10 de agosto de 2016

Dilma vira ré em processo de impeachment

Elza Fiúza/Agência Brasil
Presidente afastada será julgada pelos senadores na fase final do processo
Por 59 votos a 21, sem abstenções, os senadores aprovaram há pouco o parecer de Antonio Anastasia (PSDB-MG) sobre o processo de impeachment e a presidente afastada Dilma Rousseff passa oficialmente à condição de ré em processo por crime de responsabilidade (veja abaixo como cada senador votou). Após a conclusão desta segunda etapa, que registrou o discurso de 47 oradores, Dilma irá a julgamento na fase final do processo, em sessão prevista para ser realizada a partir de 25 de agosto. Em raro registro sobre o número de presentes, o painel eletrônico do plenário mostrava quórum de 81 senadores em boa parte da sessão – mas, ao final dos trabalhos, exatamente às 2h38 desta quarta-feira (10), 80 nomes ainda constavam dos registros.
Foram mais de 16 horas de sessão em plenário para que o relatório de Anastasia, uma vez aprovado, abrisse caminho para o último ato no Senado, depois de um período de oito meses de disputas – enredo iniciado com a decisão pró-impeachment por parte do ex-presidente da Câmara Eduardo Cunha (PMDB-RJ), anunciada em 2 de dezembro e vista como vingança por aliados da presidente afastada.
Coube a Sérgio Petecão (PSD-AC) proferir o último discurso da jornada inciada às 9h44, quando uma rodada de questões de ordem teve e início e consumiu toda a manhã desta terça-feira (9). Por coincidência, também pertence ao PSD o primeiro senador a discursar na tarde de ontem – José Medeiros (MT), estreante no Legislativo federal. Ambos votaram contra Dilma.
Conduzida pelo presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Ricardo Lewandowski, a votação de hoje é encarada como um termômetro para o  julgamento final. Nesta etapa, exige-se ao menos 41 votos para que o texto seja aprovado – ou seja, o grupo contrário ao retorno da presidente ao cargo conseguiu quase 20 votos a mais. A margem dá mais segurança ao presidente interino Michel Temer, cada vez mais próximo da confirmação no cargo como efetivo, para a votação definitiva.
No dia 12 de maio, o afastamento da presidente foi aprovado por 55 votos, no que foi a primeira sinalização de que a petista não teria vida fácil no Senado. Todos os senadores contra Dilma mantiveram o posicionamento, e ainda contaram com a adesão de outros quatro parlamentares. Por outro lado, a presidente afastada perdeu um voto entre os 22 da primeira votação – João Alberto Souza (PMDB-MA), aliado do ex-presidente da República José Sarney e presidente do Conselho de Ética do Senado. A exemplo do que fez naquela ocasião, o presidente da Casa, Renan Calheiros (PMDB-AL), não votou.
Fábio Góis/Congresso em Foco
Em registro quase inédito, painel mostra a presença de 81 senadores
Fla x Flu
No encaminhamento final para a votação, defesa e acusação falaram por 30 minutos, cada, para o conjunto do plenário. E, de novo, ganhou protagonismo em plenário o duelo verbal entre a tese de “golpe”, defendida pelos partidários de Dilma, e a do cumprimento à Constituição, à luz da legislação sobre crime de responsabilidade, argumentação dos parlamentares pró-impeachment.
“Ela não merece mais governar o Brasil, porque a forma com que ela governou levou o Brasil ao desastre em que ele se encontra. E de que forma ela governou? Ela governou através da obscuridade, através da mentira”, fustigou o jurista Miguel Reale Jr., que se encarregou da explanação acusatória. Para o especialista, senadores devem levar em conta para a definição seus votos o “conjunto da obra”, isso é, a reunião de supostos malfeitos de Dilma.
