21 de setembro de 2021
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28 de julho de 2020
Endividamento aumenta entre famílias mais pobres em julho
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O percentual de famílias com dívidas atingiu 67,4% em julho, o maior nível da série histórica da Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (Peic), divulgou hoje (28) a Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC).

O crescimento se deve ao aumento do endividamento das famílias com até 10 salários mínimos de renda, que chegou ao recorde de 69% em julho, acima dos 68,2% de junho e dos 65,4% de julho de 2019. Por outro lado, o grupo de famílias com renda superior a esse patamar teve uma redução do endividamento, chegando a 59,1% em julho, abaixo dos 60,7% em junho. Apesar disso, o percentual ficou acima dos 58,7% de julho de 2019.
"As necessidades de crédito têm aumentado para as famílias com menor renda, seja para pagamento de despesas correntes, seja para manutenção de algum nível de consumo", analisa a CNC em texto de divulgação da pesquisa, que compara: "Por outro lado, para as famílias de maior renda, tem aumentado a propensão a poupar".
A pesquisa é realizada mensalmente com 18 mil consumidores e considera como dívidas as despesas declaradas com cheque pré-datado, cartão de crédito, cheque especial, carnê de loja, crédito consignado, empréstimo pessoal, prestação de carro e de casa, ainda que estejam em dia.
A Peic também questiona os entrevistados sobre dívidas ou contas em atraso, percentual que chegou a 26,3% no geral, o maior valor desde setembro de 2017.
Mais uma vez, o percentual cresceu para as famílias de menor renda e caiu para as mais ricas. Enquanto os lares com até 10 salários mínimos tiveram aumento de 28,6% em junho para 29,7% em julho, para os demais, o percentual caiu de 11,3% para 11,2%.
Outro percentual calculado pela pesquisa é o das famílias que não terão condições de pagar suas dívidas, que chegou a 12% em julho, acima dos 11,6% de junho e dos 9,6% de julho de 2019. Nesse caso, o percentual cresceu para os dois grupos de renda: de 13,2% em junho para 13,7% em julho no caso das mais pobres; e de 4,7% em junho para 4,9% em julho no caso das mais ricas.
Nível de endividamento
O número de pessoas que se declararam muito endividadas teve, em julho, sua primeira queda desde o início do ano. O percentual caiu de 16,1% em junho para 15,5%. No ano passado, porém, essa fatia dos entrevistados era de 13,3%.
Em média, as famílias declararam que as dívidas consomem 30,3% de sua renda, percentual que caiu em relação a junho, quando era de 30,4%. Já em julho de 2019, eram 29,9%.
Ainda segundo a pesquisa, o tempo médio de comprometimento com dívidas cresceu e chegou a 7,4 meses em julho. Uma parcela de 21,2% das famílias declarou ter dívidas até três meses, enquanto 34,5%, por mais de um ano. Também se elevou o tempo médio para quitação das dívidas das famílias inadimplentes, de 60,7 dias em junho para 61 dias em julho.
Tipo de dívida
A dívida mais comum entre os brasileiros é o cartão de crédito, declarado por três em cada quatro entrevistados, com 76,2%. Carnês foram mencionados em 17,6% das entrevistas; financiamento de carro, em 11,3% e financiamento de casa, em 10,1%.
A CNC avalia que há sinais de alguma recuperação da economia a partir de maio e junho, mas a proporção de consumidores endividados no país é elevada.
"Assim, é importante seguir ampliando o acesso ao crédito com custos mais baixos, como também alongar os prazos de pagamento das dívidas para, com isso, mitigar o risco do crédito no sistema financeiro", afirma o texto, que destaca que benefícios emergenciais têm impactado positivamente o consumo, e as quedas de taxas de juros e inflação podem favorecer o poder de compra dos consumidores.
