a mítica cidade do Cairo (“A Vitoriosa”, em árabe) perderá o privilégio de ser a capital do Egito. Sua sucessora ainda não tem nome, mas sua criação se iniciou já há dois anos e avança em bom ritmo. A nova capital, de dimensões e características enormes para um país em vias de desenvolvimento, faz parte dos sonhos de grandeza do general Abdul Fatah Khalil Al-Sisi, empenhado em se transformar em uma encarnação moderna dos todo-poderosos faraós. Mesmo que não sejam poucos os que se mostram céticos sobre a viabilidade de um projeto que pretende descongestionar o Cairo, em seus mais de quatro anos de Governo, Al Sisi demonstrou ser um homem com vontade e determinação de ferro.

Em um vídeo promocional podem ser vistos dezenas de caminhões e trabalhadores andando nas areias do Saara, e ao fundo, os esqueletos de alguns dos edifícios que constituirão o “bairro administrativo”, incluindo o mastodôntico Parlamento, cuja superfície será o triplo do atual. No geral, todos os atributos desse projeto serão espantosos: seus mais de cinco milhões de habitantes, seu parque maior do que o Central Park de Nova York, seu “rio verde” artificial... E tudo isso pontilhado por mais de duas dezenas de arranha-céus, incluindo um de quase 400 metros. Nas maquetes, a nova cidade parece uma mistura de Dubai e Vancouver. Uma utopia no meio do deserto – 40 quilômetros a leste de Cairo – que, nas palavras do porta-voz da obra, ganha um caráter mais distópico.
“Será uma cidade totalmente inteligente e completamente segura, com câmeras em todas as ruas. De maneira que, por exemplo, no mesmo instante de um acidente de trânsito, do centro de controle, já estarão mandando uma ambulância”, diz orgulhoso Khaled el-Husseini. De acordo com os planos do Governo, no segundo semestre do próximo ano já terão sido feitas as mudanças das sedes de todos os ministérios, e irão “incentivar” as embaixadas estrangeiras para que sigam seus passos. Em 2021, cinco anos depois do início dos primeiros trabalhos, está prevista a finalização de boa parte da obra. Um tempo recorde. “É um sonho. Dará uma grande imagem do Estado egípcio”, diz o porta-voz em um conversa por telefone.
Por outro lado, el-Husseini, um oficial do Exército, não dá uma visão tão precisa ao ser perguntado sobre seu custo ao contribuinte: “Por enquanto, colocamos 20 bilhões de libras (6 bilhões de reais), e acreditamos que o restante virá de investidores estrangeiros e egípcios. Mas não existe um orçamento final definitivo”. A sociedade encarregada de desenvolver o projeto, a ACUD, tem 51% de participação do Exército e 49% do Ministério da Habitação. É difícil, entretanto, saber as contas exatas da obra, já que o orçamento do Ministério da Defesa é um segredo de Estado. Desde a chegada de Al Sisi ao poder, o Exército está assumindo um papel cada vez mais proeminente tanto no setor privado como nas obras públicas, o que provocou o mal-estar de muitos empresários.
“Não está muito claro quem está pagando esses novos projetos. Não há muita transparência”, diz o economista Amr Adly. A nova capital, da mesma forma que a ramificação do Canal de Suez projetada em 2015, faz parte dos chamados “projetos nacionais”, uma série de obras faraônicas com as quais Al Sisi pretende estimular a economia e deixar sua marca na história do país. Desde o ano passado, o PIB cresce acima de 4%, mas não está claro qual é o impacto dessas obras. “O problema é que não foram feitos sobre uma base rigorosa de estudos de viabilidade... Atraem muitos recursos a curto prazo sob a promessa incerta de lucros no futuro”, diz Adly. Além disso, sua polêmica construção coincide com a aplicação de um duríssimo plano de ajuste acertado com o FMI em troca de um crédito de 11 bilhões de euros (48 bilhões de reais), e que inclui dolorosos cortes.
Para o urbanista David Sims, a nova capital é o último de uma série de projetos nocivos iniciados há meio século e destinados a criar modernas cidades na periferia desértica do Cairo, uma congestionada e poluída megalópole com mais de 20 milhões de habitantes. Como documenta em seu livro Egypt’s Desert Dreams, boa parte desses planos terminaram em bairros fantasma, com vários edifícios por finalizar. “Foram ignoradas as lições das experiências anteriores. A razão é a existência de um mercado especulativo na Grande Cairo. Vender terreno público pode gerar muito dinheiro”, afirma.
Desconectadas da rede de transporte público, as novas cidades, como Tagamu al-Khamis, frequentemente só atraíram as classes mais abastadas. O mesmo pode acontecer com a nova capital, pois os preços de seus luxuosos apartamentos, anunciados com piscina e spa compartilhados e vistas, são proibitivos à maioria em um país onde mais de 40% da população vive com menos de sete reais por dia. Em cidades com nomes sugestivos como Il Bosco e Beta Greens, cuja publicidade está por todas as rodovias, o valor de um apartamento de dois quartos supera os 60.000 euros (265.000 reais). “O egípcio médio não pode pagar. Gostaríamos de destinar 20.000 apartamentos a moradias sociais, mas ainda não está decidido”, diz Husseini. Para o Governo, a nova capital é um “sonho”. Para muitos egípcios, não passa de uma miragem.
Por Ricard González
Com informações do El País

