12 de maio de 2016

Michel Temer pede confiança e diz que brasileiros vão colaborar para saída da crise, essas suas primeiras palavras como presidente interino da República



Michel Temer dá posse a novos ministros
Michel Temer dá posse a novos ministros e faz discurso de possePedro Peduzzi/Agência Brasil
























Em suas primeiras palavras como presidente interino da República, Michel Temer, disse que o povo brasileiro há de “prestar sua colaboração para tirar o país da crise em que se encontra", mencionou entusiasmo dos políticos que o prestigiam e voltou a falar que é “urgente pacificar a Nação” e “unificar o Brasil”.

Após dar posse aos novos ministros de seu governo, que comporão uma equipe menor, Temer citou algumas vezes a necessidade de recuperação da economia. Segundo ele, é “urgente” fazer um governo de “salvação nacional”.

"O povo brasileiro há de prestar sua colaboração para tirar o país dessa grave crise em que nos encontramos. O diálogo é o primeiro passo para enfrentarmos desafios para avançar e garantir retomada do crescimento", afirmou Temer, mencionando também a necessidade de partidos políticos e lideranças da sociedade civil participarem.

"Minha primeira palavra ao povo brasileiro é a palavra confiança. Confiança nos valores que formam o caráter de nossa gente, na vitalidade de nossa democracia, na recuperação da economia nacional nos potenciais do país, em suas instituições sociais e políticas e na capacidade de que unidos poderemos enfrentar os desafios deste momento que é de grande dificuldade", afirmou o presidente interino.

Quando Michel Temer entrou na sala em que deu posse ao novo governo, uma salva de fogos de artifício foi ouvida nos corredores do Palácio do Planalto.

"Eu pretendia que esta cerimônia fosse extremamente sóbria e discreta, como convém ao momento que vivemos. Entretanto eu vejo entusiasmo dos colegas parlamentares, dos senhores governadores e tenho absoluta convicção de que este entusiasmo deriva precisamente da longa convivência que nós todos tivemos ao longo do tempo", disse Temer.

No momento em que o presidente interino falava, houve uma confusão dos manifestantes contrários ao impeachment da presidenta afastada, Dilma Rousseff, que tentaram entrar no Planalto mas foram contidos pela segurança presidencial.

Agência Brasil

‘Governo Federal: Ordem e Progresso’ será slogan do governo de Temer, diz marqueteiro do PMDB


O slogan do governo de Michel Temer será “Governo Federal: Ordem e Progresso”. A informação foi divulgada antecipadamente pelo marqueteiro do PMDB, Elsinho Mouco, um dos idealizadores do novo conceito, nesta quinta-feira, quando Temer assumiu interinamente a presidência da República, após o afastamento de Dilma do governo pelo Senado Federal, tendo em vista a admissibilidade do processo de impeachment contra ela. No entanto, a assessoria do partido não confirma que a escolha do slogan seja definitiva.

A ideia do novo conceito, que substitui o lema “O Brasil: Pátria Educadora”, criado pelo governo Dilma, teria surgido nesta quarta-feira, quando Mouco teve uma reunião com a equipe de Temer para definir a imagem do novo governo.

Nas redes sociais já circula uma imagem que seria a usada pelo governo Temer para difundir o novo slogan, que mostra a esfera azul da bandeira do Brasil com a frase “Ordem e Progresso”, com as palavras “Brasil” e “governo federal” ao fundo.


extra.com

Marquinhos Santos revela propostas para sair do Fortaleza, mas garante comprometimento com trabalho no Tricolor

Treinador ficará no Leão e mira acesso à Série B
Depois de pouco mais de dois meses no comando técnico do Fortaleza, o técnico Marquinhos Santos já fez o suficiente para cair nas graças da torcida. Foram 16 jogos à frente do Tricolor, com nove vitórias, cinco empates e somente duas derrotas. Um aproveitamento de 66,6% dos pontos disputados, entre Campeonato Cearense, Copa do Nordeste e Copa do Brasil.