“Quem afasta o presidente da República pelo conjunto da obra é o povo, na eleição!”, rebateu o ex-ministro da Advocacia-Geral da União José Eduardo Cardozo, que faz a defesa de Dilma desde a fase inicial de tramitação do processo na Câmara. “Há desrespeito constitucional pelos eleitores de Dilma Rousseff”, acrescentou.
Depois da discussão entre defesa e acusação, senadores ainda tiveram que deliberar sobre três destaques para votação em separado, com quatro oradores (dois contra e dois a favor) inscritos para discutir cada um deles. Os destaques se referiam às chamadas pedaladas fiscais (Plano Safra) e assinatura de dois decretos de crédito orçamentário alegadamente sem autorização do Congresso (um de R$ 29 bilhões, assinado em 27 de julho de 2015; e outro de R$ 600 milhões, com a data de R$ 20 de agosto do mesmo ano). Senadores contra o impeachment queriam retirar do relatório a configuração de crime de responsabilidade atribuída a Dilma nesses três pontos. Mas, com ampla maioria em plenário, a base aliada de Temer suplantou a minoria favorável à petista e rejeitou todos os destaques.
Rito
A partir da aprovação do parecer, acusação e defesa serão intimadas para que apresentem, em até 48 horas, o libelo acusatório – termo jurídico utilizado para a consolidação das acusações e provas produzidas durante as investigações – e, também, a contra-argumentação. Nesse momento, tanto acusação quanto defesa terão que apresentar os nomes das seis testemunhas a serem convocadas para cada lado.
Os autores da denúncia contra Dilma – os juristas Miguel Reale Jr., Hélio Bicudo e Janaína Paschoal – já informaram que pretendem entregar o libelo acusatório no prazo de 24 horas, com o objetivo de adiantar a finalização do processo. Já a defesa de Dilma garante que usará todo o tempo definido na legislação pertinente para apresentar a contra-argumentação.
A sessão de julgamento ainda não foi marcada oficialmente, e só será agendada após o recebimento dos documentos da acusação e da defesa. Além disso, as partes precisam ser notificadas com dez dias de antecedência.
Marcelo Camargo/Agência Brasil
Temer conta com apoio folgado no Congresso, mas enfrenta denúncias de envolvimento na Lava Jato
Temores
Nos bastidores, o Palácio do Planalto tem pressa e trabalha para que o julgamento aconteça ainda no mês de agosto, para que Michel Temer deixe a condição de interino e possa comparecer à reunião do G-20 já como presidente efetivo. O encontro será realizado na China, nos dias 4 e 5 de setembro.
Mas o que preocupa Temer de fato, segundo adversários (principalmente petistas), é a sequência de notícias sobre delações premiadas da Operação Lava Jatoenvolvendo Temer e alguns de seus ministros – entre eles o presidenciável tucano José Serra, ora titular do Ministério das Relações Exteriores, acusado de ter recebido R$ 23 milhões via caixa dois.
Já o presidente interino recebeu, de acordo uma das delações, R$ 10 milhões em dinheiro vivo. Tanto Serra quanto Temer, assim como os demais ministros, têm recorrentemente negado as acusações – um deles, Romero Jucá (PMDB-RR), também foi alvejado por denúncias e, em consequência, perdeu o posto de ministro do Planejamento.
Além disso, governistas temem que a processo de cassação de Cunha seja aprovado na Câmara antes da votação final sobre Dilma, embora haja articulação no sentido contrário. Na avaliação de parlamentares ligados a Temer, o peemedebista pode, uma vez fora do mandato e sem a prerrogativa de foro privilegiado, rebelar-se por ter de ser julgado pelo juiz Sérgio Moro, responsável pela Lava Jato em primeira instância e conhecido pelo rigor na punição a investigados por corrupção. Assusta o Palácio do Planalto, de acordo com fontes próximas ao presidente interino, a possibilidade de que uma delação premiada de Cunha atinja diversos parlamentares de vários partidos, principalmente o PMDB, além do próprio Temer.
