12 de maio de 2016

Sem ganhar nenhuma eleição, PMDB emplaca terceiro presidente em 30 anos

Sem vencer nenhuma eleição para Presidência da República em seus 50 anos de história, o PMDB assumirá o cargo pela terceira vez em pouco mais de 30 anos. Com a confirmada ascensão de Michel Temer, o partido passa a ter "100% de aproveitamento" de seus três vices, que chegaram à Presidência.
O primeiro governo federal do PMDB se iniciou em 1985, com José Sarney. Ele assumiu a Presidência por causa da morte de Tancredo Neves, também peemedebista, que venceu a eleição indireta em janeiro daquele ano, mas adoeceu e morreu antes mesmo de tomar posse.
Sarney, porém, não tinha nenhum histórico no PMDB e se filiou em agosto de 1984, deixando o PDS num acordo com setores mais conservadores para poder concorrer como vice de Tancredo.
O segundo presidente peemedebista também se filiou em cima da hora. Itamar Franco assinou ficha em maio de 1992, quando o governo Collor já enfrentava uma grave crise de popularidade. Itamar foi eleito pelo PRN, junto com Collor, mas deixou o partido após uma reforma ministerial feita em abril daquele ano. Em 2 de outubro, assumiu como presidente interino após abertura de processo de impeachment --que viria a ser aprovado em dezembro.
A reportagem do UOL procurou a assessoria de imprensa do PMDB na terça-feira (10) para que comentasse sobre a nova ascensão de um peemedebista ao poder. Foram feitos contato por telefone e por dois e-mails, mas até a publicação da reportagem não houve resposta.

Derrotas nas urnas

O PMDB nasceu como MDB, em 24 de março de 1966, após o Ato Institucional 2, que instalou o bipartidarismo no país. Em 30 de junho de 1981, o partido se transformou em PMDB e é hoje a legenda mais antiga e com maior número de filiados do país: 2,4 milhões de pessoas.
Desde a redemocratização e a retomada das eleições diretas para presidente, o PMDB tentou por duas vezes chegar ao cargo máximo do país, mas as tentativas acabaram marcadas por fiascos. 
Em 1989, o PMDB lançou Ulysses Guimarães ainda sob a égide de ter lutado pelas Diretas Já e liderado a Constituição de 1988. Porém, ficou apenas na 7ª colocação, com 4,6% dos votos válidos. 
Em 1994, foi a vez de Orestes Quércia ser candidato pelo partido, mas recebeu 4,3% dos votos, quando Fernando Henrique Cardoso (PSDB) foi eleito no primeiro turno.
Em 2002, o PMDB concorreu à chapa majoritária de José Serra (PSDB) com a vice-candidatura de Rita Camata --derrotada em segundo turno por Lula. Em 2010, voltou ao poder com a eleição de Michel Temer como vice de Dilma Rousseff (PT).

"Em mil pedaços"

Segundo o cientista político Michel Zaidan Filho, da UFPE (Universidade Federal de Pernambuco), uma das explicações para os insucessos do PMDB nas urnas é a falta de um conteúdo ideológico definido.
"Não há nenhuma sinergia entre os setores nacional e regional. Esses chefes políticos não se movem por ideologia. Eles fazem alianças que avalizem os projetos políticos", afirmou.
"E o PMDB também se deu mal por conta da polarização entre Lula e Collor, em 1989; e entre Lula e FHC, em 1994. Não que eles não merecessem, mas não havia espaço para outros nomes."
Zaidan Filho afirma que o partido foi mudando ao longo dos anos e não é hoje nem sombra do que era nos anos 1980. "O PMDB perdeu importância, como o outro partido --o PDS, depois PFL e hoje DEM-- originário da ditadura. Depois da transição para a democracia, ele se tornou elefante branco, sem definição ideológica clara, sem comando. Também deixou de ser de centro-esquerda, tornou-se um partido de oligarquias regionais", disse.
"Apesar da maior capilaridade da história, está repartido em mil pedações. O PMDB não tem dono."
O cientista ainda lembra que Michel Temer será o primeiro peemedebista de carteirinha a assumir a Presidência, já que Sarney e Itamar ingressaram no partido às vésperas de assumir o poder.
"Sarney foi da Arena, da UDN, depois PDS e PFL, ou seja, não tinha ligação com o PMDB. Ele foi fruto de uma aliança do partido com liberais. Já Itamar, apesar de ter integrado o antigo MDB, saiu e não tinha ligação histórica com o PMDB", afirmou.
"Depois que assumiu, ele virou um pedaço do partido, que era o pedaço da oposição. Ele nunca teve unanimidade e, de fato, não tinha a confiança dos grupos."
 UOL

Dilma faz pronunciamento após ser afastada da presidência da república. Assista!