Mais que bons números, Marquinhos conseguiu implantar no Fortaleza filosofia de jogo sólida, com um time bem estruturado e comprometido taticamente, que marca forte ao mesmo tempo que apresenta variedade e mobilidade ofensiva.

O bom trabalho despertou interesses de outros clubes do Brasil. Após a conquista do bicampeonato, aumentaram os rumores de que o treinador estaria deixando o Pici. No domingo, 8, ainda no gramado do Castelão, o técnico tricolor falou em entrevista ao O POVO sobre a situação.

“Tive propostas sim. De clubes da Série A e da Série B, mas o meu comprometimento é com o trabalho, naquilo que eu acredito. E acredito muito nesse clube, nessa torcida e na instituição Fortaleza”, garantiu Marquinhos.

O treinador garantiu ainda que, apesar do título de campeão cearense, o principal objetivo ainda está por vir.

“Nossa missão não termina aqui. Pelo contrário, ela começa aqui. A torcida, atuando como atuou, abraçando a equipe como abraçou, vai ser difícil segurar o Fortaleza diante dos outros objetivos. Vamos buscar a conquista do Campeonato Brasileiro até o fim da temporada. Acreditamos nesse time voltando à Série B em 2017”, afirmou.

REAPRESENTAÇÃO
Após três dias de folga pela conquista do bicampeonato estadual, o elenco tricolor se reapresenta hoje, às 16 horas, no Pici.

A montagem da equipe terá foco no jogo contra o Flamengo, pela Copa do Brasil, na próxima quarta-feira, 18, às 21h45min, em Volta Redonda.

Como venceu o primeiro confronto por 2 a 1, no Castelão, o Fortaleza joga pelo empate para avançar. Caso perca por um gol de diferença desde que marque duas vezes, também passa.

O Povo

De condenado á prisão a cassados, maioria dos senadores investigados votou a favor do impeachment

Fábio Rodrigues Pozzebom/ABr
Collor relembrou, em seu discurso, sua saída do Planalto em 1992
A maioria dos 24 senadores que respondem a acusações criminais no Supremo Tribunal Federal (STF) votou a favor do afastamento da presidente Dilma Rousseff, na sessão encerrada na manhã desta quinta-feira (12). Entre eles, Fernando Collor (PTC-AL), primeiro presidente brasileiro a sofrer impeachment, em 1992, e o senador Ivo Cassol (PP-RO), condenado pelo Supremo a quatro anos e oito meses de prisão por fraude em licitações. Em seu discurso, Cassol se apresentou como exemplo de gestor público e disse que Dilma não tem credibilidade para exercer o mandato. 
O parecer pela admissibilidade do processo de impeachment contra Dilma foi aprovado por 55 votos a 22 e uma abstenção. Dezoito dos favoráveis ao processo foram dados por parlamentares que são alvos de investigações na mais alta corte do país. Quatro investigados votaram pelo arquivamento da denúncia.
Outros dois parlamentares que estão na mira do Supremo não votaram por motivos diferentes. O presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), que acumula no momento 11 inquéritos no STF, se absteve por estar no comando da Casa. Ex-presidente do Senado, Jader Barbalho (PMDB-PA) faltou à sessão.