Último passo
A sessão que definirá o futuro político de Dilma será novamente conduzida pelo presidente do Supremo Tribunal Federal, ministro Ricardo Lewandowski. Para condenar a presidente é preciso o voto de pelo menos 54 dos 81 senadores. Neste caso, Dilma deixa definitivamente o cargo, perde os direitos políticos por oito anos e Michel Temer é efetivado na Presidência da República. Caso contrário, a presidente é absolvida e reassume imediatamente o mandato.
Veja o voto de cada senador sobre o relatório de Anastasia:
  • Acir Gurgacz (PDT-RO) – SIM
  • Aécio Neves (PSDB-MG) – SIM
  • Aloysio Nunes Ferreira (PSDB-SP) – SIM
  • Alvaro Dias (PV-PR) – SIM
  • Ana Amélia (PP-RS) – SIM
  • Angela Portela (PT-RR) – NÃO
  • Antonio Anastasia (PSDB-MG) – SIM
  • Antonio Carlos Valadares (PSB-SE) – SIM
  • Armando Monteiro (PTB-PE) – NÃO
  • Ataídes Oliveira (PSDB-TO) – SIM
  • Benedito de Lira (PP-AL) – SIM
  • Cássio Cunha Lima (PSDB-PB) – SIM
  • Cidinho Santos (PR-MT) – SIM
  • Ciro Nogueira (PP-PI) – SIM
  • Cristovam Buarque (PPS-DF) – SIM
  • Dalirio Beber (PSDB-SC) – SIM
  • Dário Berger (PMDB-SC) – SIM
  • Davi Alcolumbre (DEM-AP) – SIM
  • Edison Lobão (PMDB-MA) – SIM
  • Eduardo Amorim (PSC-SE) – SIM
  • Eduardo Braga (PMDB-AM) – SIM
  • Eduardo Lopes (PRB-RJ) – SIM
  • Elmano Férrer (PTB-PI) – NÃO
  • Eunício Oliveira (PMDB-CE) – SIM
  • Fátima Bezerra (PT-RN) – NÃO
  • Fernando Bezerra Coelho (PSB-PE) – SIM
  • Fernando Collor (PTC-AL)- SIM
  • Flexa Ribeiro (PSDB-PA) – SIM
  • Garibaldi Alves Filho (PMDB-RN) – SIM
  • Gladson Cameli (PP-AC) – SIM
  • Gleisi Hoffmann (PT-PR) – NÃO
  • Hélio José (PMDB-DF) – SIM
  • Humberto Costa (PT-PE) – NÃO
  • Ivo Cassol (PP-RO) – SIM
  • Jader Barbalho (PMDB-PA) – SIM
  • João Alberto Souza (PMDB-MA) – SIM
  • João Capiberibe (PSB-AP) – NÃO
  • Jorge Viana (PT-AC) – NÃO
  • José Agripino (DEM-RN) – SIM
  • José Aníbal (PSDB-SP) – SIM
  • José Maranhão (PMDB-PB) – SIM
  • José Medeiros (PSD-MT) – SIM
  • José Pimentel (PT-CE) – NÃO
  • Kátia Abreu (PMDB-TO) – NÃO
  • Lasier Martins (PDT-RS) – SIM
  • Lídice da Mata (PSB-BA) – NÃO
  • Lindbergh Farias (PT-RJ) – NÃO
  • Lúcia Vânia (PSB-GO) – SIM
  • Magno Malta (PR-ES) – SIM
  • Marta Suplicy (PMDB-SP) – SIM
  • Omar Aziz (PSD-AM) – SIM
  • Otto Alencar (PSD-BA) – NÃO
  • Paulo Bauer (PSDB-SC) – SIM
  • Paulo Paim (PT-RS) – NÃO
  • Paulo Rocha (PT-PA) – NÃO
  • Pedro Chaves (PSC-MS) – SIM
  • Raimundo Lira (PMDB-PB) – SIM
  • Randolfe Rodrigues (Rede-AP) – NÃO
  • Regina Sousa (PT-PI) – NÃO
  • Reguffe (sem partido/DF) – SIM
  • Renan Calheiros (PMDB-AL) – pres./nâo vota
  • Ricardo Ferraço (PSDB-ES) – SIM
  • Ricardo Franco (DEM-SE) – SIM
  • Roberto Muniz (PP-BA) – NÃO
  • Roberto Requião (PMDB-PR) – NÃO
  • Roberto Rocha (PSB-MA) – SIM
  • Romário (PSB-RJ) – SIM
  • Romero Jucá (PMDB-RR) – SIM
  • Ronaldo Caiado (DEM-GO) – SIM
  • Rose de Freitas (PMDB-ES) – SIM
  • Sérgio Petecão (PSD-AC) – SIM
  • Simone Tebet (PMDB-MS) – SIM
  • Tasso Jereissati (PSDB-CE) – SIM
  • Telmário Mota (PDT-RR) – NÃO
  • Valdir Raupp (PMDB-RO) – SIM
  • Vanessa Grazziotin (PCdoB-AM) – NÃO
  • Vicentinho Alves (PR-TO) – SIM
  • Waldemir Moka (PMDB-MS) – SIM
  • Wellington Fagundes (PR-MT) – SIM
  • Wilder Morais (PP-GO) – SIM
  • Zeze Perrella (PTB-MG) – SIM

