28 de novembro de 2017

Aulas invertidas são muito mais eficientes e inclusivas

Educação
No Brasil a educação ainda é organizada de forma tradicional
O modelo tradicional de ensino, hoje tão criticado não somente no Brasil, está calcado num método simultâneo (alunos enfileirados em classe), que, como visto em texto anterior, poderia ser, de forma inteligente, agregado a outros métodos, como o mútuo (alunos de destaque ajudam demais alunos) e o individual (professor atende um aluno por vez).
De qualquer forma, independentemente de como os métodos acima sejam agregados, há outro avanço importante que já deveria ter sido tomado nas escolas brasileiras: a  “aula invertida” (flipped classroom), método utilizado em algumas das mais respeitadas universidades do mundo, inclusive no Brasil, há um bom tempo.
O modelo tradicional de ensino, que se concretizou no século XIX, é o expositivo e impositivo. Buscava-se educar o máximo de pessoas por meio de exposições a grupos, impondo-lhes o conhecimento e as normas que deveriam ser respeitadas. Era uma educação em conformidade com o período da Revolução Industrial. Precisava-se do máximo de trabalhadores minimamente educados para executar as tarefas repetitivas que lhes eram imputadas, cumprindo as regras impostas pelos que mandavam.
A consolidação desse método de ensino por monólogo de um professor data, contudo, pelo menos da criação das universidades na Europa Ocidental no século XI e do método dos jesuítas empregado ao longo da Idade Média na Europa e, mais tarde, no Brasil colonial.
O ensino realizado na Grécia Antiga, por outro lado, naquela que foi talvez a civilização mais sábia de toda a história terrena, se dava por meio de diálogos, repletos de reflexões e apresentação de questões tanto pelos mestres quanto pelos discípulos.
O ensino de palestra, por meio do qual o professor fala por dezenas de minutos para os alunos, ainda que com espaço para perguntas, é cansativo, desmotivador, pouco capaz de identificar grandes qualidades e deficiências de cada educando, menos apto à memorização do conhecimento, apesar de focado nesse aspecto, dentre vários outros problemas.
Em 1993 – há 24 anos, portanto – o professor Alisson King, associado da Universidade do Estado da Califórnia em São Marcos, publicou um artigo seminal que causou impacto nos Estados Unidos. Ele lembrava que o ensino tradicional de transmissão de informação seria insuficiente para que os alunos pudessem lidar com os problemas complexos do século XXI, que ainda estava por se desvelar.
King lembrava que conhecimento não se transmite, mas apenas a informação. O modelo tradicional, amplamente adotado no Brasil até hoje, visa lançar informação sobre os alunos, que frequentemente não prestam atenção, ou, quando prestam, absorvem pouco, ou, quando conseguem absorver mais, o fazem porque anotaram o que o professor dizia, exercendo um aprendizado um pouco mais ativo, que, como está multiplamente provado, é mais eficiente do que o passivo.
Em texto anterior, demonstramos que são vastos os estudos comprovando cientificamente a eficiência das discussões filosóficas em termos de aprendizagem mais ativa (active learning), em lugar das exposições maçantes sobre a vida dos filósofos e seu pensamento, com muitas abstrações e poucas interconexões com a vida prática dos alunos.
Para além das discussões filosóficas, a aprendizagem ativa de um modo geral também já foi bastante testada e se mostra bem mais eficiente do que aquela mais tradicional, de caráter fortemente passivo. Os resultados de alunos submetidos a técnicas de aprendizagem ativa superam em muito aqueles apenas submetidos à aprendizagem passiva.
O professor do modelo tradicional seria, segundo King, um “sage on the stage”, ou seja, um suposto “sábio no palco”, que despejava informação a alunos passivos e pouco atentos. Mais tarde, a memorização do conhecimento seria testada numa prova, respondida muitas vezes por mero exercício de memorização superficial realizado alguns dias antes dela, quando não no mesmo dia, sendo boa parte do conteúdo esquecido logo em seguida.
Apesar do grande aumento de eficiência que provoca, a “aula invertida” não é nenhuma grande ciência. É simples. Como o nome indica, consiste em inverter o processo de aprendizagem, fazendo com que os alunos estudem antes das aulas, chegando a elas já com as informações dos materiais didáticos que são hoje expostas pelos professores em sala.
Em vez de ouvir aquilo que já está no material, os alunos processam as informações já extraídas e inicialmente digeridas por meio de um estudo prévio que, se bem direcionado, já pode ser muito mais produtivo do que muitas aulas que vemos por aí.
Os alunos recebem, então, indicação de livros, artigos, filmes, matérias de jornais, sites etc. para estudo prévio e preparação para aula. Um questionário com perguntas sobre os principais tópicos ajuda a focar no que é mais importante, porém pode também fazer o aluno deixar todo o resto de lado e apenas se preocupar com a resposta das questões.