Renan e Jader, assim como Collor, fazem parte da “bancada da Lava Jato”. Dos 13 senadores suspeitos de participar do esquema de corrupção na Petrobras, oito votaram a favor do afastamento de Dilma. Apenas os três petistas investigados na operação se posicionaram contra a admissibilidade do processo: Gleisi Hoffmann (PR), Lindbergh Farias (RJ) e Humberto Costa (PE), agora ex-líder do governo no Senado.
Novato
O mais novo integrante da bancada dos investigados é o senador Aécio Neves (PSDB-MG). O ministro Gilmar Mendes, do STF, aceitou ontem o pedido de abertura de inquérito contra o presidente do PSDB e ex-candidato à Presidência da República. Aécio passa a ser investigado por corrupção e lavagem de dinheiro. A suspeita levantada pelo procurador-geral da República, Rodrigo Janot, é de que o tucano se beneficiou de um esquema de corrupção em Furnas, empresa estatal subsidiária da Eletrobras.
O caso foi inicialmente distribuído ao ministro Teori Zavascki, que relata a Lava Jato no Supremo. Teori, no entanto, não viu relação entre os indícios contra Aécio e os desvios na Petrobras. O pedido foi repassado, então, a Gilmar Mendes. Com o novo inquérito, 24 senadores no exercício do mandato respondem a acusações criminais no Supremo.
Campeões em suspeitas
Renan e Cassol são os atuais campeões em suspeitas. Na linha sucessória da Presidência da República, o presidente do Senado acumula 11 inquéritos. Destes, nove são relacionados ao esquema de corrupção na Petrobras, apurado pela Operação Lava Jato, e um decorre da Operação Zelotes, que investiga fraudes no Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (Carf), órgão de controle vinculado ao Ministério da Fazenda, e a venda de medidas provisórias.
O mais antigo deles, porém, remonta à acusação de que o senador teve despesas pagas por um lobista de empreiteira, caso que o levou a renunciar à presidência da Casa e quase lhe custou o mandato de senador em 2007. A denúncia da Procuradoria-Geral da República relativa a esse caso repousa no Supremo desde 2013 sem os ministros decidissem pelo arquivamento ou pela abertura do processo.
Condenado à prisão
Condenado a quatro anos e oito meses de prisão pelo Supremo em agosto de 2013, Cassol aguarda análise de seu último recurso para evitar o início do cumprimento da pena imposta pelo STF em agosto de 2013. Os ministros consideraram que ficou comprovada a participação de Cassol e outros dois réus da Ação Penal 565 em um esquema que beneficiava empresas em licitações para a contratação de obras em Rolim Moura, município de Rondônia.
O STF identificou fraude em 12 licitações realizadas pela prefeitura durante a administração de Cassol. Segundo a acusação, o processo foi direcionado para beneficiar cinco empreiteiras locais cujos sócios tinham ligações pessoais ou profissionais o senador. Entre eles, dois cunhados e um ex-sócio de sua esposa em uma rádio local.
Falta de credibilidade
Em seu discurso na sessão do impeachment, Cassol defendeu o afastamento de Dilma. De acordo com ele, a presidente não tem credibilidade para continuar no cargo por causa da denúncia de crime de responsabilidade. O parlamentar condenado pelo STF defendeu que a saída da petista é necessária e que, se ficar comprovada sua inocência ao final do processo, ela poderá retornar ao Palácio do Planalto.
“Fui prefeito de Rolim de Moura e governador de Rondônia por dois mandatos. Todas as minhas contas foram aprovadas pelo tribunal de contas do meu estado. Como administrador público, fui transparente e zelei pelo uso do recurso público”, discurso em plenário o senador. Além do recurso, o ex-governador de Rondônia é réu em duas ações penais (562 e891) por calúnia e corrupção eleitoral e investigado em outros sete inquéritos (3158, 2828, 3513, 3742, 3614, 3820 e 3961) por peculato, improbidade administrativa, falsidade ideológica, lavagem de dinheiro, corrupção passiva, contra o sistema financeiro e contra a Lei de Licitações.
Congresso em Foco

O que Michel Temer pode e o que não pode fazer como presidente interino


Após decisão do Senado, a presidente Dilma Rousseff (PT) será julgada pela acusação de ter cometido crime de responsabilidade e, por isso, foi afastada. O vice-presidente, Michel Temer (PMDB), assume de forma interina por até 180 dias, sendo efetivado se Dilma for condenada ao fim do processo.
O UOL questionou os professores de direito constitucional Vladimir Pinto Coelho Feijó (Ibmec-MG) e Rubens Glezer (FGV-SP) sobre as atribuições de Temer como presidente em exercício durante o afastamento temporário de Dilma, e também sobre quais medidas ele pode tomar com e sem o apoio do Congresso Nacional. Veja as respostas:

O que Temer pode fazer como presidente interino?