Após aprovação do Senado, Dilma Rousseff será afastada do cargo por até 180 dias. Depois da decisão, tomada nesta quinta-feira (12), Dilma fez seu último discurso antes de deixar o Palácio do Planalto. Assista!

r7

Dilma: “Sofro a mais devastadora injustiça”

Reprodução/NBR
“É uma das maiores brutalidades contra um ser humano puni-lo por um crime que ele não cometeu"
Cercada pelo ex-presidente Lula, ex-ministros, parlamentares e assessores, Dilma Rousseff fez seu primeiro pronunciamento na condição de presidente afastada. Em discurso em que reiterou ser vítima de “golpe” e “sabotagem” e não ter praticado qualquer crime, Dilma disse que lutará com todos os instrumentos legais para retornar ao Palácio do Planalto para concluir seu mandato em 31 de dezembro de 2018.
A petista chamou de “farsa jurídica e política” a decisão do Senado de afastá-la por até 180 dias para que responda a processo por crime de responsabilidade. Segundo ela, o que está em jogo não é o seu mandato, mas o respeito às urnas, à democracia e às conquistas sociais dos últimos 13 anos, desde que o PT chegou ao poder. “É uma das maiores brutalidades contra um ser humano puni-lo por um crime que ele não cometeu. Não existe injustiça mais devastadora do que condenar um inocente. A injustiça é um mal irreparável”, afirmou.
“O que está em jogo é o futuro do Brasil, a esperança de avançar sempre mais. Diante da decisão do senado, quero mais uma vez esclarecer os fatos e denunciar ao país os riscos de um impeachment fraudulento, um verdadeiro golpe”, reforçou.
Confira a íntegra do pronunciamento da, agora, presidente afastada:
Dilma afirmou que foi afastada do mandato por nunca ter se curvado a chantagens. “Essa farsa jurídica de que estou sendo alvo deve-se ao fato de que, como presidente, nunca aceitei chantagem dessa natureza. Posso ter cometido erros, mas não cometi crimes”, declarou.
Congresso em Foco

Presidente em exercício Michel Temer divulga lista oficial de ministros

Temer ao lado de futuros ministros assina notificação de que é o novo presidente do BrasilDivulgação
Poucos minutos após se tornar presidente em exercício do Brasil, Michel Temer divulgou os nomes já confirmados para o ministério dele. Vale destacar que até agora nenhuma mulher integra a lista Confira:
Gilberto Kassab - Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações
Raul Jungmann - Defesa
Romero Jucá - Planejamento, Desenvolvimento e Gestão
Geddel Vieira Lima - Secretaria de Governo
Sérgio Etchegoyen - Gabinete de Segurança Institucional
Bruno Araújo - Cidades
Blairo Maggi - Agricultura, Pecuária e Abastecimento
Henrique Meirelles - Fazenda
Mendonça Filho - Educação e Cultura
Eliseu Padilha - Casa Civil
Osmar Terra - Desenvolvimento Social e Agrário
Leonardo Picciani - Esporte
Ricardo Barros - Saúde
José Sarney Filho - Meio Ambiente
Henrique Alves - Turismo
José Serra - Relações Exteriores
Ronaldo Nogueira de Oliveira - Trabalho
Alexandre de Moraes - Justiça e Cidadania
Mauricio Quintella - Transportes, Portos e Aviação Civil
Fabiano Augusto Martins Silveira - Fiscalização, Transparência e Controle (ex-CGU)
Fábio Osório Medina - Advocacia-Geral da União
A posse desses ministros está marcada para as 15h, no Palácio do Planalto. Pela manhã, Temer foi comunicado oficialmente da instauração do processo de impedimento por crime de responsabilidade da presidente Dilma Rousseff e dizendo, que em função disso o vice deve assumir imediata e interinamente a Presidência da República nos termos do artigo 79 da Carta Magna Brasileira.
Do R7