Parte considerável da nota final dos alunos pode ser formada de acordo com a qualidade, e não somente quantidade, da sua participação em sala de aula, estimulando-os a chegar em sala com boas dúvidas e comentários, mas deve-se ensiná-los a não participar forçadamente da aula apenas para se destacar e obter melhor nota. Esse já é um exercício importante para a vida: saber quando se colocar, participar para agregar ao todo, e não por vaidade ou interesse em um resultado pessoal.
Em vez de um suposto "sábio no palco", na "aula invertida” o professor se torna um amigo mais experiente, um monitor que dirige o debate e que faz apontamentos de maior profundidade, estimulando discussões sadias, tirando dúvidas etc. Assim, aproveita-se o tempo da aula para aprofundamento, para participação bastante ativa dos alunos, não os deixando em passividade, em desatenção.
Em lugar de alunos cansados, desmotivados muitas vezes por não conhecerem nada sobre o assunto e julgarem-no enfadonho à primeira vista, observa-se que, na "aula invertida", eles se sentem mais seguros, motivados por terem em suas mãos as rédeas do processo de construção do conhecimento, por já saberem um pouco do tema e terem se aprofundado naquilo que mais lhes interessou. 
Em vez de as provas cobrarem respostas memorizadas, elas podem ser muito mais críticas, reflexivas, permitindo, às vezes, até mesmo o uso de material de apoio, pois seu foco deixa de ser as informações em si e passa a ser a capacidade crítica de entrelaçá-las com a vida prática de modo a extrair delas decisões comportamentais sábias. 
Outros meios de avaliação, como apresentação de artigos, monografias e apresentação em classe, podem ser utilizados para estimular o educando a desenvolver pesquisa, processar o conhecimento e expô-lo, somando-se as notas àquelas das participações em sala, tão ou mais importantes do que as avaliações.
Esse método tem sido usado no Brasil por professores de USP, PUC/SP, Presbiteriana Mackenzie e outras universidades. Há muitos anos, a maior parte dos professores da Universidade de Harvard (Estados Unidos), da British Columbia (Canadá) e de outras importantes instituições estrangeiras vêm empregando o método da “aula invertida” com alta comprovação de aumento de presença em sala e do aprendizado.
Uma iniciativa na British Columbia, que contou, inclusive, com participação do vencedor do Prêmio Nobel de Física em 2001, Carl Wieman, hoje professor de Stanford (Estados Unidos), revelou significativo aumento de presença, de participação em sala e do rendimento dos alunos nas avaliações. 
Segundo estudos realizados em escolas do ensino médio de Michigan, o desempenho dos alunos melhorou muito com o uso do método da "aula invertida". Escolas antes avaliadas entre as piores do estado tiveram um grande progresso.  
Há diversos métodos para concretizar a aula invertida. Tem-se utilizado muito a tecnologia para tornar o processo mais prático e eficiente, mas a escolha das técnicas deve variar de acordo com cada cenário, ou seja, com as possibilidades da instituição de ensino, dos educadores e dos educandos. Como é natural, nem sempre o que funciona em um local terá êxito em outro.  
Alguns professores têm gravado pequenos vídeos, de 5 a 15 minutos, sobre cada tema da aula, para que os alunos assistam antes, deixando o espaço em sala apenas para debates, apresentações dos alunos e aprofundamentos.
Esse modelo se tornou célebre com a ajuda dos professores americanos Jon Bergman e Aaron Sams, que têm se dedicado às aulas invertidas há pelo menos uma década e criaram a empresa Flippedclass.com, por meio da qual divulgam mundialmente o método e suas técnicas.   
Outra hipótese, que vem sendo empregada, por exemplo, na Faculdade de Medicina da Universidade Federal da Bahia, é os alunos fazerem pequenos testes semanais pela internet, valendo uma pequena parte da nota, nos quais eles precisam responder a questões relativas ao conteúdo a ser discutido na sala de aula na semana seguinte. Assim, precisam estar estudando rotineiramente antes de cada aula.
No ano de 2000, os professores americanos de Economia Maureen Lage, J. Platt e Michael Treglia publicaram um importante artigo intitulado “Inverting the classroom: a gateway to creating an inclusive learning environment” (Invertendo a sala de aula: um portal para criar um ambiente de aprendizado inclusivo”), por meio do qual demonstram, baseados em outros autores e em evidências empíricas, que a aprendizagem aumenta muito quando o método de ensino se casa com as habilidades de aprendizagem do aluno.
Em outras palavras, o estudo comprova, sugerindo a utilização da aula invertida, que os indivíduos têm múltiplas inteligências e algumas mais desenvolvidas do que as outras, de modo que o uso de diferentes métodos e técnicas de ensino dá mais garantias de que mais alunos poderão construir conhecimento e desenvolver suas diferentes habilidades.
A aula invertida, que pode ser, como visto, pautada em diferentes métodos, é uma ferramenta poderosa para desenvolver as múltiplas inteligências e que as leva em conta para um processo de aprendizagem bem mais eficiente, abrangente e inclusivo. 
Com informações da Revista Carta Capital