Em tese, Temer tem amplos poderes como presidente, definindo a condução da política econômica, editando decretos e medidas provisórias, sancionando ou vetando projetos de lei do Congresso e executando todas funções como chefe de Governo e de Estado. "A regra é essa: substitui com plenos poderes", diz Rubens Glezer. Vladimir Feijó concorda com esse ponto de vista, mas faz uma ressalva.
"Li artigos de colegas de direito constitucional que julgam que o presidente em exercício só pode cumprir atividades regulares, sem se intrometer em decisões governamentais, de políticas públicas duradouras. Ele não poderia desfazer medidas tomadas no passado. Do meu ponto de vista, ele pode, mas esse é um debate a ser travado", diz Feijó.

Em que momento Temer assume oficialmente a Presidência? Há alguma solenidade de posse?

A partir do momento em que Dilma for notificada, ela já é oficialmente afastada do cargo. Ao mesmo tempo, o Senado informa Temer, por escrito, que ele passa a ser presidente em exercício, assumindo o gabinete presidencial no Palácio do Planalto e passando a ter o controle de secretarias, ministérios e das Forças Armadas. Não há previsão de posse ou transmissão oficial de cargo.

O que Temer pode fazer imediatamente após assumir a Presidência?

Em suas primeiras atitudes como presidente, Temer pode, por exemplo, exonerar os ministros de Dilma e nomear seus indicados. Grandes reformas, como a política, a trabalhista e a da Previdência, dependem de votação no Congresso Nacional, mesmo que apresentadas pelo presidente da República. Uma PEC (Proposta de Emenda Constitucional) desse âmbito, por exemplo, ocorre em dois turnos na Câmara e no Senado e demora cerca de três meses para ser aprovada.
Segundo Vladimir Feijó, Temer pode, de imediato, cortar gastos, além de utilizar o Ministério da Fazenda e o Banco Central para alterar a condução da economia. "Pelo Banco Central, é possível mexer na taxa de juros, enquanto na Fazenda há uma margem para alterar alíquotas por meio de decreto. Ele pode baixar uma alíquota, por exemplo, para estimular a exportação de um produto de segmentos que são subexplorados, ou aumentar um imposto para diminuir a importação de outro produto. Só é preciso fazer isso tudo com critério, porque mexe nas relações internacionais", diz Feijó.
De acordo com um documento elaborado pelo PMDB, Temer planeja promover privatizações, reforçar as exportações e relançar programas como o Minha Casa, Minha Vida e o Pronatec (Programa Nacional de Acesso ao Ensino Técnico), além de executar um ajuste fiscal.
Aliados do vice também querem desvincular benefícios dos reajustes concedidos ao salário mínimo e acabar com as vinculações constitucionais, como gastos obrigatórios com saúde e educação. O grupo em torno de Temer busca garantir apoio no Congresso para aprovar essas medidas.

Temer pode reduzir o número de ministérios ou mesclar pastas?

O presidente tem essa prerrogativa, por meio de medida provisória, mas a decisão final ainda é do Congresso Nacional. Na última reforma ministerial de Dilma, quando ela extinguiu oito pastas, o Senado só referendou a decisão em março deste ano --cerca de seis meses depois de a presidente ter decretado a MP.
"Com boa vontade do Congresso, Temer poderia aprovar essa MP em cerca de um mês. Até lá, o que ele pode fazer é deixar de nomear um ministro para uma pasta que será futuramente extinta, gerando uma economia de R$ 17 mil por mês, referente ao salário do titular", diz Vladimir Feijó.

O vice-presidente em exercício pode mexer no Bolsa Família e em outros programas sociais?

Temer pode fazer ampliações ou reduções nos programas, mas qualquer mudança significativa também precisaria de aprovação na Câmara e no Senado, para serem implementadas no Orçamento do governo para 2017.
Ele ainda tem a prerrogativa de poder alterar, por exemplo, o último decreto de Dilma Rousseff, que no dia 1º de maio anunciou o reajuste de 9% no valor dos benefícios do Bolsa Família e corrigiu a tabela do Imposto de Renda em 5%.
"Mas ele teria que lidar com um eventual desapreço da opinião pública e da população se fizer isso", diz Vladimir Feijó. A equipe do vice, entretanto, sinalizou que ele manterá o chamado "pacote de bondades".