Obesidade entre jovens cresceu 110% nos últimos 10 anos

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Um em cada cinco brasileiros é obeso. Mas a boa notícia é que desde 2016 esse número não mudou o que aponta para uma mudança dos hábitos de vida da população. Nos últimos dez anos o consumo de frutas e hortaliças em pelo menos cinco dias da semana cresceu cerca de 5%; a prática de atividades físicas aumentou 24%. E, ao mesmo tempo, o consumo de refrigerantes e bebidas açucaradas, como sucos de caixinha, por exemplo, caiu em quase 53%! O problema é que ao fazer a análise por faixa etária, o cenário é alarmante: nos últimos dez anos, o número de jovens entre 18 e 24 anos que sofrem de obesidade cresceu em 110%. O consumo de alimentos artificiais e a falta da prática de atividades físicas estão atrelados aos hábitos dessa faixa etária, por isso, segundo a diretora do Departamento de Vigilância de Doenças Crônicas do Ministério da Saúde, Fátima Marinho, esses costumes podem custar caro em um futuro próximo.
“Ele vai mudando de faixa etária e ele vai cada vez mais ganhando mais peso por causa do hábito alimentar que adquirido quando jovem. E isso vai gerar obesidade. E a obesidade é risco para diabetes, hipertensão arterial e leva a problemas cardíacos, por exemplo, a insuficiência cardíaca; ou até insuficiência renal – que é da própria diabetes também. Além de ser risco para câncer também”.
Até 2019, o Ministério da Saúde pretende reduzir o consumo regular de refrigerante e suco artificial em pelo menos 30% na população adulta, e ampliar em cerca de 18% o percentual de adultos que consomem frutas e hortaliças regularmente.
O Ministério da Saúde tem adotado medidas para melhorar a qualidade dos alimentos vendidos nos mercados, como a redução do sódio nos produtos alimentícios, que em quatro anos já possibilitou a retirada de mais de 14 toneladas de sódio de diversos produtos.

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Por Roberto Moreira
Com informações do Diário do Nordeste

Ferroviário bate Altos fora de casa e está a um mata-mata do acesso


O Ferroviário está a dois jogos da Série C do Campeonato Brasileiro. O Tubarão venceu o Altos-PI fora de casa por 4 a 2 neste sábado, 23, e avançou para as quartas de final da Série D. Edson Cariús foi o destaque da partida, marcando três gols e se tornando o artilheiro da competição.

Obrigado a vencer devido o empate em casa por 1 a 1 no jogo de ida, o Ferroviário começou logo abrindo vantagem sobre o Altos no estádio Felipe Raulino. No primeiro minuto de jogo, Cariús recebeu a bola livre de marcação e colocou no canto direito do goleiro Gideão. Aos 17, após contra-ataque, o artilheiro do time coral ficou novamente cara a cara com o arqueiro do Altos, levando a melhor de novo. 

O que parecia fácil começou a complicar ainda no primeiro tempo. Com 30 minutos de jogo, o capitão Dos Santos cobrou pênalti e diminuiu o placar. Na volta do intervalo os donos da casa voltaram pressionando muito.  Foram três chances de gol consecutivas até o empate ocorrer, aos 10. Gleibson deu rebote de um chute forte de Klenisson e Tavares completou para o gol.

A decisão se encaminhava para os pênaltis. O empate persistiu até os 43 minutos, até que Mazinho fez o gol da classificação coral. Ele finalizou da entrada da área e marcou o terceiro gol do Ferroviário. Sete minutos foram acrescidos pelo árbitro e nesse período, Cariús fez o hat-trick e confirmou o Tubarão nas quartas de final.

O adversário só será conhecido ao fim da rodada, que ainda conta com jogos no domingo e segunda.