Leilão de escravos é flagrado na Líbia

Imigrantes
Imigrantes africanos salvos no Mediterrâneo em 6 de novembro pela ONG alemã Sea-Watch. O drama não acaba
Uma reportagem levada ao ar pela rede de televisão norte-americana CNN nesta terça-feira 14 mostrou as primeiras imagens de um crime denunciado pelas Nações Unidas em abril, mas que ainda não havia sido flagrado: imigrantes africanos são rotineiramente vendidos como escravos na Líbia, país no norte do continente.
"Alguém precisa de um escavador? Este é um escavador, um homem forte e grande", diz o responsável pelo leilão de seres humanos. "500, 550, 600, 650..." Em cerca de sete minutos, uma dezena de pessoas foi vendida. A todo tempo, afirma a repórter responsável pela matéria, os criminosos se referiam aos imigrantes como "mercadoria". 650 dinares, o valor pelo qual um dos homens foi vendido, equivalem hoje a 1,5 mil reais.
O flagrante foi feito pela CNN em outubro, com o uso de câmeras escondidas. A reportagem da emissora recebeu a informação sobre o local do leilão e conseguiu acompanhar o evento. O responsável pela venda de pessoas não quis conversar com os jornalistas e dois dos homens vendidos, abordados pela reportagem, estavam em choque e também não falaram.
A reportagem foi realizada depois de a CNN receber de uma fonte um vídeo de um leilão de escravos realizado meses antes na Líbia. Nas imagens, homens negros aparecem no vídeo. Um outro homem coloca a mão sobre eles e anuncia "garotos grandes e fortes para trabalhar na fazenda".
Segundo a CNN, há leilões em pelo menos nove cidades líbias. A prática foi denunciada pela Organização Internacional para Migrações (OIM), da ONU, em um relatório publicado em abril, baseado em relatos de sobreviventes. Segundo o órgão, os leilões de pessoas são tão comuns que estariam sendo realizados ao ar livre. Em julho, o jornal espanhol El País publicou uma longa reportagem, também centrada em depoimentos de sobreviventes, que relatava a escravidão na Líbia.
Líbia pós-Kadafi é um caos
A Líbia foi um dos diversos países pelos quais passou a chamada "Primavera Árabe". Em 2011, inúmeros protestos contra o ditador Muamar Kadafi ocorreram em diversas cidades do país. O governo respondeu com uma onda repressiva e, a exemplo do que ocorreu na Síria, o levante logo se tornou uma rebelião armada. Atores pacíficos foram afastados do cenário e substituídos por milícias. 
Em meio à guerra civil, uma coalizão liderada pela Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan), a aliança militar entre Estados Unidos e Europa, atacou as tropas de Kadafi. Enfraquecido, o ditador fugiu de Tripoli. Lá, foi capturado e linchado até a morte por rebeldes.
Escravos
Imigrantes vendidos como escravos na Líbia
Após a morte de Kadafi, a Líbia foi abandonada à própria sorte pelo Ocidente. O país não conseguiu superar uma de suas mais nocivas heranças, a eliminação da sociedade civil, substituída, nos 40 anos de autoritarismo, por um culto forçado à psicótica personalidade de Kaddafi.
Eleições parlamentares não foram suficientes para conciliar os interesses dos diversos grupos políticos e étnicos suprimidos por Kaddafi ao longo de quatro décadas. Uma nova guerra civil eclodiu em 2014 e hoje o país se encontra dividido entre dois governos que buscam legitimidade internacional. Acuado na Síria e no Iraque, o Estado Islâmico visa a Líbia como um novo local seguro de onde lançar suas operações.
O Ocidente só voltou a dar atenção à Líbia quando estourou a crise dos refugiados, em 2015. Com o país em frangalhos, a Líbia se tornou ponto de atração para milhares de imigrantes de países africanos, que viram no país uma oportunidade para chegar à Europa, seja em busca de melhores condições econômicas ou fugindo de outros conflitos civis no continente. Logo, as milícias e outros grupos montaram redes de tráfico de seres humanos para promover a arriscada travessia entre o norte da África e o território europeu.
Combate ao tráfico de pessoas criar acúmulo de refugiados
Mais recentemente, as autoridades líbias passaram a fortalecer o combate ao tráfico de seres humanos. Em parte, fazem isso para melhorar as relações com a Europa, cujas companhias se interessam em investir no país africano, especialmente no rico setor de petróleo. Em larga medida, o combate ao tráfico se dá simplesmente porque ele é financiado pela Europa.
Em 25 de outubro, a revista norte-americana Vice publicou reportagem que mostra detalhes do acordo entre os governos da Itália e da Líbia. Navios militares italianos que monitoram o Mediterrâneo, ao avistarem barcos com refugiados, acionam a Guarda Costeira líbia para que faça o resgate e levem os imigrantes de volta à Líbia. Caso a Marinha italiana faça o resgate, precisaria levar essas pessoas para o território italiano. Em fevereiro, a Itália assinou um acordo de 236 milhões de dólares com o governo da Líbia para financiar e treinar a Guarda Costeira local.
O reforçado combate ao tráfico de pessoas reduziu de forma significativa a chegada de refugiados à Europa, mas criou um acúmulo de imigrantes na Líbia. Essa abundância de "mercadoria" é uma das explicações para o surgimento do mercado de escravos na Líbia.
Ao mesmo tempo, os centros de detenção de imigrantes ilegais na Líbia estão lotados, e a maioria das pessoas retidas nesses lugares aguarda a deportação em condições precárias, com acesso escasso a água e comida. Homens ouvidos pela CNN na mesma reportagem relataram terem gastado todas as suas economias para chegar à Líbia. Sem dinheiro, se viram em dívida com os traficantes, que passaram a vendê-los como escravos para reduzir o suposto débito. Alguns conseguiram deixar o ciclo de abusos quando suas famílias pagaram resgate para obter sua soltura.
Por José Antonio Lima 
Com informações da Revista Carta Capital