Articulador discreto, Michel Temer domina engrenagens do Congresso Nacional

Caçula de oito filhos de uma família de imigrantes libaneses, Michel Miguel Elias Temer Lulia, 75 anos, chega ao comando do Palácio do Planalto no clímax de uma carreira política de 35 anos pavimentada na máquina partidária peemedebista.
Substituto de Dilma Rousseff durante o período de afastamento da presidente, o vice é reconhecido, por aliados e adversários, como um articulador político de bastidores que domina as engrenagens do Congresso Nacional e da federação de interesses regionais do PMDB.
Presidente nacional do partido há 15 anos, o jurista Michel Temer se elegeu vice-presidente da República, pela primeira vez, em 2010, ao lado de Dilma. À época, além de comandar o PMDB, ele presidia a Câmara dos Deputados, pela terceira vez em 13 anos.
Respaldado pelo poder que acumulava no Legislativo e na cúpula partidária, Temer impôs ao PT o próprio nome para a vaga de vice como condição para o PMDB apoiar a candidatura da afilhada política do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
Inicialmente, Lula resistiu e tentou obter uma lista tríplice de peemedebistas para escolher quem entraria na corrida eleitoral ao lado da candidata. Temer negou.
Embora exibisse significativa força política como presidente do maior partido do país e da Câmara dos Deputados, Michel Temer vinha de uma eleição apertada para o parlamento.
Em 2006, ao se reeleger para o quarto mandato consecutivo de deputado federal por São Paulo, não conseguiu contar apenas com os próprios votos para se manter no Legislativo.
Na ocasião, obteve 99.046 votos, menos da metade dos 252.229 votos que somou na eleição de 2002. Mas mesmo com a significativa queda de rendimento nas urnas, o peemedebista conseguiu se reeleger "puxado" pelo conjunto dos votos dos demais integrantes da coligação do PMDB.
Apesar do receio que tinha em relação ao perfil de Temer, Lula não podia abrir mão do tempo de rádio e TV dos peemedebistas na eleição em que tentaria fazer a ex-ministra da Casa Civil sua sucessora no Palácio do Planalto. Além disso, ele sabia que Dilma precisaria do apoio do PMDB no Congresso Nacional para garantir a governabilidade.
Janeiro/2015 - A presidente Dilma Rousseff recebe a faixa de presidente ao lado do vice-presidente Michel Temer durante a cerimônia de posse no Palácio do Planalto, em Brasília (Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil)Dilma Rousseff recebe a faixa de presidente, em janeiro de 2015, ao lado do vice-presidente Michel Temer durante a cerimônia de posse no Palácio do Planalto, em Brasília (Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil)
Com a bênção de Lula, o casamento político entre Dilma e Temer foi consumado. A aliança acabou bem sucedida nas urnas, com a dupla derrotando José Serra (PSDB-SP) no segundo turno da eleição de 2010.
No primeiro mandato de Dilma, Temer teve um papel discreto. Fez questão de manter uma relação protocolar com a chefe do Executivo, sempre chamando-a de “senhora presidente”.
Nas ocasiões em que substituiu a petista na Presidência por motivos de viagens, fazia questão de despachar do próprio gabinete, no anexo do Palácio do Planalto, onde fica a estrutura da Vice-Presidência.
No anexo, Temer passou os primeiros quatro anos de mandato recebendo uma romaria de peemedebistas insatisfeitos com o dote que o partido havia recebido na Esplanada dos Ministérios – a legenda ocupou cinco pastas no primeiro mandato de Dilma – e com o suposta exclusão do PMDB nas decisões do governo.
À época, ele ouvia atentamente a todas as queixas dos colegas de partido, mas nunca esboçava qualquer intenção de deflagrar um motim contra a presidente.
O vice-presidente Michel Temer (PMDB) assiste a votação do processo de impeachment no Palácio do Jaburu, sua residência oficial em Brasília (Foto: Divulgação/Reuters)Em 17 de abril, vice-presidente assistiu à votação do processo de impeachment na Câmara com aliados no Palácio do Jaburu, sua residência oficial em Brasília (Foto: Divulgação/Reuters)
Reeleição e rompimento
Em 2014, o casamento político de Dilma e Temer foi reeditado. E ao final de uma campanha presidencial intensamente disputada e agressiva, os dois se reelegeram no segundo turno, derrotando o senador Aécio Neves (PSDB-MG) por uma diferença de cerca de 3,4 milhões de votos.