Congresso em Foco

Gás que esfria sua geladeira deixa nosso planeta cada vez mais quente

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Você pode estranhar, mas o problema é real: um gás que está na sua geladeira e no seu ar-condicionado é um dos responsáveis por deixar as temperaturas do nosso planeta cada vez mais altas. Conhecida há anos, a ironia do composto chamado HFC ser responsável pelo resfriamento e ao mesmo tempo virar um vilão para o aquecimento global tem explicação. O lado bom é que este gás deve ser banido em breve.
O problema com o HFC, grupo de gases que contém hidrogênio em sua fórmula, começou no Protocolo de Montreal, que baniu em 1987 o famoso CFC de objetos refrigeradores e aerossóis. À época, o CFC, com cloro, era temido por abrir um buraco gigante na camada de ozônio e causar o efeito estufa. Tanto é que neste ano já se notou que o buraco começou a diminuir. Mas a substituição do CFC pelo HFC acelerou um problema quase tão grande quanto: o aquecimento global.
“O HFC tem uma vantagem por não ter cloro, mas já se percebeu logo de cara que tinha outros problemas. Apesar do problema da camada de ozônio ser consertado, piorava o aquecimento. Na época, apesar de muitas críticas e objeções por ambientalistas, adotaram ele como um ‘gás de transição'”, relata ao UOL o físico Délcio Rodrigues, do Observatório do Clima, associação que envolve várias entidades ambientais.
Mas calma: o gás não é expelido ao meio ambiente cada vez que damos aquela famosa olhadinha na geladeira ‘para pensar’ e nem faz mal à saúde diretamente em nossas casas – ele fica isolado dentro de eletrodomésticos. O HFC é um problema por causa das emissões feitas pela indústria na produção de refrigeradores, ares-condicionados e de espuma para travesseiros, colchões e outros estofados, além de liberações causadas em reparos ou no descarte de eletrodomésticos que contêm o composto.
“Na hora da compra, o consumidor pode procurar no mercado nacional geladeiras com propano. Não existe em todos os modelos, mas têm vários já. Elas não são mais caras, são basicamente equivalentes”, ressalta Délcio. Na hora de jogar fora, o importante é não deixar em ferro-velho. “É bom procurar, as empresas, elas não disponibilizam essa informação facilmente, mas existem sistemas de recuperação para os gases. Então é bom o consumidor buscar a empresa e perguntar o que fazer para descartar.”
O perigo do HFC, inclusive, fica ainda mais claro ao comparar o gás com o CO2, maior responsável pelo aquecimento global. Segundo Rodrigues, uma molécula do HFC é capaz de segurar calor em uma proporção 40 mil vezes maior do que uma molécula do CO2. Ou seja: apesar de a liberação do CO2 ser infinitamente maior, a pequena liberação do HFC é muito potente e representa um perigo real.
Anime-se: em breve este gás deve sumir da sua casa
A pergunta que fica é: se já sabiam que o composto causava impactos, por que o Protocolo de Montreal não definiu logo um gás sem malefícios? A resposta envolve alguns pontos. Primeiro, o aquecimento não era tão preocupante em 1987 como agora. O mais importante, contudo, é que o HFC tem algumas semelhanças com o CFC e uma mudança brutal envolve o que todo país evita tocar: dinheiro.

Assim como o CFC, o HFC é um composto neutro e pouco reagente – e pior, criado por empresas químicas que fazem lobby para seguir ganhando dinheiro com patentes. Os substitutos principais são gases naturais e baratos, entre eles o propano (para objetos pequenos) e amônia (a nível industrial). O problema com o propano, por exemplo, é que ele é inflamável e sua combustão eliminaria CO2.Toda a indústria precisaria ser reformulada, algo que pode custar entre US$ 8 bilhões e US$ 10 bilhões.
Mas, como ambos os substitutos têm bem menos impactos ambientais do que o HFC, e os países firmaram um importante acordo em Paris para a redução do aquecimento global, a expectativa é que o HFC seja proibido em um encontro global que será realizado em Kigali, em Ruanda.
“Após sete anos de negociação, acredita-se que seja possível chegar a um acordo na próxima reunião. Atualmente existem quatro propostas de emenda ao Protocolo, uma apresentada por Estados Unidos, Canadá e México; outra pela União Europeia; outra pela Índia e outra pelos países insulares do Pacífico”, explica Magna Luduvice, gerente de proteção da camada de ozônio no Ministério do Meio Ambiente.
O Brasil, assim como outros países emergentes, exige financiamento das grandes nações para a ação. Até por isso, a tendência é que a indústria de refrigeradores e outras que usam gás HFC sejam a favor das mudanças, pois poderiam modernizar suas fábricas com investimentos do fundo. Ainda segundo Luduvice, a indústria tem participado “ativamente” das discussões e já percebeu que não pode mais utilizar compostos com impactos ambientais. Na União Europeia, por exemplo, as empresas já quase não usam mais o HFC.
UOL