No Chile, a revolução é jovem

No Chile, a revolução
Cariola, Jackson, Boric e Vallejo: do movimento estudantil para o Parlamento
A grande novidade política na América Latina vem da cordilheira dos Andes. E ela é jovem e de esquerda. O Chile surpreendeu o mundo, sobretudo o consórcio local entre a mídia e os institutos de opinião, com os resultados das eleições do domingo 19.
A mudança no tabuleiro político no país de 18 milhões de habitantes deve muito ao renascimento do movimento estudantil na virada da década passada. Entretanto, os números da nova força política surgida das urnas surpreenderam até os mais otimistas militantes.
A enorme renovação no Congresso, a maior desde a redemocratização, tem um forte viés jovem, esquerdista e feminino. E todos estes elementos atestam a amplitude histórica das jornadas que há poucos anos tiveram como principal símbolo Camila Vallejo, agora deputada reeleita pelo Partido Comunista.
Em relação à eleição presidencial, há mais de um ano e até poucos dias antes das urnas serem abertas, as pesquisas apontavam um quadro amplamente favorável ao conservador Sebastián Piñera: vitória no primeiro turno ou larga vantagem sobre qualquer adversário no segundo turno.
Piñera, que comandou o país entre 2010 e 2014, foi beneficiado por escândalos de corrupção e derrapagens econômicas que corroeram o capital político da presidenta Michele Bachelet, principal figura da aliança de centro-esquerda que perdeu apenas uma eleição após o fim da ditadura de Augusto Pinochet, em 1990.
Apesar disso, o bilionário, com fortuna estimada em 2,7 bilhões de dólares em 2017, só alcançou pouco mais de um terço dos votos válidos (36,6%) num pleito marcado pela altíssima abstenção (54%). Em segundo lugar ficou Alejandro Guillier, candidato da situação, com 22,7%. E logo atrás veio Beatriz Sánchez Muñoz, da novíssima Frente Ampla, com 20,3%.
À parte José Antonio Kast, viúvo assumido de Augusto Pinochet que ficou em quarto lugar e amealhou 7,9% dos votos, os outros dois nomes relevantes para a votação de dezembro são oriundos da antiga Concertación, implodida após a derrota de 2009.
Carolina Boroevic, do Partido Democrata Cristão, de centro, obteve 5,9% do eleitorado, enquanto Marco Gumucio, do Partido Progressista, de centro-esquerda, foi o escolhido por 5,7% dos eleitores. Em tese, a maioria dos votos de Boroevic e Gumucio, assim como aqueles da Frente Ampla, deve migrar para Guillier. No caso da Frente Ampla, a possível adesão à campanha de Guillier seria um “apoio crítico” que se justificaria pela lógica do “mal menor” e pela coerência histórica.
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Piñera esperava uma vitória fácil. Agora corre o risco de perder (Foto: Divulgação)
Do outro lado do espectro, Piñera só terá o voto do eleitorado de Kast se der uma guinada à direita no seu discurso, que buscava prioritariamente o eleitorado de centro.
Outro aspecto importante que poderá determinar o vencedor do balotage, termo usado nos países de língua espanhola para se referir ao segundo turno das eleições, será o nível do comparecimento, ainda que não se possa afirmar qual candidato seria mais beneficiado com um eventual aumento da participação, dada a baixíssima credibilidade da classe política chilena no atual momento. A piada corrente é que Piñera terá que meter a mão no bolso para “estimular” os eleitores.
Historicamente atormentado por terremotos por conta da geografia, o povo chileno sentiu em meados de 2016 os primeiros tremores do que viria a ser, nas recentes eleições, um tsunami não detectado sobre a política tradicional chilena. O descontentamento com a coalizão governista (alguns falam em “esgotamento”) gerou várias dissidências, sobretudo nos setores mais jovens da sociedade.
À frente da articulação que desaguou na criação da Frente Ampla estavam, entre outros nomes, Giorgio Jackson, 30 anos, e Gabriel Boric, 31, ambos deputados e ex-presidentes da entidade estudantil de suas universidades, respectivamente a Católica e a do Chile.
Aos dois se somou uma jornalista que fez carreira na cobertura política. Aos 46 anos, Beatriz Sánchez decidiu trocar o microfone das rádios pelo dos comícios. E fez isso num palanque eclético e heterogêneo: a Frente Ampla é composta por 13 partidos ou movimentos das mais diversas ideologias e correntes, embora todas de orientação progressista. Anarquistas, humanistas, socialistas, liberais, ecologistas, progressistas, além do Partido Pirata, Poder Cidadão, Nova Democracia, Revolução Democrática e Partido Igualdade, são alguns dos agrupamentos que compõem esse campo político que tem muita semelhança e diálogo com o Podemos da Espanha, mas toma emprestado o nome e o modelo da experiência que governa o Uruguai desde 2005.
O novo bloco obteve 20 vagas na Câmara e uma no Senado. A média de idade dos deputados e deputadas eleitos é de 38 anos. Destes, sete são mulheres, 15 possuem menos de 40 anos e 13 têm menos de 35 anos. Giorgio Jackson foi o deputado mais votado do país e o único que ultrapassou a marca dos 100 mil votos, o que lhe permitiu carregar mais dois colegas de chapa com baixa votação para a Câmara, com base nas regras que valorizam, tal qual no Brasil, o peso eleitoral dos partidos.
Do que sobrou da Concertación, a chapa “A nova maioria”, pela qual concorreu Guillier, elegeu 14 senadores e 43 deputados. Nesse âmbito, o Partido Socialista é majoritário e contará com 18 cadeiras na Câmara e seis no Senado.
Além de Camila Vallejo, 29 anos, o Partido Comunista colheu mais sete vagas na Câmara. Destaque para Karol Cariola, 30, também ex-dirigente estudantil, reeleita agora. O desempenho de ambas foi tão bom que cada uma “arrastou” um companheiro de chapa para a Câmara por meio do coeficiente eleitoral. A reeleição da dupla representa bem o avanço feminino na nova composição do Legislativo chileno: saem de 15,8% para 22,5%.
O êxito da geração de lideranças estudantis que sacudiu as ruas de Santiago com gigantescas manifestações nos anos recentes não se resume à entrada em peso no elitista e hermético Congresso. Um dos principais debates na primeira semana do segundo turno é justamente a proposta de garantir o ensino superior gratuito às famílias pobres. Inverter a hegemonia cultural e mudar a agenda de prioridades da sociedade chilena seria um feito que nem Salvador Allende logrou com a vitória de 1970.
Esse talvez seja o grande desafio no horizonte de Vallejo, Cariola, Jackson, Boric e muitos outros que, cada vez mais numerosos, poderão utilizar a tribuna do Parlamento quase como se estivessem nas assembleias estudantis.
*Rogério Tomaz Jr. é jornalista e vive em Montevidéu, onde escreve o livro “Conversando com Eduardo, viajando com Galeano”
por Rogério Tomaz Jr.*
Com informações da Revista Carta Capital

Conab abre inscrições para compra de sementes de agricultores familiares do Ceará


A Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) comprará mais de 150 mil quilos de sementes de milho e feijão de agricultores familiares do Ceará. A operação será feita pela Superintendência Regional da Companhia, por meio do Programa de Aquisição de Alimentos (PAA).