Com informações do O Povo

Fortaleza é derrotado pelo Oeste e perde invencibilidade em casa


Neste sábado, o Fortaleza recebeu o Oeste, em jogo válido pela 12ª rodada do Brasileiro Série B, na Arena Castelão, e perdeu por 2 a 1. As equipes voltaram a se enfrentar depois de seis anos e o confronto terminou novamente com a vitória dos paulistas.
A equipe de Rogério Ceni jogou com uma formação ofensiva e teve mais chances de marcar gols, porém sofreu com os contra-ataques do time de Roberto Cavalo e acabou derrotado.
Apesar da derrota, os cearenses continuam na liderança da Série B, com 26 pontos, quatro a mais que o vice-líder Avaí. Já o Oeste conseguiu uma vitória muito importante, saiu da da zona de rebaixamento e subiu para a 14ª colocação, com 15 pontos.
Na rodada seguinte, o Fortaleza visita o Paysandu no próximo sábado, às 20h30 (de Brasília), no Mangueirão. Já o Oeste recebe o Avaí, nesta terça-feira, às 20h30 (de Brasília), na Arena Barueri.
Com informações da Gazeta Esportiva

Custo do voto: pagamento é antecipado e em dinheiro vivo e prazo certo


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Está custando, “no mercado livre”, até R$ 70 o voto para deputado estadual, e R$ 100 para deputado federal. O pagamento é em espécie, dividido em parcelas, até as vésperas do dia da votação. Os “vaqueiros”, como estão sendo chamados os outrora cabos eleitorais, não toleram atraso nas parcelas negociadas, tanto que o mês de agosto é chamado de período da recompra, pois naquele mês alguns contratos chegam a ser desfeitos por descumprimento do calendário de desembolso.
As negociações são do domínio público no mundo político, mas a cumplicidade, inclusive entre concorrentes, dificulta o trabalho da fiscalização para comprovar a existência dos contratos. Só nos flagrantes, no dia da votação, a compra direta nas proximidades das seções eleitorais é comprovada, com quase nenhuma consequência para comprador e vendedor.
O procurador-regional eleitoral cearense, Anastácio Nóbrega Tahim Júnior, apoiado em informações publicadas pelo Diário do Nordeste, relatando pronunciamentos de deputados na Assembleia Legislativa cearense sobre a compra de votos, já tomou o depoimento de dois parlamentares nesta semana.
Os depoentes não negaram o relatado pelo jornal, mas disseram não ter provas do que afirmaram, apesar de ser voz corrente a prática do crime para captação de votos, disseram. Eles, e tantos outros, só talvez nominem os que lhes tomaram os votos pelo poder do dinheiro ao fim da disputa. E se forem derrotados, portanto, nenhum procedimento judicial os obrigará a nominar os responsáveis por essa anomalia entranhada no processo eleitoral brasileiro.
A Justiça Eleitoral, com os seus parcos recursos investigatórios, e o Ministério Público, idem, jamais terão condições de alcançar a todos quantos conquistam mandatos utilizando-se de expedientes reprováveis. A Lava-Jato está mostrando que as prestações de contas dos candidatos aprovadas pelos tribunais, uma exigência da legislação para todos os eleitos, não correspondem à realidade dos gastos da campanha.
Contabilizado
É a realidade do Caixa 2 nas eleições brasileiras. Em duas oportunidades diferentes, neste ano, tratamos do tema neste espaço. Em uma delas quando apontávamos a irrealidade que são os tetos fixados pela legislação para os gastos de todos os candidatos no pleito deste ano, sem impedimento de qualquer das práticas motivadoras dos gastos da eleição no atual modelo brasileiro.
“Não existe campanha política no Brasil sem dinheiro não contabilizado, Caixa 2. Não se faz. Se alguém disser que faz, não está falando a verdade”, disse Mônica Moura, mulher de João Santana, responsáveis pelas últimas campanhas do PT nacional. Não é uma afirmação à toa. Ela está nos autos do processo em que é réu o ex-presidente Lula, no caso do sítio de Atibaia. Ela e o marido são réus em ação criminal por lavagem de dinheiro, exatamente por terem recebido recursos para pagamento dos trabalhos do casal, sem o devido registro nos comitês financeiros das campanhas respectivas.
Duda Mendonça, outro destacado marqueteiro nacional, também já fez afirmação semelhante, agora, recentemente, em relação às eleições para o Governo de São Paulo, em 2014, quando trabalhou para Paulo Skap, e bem antes, no célebre processo do Mensalão, por ter recebido parte da sua remuneração em uma das campanhas do ex-presidente Lula, em conta secreta no exterior. Dinheiro não registrado na prestação de contas encaminhada ao Tribunal Superior Eleitoral, e por este aprovada.
Principal
Estes são apenas exemplos de desvios em disputas majoritárias, as mais visadas. As dos parlamentares são bem mais soltas, e consequentemente menos fiscalizadas. É verdade, também, que somam valores bem menos expressivos em sendo comparadas com as de prefeitos, governadores e presidente da República.
O despudor de muitos para comprar votos inclui, além do dinheiro em espécie, a utilização da máquina pública da União, dos estados e dos municípios. Nestes, o caminho é aberto pelas emendas parlamentares ou pelos convênios intermediados entre eles e os dois outros governos, isto sem se falar nos empregos, talvez a parte menos onerosa para o Erário.
Uma fiscalização percuciente da aplicação desses recursos, sem dúvida, constatará que parte deles foi utilizada para fins eleitorais. E quando os valores das emendas e convênios são considerados insuficientes para satisfazer os “vaqueiros”, é imperioso o aporte de reais para fechar a conta correspondente aos preços estipulados por voto.
Lamentavelmente, pela falta de educação política, de compromisso com a causa pública, aliado ao interesse pessoal e familiar de muitos dos pretendentes a ter mandatos eletivos, mulheres e homens cônscios de suas responsabilidades cidadãs têm que recorrer às forças repressivas oficiais para inibirem as ações maléficas deturpadoras dos resultados do pleito e, por extensão, a formação de uma representação política deformada, sem compromisso com os verdadeiros interesses da sociedade, resultando, daí, a má gestão dos recursos dos executivos, assim como no negativo desempenho dos diversos legislativos.
O eleitor é, sim, por fim, o principal responsável e vítima dessa situação real. Ele quase nunca recebe os R$ 100 ou R$ 70 como foi negociado com os candidatos, mas sofre todas as consequências por ter aceitado ser guiado por inescrupulosos.