9 de agosto de 2016

Após trabalho de altos e baixos na Série A, Milton Mendes deixa Santa Cruz-PE

Milton Mendes Santa Cruz (Foto: Marlon Costa/ Pernambuco Press)Milton Mendes é passado no Santa Cruz (Foto: Marlon Costa/ Pernambuco Press)
É o fim de um ciclo. O técnico Milton Mendes não faz mais parte do Santa Cruz. O treinador, que não fez uma boa campanha com o Tricolor na Série A do Campeonato Brasileiro - é o 19º colocado com 18 pontos -, pediu demissão. A decisão foi tomada após a derrota por 2 a 1 para o São Paulo, no último domingo, no Arruda. A diretoria tentou segurá-lo no cargo, mas Milton não foi demovido da ideia. O clube, agora, segue em busca de outro treinador.

Milton Mendes deixa o Santa Cruz com 46,87% de aproveitamento. Campeão da Copa do Nordeste - a primeira da história do clube - e do Campeonato Pernambucano, o treinador acumulou ao longo da passagem pelo Arruda 12 vitórias, nove empates e 11 derrotas, em 32 jogos.
Milton Mendes chegou ao Arruda, no fim de março, para substituir Marcelo Martelotte. Com um discurso diferente e respaldado por ser um dos únicos do Brasil a ter os quatro níveis do UEFA Pro - certificado concedido a técnicos europeus -, logo implementou um estilo de jogo. Esteve perto de desistir do convite ao assistir Santa Cruz x América-PE, empate sem gols pelo Campeonato Pernambucano. Mas aceitou e, em pouco tempo, sobressaiu. Principalmente nos matas-matas, que culminaram nos títulos do Nordestão e Pernambucano.
O problema era fora de campo. A reportagem do GloboEsporte.com ouviu, durante a trajetória de Mendes, funcionários do clube, jogadores, membros da diretoria. Os relatos era de clima pesado gerado pelo treinador, que esteve ao lado da direção com intuito de melhorar a estrutura do clube.O treinador se mostrou várias vezes incomodado por trabalhar e jogar no Arruda, desgastando o gramado. Pediu à direção uma melhora nisso, mas viu de perto o sacrifício pela falta de dinheiro no clube. Segundo ele, as condições de treino eram poucas.
Grafite Santa Cruz (Foto: Marlon Costa/ Pernambuco Press)Grafite diz ter sido lançado sem condições em campo por conta de Mendes (Foto: Marlon Costa/ Pernambuco Press)


Alguns jogadores tiveram problemas de relacionamento com Milton. Discussões mais acaloradas eram vistas como "normais" para o ambiente do futebol. Algumas delas, no entanto, chegaram a surpreender quem frequentava o ambiente. Pouco a pouco, perdeu até os líderes - os oito capitães que elegeu ao chegar e com os quais fazia o rodízio com a braçadeira.

Houve rispidez com funcionários do clube. O temperamento explosivo de Milton surpreendia. Às vezes, por atrasos ínfimos. Certa vez, um roupeiro entregou o material com demora quase imperceptível. Uma postura enérgica, acima do tom, foi tomada. Com outros a mesma coisa. Isso foi minando o ambiente do treinador. 

Alguns relatos falavam de clima dos mais pesados dos últimos anos. Milton Mendes era rígido, tinha postura militar. Atletas se queixavam da falta de tato quando se exigia o esforço físico dos jogadores. O atacante Grafite revelou que atuou algumas vezes "no sacrifício", após conversas com o comandante. O treinador confirmou as palavras do ídolo coral. O zagueiro Neris, por exemplo, atuou sem completar a transição física na derrota por 1 a 0 para o Atlético-PR.
algumas contratações foram fechadas mesmo contestadas por grande parte da torcida, como o lateral-direito Mário Sérgio, o lateral-esquerdo Roberto e o meia Marcinho, que tiveram poucas oportunidades no time. Todos foram atletas de Mendes em outros clubes.
Mendes tentava trazer jogadores para o Santa Cruz. Atletas renomados, para ele, mas muitos recusaram o convite. Mesmo assim, não abandonou a postura de trazer, pelo menos, quem ele conhecia. Assim, algumas contratações foram fechadas, mesmo contestadas por grande parte da torcida, como o lateral-direito Mário Sérgio, o lateral-esquerdo Roberto e o meia Marcinho, que tiveram poucas oportunidades. Todos foram atletas de Mendes em outros clubes.