As propostas de venda deverão ser apresentadas por associações e cooperativas interessadas a partir desta segunda-feira (27) até o dia 6 de dezembro. Serão adquiridos 143,8 mil quilos de sementes de milho do tipo BRS Catingueiro e 19,11 mil quilos de sementes de feijão do tipo Vigna BRS Pujante, com recursos da ordem de R$ 486,1 mil repassados pelo Ministério do Desenvolvimento Social (MDS).

A compra foi solicitada pela Secretaria Especial de Agricultura Familiar e do Desenvolvimento Agrário (Sead) e pelo Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) para doação a agricultores familiares das cidades de Aneiroz, Caucaia, Parambu, Quiterianópolis, Tauá, Boa Viagem, Canindé, Caridade, Crateús, Novo Oriente, Tamboril, Banabuiú, Mombaça, Pedra Branca, Quixeramobim, Russas e Horizonte.

Para participar do edital, associações ou cooperativas da agricultura familiar devem enviar à Conab, além da proposta de participação conforme modelo pré-determinado, prova de inscrição no Cadastro Nacional de Pessoa Jurídica (CNPJ), cópia da Declaração de Aptidão ao Pronaf (DAP) Jurídica, entre outros documentos listados no edital.

Também é preciso que a cultivar a ser fornecida e a entidade fornecedora estejam inscritas no Registro Nacional de Cultivares e no Registro Nacional de Sementes e Mudas (RENASEM). Os documentos devem ser entregues na sede da Conab no Ceará ou enviados pelos Correios.

Após a habilitação, serão priorizadas as propostas de participação com maior proximidade do município de entrega, visando aumentar a adaptação da semente, incentivo à produção local e menor custo de transporte. Em segundo lugar, terão prioridade como fornecedores assentados da reforma agrária, mulheres e quilombolas.

A versão completa da Chamada Pública, com todas as regras, está disponível em nas unidades da Conab no estado e na página da Companhia na internet.

Confira aqui.

Serviço:

Chamada Pública para compra de sementes

Prazo de inscrição: 27 de novembro até 6 de dezembro às 17h
Local de entrega da documentação de habilitação e da Proposta de Venda:
Companhia Nacional de Abastecimento – Conab
Superintendência Regional do Ceará
Endereço: Rua Antônio Pompeu, 555 – José Bonifácio – Fortaleza/CE
CEP: 60040-005


Com informações do Ceará News 7

Tragédia com avião da Chapecoense completa um ano; relembre os fatos

policiais fazem buscas no local do acidente, na Colômbia
Equipes de resgate trabalharam no resgate de vítimas entre os destroços do aviãoDivulgação/ Polícia de Antioquia
























Faltavam dois minutos para as 22h (horário local) do dia 28 de novembro de 2016 quando o voo 2933 da empresa boliviana LaMia caiu no morro El Gordo, a 35 quilômetros do aeroporto de Medellin, na Colômbia. A bordo, estavam 77 passageiros de um voo charter contratado pela Associação Chapecoense de Futebol, o clube de Chapecó (SC). A equipe do interior do estado catarinense acabava de realizar uma façanha: ia disputar a final da Copa Sul Americana contra o Atlético Nacional, de Medellin. A partida seria disputada na quarta-feira (30), no primeiro jogo pelo título.

A alegria dos jogadores, da comissão técnica, e dos jornalistas a bordo deu lugar ao horror. Na escuridão da noite o avião bateu de barriga no alto do morro, capotou e se despedaçou encosta a baixo, deixando um rastro de destruição.

Quando as equipes dos bombeiros voluntários da cidade de La Unión conseguiram chegar ao local quase uma hora depois, apenas sete pessoas ainda estava vivas. Três eram jogadores do time: o goleiro Jackson Follman, o zagueiro Helio Zampier Neto e o lateral Alan Ruschel. Dos 20 jornalistas, apenas o locutor da Radio Oeste de Chapecó, Rafael Renzi, estava vivo. Os outros dois sobreviventes eram tripulantes: a comissária de bordo Ximena Suárez e o técnico de voo Erwin Tumiri. O sétimo passageiro encontrado com vida era o goleiro titular Marcos Danilo Padilha, que chegou a ser encaminhado para o hospital, mas não resistiu aos ferimentos e faleceu no dia seguinte.

Um piloto perdido
Minutos antes da queda, o piloto Miguel Quiroga avisou a torre de controle do aeroporto de Rionegro que estava com problemas elétricos e pediu as coordenadas para um pouso de emergência. O avião estava a menos de cinco minutos da cabeceira da pista, mas no dramático diálogo com a torre ficou gravada a desorientação de Quiroga. Ele parecia não saber ao certo sua posição e não entendia as instruções da controladora Yaneth Molina que, por sua vez, não conseguia ver a aeronave no radar. Quando finalmente Quiroga admitiu que estava sem combustível, a torre perdeu o contato.