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Por Edison Silva
Com informações do Diário do Nordeste

23 de junho de 2018

Marcelo Oliveira é o novo treinador do Fluminense

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O Fluminense já tem novo treinador para a sequência da temporada. O mineiro Marcelo Oliveira acertou contrato até o fim do ano e conhecerá os atletas na próxima terça-feira, data da reapresentação do grupo tricolor.
Marcelo Oliveira tem no currículo dois títulos brasileiros pelo Cruzeiro (2013 e 2014) - quando foi eleito melhor técnico da competição nas duas vezes -, e um da Copa do Brasil, pelo Palmeiras (2015). Deste último torneio, aliás, foi finalista outras quatro vezes (2011, 2012, 2014 e 2016). Além disso, foi bicampeão paranaense (2011 e 2012) e campeão mineiro (2014). O último trabalho foi à frente do Coritiba, no ano passado. A escolha, além do currículo vitorioso, se deu pelo bom histórico em trabalhos com jogadores jovens, uma das características do atual grupo tricolor.
O novo treinador do Fluminense será apresentado à imprensa na próxima terça-feira, juntamente com o diretor executivo Paulo Angioni.
FICHA TÉCNICA
Nome completo: Marcelo de Oliveira Santos
Data e Local de Nascimento: 4/3/1955, em Pedro Leopoldo (MG)
Clubes como treinador: CRB, Atlético-MG, Ipatinga, Paraná, Coritiba,  Vasco, Cruzeiro, Palmeiras e Atlético-MG
Títulos: Campeonato Brasileiro (2013 e 2014); Copa do Brasil (2015); Campeonato Mineiro (2014); Campeonato Paranaense (2011 e 2012)

Com informações do fluminense.com

Líder Fortaleza recebe Oeste e quer manter invencibilidade em casa

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Ainda sem perder em casa nesta temporada da Série B, o líder Fortaleza recebe neste sábado o Oeste para manter a invencibilidade e seguir disparando na ponta da tabela. A partida é válida pela 12ª rodada do Campeonato Brasileiro e a bola rola às 19h (de Brasília), no Castelão.
Somando 26 pontos, o time de Rogério Ceni é o líder isolado, com quatro pontos de vantagem para o segundo colocado Avaí. Há duas rodadas, a equipe perdeu pela primeira vez no campeonato, quando caiu para o São Bento fora de casa, mas já se recuperou e vem de vitória sobre o Brasil de Pelotas.
Para o duelo deste sábado, Rogério Ceni terá à disposição o meia Edinho e o volante Igor Henrique, recuperados de uma virose. Quem segue como dúvida para a partida são o lateral-direito Tinga e o atacante Gustavo, ambos com lesões na coxa e em processo de recuperação.
O Oeste, por sua vez, vive situação completamente oposta. Sem vencer a cinco jogos e com apenas duas vitórias em 11 jogos, a equipe tem 12 pontos e é a primeira na zona do rebaixamento e um resultado positivo contra o líder faz com que o time ganhe posições importantes e inclusive deixe o Z4.
“Temos um jogo difícil, contra o líder, uma das melhores equipes do Campeonato. A comissão está passando detalhes da equipe deles para que gente possa fazer um bom jogo lá. Trabalhamos bem a semana, corrigimos nossos erros e tenho certeza que vamos chegar lá sábado e fazer um bom jogo. Vamos fazer nosso máximo dentro e fora de campo”, destacou o lateral Daniel Borges.
FICHA TÉCNICA
FORTALEZA x OESTE 