Incomodado com a falta de qualificação no elenco, Milton Mendes chegou a citar defeitos dos atletas a jornalistas em conversas extracampo. Quase ninguém passava impune às críticas.

Não foram poucas as vezes que Milton Mendes relatou falta de atenção ou de qualidade de jogadores para repórteres com quem nem sequer tinha proximidade. Em entrevistas oficiais, por outro lado, deixava claro que nunca iria expor atletas.
Milton Mendes Santa Cruz (Foto: Marlon Costa / Pernambuco Press)Convivência de Mendes com alguns atletas era difícil (Foto: Marlon Costa / Pernambuco Press)
- Assumo responsabilidade, deixo o cargo, mas não vou falar mal de ninguém. É minha postura como líder, como um gestor, e como um pai de família. Peço desculpas se vocês quisessem que eu apontasse o dedo para alguém, mas não vou fazer isso. O clube está mudando uma série de paradigmas e avançando em situações - disse, ao fim do jogo contra o São Paulo.

Milton Mendes chegou a receber propostas, como do Bahia. Preferiu não deixar o Santa Cruz. Segundo ele, não era "homem para desistir dos desafios". Por vezes, pensou em jogar a toalha, como na derrota por 3 a 0, para a Ponte Preta, no Arruda. No pós-jogo, atletas entraram na sala de imprensa motivados, segundo eles, por uma informação a respeito de um pedido de mudança do volante Uillian Correia "em todos os setores do clube". Uillian confrontou o repórter que veiculou a informação. Milton tomou o ato como apoio e não deixou o cargo.
Depois da derrota contra o São Paulo, Milton Mendes foi mais uma vez claro. Não só na entrevista, quando disse que tinha "tentado de tudo, inclusive mudando peças e esquema tático". O mesmo discurso foi dito de forma clara para a diretoria. Sem querer perder o treinador, a direção pediu para que ele passasse a última segunda-feira,de folga, num hotel em uma praia no litoral Sul de Pernambuco. Parece não ter sido suficiente para demover Milton da ideia.
Por 
Recife

Horas após demitir Falcão, Inter acerta retorno de Celso Roth como técnico

celso roth internacional novo hamburgo (Foto: Lucas Uebel / Vipcomm)Celso Roth será técnico do Inter até o final do ano (Foto: Lucas Uebel / Vipcomm)
O Inter ficou pouco tempo sem treinador. Ainda que não confirme oficialmente, o clube fechou a contratação de Celso Roth para substituir Paulo Roberto Falcão, demitido no início da tarde desta segunda-feira. Ele será apresentado em entrevista coletiva marcada para a manhã de terça, quando será anunciada também a nova formatação do departamento de futebol.
Campeão da Libertadores em 2010, Roth tem na solidez defensiva seu principal trunfo. Na “Era Falcão”, o sistema mostrou fragilidades e levou 10 gols em cinco partidas, o que representa uma média de dois gols por jogo. É com este perfil que a direção trabalha para uma espécie de retomada a partir da primeira rodada do segundo turno. 
Roth trará apenas Beto Ferreira, que será seu auxiliar. O contrato do técnico valerá até o final do ano. A escolha do sucessor de Falcão veio de Fernando Carvalho, que voltará a ser vice de futebol. Ibsen Pinheiro será o seu assessor. Newton Drummond, o Chumbinho, trabalhará como executivo.
O técnico será o terceiro no ano. Antes de Falcão, que permaneceu por apenas cinco partidas - com dois empates e três derrotas -, o Inter teve Argel. Roth entra com a missão de encerrar a incômoda sequência de 11 jogos sem vitórias, com oito derrotas no período.
Após sua apresentação, Roth começará a trabalhar para tentar recolocar o time nos trilhos. A primeira atividade sob sua batuta está programada para ocorrer às 10h30. Na segunda-feira, às 20h, o Inter enfrenta a Chapecoense na Arena Condá, em Chapecó.
Por 
Porto Alegre