Avisada por moradores que ouviram o barulho da queda, a Polícia Nacional da Colômbia acionou o modesto grupamento de bombeiros voluntários de La Unión que, em pouco mais de meia hora, conseguiram chegar ao Cerro El Gordo e iniciaram a busca por sobreviventes.

Um plano de voo errado
Enquanto as equipes de resgate vasculhavam os destroços em busca de sobreviventes, as autoridades aeronáuticas no Brasil, na Colômbia e na Bolívia começavam a procurar respostas para as circunstâncias do acidente. E as primeiras informações vindas da Bolívia, de onde o voo 2933 havia decolado, eram desconcertantes.

O avião tinha saído do aeroporto de Santa Cruz de la Sierra com um plano de voo que, segundo a funcionária da Administração de Aeroportos e Serviços Auxiliares de Navegação Aérea (AASANA), Celia Castedo, "estava errado". Os valores do tempo de voo até Medellin – 4 horas e 22 minutos - eram exatamente os mesmos valores da autonomia de combustível. Isso não dava a margem de segurança necessária para uma situação inesperada. Celia assegura que avisou o problema ao despachante da LaMia, que morreu no acidente.

Em seu depoimento ela disse que ele ignorou o aviso e o avião decolou. Celia, que pediu abrigo ao governo brasileiro, ainda se defende da acusação de homicídio culposo na Justiça boliviana. E se justifica: “Minha função era apenas checar o preenchimento do plano de voo e avisar sobre alguma irregularidade, mas eu não tinha autoridade para impedir a decolagem”.

Para os investigadores do acidente, o avião não poderia jamais ter levantado voo. E isso deixava uma nova pergunta sem resposta: por que o piloto havia decidido voar diretamente para Medellin, no limite de segurança do combustível, se podia ter feito uma escala para abastecimento?

E uma companhia aérea suspeita

Close do avião no aeroporto da Bolívia, antes do voo que se acidentou indo para a Colômbia
Avião da empresa boliviana Lamia, fretado pela ChapecoenseDivulgação/ Cleberson Silva/ Chapecoense

O Avro RJ85 é um avião equipado com quatro motores que lhe dão uma autonomia de voo de até 3 mil quilômetros, segundo dados da fabricante British Aerospace. Pode transportar com segurança até 112 passageiros e nove tripulantes. O aparelho tinha sido fabricado em 1999 e comprado por uma empresa americana que o vendeu em 2007 para a City Jet, uma companhia irlandesa de linhas regionais.

Em 2013 o avião foi vendido para a LaMia (Línea Aérea Merideña Internacional de Aviación), uma empresa regional fundada em 2010 na Venezuela pelo empresário Ricardo Albacete Vidal. Antes de ingressar no ramo da aviação civil, Albacete teve empresas nos setores metalúrgicos e petrolíferos e sempre esteve envolvido em política, chegando a ser senador. Ele convidou o lobista chinês Sam Pa, para se associar à LaMia, mas não foi um bom negócio: em 2011 Sam Pa foi preso na China e Albacete dissolveu a empresa.

A LaMia ressurgiu em 2013, com o nome de Línea Aerea Margarita, mas usando o mesmo logotipo e com foco em voos internacionais. Sua estratégia para conquistar o mercado foi agressiva, oferecendo preços até 40% mais baratos do que a concorrência. Assim, a nova empresa acabou atraindo uma clientela muito lucrativa: os times de futebol que viajavam pelo continente durante os campeonatos. Informalmente, a LaMia passou a ser a transportadora preferida da Confederação Sul Americana de Futebol (Conmebol).

Quando o voo 2933 caiu na Colômbia, Albacete negou que o avião fosse da sua LaMia, que teria arrendado seus aviões para a LaMia boliviana. O que ele não mencionou foi que a LaMia boliviana tinha sido criada por ele mesmo, em sociedade com o piloto Miguel Quiroga, que comandava o fatídico voo.

Os jogadores que sobreviveram

Los supervivientes del accidente aéreo del equipo brasile o de fútbol Chapecoense, Helio Zampier Neto (i), Alan Ruschel (d) y Jackson Follmann (c) rezan hoy, martes 9 de mayo de 2017
Sobreviventes do acidente aéreo da Chapecoense, Helio Zampier Neto, Alan Ruschel e Jackson Follman, em oração durante homenagem do município de La Unión (Colômbia) Luis Eduardo Noriega A./EFE

























O goleiro Jackson Follman, primeiro sobrevivente a ser resgatado dos escombros, não se lembra exatamente o que aconteceu. Tudo que ele recorda é que estava sentado perto dos três companheiros que sobreviveram com ele, o zagueiro Neto, o lateral Alan e o jornalista Rafael Renzi e todos estavam conversando animadamente. Então as luzes da cabine se apagaram e ele desmaiou.

Follman costuma dizer, em entrevistas, que se deu conta de que o avião tinha caído quando voltou a si na escuridão total, no meio dos destroços. E pensou: “O avião caiu. Todo mundo se salvou. Estão todos vivos”. Ao ver os focos das lanternas dos bombeiros no meio da mata, Follman reuniu forças para gritar por socorro. Levado de helicóptero ao hospital, ele teve parte da perna direita amputada. Em longas cirurgias, os médicos conseguiram reconstruir o calcanhar do pé esquerdo e uma vértebra cervical que, por sorte, não atingiu a medula.

O lateral Alan Ruschel também estava muito ferido e foi levado ao hospital de caminhonete, por dois moradores de La Unión. Embora estivesse consciente o tempo todo, Alan tinha um problema grave: uma fratura na coluna que poderia deixá-lo tetraplégico. Mas, nas horas seguintes, os médicos do Hospital San Vicente descartaram o risco.