Temer pode influenciar de alguma forma na operação Lava Jato?

Entre as instituições envolvidas na Lava Jato, o presidente da República não tem ingerência sobre o trabalho da Justiça Federal ou do Ministério Público, mas comanda a Polícia Federal, por meio do Ministério da Justiça.
"O ministro da Justiça tem comando sobre a PF e pode, por exemplo, realocar funcionários e mexer na equipe da força-tarefa. Hoje, os delegados têm ajudado juízes e promotores a lerem as provas e indicado quais caminhos a investigação pode tomar. Mas a sociedade tem medo de uma 'operação-abafa'", comenta Vladimir Feijó.  
Para Rubens Glezer, qualquer interferência no trabalho da PF dependeria do apoio e da governabilidade que Temer obtiver. Além disso, segundo o professor, o vice só poderia influenciar a PF na promoção (ou não) de concursos públicos para ampliar o quadro da instituição, apesar de ela estar subordinada ao governo. "Qualquer outra ingerência fugiria à competência dele", opina.
A preocupação com uma uma possível acusação de interferência do Executivo na Lava Jato fez com que Temer desistisse do nome de seu amigo pessoal Antônio Claudio Mariz de Oliveira para a pasta da Justiça --recentemente, o advogado fez críticas à operação e ao uso da delação premiada.

Temer pode convocar novas eleições?

De acordo com especialistas, não há prerrogativa jurídica para que o presidente da República convoque novas eleições. Uma saída legal seria a renúncia tanto de Dilma --mesmo durante um eventual período de afastamento para o julgamento no Senado-- quanto de Temer ainda em 2016, o que obrigaria o Congresso a convocar novas eleições diretas para presidente em até 90 dias.
Outros cenários, como uma PEC idealizada por alguns senadores que anteciparia as eleições, são vistos como improváveis, pois não haveria brecha na Constituição para essa saída.
"Uma alternativa, que também é questionável, é solicitar ao Congresso um plebiscito consultando a população sobre essa possibilidade. O Congresso teria que aprovar não só a consulta popular, mas também uma lei que fizesse a convocação de eleições. Eu julgaria uma afronta à Constituição, mas alguns consideram que não é", comenta Vladimir Feijó.
"Acho que uma proposta sobre novas eleições, apesar da série de dificuldades jurídicas, teria uma pequena chance de se tornar viável caso angariasse um amplo consenso no mundo político, jurídico e na população ", acrescenta Rubens Glezer.
De qualquer forma, se Dilma não pareceu rejeitar completamente a ideia, Temer já teria considerado a hipótese um "golpe", segundo apuração da "Folha de S.Paulo". 

E se Dilma voltar? Ela pode voltar tudo como estava antes?

Em tese, sim. Caso vença o julgamento no Senado, Dilma pode remodelar o governo de acordo com sua visão administrativa. "Tudo que vale para ele, em termos de mudança, vale para ela também. Pode ser validado ou derrubado. Especialmente porque ela é a presidente titular, enquanto ele estaria apenas em exercício", diz Vladimir Feijó.
"Mas também não é automático assim. Dilma teria que ajustar seu interesse à opinião pública, validando aquilo que ela considera as reformas adequadas e revisando as outras, decretando uma decisão que anulasse a anterior e impusesse um novo posicionamento."
Além disso, a presidente também estaria sujeita a um acordo com os parlamentares, da mesma maneira que Temer. "Voltando à Presidência, ela teria que rediscutir uma aliança no Congresso, apresentar uma pauta e ganhar o apoio da opinião pública para que os projetos sejam aprovados no parlamento, e essa tensão do impeachment seja reduzida", diz Feijó. 
UOL