Na segunda fase do governo Dilma, em meio aos apuros da presidente com a Câmara dos Deputados presidida por Eduardo Cunha (PMDB-RJ), Temer foi convidado, em abril do ano passado, a assumir a articulação política do Planalto.
Ele deixou o papel de vice figurativo e entrou oficialmente nas negociações de cargos e emendas com o "varejo" do Legislativo, apoiado pelo então ministro da Aviação, Eliseu Padilha, um especialista no mapeamento de intenções de voto na Câmara.
Entre derrotas, vitórias e “pautas-bomba” no Congresso, a dupla Temer-Padilha conseguiu aprovar a base do pacote de meta fiscal do então ministro da Fazenda, Joaquim Levy.
Porém, quatro meses depois de se tornar o articulador político do governo, Temer abandonou o posto, reclamando de ter sido sabotado por ministros petistas nas negociações com deputados e senadores.
A presidente Dilma Rousseff conversa com o vice-presidente Michel Temer enquanto eles aguardam a chegada da chanceler alemã Angela Merkel para um jantar no Palácio da Alvorada, em Brasília (Foto: Ueslei Marcelino/Reuters)Na foto, Dilma conversa com o vice enquanto aguardam a chegada da chanceler alemã Angela Merkel para um jantar no Palácio da Alvorada, em Brasília (Foto: Ueslei Marcelino/Reuters)
Dali em diante, a relação com Dilma, que era protocolar, se tornou ainda mais distante e fria.
Em 7 de dezembro, cinco dias após Eduardo Cunha ter acolhido o pedido de impeachment da presidente da República, Temer surpreendeu o país com uma carta enviada a Dilma na qual se ressentia do tratamento que havia recebido ao longo dos cinco anos de governo e reclamando, inclusive, de uma suposta tentativa de desvalorizá-lo, por meio da demissão de aliados próximos.
O episódio azedou de vez a relação entre Dilma e Temer. No final de março, com o aval e a articulação do vice-presidente da República, o PMDB aprovou, por unanimidade, o rompimento com o governo federal, oficializando o divórcio político.
A saída oficial do PMDB, principal sócio do PT no governo, escancarou a guerra política entre os dois partidos.
Michel Temer, então, saiu em busca de votos favoráveis ao impeachment e conseguiu atrair para o seu flanco os principais partidos da oposição e ainda as legendas do chamado "centrão", que, até então, ainda se mantinham na frágil base aliada de Dilma.
Na tentativa de neutralizar o novo adversário político, a presidente passou a acusá-lo, no Brasil e no exterior, de "golpista" e "traidor".
Temer evitou o confronto público, mas manteve as articulações de bastidores para assegurar a instauração do impeachment.
Transformado em bunker político do vice, o Palácio do Jaburu se tornou ponto de procissão de adversários de Dilma e de políticos cotados para integrar o ministério de Temer.
Lava Jato
A operação que investiga o esquema de corrupção que atuava na Petrobras também bateu às portas de Michel Temer.

Em sua delação premiada, o ex-líder do governo e senador cassado Delcídio do Amaral (sem partido-MS) relatou ao Ministério Públicoo suposto envolvimento de Temer em um esquema de compra superfaturada de etanol na BR Distribuidora, subsidiária de combustíveis da estatal do petróleo.
De acordo com Delcídio, as supostas irregularidades teriam ocorrido entre 1997 e 2001, durante o governo do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso.
Ainda segundo o senador cassado, o operador do esquema seria João Augusto Rezende Henriques, ex-diretor da BR Distribuidora que fez, em 2011, depósitos apontados pela Lava Jato como propina para o presidente afastado da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha.