Um a cada três prefeitos elegíveis do Ceará não disputará reeleição

Mesmo elegível, um a cada três prefeitos aptos à reeleição no Ceará não deve disputar novo mandato neste ano. Dado é de pesquisa da Confederação Nacional dos Municípios (CNM), que aponta que só 88 (65,16%) dos 135 (73,37%) gestores cearenses que podem ser reeleitos lançaram chapas até a última semana.
Ao todo, 47 prefeitos elegíveis devem desistir de buscar renovação do mandato. Outras 49 cidades possuem prefeitos inelegíveis, por já estarem no segundo mandato consecutivo. Na comparação nacional, o Ceará é o 10º com maior número de gestores que buscam a reeleição. Pernambuco é o 1º no ranking, com 88,28% de seus atuais prefeitos na disputa de 2016.
Segundo a pesquisa, maior parte dos gestores que abriram mão de disputar novo mandato atribui a desistência às dificuldades da gestão. Em segundo lugar, aparece a própria falta de interesse na disputa. São casos semelhantes ao de Ronaldo Mattos (PSC), prefeito do Crato, que desistiu da reeleição para apoiar Zé Ailton Brasil (PP) no município.
Entre prefeitos que devem disputar reeleição, estão gestores de algumas das maiores cidades do Ceará, como Roberto Cláudio (Fortaleza), Firmo Camurça (Maracanaú), Átila Câmara (Maranguape) e Raimundão (Juazeiro do Norte).
O Povo

Capitão Wagner registra coligação “Juntos Somos Mais” nesta terça

Candidato com maior bloco de alianças da oposição, Capitão Wagner (PR) irá oficializar registro da coligação “Juntos Somos Mais” na Justiça Eleitoral às 17h desta terça-feira, 9. Ação ocorre na sede do Tribunal Regional Eleitoral no Ceará (TRE-CE), e será acompanhada pelo candidato a vice de Wagner, Gaudêncio Lucena (PMDB).
Ao todo, chapa de Wagner une quatro partidos: PR, PMDB, PSDB e SD.
Na tarde desta segunda-feira, o prefeito Roberto Cláudio (PDT) registrou a coligação de sua chapa pela reeleição. Batizado de “Fortaleza só Tem a Ganhar”, o grupo é formado por 18 partidos e terá o deputado federal Moroni Torgan (DEM) como vice.
Na capital, o TRE-CE espera o registro de cerca de mil candidatos. No Estado, em torno de 15 mil candidatos disputarão as eleições municipais deste ano.
O Povo

Professores da rede estadual suspendem greve no Ceará; calendário será definido

Assembleia foi marcada por tumulto entre professores contrários à suspensão da greve e a diretoria do sindicatoApós 107 dias, a greve dos professores da rede estadual de educação foi suspensa nesta terça-feira, 9. A decisão foi tomada durante a manhã, em assembleia com cerca de 2 mil professores, no Ginásio Paulo Sarasate, no bairro Dionísio Torres. O reajuste de 12,67%, principal reivindicação da categoria, não foi atendido pelo Governo, que propôs uma correção por meio de gratificação (média de até 9,8%).
Segundo Anízio Melo, presidente do Sindicato dos Professores e Servidores de Educação e Cultura do Estado e Municípios do Ceará (Apeoc), houve resistência dentro da categoria para a suspensão da greve, formalizada no dia 25 de abril. "Não estamos satisfeitos, mas entendendo a pressão da opinião pública e nosso compromisso com a educação, resolvemos suspender exigindo que o Governo cumpra esse mínimo obtido. Não aceitaremos nenhum tipo de retaliação dos professores que ficaram na luta", disse.
Muitos professores que participaram da assembleia não acordaram o fim da greve e relataram ao O POVO fraude na votação. Alguns deles afirmaram que as aulas não serão retomadas, pois o fim da paralisação foi decidido pelo sindicato. O presidente da Apeoc saiu do local sob escolta devido ao confronto entre professores contrários à suspensão da greve e a direção do sindicato.
"Na minha concepção, os votos a favor da manutenção da greve foram nitidamente maiores. Não houve nenhuma contagem oficial na assembleia", reclamou a professora Márcia Moreira, 43 anos. Estudantes da rede estadual tentaram entrar no Ginásio, mas foram barrados e chegaram a entrar em confronto com seguranças.
Segundo Anízio, os professores continuarão reivindicando o cumprimento dos pontos acordados, como descompressão da carreira e aumento da regência de classe. "No caso dos professores, a recomposição salarial é 5% na remuneração e 5% na regência de classe para os ativos e aposentados. Em média, há um ganho remuneratório que oscila entre 5% e 11%", explica.
Anízio afirma que 80% das escolas já retomaram as aulas, mas o calendário do restante das unidades será definido a partir desta quarta-feira, 10. "O retorno das aulas fica a cargo das escolas. Claro que as ocupadas precisarão de mais tempo", frisa. 
Os municípios com o maior número de escolas com professores que aderiram à greve são Sobral, Russas, Horizonte, Maracanaú e Fortaleza.Em Fortaleza, 50% das escolas foram afetados, segundo o secretario da Educação informou anteriormente.
O POVO Online entrou em contato com a Seduc e aguarda retorno. 
O POVO