Local: Estádio Castelão, em Fortaleza (CE)
Data: 23 de junho de 2018, sábado
Horário: 19 horas (Brasília)
Árbitro: Grazianni Maciel Rocha (RJ)
Assistentes: João Luiz Coelho de Albuquerque (RJ) e Thiago Henrique Neto Correa Farinha (RJ)

FORTALEZA: Marcelo Boeck; Felipe (Tinga), Diego Jussani, Ligger e Bruno Melo; Jean Patrick, Pablo, Dodô e Derley; Edinho (Gustavo) e Wilson
Técnico: Rogério Ceni

OESTE: Tadeu; Daniel Borges, Patrick, Lídio e Conrado; Rodrigo Souza, Bonilha e Danielzinho; Claudinho, Mazinho e Carlinhos
Técnico: Roberto Cavalo

Com informações da Gazeta Esportiva

22 de junho de 2018

A hegemonia digital dos EUA está com os dias contados?

iStock-510851586.jpgNão será mais fácil convencer os outros a abrir mão da sua soberania em nome da internet global
Enquanto os Estados Unidos de Donald Trump se preparam para uma guerra comercial total com a China ressurgente, Washington parece ter esquecido os próprios mecanismos que garantiram seu predomínio na era Pós-Guerra Fria.
Esses mecanismos eram sustentados não só pelo poderio militar do Pentágono, mas também pela capacidade de minimizar as possibilidades de qualquer dissidência antissistêmica.
Os políticos estadunidenses sabiam perfeitamente que a marca da hegemonia efetiva é a invisibilidade de suas operações. Fazer outras pessoas se comportarem como desejado é mais fácil quando essas pessoas acreditam que fazê-lo é não só de seu interesse, como também o curso natural da história e do progresso.
Por que tentar apregoar algo tão difícil de engolir quanto o colonialismo, se pudermos fazer outros países se renderem a contos de fadas sobre os benefícios mútuos do livre-comércio?
De todos os mitos que solidificaram a hegemonia estadunidense nas últimas três décadas, o mito da tecnologia mostrou-se o mais poderoso. Ele projeta a tecnologia como uma força natural e neutra que poderia eliminar os desequilíbrios de poder entre os países. A tecnologia não era algo a ser manipulado ou redirecionado; só podíamos nos adaptar a ela – como nos adaptaríamos  aos caprichos do mercado, mas com muito menos resistência.
Uma aldeia global estava sendo criada, por cortesia das redes e dos bits. “O fim da história” parecia tentador em todas as línguas, mas nenhum idioma o colocou de forma tão eloquente quanto o da tecnologia. Nunca havia existido um modo de ser tão entusiástico sobre o capitalismo sem sequer citá-lo pelo nome. O importante não era quem possuía a tecnologia, mas como a usávamos.
Tais formulações ajudaram a ocultar muitas verdades básicas sobre a verdadeira relação entre tecnologia e poder. Primeiro, a aldeia global só era global na medida em que seu patrão principal – os Estados Unidos – precisasse que o fosse. Segundo, não havia nada natural ou neutro nos critérios, redes e protocolos do universo digital: originários da Guerra Fria, a maioria deles visava ampliar a influência americana.
Terceiro, ingressar numa rede única e inviolável nunca foi um meio fácil para a libertação nacional. De armas cibernéticas a inteligência artificial e vigilância, a interconectividade e a digitalização, longe de eliminarem antigos desequilíbrios de poder, criaram muitos novos.
De todo modo, essa ideologia – a da internet – serviu aos interesses estadunidenses muito bem, produzindo muitas das maiores empresas tecnológicas do mundo. Em 2018, entretanto, ela começou a se esgarçar.
A aldeia global americana se desintegra. Vejam as plataformas digitais que, com sua capacidade de crescer em toda parte, deveriam ser o apogeu da tecno-hegemonia americana. O plano funcionou, mas só inicialmente. Então o Vale do Silício descobriu que os mais próximos aliados dos EUA financiavam com sucesso concorrentes locais à expansão global das gigantes tecnológicas americanas.
Veja a Uber: suas ambições globais foram contidas pela Ola na Índia, DiDi na China, 99 no Brasil, Grab no Sudeste Asiático e Yandex Taxi na Rússia. E, com exceção da Yandex, todos os concorrentes – incluindo a própria Uber – foram fundados pelo SoftBank do Japão e incluídos em seu Vision Fund.
Este reúne o dinheiro dos mais próximos aliados dos EUA, da Arábia Saudita aos Emirados Árabes Unidos. Quando a Uber se viu torrando dinheiro em níveis astronômicos, fez um acordo com o SoftBank.
A ascensão da China contestou muitos outros mitos além da tecno-hegemonia americana. Padrões tecnológicos antes neutros – como o 5G – foram subitamente submetidos a uma feroz contestação, com Pequim exigindo regras favoráveis a seus próprios campeões.
Além disso, as ambições globais da Huawei e da ZTE e o tremendo crescimento de outros atores chineses como Tencent, Baidu e Alibaba também obrigaram Washington a fazer o impensável: exercer o poder duro, tornando visível sua hegemonia.
Assim, vimos movimentos como o veto por Trump da fusão Qualcomm-Broadcom, a quase letal ruptura da ZTE e o controverso memorando da Casa Branca sobre nacionalizar a rede 5G dos EUA. Poderíamos, é claro, supor que tudo isso é apenas uma afirmação da superioridade de Washington. Talvez.
Privados dos mitos fundadores, os EUA não acharão fácil convencer outros países a deixar suas indústrias serem perturbadas pelas firmas tecnológicas americanas. Ou abandonar o desenvolvimento de suas próprias capacidades de IA. Ou aceitar os dispositivos, inseridos em tratados comerciais, que exigem o livre fluxo de dados de servidores locais para os dos EUA em nome de uma internet única e global.
Os limites da tecno-hegemonia americana ficaram evidentes para Barack Obama, que elevou a aposta sobre a mitologia da “liberdade da internet” estadunidense, enquanto tentava conter a expansão da China no âmbito do regime comercial global liderado pelos EUA.
Graças a Trump, essa mitologia deixou de existir. Ele também ameaça a supremacia tecnológica dos EUA de outras maneiras – corta verbas de pesquisa, restringe a imigração (muito necessária na indústria tecnológica) e até impede o desmonte imediato da ZTE chinesa na esperança de ganhar alavancagem nas negociações.
Os EUA pós-Trump não voltarão ao manual de Obama, porém; então será tarde demais para contestar a ascensão da China. A provável estratégia de Washington será continuar a desafiar a própria ordem global que veio a sabotar as ambições de expansão do Vale do Silício, enquanto abraça uma posição mais assertiva contra Pequim e pune seus aliados por contar com as gigantes tecnológicas chinesas.
Pelo menos, quando a Guerra Fria da tecnologia irromper para valer, não ficará tão claro quem representa os verdadeiros interesses do capitalismo global – e quem os de seus adversários. 
Por Evgeny Morozov
Com informações da Carta Capital