Delcídio afirmou aos procuradores da República que Henriques havia sido “apadrinhado" por Temer no esquema de compra ilícita de etanol que teria ocorrido durante a gestão FHC.
À época em que a denúncia do ex-líder do governo veio à tona, Temer afirmou, por meio de nota, que refutava as “insinuações” de Delcídio. 
"Não conhecia Henriques e não o poderia ter indicado. Muito menos, ter participado de suposto esquema do etanol, do qual só tomo ciência agora. Reitero que o conheci anos depois. Mantive com ele alguns poucos contatos. Repito, portanto, que jamais o apadrinhei e ele jamais solicitou esse apadrinhamento”, escreveu Temer na ocasião em um comunicado divulgado à imprensa.
Em abril, o ministro Teori Zavascki, relator dos processos da Lava Jato no Supremo Tribunal Federal, autorizou, a pedido da Procuradoria Geral da República, a inclusão, no maior inquérito em tramitação na Corte para investigar o esquema de corrupção que agia na Petrobras, os trechos da delação premiada de Delcídio nos quais Michel Temer é citado.
A inclusão desse trecho no processo não torna Temer investigado no caso, mas acrescenta informações no inquérito destinado a revelar como funcionava a "organização criminosa" que desviava recursos da Petrobras em benefício de partidos e políticos.
Michel Temer, na época secretário de segurança pública do estado de São Paulo, é visto ao lado do escritor e jornalista investigativo Percival de Souza em São Paulo, em 1985 (Foto: Joveci C. de Freitas/Estadão Conteúdo/Arquivo)Michel Temer, em 1985, ao lado do escritor e jornalista investigativo Percival de Souza. À época, o peemedebista comandava a Secretaria de Segurança de São Paulo (Foto: Joveci C. de Freitas/Estadão Conteúdo/Arquivo)
Ingresso na política
Michel Temer nasceu em 1940, no município paulista de Tietê, a 167 quilômetros da capital. Dezesseis anos antes, seus pais March e Miguel Elias, cristãos maronitas, haviam deixado para trás o vilarejo de Btaaboura, no norte do Líbano, com três filhos a tiracolo.

Atualmente, o vice-presidente dá nome a uma rua na entrada da cidade dos antepassados e vai batizar uma praça.


Temer estudou direito na Universidade de São Paulo (USP) na transição das décadas de 1950 e 1960, mas não se envolveu com a efervescência estudantil de esquerda que marcou o conturbado mandato do então presidente João Goulart. Ele, ao contrário, fazia parte de um grupo de estudantes que seguia o pensamento liberal.
Em meio ao curso de graduação, chegou a flertar com a política estudantil, elegendo-se segundo-tesoureiro do centro acadêmico da faculdade. Ele até aspirou um voo mais alto, como presidente do centro acadêmico, mas saiu derrotado da disputa eleitoral.
O peemedebista se formou em direito em 1964, ano em que os militares depuseram Jango. Recém-graduado, montou uma banca de advocacia com três ex-colegas da USP. Quatro anos mais tarde, retornou para a academia para lecionar direito constitucional na Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP).
Até os 28 anos, Temer escreveu quatro livros de direito. O livro “Elementos de Direito Constitucional” é, até hoje, referência nas salas de aula de faculdades de direito.


Na época em que deu aulas na PUC-SP, teve contato com o professor André Franco Montoro, que, na ocasião, já era um político experiente, com passagem pela Câmara e pela Esplanada dos Ministérios.
Quando Montoro se elegeu governador de São Paulo no início dos anos 80, a amizade dos tempos da academia abriu para Temer as portas da vida política. Em 1981, ele ingressou no PMDB, herdeiro do oposicionista MDB da época da ditadura.


Fazia pouco mais de uma década que havia sido aprovado no concurso para procurador do estado quando, em 1983, foi convidado por Montoro para assumir o comando da Procuradoria-Geral de São Paulo.