Quanto custa uma medalha de ouro – e por que as do Rio 2016 são diferentes

Elas são os objetos mais desejados nesses dias no Rio de Janeiro, o reconhecimento com o qual 10.500 atletas de 206 países sonham para coroar os esforços de anos de treinamento e dedicação.
Os organizadores dos Jogos Olímpicos de 2016 encomendaram 2.488 medalhas para recompensar seus atletas, dos quais 812 são de ouro.
Mas quanto vale uma medalha de ouro da Rio 2016?
Para estimar um valor, a primeira coisa a considerar é que no caso de medalhas olímpicas, nem tudo que reluz é ouro. Sua composição atual é de 92,5% de prata; 6,16% de cobre e apenas 1,34% de ouro.
O Comitê Olímpico Internacional estabelece que cada medalha de ouro deve conter pelo menos 6 gramas de ouro 24 quilates.
Medalhas de ouro devem conter pelo menos 6 gramas de ouro 24 quilates (Foto: BBC)Medalhas de ouro devem conter pelo menos 6 gramas de ouro 24 quilates (Foto: BBC)









As da Rio 2016 pesam cerca de 500 gramas. Seu valor, calculado com base na sua composição, é de cerca de US$ 600, de acordo com estimativas do Conselho Mundial de Ouro.
As últimas medalhas douradas feitas inteiramente de ouro foram entregues nos Jogos Olímpicos de 1912.
Preços recordes
Uma vez que estas medalhas são entregues, o seu valor de mercado pode ir muito além do custo dos materiais que a compõem pois tornam-se um objeto precioso para colecionadores.

As medalhas vêm em uma caixa de madeira produzida de forma sustentável (Foto: BBC)As medalhas vêm em uma caixa de madeira produzida de forma sustentável (Foto: BBC)









Assim, uma medalha de ouro de qualquer esporte, mesmo ganha por um atleta pouco conhecido, pode ser vendido a US$ 10 mil em casas de leilão.
Mas se é uma medalha que tem uma história particular que pode torná-la mais valiosa, os números sobem muito, como foi mostrado pelo US$ 1,47 milhão pago em 2013 pela última das quatro medalhas de ouro ganhas por Jesse Owens nos Jogos Olímpicos de Berlim em 1936. O preço foi recorde.
Medalhas ecológicas
As medalhas Rio 2016 foram produzidas pela Casa da Moeda do Brasil. Com um diâmetro de 85 mm e um peso de 500 gramas são as maiores e mais pesadas da história.

Seu projeto mostra algumas folhas de louro - símbolo da vitória na Grécia antiga - em torno do logotipo da Rio 2016. Com elas, o objetivo era representar não só excelência atlética, mas também as forças da natureza e os princípios da sustentabilidade e acessibilidade.
As medalhas vêm em uma caixa de madeira em forma de pedra, que foi certificada pelo Conselho para a Proteção das Florestas, garantindo que o material procede exclusivamente de florestas que atendam aos mais altos padrões de sustentabilidade.
Para fazer isso, exigiu-se o cumprimento dos critérios ambientais rigoros e de padrões de trabalho. Por exemplo, no processo de obtenção de ouro foi proibido o uso de mercúrio, um grande poluente.
As medalhas para os Jogos Paralímpicos fazem barulho quando são agitadas (Foto: BBC)As medalhas para os Jogos Paralímpicos fazem barulho quando são agitadas (Foto: BBC)









Para as medalhas de prata e bronze, 30% do material usado é reciclado.
Da mesma forma, metade do plástico usado para fazer as fitas das medalhas vem de garrafas recicladas.
Quanto às medalhas dos Jogos Paralímpicos, elas vão incorporar um pequeno dispositivo interno que faz barulho quando elas são sacudidas para ajudar os atletas com deficiência visual a reconhecer o que ganharam. O ouro é o mais barulhento; o bronze menos.
BBC