O zagueiro Helio Neto ficou sete horas nos escombros e foi o último a ser resgatado. Os socorristas já tinham desistido de encontrar mais sobreviventes quando um deles ouviu gemidos e voltou para localizar o chamado. No entanto, seu estado era tão crítico que os médicos chegaram a prevenir seus familiares de que não alimentassem muitas esperanças.

E um time que ressuscitou

Chapecó - SC -Presidente Michel Temer durante Cerimônia em Homenagem às Vítimas do Acidente com Avião da Chapecoense ( Beto Barata/PR)
Cerimônia em Homenagem às vítimas do acidente com avião da Chapecoense, na Arena CondáBeto Barata/PR
























Quando a notícia chegou a Chapecó, já na madrugada do dia 29, os 200 mil habitantes foram sendo despertados pelos relatos da tragédia e a cidade mergulhou na dor e no luto. Do sonho de uma conquista esportiva para o pesadelo inimaginável: os chapecoenses tinham perdido seus jogadores, seus dirigentes e jornalistas que relatariam a vitória tão esperada. E só havia um lugar onde eles queriam estar: a Arena Condá, o estádio do clube.

Na noite de quarta-feira, quando o time deveria estar jogando em Medellin, os torcedores lotaram as arquibancadas para chorar, cantar o hino do clube e gritar a saudação que tinha guardada no peito: “É campeão!”. Simultaneamente, em Medellin, colombianos lotaram o estádio Atanasio Girardot, onde o jogo contra a Chapecoense deveria ocorrer, para homenagear o time brasileiro.

O luto de Chapecó se espalhou pelo Brasil e o mundo. Nas redes sociais, torcedores de equipes adversárias começaram a pintar de verde os distintivos de seus próprios times e a frase: “Somos Chape”. Era o início da reação para reconstruir o sonho e o time.

Virada

Chapecó (SC) - Arena Condá virou ponto de reunião de torcedores, jogadores e parentes das vítimas. Com cartazes, fotos e flores todos homenageiam os que morreram no acidente aéreo (Daniel Isaia/Agência Brasil)
Arena Condá se tornou ponto de reunião de torcedores, jogadores e parentes das vítimas após o acidenteDaniel Isaia/Agência Brasil

























A Chapecoense já não tinha mais um time titular para entrar em campo, uma vez que quase todos os jogadores morreram no acidente. Nem uma comissão técnica, nem mesmo o presidente do clube, que morreu no acidente. Mas ali, na Arena Condá, estavam os jogadores que não tinham viajado para a Colômbia. Neles, a torcida enxergava a esperança de um recomeço para formar o novo time para a temporada de 2017.

O troféu de Campeão Sul Americano, entregue à Chapecoense pela Conmebol depois que o Atlético Nacional decidiu abrir mão do título, não era apenas simbólico. O prêmio pelo título foi de US$ 2 milhões e a vaga na Recopa rendeu mais US$ 1 milhão. Por ser campeã sul americana, a Chape garantiu também vaga na Libertadores e mais US$ 1,8 mil pelos três jogos como mandante de campo.

Com as finanças reforçadas, o clube reconstruiu o time e conquistou o título do campeonato catarinense de 2017. E mesmo depois de ter tropeçado na série A do Brasileirão, a Chape conseguiu escapar do rebaixamento e continuará em 2018 na principal divisão do futebol profissional brasileiro.

Uma das maiores emoções vividas pelo time e sua torcida depois da tragédia foi em agosto deste ano, quando a equipe pisou no gramado do Nou Camp em Barcelona para um amistoso contra o time da casa, recebendo a homenagem de um estádio lotado. As imagens dos jogadores mortos foram projetadas no telão e o ex-goleiro Follman, agora embaixador do clube, e o zagueiro Helio, deram o chute inicial da partida.

Entre os jogadores escalados para a partida, estava Alan Ruschel, que os médicos colombianos temiam que não voltasse a andar. Ele saiu de campo após 35 minutos de jogo, com a camisa assinada por Messi e a homenagem da torcida. Em Chapecó, o grito da torcida voltou a ecoar: “O campeão voltou!”.

Com informações da Agência Brasil

Papa se reúne com presidente e chefe de governo de Mianmar

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O papa Francisco chegou ao Palácio Presidencial de Mianmar na capital, Naypyidaw, para se reunir com o presidente do país, Htin Kyaw, e com a chefe de governo e Nobel da Paz, Aung San Suu Kyi.  Francisco veio da cidade de Yangun, aonde chegou ontem para a visita à Mianmar e posteriormente a Bangladesh, e às 15h40 (horário local) partiu de carro ao complexo governamental. O local abriga todos os edifícios institucionais. A informação é da Agência EFE

Ontem (27), o pontífice se reuniu em Yangun com o chefe das Forças Armadas do país, o general Min Aung Hlaing, considerado o responsável pela ofensiva que provocou a fuga de mais de 620 mil rohingyas para Bangladesh. O papa foi recebido pelo presidente, sem a presença de Suu Kyi, na praça ao lado do Palácio Presidencial, onde foi instalado um camarote de honra no gramado, foram executados dois hinos e as delegações se apresentaram.

Mais tarde, Francisco se reunirá em particular com o presidente. Depois, a previsão é que ele se reúna na Sala Diplomática com Suu Kyi, que também é ministra de Relações Exteriores e Conselheira de Estado. Esta será a segunda vez que os dois se encontram. A primeira ocasião foi em maio no Vaticano.