Em meio a uma profunda crise entre as polícias civil e militar, Temer foi deslocado pelo governador para a chefia da Secretaria de Segurança, cargo que viria a ocupar outras duas vezes na carreira. Ali, em meio ao fogo cruzado das polícias paulistas, ensaiou pela primeira vez o papel de articulador político.
Primeiro, apaziguou o entrevero entre delegados e oficiais da PM. Depois, chamou a atenção de Montoro ao conseguir convencer, por meio de uma conversa, centenas de estudantes a desocuparem o prédio da reitoria da USP, evitando que o Batalhão de Choque tivesse de invadir o local.
Cartaz da campanha de Michel Temer a deputado federal em 1986 (Foto: Reprodução)Cartaz da campanha de Michel Temer a deputado
federal em 1986 (Foto: Reprodução)
Ascensão em Brasília
Em 1986, Temer tentou a sorte nas urnas pela primeira vez para uma cadeira na Câmara dos Deputados. Terminou a corrida eleitoral apenas como suplente, mas, dois anos mais tarde, debutava no Salão Verde da Câmara como deputado constituinte substituindo Antônio Tidei de Lima, que havia assumido o comando da Secretaria de Agricultura paulista.
À sombra de líderes históricos do antigo MDB, como Ulysses Guimarães e Fernando Henrique Cardoso, o então calouro da Câmara conseguiu aprovar o artigo 133 da Constituição, que assegura a inviolabilidade dos advogados por atos e manifestações cometidos no exercício da profissão.


No final da década de 1980, quando FHC, Serra e Mário Covas se desligaram do PMDB para fundar o PSDB após romperem com Orestes Quércia, Temer optou por ficar nas fileiras peemedebistas, aproveitando a abertura de espaço gerada pela debandada de caciques históricos da legenda.
A decisão se mostrou acertada nos anos que se sucederam. Pegando carona no vácuo de lideranças, Michel Temer ascendeu rapidamente na estrutura peemedebista. Eleito para a Câmara com 70.969 votos na eleição de 1994, ele conseguiu, já no ano seguinte, ser escolhido pelos colegas para a vaga de líder do partido.
Temer se sentiu à vontade nos carpetes verdes da Câmara. Lá, se especializou nas negociações de bastidores e nas articulações políticas.
O então presidente da Câmara dos Deputados Michel Temer é visto de mãos dadas com Antônio Carlos Magalhães durante confraternização de natal no Congresso Nacional, em Brasília, em dezembro de 1998 (Foto: Dida Sampaio/Estadão Conteúdo/Arquivo)Na primeira vez que comandou a Câmara dos Deputados, no final da década de 1998, Temer teve duros embates públicos com o então presidente do Senado, Antônio Carlos Magalhães (Foto: Dida Sampaio/Estadão Conteúdo/Arquivo)
Em 1997, ele disputou pela primeira vez a presidência da Câmara. Com o apoio do então PFL (atual DEM), conseguiu se eleger derrotando um candidato tucano. No comando da casa legislativa, se tornou um fiel aliado do governo FHC. Dois anos mais tarde, candidato único, reelegeu-se presidente da Câmara, posto que voltaria a ocupar novamente em 2009.
A rápida ascensão de Temer gerou atrito com outras lideranças políticas do Congresso. Nos quatro anos consecutivos em que presidiu a Câmara no final dos anos 90, ele protagonizou duros embates públicos com o então presidente do Senado, Antonio Carlos Magalhães (antigo PFL-BA), que morreu em 2007.
Mais tarde, seu principal rival político seria outro presidente do Senado, o colega de partido Renan Calheiros (PMDB-AL). Até hoje, os dois rivalizam espaço dentro do PMDB.
Janeiro/2015 - Michel Temer é visto ao lado de sua mulher, Marcela Temer, e da presidente Dilma Rousseff durante a cerimônia de posse da presidência no Palácio do Planalto, em Brasília (Foto: José Cruz/Agência Brasil)Marcela Temer (à direita) fez raras aparições públicas desde que o marido foi eleito vice-presidente da República. Na foto, cerimônia de posse de Dilma e Temer em janeiro de 2015  (Foto: José Cruz/Agência Brasil)
Vida pessoal discreta
Discreto, formal e cerimonioso, Michel Temer tem obsessão em preservar a família de sua vida pública. Ele está em seu terceiro casamento e tem cinco filhos.