Por Vinícius Lisboa
Com informações da Agência Brasil
18 de julho de 2020
Safra de mel de abelhas deve crescer 30% no Ceará em 2020

Depois de um período de longa estiagem entre 2012 e 2018, que provocou significativa queda na produção de mel de abelha no semiárido cearense, o Estado vive a expectativa de crescimento de cerca de 30% na atual safra em relação a 2019, que colheu 2.700 toneladas. As boas chuvas de 2020 favoreceram a atividade e, outro fator também anima o setor: o aumento do preço do quilo do produto que em maio passado tinha cotação de R$ 4,50 e agora varia entre R$ 8 e R$ 9. Esse acréscimo advém da alta demanda atual. Os dados são da Federação da Apicultura do Ceará (Face) e da Câmara Setorial do Mel (CS Mel), vinculada à Agência de Desenvolvimento do Estado do Ceará (Adece).
No campo, a colheita segue até outubro próximo. Mas, até o fim deste mês, cerca de 80% devem estar concluída no Ceará. Os apicultores estão animados e já mostram interesse em expandir o número de colmeias. "O cenário atual é favorável com uma boa produção e aponta para crescimento ainda maior", pontuou Vinícius Carvalho, ex-presidente da CS Mel. "A pandemia do coronavírus favoreceu o setor mediante o aumento da demanda por mel e própolis para fortalecimento do sistema imunológico", acrescenta.
Comercialização
Com o cenário positivo da apicultura, gestores de entidades ligadas à atividade registram, desde a segunda quinzena de junho, a presença de representantes de entrepostos de São Paulo e de Santa Catarina negociando à vista a compra de mel diretamente aos apicultores. "Anteriormente, não se via essa movimentação", observou Augusto de Souza Júnior, presidente da CS Mel.
Um exemplo de boa produção vem da região do Cariri, que apresenta elevado potencial produtivo. A Chapada do Araripe com suas matas nativas e floradas ao longo do ano recebe colmeias de mais de 30 municípios no decorrer do segundo semestre.
Em Altaneira, no Cariri cearense, a produtividade média neste primeiro semestre foi 25kg/colmeia/ano, totalizando em 200 unidades, 5 mil kg. No ano passado não chegou a 20kg. A associação local reúne 11 apicultores. "Podemos aumentar essa produtividade a partir de dedicação e profissionalismo", observou o técnico em agropecuária e coordenador do escritório local da Ematerce, Joaquim Neto.
Outro exemplo vem da região Centro-Sul do Ceará. Um grupo de 36 produtores da Associação de Apicultores de Cariús (AAPIC) também conseguiu a mesma produtividade obtida em Altaneira. "O número de colmeias foi ampliado e teremos uma produção de 30% acima da safra de 2019", comemorou o presidente da AAPIC, Hildegard Moura.
Abrangência
No Ceará, a produção de mel de abelhas ocorre em 165 municípios e há 265 associações de apicultores. Por meio do projeto São José e do programa Rota do Mel, cerca de 30 mil colmeias foram entregues a produtores no interior cearense nos últimos dois anos, além da instalação de 55 casas de mel.
O esforço do governo é para impulsionar a produção e fazer com que o Ceará conquiste a primeira colocação no Nordeste. Irineu Fonseca, presidente da Associação da Apicultura no Ceará (Aface) destacou que é preciso que os produtores de mel trabalhem três eixos para ampliar e desenvolver o setor: profissionalismo, legalidade e qualidade. "Sem isso, não vamos avançar".
O produtor e professor do Instituto Federal de Educação de Limoeiro do Norte, Roberto Dias, acrescenta a necessidade de melhoria genética das abelhas. "Temos condições de alcançar uma produtividade média de 40kg por colmeias por ano", argumenta. "Um apiário com 30 colmeias daria R$ 9.600,00 por ano, e se um produtor familiar tiver dez apiários seriam R$ 96 mil, que significa R$ 8 mil por mês de renda para uma família, só nessa atividade, com ocupação de mão de obra de um pai e de um filho".
Para o presidente da Ematerce, Antônio Amorim, a partir da organização e dedicação dos apicultores, o setor tende a se expandir nos próximos anos, uma vez que o governo estadual investiu em doação de equipamentos e construção de unidades beneficiadoras. "Esperamos dobrar a produção já em 2021".
Irineu Fonseca ressaltou que está em articulação no Ceará um trabalho para cadastrar todos os apicultores e definir políticas públicas de apoio ao setor.
Por Honório Barbosa
Com informações do Diário do Nordeste