Sem ganhar nenhuma eleição, PMDB emplaca terceiro presidente em 30 anos

Sem vencer nenhuma eleição para Presidência da República em seus 50 anos de história, o PMDB assumirá o cargo pela terceira vez em pouco mais de 30 anos. Com a confirmada ascensão de Michel Temer, o partido passa a ter "100% de aproveitamento" de seus três vices, que chegaram à Presidência.
O primeiro governo federal do PMDB se iniciou em 1985, com José Sarney. Ele assumiu a Presidência por causa da morte de Tancredo Neves, também peemedebista, que venceu a eleição indireta em janeiro daquele ano, mas adoeceu e morreu antes mesmo de tomar posse.
Sarney, porém, não tinha nenhum histórico no PMDB e se filiou em agosto de 1984, deixando o PDS num acordo com setores mais conservadores para poder concorrer como vice de Tancredo.
O segundo presidente peemedebista também se filiou em cima da hora. Itamar Franco assinou ficha em maio de 1992, quando o governo Collor já enfrentava uma grave crise de popularidade. Itamar foi eleito pelo PRN, junto com Collor, mas deixou o partido após uma reforma ministerial feita em abril daquele ano. Em 2 de outubro, assumiu como presidente interino após abertura de processo de impeachment --que viria a ser aprovado em dezembro.
A reportagem do UOL procurou a assessoria de imprensa do PMDB na terça-feira (10) para que comentasse sobre a nova ascensão de um peemedebista ao poder. Foram feitos contato por telefone e por dois e-mails, mas até a publicação da reportagem não houve resposta.

Derrotas nas urnas

O PMDB nasceu como MDB, em 24 de março de 1966, após o Ato Institucional 2, que instalou o bipartidarismo no país. Em 30 de junho de 1981, o partido se transformou em PMDB e é hoje a legenda mais antiga e com maior número de filiados do país: 2,4 milhões de pessoas.
Desde a redemocratização e a retomada das eleições diretas para presidente, o PMDB tentou por duas vezes chegar ao cargo máximo do país, mas as tentativas acabaram marcadas por fiascos. 
Em 1989, o PMDB lançou Ulysses Guimarães ainda sob a égide de ter lutado pelas Diretas Já e liderado a Constituição de 1988. Porém, ficou apenas na 7ª colocação, com 4,6% dos votos válidos. 
Em 1994, foi a vez de Orestes Quércia ser candidato pelo partido, mas recebeu 4,3% dos votos, quando Fernando Henrique Cardoso (PSDB) foi eleito no primeiro turno.
Em 2002, o PMDB concorreu à chapa majoritária de José Serra (PSDB) com a vice-candidatura de Rita Camata --derrotada em segundo turno por Lula. Em 2010, voltou ao poder com a eleição de Michel Temer como vice de Dilma Rousseff (PT).

"Em mil pedaços"

Segundo o cientista político Michel Zaidan Filho, da UFPE (Universidade Federal de Pernambuco), uma das explicações para os insucessos do PMDB nas urnas é a falta de um conteúdo ideológico definido.
"Não há nenhuma sinergia entre os setores nacional e regional. Esses chefes políticos não se movem por ideologia. Eles fazem alianças que avalizem os projetos políticos", afirmou.
"E o PMDB também se deu mal por conta da polarização entre Lula e Collor, em 1989; e entre Lula e FHC, em 1994. Não que eles não merecessem, mas não havia espaço para outros nomes."
Zaidan Filho afirma que o partido foi mudando ao longo dos anos e não é hoje nem sombra do que era nos anos 1980. "O PMDB perdeu importância, como o outro partido --o PDS, depois PFL e hoje DEM-- originário da ditadura. Depois da transição para a democracia, ele se tornou elefante branco, sem definição ideológica clara, sem comando. Também deixou de ser de centro-esquerda, tornou-se um partido de oligarquias regionais", disse.
"Apesar da maior capilaridade da história, está repartido em mil pedações. O PMDB não tem dono."
O cientista ainda lembra que Michel Temer será o primeiro peemedebista de carteirinha a assumir a Presidência, já que Sarney e Itamar ingressaram no partido às vésperas de assumir o poder.
"Sarney foi da Arena, da UDN, depois PDS e PFL, ou seja, não tinha ligação com o PMDB. Ele foi fruto de uma aliança do partido com liberais. Já Itamar, apesar de ter integrado o antigo MDB, saiu e não tinha ligação histórica com o PMDB", afirmou.
"Depois que assumiu, ele virou um pedaço do partido, que era o pedaço da oposição. Ele nunca teve unanimidade e, de fato, não tinha a confiança dos grupos."
 UOL

Dilma faz pronunciamento após ser afastada da presidência da república. Assista!