A atual mulher, Marcela Temer, é 42 anos mais jovem do que ele. Os dois se conheceram quando ela tinha 18 anos e ele, 60. Temer tem um filho com Marcela: Michelzinho, de 7 anos.
Do primeiro casamento, com Maria Célia, o presidente em exercício teve três filhas: Maristela, Luciana e Clarissa. Temer tem também um filho que nasceu de um relacionamento com uma namorada, em Brasília.
Auxiliares próximos do presidente em exercício contam que ele fala pouquíssimo sobre a família no ambiente de trabalho. Desde que ele assumiu a Vice-Presidência, em 2011, Marcela fez raríssimas aparições públicas.
Ainda que Temer passe a maior parte da semana em Brasília, a mulher e o filho mais novo continuaram vivendo em São Paulo. Ele, no entanto, costuma viajar nos finais de semana para a capital paulista a fim de ficar com a família.
Temer costuma usar as horas de folga e as viagens de avião para ler. Segundo interlocutores, é um leitor contumaz.
Pessoas que trabalham diretamente com o presidente em exercício o definem como um "gentleman" no trato pessoal com os subordinados, mas ressaltam que é extremamente detalhista, a ponto de corrigir, pessoalmente, até mesmo as vírgulas dos textos de auxiliares. Também cultiva, entre pessoas próximas, a fama de pão-duro.
Aos 75 anos, procura fazer caminhadas matinais de cerca de meia hora para manter a saúde. Em regra, faz os exercícios físicos acompanhado de sua equipe de seguranças e de um ajudante de ordens, que fica responsável por atender ao celular enquanto ele está praticando as caminhadas.
Marcela Temer, mulher do vice-presidente Michel Temer, chega ao Palácio do Jaburu no dia da votação do processo de impeachment de Dilma Rousseff no Senado (Foto: Gabriela Biló/Estadão Conteúdo)Mulher do vice-presidente Michel Temer desembarcou em Brasília nesta quarta-feira (11) e foi direto para o Palácio do Jaburu no dia da votação do processo de impeachment de Dilma no Senado (Foto: Gabriela Biló/Estadão Conteúdo)Fabiano CostaDo G1, em Brasília

Presidenta Dilma Rousseff é afastada pelo Senado por 55 votos contra 22; O vice Michel Temer assume interinamente a Presidência da República do Brasil

Temer-Dilma
Temer deve anunciar equipe ministerial ainda hoje; Dilma fará pronunciamento
O Senado Federal aceitou, por 55 votos contra 22, a admissibilidade do processo de impeachment da presidenta Dilma Rousseff. Após ser notificada da decisão, Dilma será afastada do cargo por até 180 dias e, nesse período, o vice Michel Temer (PMDB) assumirá interinamente a Presidência da República.
sessão no Senado durou mais de 20 horas. Dos 81 senadores, 69 discursaram apresentando seus motivos para acatar ou não o pedido de impeachment. Se o placar for repetido na votação final, quando são necessários 54 votos a favor do impeachment, Dilma perderá definitivamente o cargo e ficará inelegível por oito anos.
A previsão é que a notificação sobre o afastamento chegue ao Palácio do Planalto por volta das 10h desta quinta-feira 12. Na sequência, Dilma deve conceder uma entrevista à imprensa. Após a confirmação da decisão do Senado, Dilma usou seu perfil no Facebook para chamar o afastamento de "golpe".
Esta é a segunda vez em 24 anos que um presidente da República é afastado pelo Senado. Em 1992, o então presidente Fernando Collor de Mello renunciou antes do julgamento final na Casa, mas teve os direitos políticos suspensos por oito anos. Em 2014, 22 anos após a queda, Collor foi absolvido pelo Supremo Tribunal Federal (STF) por falta de provas.
A ascensão de Michel Temer à Presidência pode propiciar um ambiente favorável para a chamada bancada BBB (Boi, Bala e Bíblia). Forças altamente relevantes no Congresso mais conservador desde de 1964, parlamentares evangélicos, ruralistas e ligados à segurança pública preparam uma coleção de pautas polêmicas para serem aprovadas até 2018, muitas das quais não tiveram apoio do PT e do governo Dilma.
Faixa
A faixa presidencial usada por Dilma na posse de 2014
Próximos passos
Começa agora a fase de instrução do processo no Senado, com produção de provas. Os trabalhos voltam para a comissão especial e, depois de ouvir especialistas e testemunhas convocados pela defesa e pela acusação, a comissão faz uma nova votação, dessa vez sobre o mérito do pedido de impeachment.
Nessa etapa, a própria presidenta poderá ser convocada. Se a maioria simples (11 senadores) entender que há crime de responsabilidade, o parecer é votado novamente no plenário. Para que o processo seja arquivado, bastam os votos da maioria simples presente – a votação só pode ocorrer com quórum mínimo de 41 senadores.
Caso o plenário rejeite o processo, o impeachment é arquivado, e Dilma reconduzida ao cargo. Se o plenário aceitar a continuidade do processo, tem início o julgamento, e a presidenta é notificada para apresentar novamente a sua defesa. Na fase de julgamento, são necessários 54 votos favoráveis (dois terços dos senadores) para que a presidenta perca o mandato definitivamente.
Essa última sessão será conduzida pelo presidente do Supremo Tribunal Federal, Ricardo Lewandowski. Se o impeachment não for aprovado, a presidenta será reconduzida ao cargo.
Cartacapital.com