Ceará tem 83 municípios em alerta ou risco para dengue, zika e chikungunya



No Ceará, 83 cidades estão em situação de alerta ou risco de surto de dengue, zika e chikungunya. É o que aponta o Levantamento Rápido de Índices de Infestação pelo Aedes aegypti (LIRAa) de 2018. A informação foi divulgada pelo Ministério da Saúde. Dos 184 municípios do Estado, 64 aparecem na lista de alerta - incluindo Fortaleza. Ao todo, 19 estão cidades em risco de surto das doenças.

O Ministério da Saúde destaca que é necessário intensificar ações de combate ao mosquito. Segundo o estudo, 1.153 municípios no País têm alto índice de manifestação. Esse número corresponde a 22% de municípios com risco de surto para dengue, zika e chikungunya.

Dos 5.191 municípios que realizaram monitoramento do Aedes aegypti, 4.933 fizeram por levantamento de infestação (LIRAa/LIA) e 258 por armadilha - quando a infestação do mosquito é muito baixa ou inexistente.

De acordo com o Ministério da Saúde, cresceu o investimento para as ações de Vigilância em Saúde. O valor passou de R$ 924,1 milhões, em 2010, para R$ 1,94 bilhão, em 2017. A previsão para este ano é de R$ 1,9 bilhão. 

Repassado mensalmente aos estados e municípios, o recurso é destinado à vigilância das doenças transmissíveis, a exemplo da dengue, zika e chikungunya.

Casos notificados em 2018

Entre janeiro deste ano e o último dia 21 de abril, foram notificados 3.709 casos prováveis de dengue no Ceará. Em 2017, no mesmo período, foram 24.250, apresentando redução de 85%. Em relação à chikungunya, foram registrados 1.473 casos prováveis. A redução é de 97% em relação ao mesmo período do ano passado, quando foram registrados 48.098 casos. Já sobre os casos de zika, foram 58 registros de casos prováveis no estado, uma redução de 94% em relação ao mesmo período de 2017 (960).

Com informações do O Povo

Bahia bate o Ceará, finda jejum e abre vantagem no Nordestão


O público no Castelão não foi dos melhores em meio a Copa do Mundo (Foto: Divulgação/ECB)

Membros da zona de rebaixamento no Campeonato Brasileiro da Série A, Ceará e Bahia entraram em campo na noite dessa quinta-feira de olho em uma vaga na grande final da Copa do Nordeste. Na Arena Castelão, em Fortaleza, o Tricolor levou a melhor e venceu o Vozão por 1 a 0, levando assim, vantagem para o confronto de volta, marcado para terça-feira, às 21h45 (de Brasília), na Fonte Nova, em Salvador.