Após aprovação do Senado, Dilma Rousseff será afastada do cargo por até 180 dias. Depois da decisão, tomada nesta quinta-feira (12), Dilma fez seu último discurso antes de deixar o Palácio do Planalto. Assista!

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Dilma: “Sofro a mais devastadora injustiça”

Reprodução/NBR
“É uma das maiores brutalidades contra um ser humano puni-lo por um crime que ele não cometeu"
Cercada pelo ex-presidente Lula, ex-ministros, parlamentares e assessores, Dilma Rousseff fez seu primeiro pronunciamento na condição de presidente afastada. Em discurso em que reiterou ser vítima de “golpe” e “sabotagem” e não ter praticado qualquer crime, Dilma disse que lutará com todos os instrumentos legais para retornar ao Palácio do Planalto para concluir seu mandato em 31 de dezembro de 2018.
A petista chamou de “farsa jurídica e política” a decisão do Senado de afastá-la por até 180 dias para que responda a processo por crime de responsabilidade. Segundo ela, o que está em jogo não é o seu mandato, mas o respeito às urnas, à democracia e às conquistas sociais dos últimos 13 anos, desde que o PT chegou ao poder. “É uma das maiores brutalidades contra um ser humano puni-lo por um crime que ele não cometeu. Não existe injustiça mais devastadora do que condenar um inocente. A injustiça é um mal irreparável”, afirmou.
“O que está em jogo é o futuro do Brasil, a esperança de avançar sempre mais. Diante da decisão do senado, quero mais uma vez esclarecer os fatos e denunciar ao país os riscos de um impeachment fraudulento, um verdadeiro golpe”, reforçou.
Confira a íntegra do pronunciamento da, agora, presidente afastada:
Dilma afirmou que foi afastada do mandato por nunca ter se curvado a chantagens. “Essa farsa jurídica de que estou sendo alvo deve-se ao fato de que, como presidente, nunca aceitei chantagem dessa natureza. Posso ter cometido erros, mas não cometi crimes”, declarou.
Congresso em Foco

Presidente em exercício Michel Temer divulga lista oficial de ministros

Temer ao lado de futuros ministros assina notificação de que é o novo presidente do BrasilDivulgação
Poucos minutos após se tornar presidente em exercício do Brasil, Michel Temer divulgou os nomes já confirmados para o ministério dele. Vale destacar que até agora nenhuma mulher integra a lista Confira:
Gilberto Kassab - Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações
Raul Jungmann - Defesa
Romero Jucá - Planejamento, Desenvolvimento e Gestão
Geddel Vieira Lima - Secretaria de Governo
Sérgio Etchegoyen - Gabinete de Segurança Institucional
Bruno Araújo - Cidades
Blairo Maggi - Agricultura, Pecuária e Abastecimento
Henrique Meirelles - Fazenda
Mendonça Filho - Educação e Cultura
Eliseu Padilha - Casa Civil
Osmar Terra - Desenvolvimento Social e Agrário
Leonardo Picciani - Esporte
Ricardo Barros - Saúde
José Sarney Filho - Meio Ambiente
Henrique Alves - Turismo
José Serra - Relações Exteriores
Ronaldo Nogueira de Oliveira - Trabalho
Alexandre de Moraes - Justiça e Cidadania
Mauricio Quintella - Transportes, Portos e Aviação Civil
Fabiano Augusto Martins Silveira - Fiscalização, Transparência e Controle (ex-CGU)
Fábio Osório Medina - Advocacia-Geral da União
A posse desses ministros está marcada para as 15h, no Palácio do Planalto. Pela manhã, Temer foi comunicado oficialmente da instauração do processo de impedimento por crime de responsabilidade da presidente Dilma Rousseff e dizendo, que em função disso o vice deve assumir imediata e interinamente a Presidência da República nos termos do artigo 79 da Carta Magna Brasileira.
Do R7