Embora os conteúdos das conversas não tenham sido divulgados, o tema das minorias estará presente.

Por volta das 17h (horário local), Francisco irá de carro ao Centro Internacional de Convenções onde fará o seu primeiro discurso a autoridades, sociedade civil e corpo diplomático.

Com informações da Agência Brasil

TRE alerta eleitores de 29 municípios que finalizarão a biometria no próximo dia 30

O Tribunal Regional Eleitoral do Ceará alerta os eleitores de 29 municípios que encerrarão as revisões na próxima quinta-feira, 30/11, para que procurem os postos de atendimento e evitem o cancelamento dos títulos.
Os municípios que têm prazo para encerrar o recadastramento biométrico dos eleitores no fim deste mês são os seguintes: Aracati, Fortim, Icapuí, Canindé, Itatira, Pacajus, Chorozinho, Pacatuba, Guaiuba, São Benedito, Carnaubal, Granja, Martinópole, Uruoca, Acaraú, Jijoca de Jericoacoara, Cruz, Pentecoste, General Sampaio, Apuiarés, Redenção, Acarape, Barreira, Coreaú, Moraújo, Chaval, Barroquinha, Pacoti e Guaramiranga.
De acordo com as estatísticas do TRE-CE, Icapuí e Moraújo atingiram até agora o maior índice, com 87% dos eleitores recadastrados. Em seguida, aparecem Barroquinha (86%) e Fortim, Chorozinho, Granja, Martinópole e Pentecoste, com 85% dos títulos revisados. Pacatuba, com apenas 73%, e Redenção, Barreira, São Benedito e Aracati, com 76%, são os municípios com menores índices de eleitores recadastrados com a biometria.
A coordenadora de Administração do Cadastro Eleitoral do TRE-CE, Lorena Belo, adverte que “os eleitores desses municípios que não comparecerem aos cartórios e postos de atendimento até o dia 30 de novembro terão o título cancelado e serão obrigados a regularizar a sua situação junto à Justiça Eleitoral até o fechamento do Cadastro Eleitoral, no dia 9 de maio de 2018, sob pena de não poderem votar nas próximas eleições e ainda ficarem impedidos de obter a quitação eleitoral”.
Prejuízos
São muitos os prejuízos para os eleitores em débito com a Justiça Eleitoral. Além de não poder votar nas próximas eleições, ficam impedidos de:
– Requerer passaporte ou carteira de identidade;
– Receber salário e benefícios sociais de entidades públicas ou assistidas pelo governo;
– Fazer parte de concorrência pública ou administrativa em qualquer instituição da União, dos estados, dos municípios ou do Distrito Federal;
– Solicitar empréstimos em qualquer banco ou estabelecimento de crédito subsidiado pelo governo;
– Inscrever-se em concursos públicos ou tomar posse de cargos públicos;
– Renovar matrícula em qualquer instituição de ensino pública ou fiscalizada pelo governo;
– Requerer qualquer documento que necessite da quitação eleitoral.
Documentação
Os eleitores precisam dos seguintes documentos para tirar o título e realizar a coleta dos dados biométricos:
* RG ou qualquer outro documento que comprove a nacionalidade brasileira (Ex: Carteira de Trabalho ou carteira emitida pelos órgãos criados por lei federal);
* Certificado de quitação com o serviço militar, para os brasileiros do sexo masculino, com idade entre 18 a 45 anos que forem tirar o título pela primeira vez;
* Comprovante de residência.
De acordo com o cronograma estabelecido pelo Tribunal Regional Eleitoral do Ceará, nas Eleições de 2018, 129 dos 184 municípios cearenses terão 100% dos seus eleitores recadastrados com biometria. A meta do TRE-CE é recadastrar cerca de 75% do eleitorado do Estado até 9 de maio de 2018 e atingir 100% em 2020. Para o ciclo 2017-2018, 67 municípios passarão pelo processo de revisão biométrica.
Por Roberto Moreira
Com informações do Diário do Nordeste

Agropacto quer resgatar a cultura do algodão no Ceará

No passado, o Ceará esteve entre os maiores produtores dessa cultura no País.
Nesta terça-feira, às 7h30mn, na sede da Fiec, o Agropacto vai debater sobre um programa de modernização da cultura do algodão no Ceará e no Brasil.
Segundo o presidente da Federação da Agricultura do Estado, Flávio Saboya, o convidado é o presidente da Associação Brasileira dos Produtores de Algodão, Arlindo de Azevedo.
O setor produtivo cearense pensa seriamente em retomar a cultura do algodão. Desde, claro, que conte com o apoio oficial em todos os sentidos.
Com informações do Blog do Eliomar de Lima

Vereador de Fortaleza já devolveu mais de R$ 500 mil reais aos cofres da Câmara

Vereador Odécio Carneiro/ Foto: Rômulo Ribeiro
O vereador de Fortaleza, Odécio Carneiro (SDD), revelou em entrevista ao jornal Ceará News desta terça-feira (28), que já devolveu mais de mais de R$ 500 mil reais aos cofres do Município de Fortaleza, desde que assumiu o mandato no início do ano.

A economia acontece devido a não utilização da Verba de Desempenho Parlamentar e outras despesas pessoais. O valor continua nos cofres da Câmara Municipal e será direcionado para outras áreas de interesse da população.

“A população não aguenta mais esses privilégios do Estado brasileiro. Eu não me sinto bem, tendo que lidar todos os dias com pessoas morrendo à míngua nos corredores dos hospitais e eu tendo disponível R$ 6 mil de combustível no carro”, ressaltou.

Ouça abaixo a entrevista na íntegra:


Com informações do Ceará News 7