Além da importância do resultado para o duelo em si, o triunfo dos baianos acabou com jejum de vitórias da equipe como visitante. Desde 29 de março o Bahia não vencia longe de seus domínios. Na ocasião, superou o Botafogo-PB em João Pessoa e conquistou vaga justamente às quartas de final do Nordestão.

Quem confirmar a ida à final na terça-feira terá de esperar dois dias para conhecer seu adversário. ABC e Sampaio Corrêa fazem a outra semifinal e decidem a vaga em Natal depois da vitória dos maranhenses por 1 a 0 no primeiro encontro.

O herói da vitória do Bahia na noite dessa quinta-feira foi Élber. No momento que o Ceará pressionava e exigia boas defesas do goleiro Anderson, o Tricolor conseguiu arrancar em contra-ataque. Mena e Régis iniciaram a jogada e a bola acabou limpa para Élber empurrar para as redes, já sem goleiro.

Com informações da Gazeta Esportiva

16 de junho de 2018

Abel Braga não é mais o técnico do Fluminense

Abel Braga não é mais técnico do Fluminense (Foto: Mailson Santana/Fluminense)

O Fluminense informa que Abel Braga não é mais o técnico da equipe tricolor. A decisão sobre a interrupção do trabalho, por desejo do treinador, foi comunicada neste sábado. A terceira passagem do comandante pelo clube se encerra após um ano e meio de parceria.
Abel Braga é o segundo técnico com mais partidas à frente do Fluminense, num total de 329. Foi campeão brasileiro em 2012, carioca em 2005 e 2012, da Taça Rio em 2005 e 2018, e da Taça Guanabara, em 2012 e 2017. Neste último período, foram 109 jogos, com 43 vitórias, 29 empates e 37 derrotas.
O presidente Pedro Abad lamentou a decisão do treinador.
- Certamente é uma perda muito grande para o Fluminense. Abel estava conosco desde o início da gestão. Mas entendeu que era o momento de encerrar este ciclo. Respeitamos a decisão dele e já estamos em busca de uma reposição à altura para o carro-chefe do nosso clube - avisou o presidente tricolor.
Com informações do Fluminense.com

Brasil é país mais preocupado com notícias falsas, diz estudo global

internet

O Brasil aparece como o país mais preocupado com as chamadas “notícias falsas” (fake news) em um estudo global que analisou a realidade de 37 nações. Dos entrevistados brasileiros, 85% manifestaram preocupação com a veracidade e a possibilidade de manipulação nas notícias lidas. A lista é seguida por Portugal (71%), Espanha (69%), Chile (66%) e Grécia (66%). Na opinião dos autores, a polarização política nesses países provocada por eleições, referendos e outros grandes processos de disputa na sociedade podem ter favorecido essa percepção.

Já os menos preocupados com a possibilidade de uma notícia não ser verdadeira ou contar algum tipo de desinformação são Holanda (30%), Dinamarca (36%), Suécia (36%), Alemanha (37%) e Áustria (38%). Os autores destacaram na análise que, diferentemente dos Estados Unidos, a Alemanha passou recentemente por eleições em que a disseminação de notícias falsas não apareceu como um problema grave.

Quando tomada a amostra de forma conjunta, a média geral das pessoas consultadas pelo levantamento preocupadas com a veracidade das informações lidas na Internet ficou em 54%.

O Relatório sobre Notícias Digitais do Instituto Reuters, uma das mais importantes pesquisas do mundo sobre o tema, foi divulgado nesta semana. O levantamento fez entrevistas para identificar hábitos de consumo da população em relação a veículos de mídia e produtos jornalísticos.

Percepção
Os autores da pesquisa apontam uma percepção maior do que a realidade vivida pelas pessoas. Do total dos entrevistados, 58% disseram estar preocupados com notícias “fabricadas” mas apenas 26% conseguiram identificar casos concretos. Essa diferenciação, entretanto, não foi feita por país, não permitindo identificar se essa disparidade ocorre nas nações onde a preocupação foi maior, como no Brasil.

“Quando olhamos para os resultados do nosso estudo, descobrimos que quando consumidores falam sobre ´fake news´ eles estão preocupados também com mau jornalismo, práticas de caça de cliques e enviesamento”, argumentam os autores da pesquisa.

Providências
Mesmo assim, as pessoas consultadas colocaram a necessidade de providências sobre o assunto. Na avaliação dos entrevistados, os principais responsáveis por adotar medidas de combate às chamadas notícias falsas deveriam ser os veículos tradicionais de mídia (75%) e as plataformas digitais (71%).

Na compreensão dos autores, essa percepção estaria relacionada ao fato de muitas reclamações com foco na veracidade ou manipulação estarem relacionadas a mídias tradicionais, e não a conteúdos fabricados por sites desconhecidos.

A adoção de alguma regulação pelo Estado para atacar o problema ganhou aceitação sobretudo entre asiáticos (63%) e europeus (60%). Na Europa, a regulação do tema tem ganhado espaço. No último ano, a Alemanha aprovou uma lei que passa a responsabilidade pela fiscalização de conteúdos falsos e ilegais às plataformas. No Brasil, já há diversos projetos de lei tramitando no Congresso visando estabelecer regras sobre o tema. 

Por Jonas Valente
Com informações da Agência Brasil

Pobres do país levam nove gerações para alcançar renda média, diz OCDE

Moradora do Complexo do Alemão, no Rio de Janeiro, pinta a bandeira do Brasil numa parede.Moradora do Complexo do Alemão, no Rio de Janeiro, pinta a bandeira do Brasil numa parede.  AP
Uma família brasileira pode levar até nove gerações para deixar a faixa dos 10% mais pobres e chegar à de renda média do país, segundo estudo sobre mobilidade social elaborado pela Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE). Nesse quesito, o Brasil só fica na frente da Colômbia e empata com a África do Sul numa lista de 30 países analisados pelo estudo O elevador social está quebrado? Como promover mobilidade social, divulgado nesta sexta-feira. Na Colômbia, são necessárias 11 gerações para que uma família alcance a renda média nacional. A organização destaca que o estudo é ilustrativo e que não deve ser levado ao pé da letra.
A percepção do brasileiro, de acordo com pesquisa da Oxfam mencionada no estudo, endossa o cenário: seis em dez cidadãos pensam que esforço não é o bastante para um pessoa que nasceu pobre alcançar uma situação de vida confortável. De acordo com o levantamento da OCDE, 35% dos filhos de pais posicionados no um quinto mais pobre do Brasil terminam a vida nesse mesmo estrato social. Além disso, apenas 7% deles chegarão a figurar entre os 20% mais ricos.
Mais pobres podem levar até 9 gerações para atingir renda média no Brasil
Por outro lado, 43% dos filhos com pais mais ricos seguirão com o mesmo nível de renda, enquanto apenas 7% deles têm chance de piorar de vida. Para se ter uma ideia da situação brasileira, a média da OCDE indica que apenas 31% do um quarto mais pobres seguem da mesma forma, enquanto 17% se elevam ao um quarto mais rico. A mobilidade social é maior em países como Estados Unidos e muito maior nos países nórdicos.
E como se acelera o elevador social no Brasil? Não há receitas milagrosas, mas algumas pistas. A OCDE sugere ao Brasil melhorar o gasto público, principalmente nas áreas de educação — com mais investimento no ensino básico — e saúde — alocando recursos para os tratamento mais importantes e para as pessoas quem mais precisem. A formação de desempregados por meio do Pronatec também é destacada pelo organismo internacional, assim como a redistribuição de renda por meio de reformas que extingam isenções e o aumento do gasto social em programas para auxiliar os cidadãos mais vulneráveis.
Apesar dos números ruins, segundo a mesma pesquisa os brasileiros que já conseguiram subir na escala social têm menos risco de piorar de vida na comparação com habitantes de países emergentes como China, África do Sul e Indonésia. E por que todos esses dados importam? Porque saber se uma geração vive melhor ou pior do que seus pais não é só uma percepção ou uma curiosidade. Também é um fator econômico chave, segundo a OCDE.
O estudo investiga o impacto de "eventos gatilhos" — como mudanças no mercado de trabalho, divórcio ou parto — na mobilidade da renda. O emprego é o principal determinante da trajetória de renda individual, mas, em vários países, "as mudanças relacionadas à família também podem desempenhar um papel muito importante". "Em particular, as mulheres são mais gravemente afetadas do que os homens por perdas de renda após o divórcio", diz o estudo. Uma rede de transferências sociais é um fator crucial para evitar a mobilidade descendente, segundo a OCDE, enquanto a mobilidade ascendente resulta principalmente da dinâmica do mercado de trabalho.

Produtividade

O conceito de mobilidade social influi na produtividade econômica de um país e na qualidade de vida de seus cidadãos. E também tem fortes implicações políticas: um alto risco de cair na escala da mobilidade e a perda de status social que isso implica não só reduz a satisfação pessoal, mas também “mina a coesão social e a sensação das pessoas de que sua voz conta, especialmente entre pessoas de rendimentos médios e baixos”. Isso, por sua vez, “reduz a confiança no sistema sociopolítico, com potenciais consequências negativas na participação democrática”. E isso, adverte o organismo com sede em Paris, “reforça os extremismos políticos ou o populismo”.
Por Rodolfo Borges  e Silvia Ayuso
Com informações do El País