10 de maio de 2016

Ministro valoriza importância das emissoras de rádio na integração do país


O ministro das Comunicações, André Figueiredo, defendeu a importância da radiodifusão no processo de integração e desenvolvimento do país. A declaração foi feita nesta sexta-feira (6), em Fortaleza (CE), durante a assinatura do termo aditivo de concessão que permite a migração da Rádio Assunção Cearense AM (910) para a faixa de FM (103,7).
Na solenidade, realizada na sede do Sistema de Rádios Verdes Mares, o ministro comentou que o rádio aproxima os brasileiros e leva conhecimento até mesmo para as localidades mais remotas. "Historicamente, esses veículos contribuem para o desenvolvimento das regiões. O Ceará já teve a primeira rádio a migrar para o FM. Agora, outro importante veículo passa a transmitir em um formato com melhor qualidade", disse, ao ser recebido pelo diretor de jornalismo do Sistema Verdes Mares, Roberto Moreira, e demais membros do grupo.
"Esclareço ainda que a empresa terá até seis meses para manter as frequências, tanto AM quanto FM. Assim, a população poderá assimilar com tranquilidade o processo de migração", acrescentou.
Qualidade
O prefeito de Sobral, Veveu Arruda, pontuou que a novidade é fundamental para a sociedade e o mercado. "É um dia especial não somente para a cidade, mas também para o estado. Essa ação representará um crescimento da qualidade da comunicação para que as pessoas tenham ainda mais acesso à informação. Para isso, a gestão do ministro foi importante para alcançar esse padrão", destacou.
Segundo o deputado estadual Ferreira Aragão, "o trabalho realizado pelo Ministério foi também fundamental para resolver as pendências e garantir os avanços que o setor demandava há tanto tempo".
Pádua Lopes, superintendente do Diário do Nordeste, que integra o grupo Verdes Mares, lembrou que o processo de migração foi protelado por muito tempo, mas foi destravado no último ano. "Percebemos que essa gestão atua na velocidade do rádio. Essa atitude do ministro André Figueiredo representará um passo essencial para a radiodifusão", comentou.
Atualmente, 1.781 emissoras estão na frequência de AM em todo o Brasil, sendo divididas de acordo com o alcance: local, regional ou nacional. Ao todo, 1.386 pediram a mudança de faixa e 937 rádios já poderão fazer a migração em 2016. No entanto, 437 emissoras terão de aguardar a liberação do espaço que vai ocorrer com a digitalização da TV no país. Para isso, os canais 5 e 6, que, hoje, são ocupados por canais de TV analógicos, serão desocupados e destinados à FM.

Fonte: MC
loucosporradio.com

Em novo acordo com a Kappa, Fortaleza irá fabricar seu próprio uniforme

Depois de muitos boatos sobre uma possível troca do fornecedor de material esportivo, o Fortaleza deve firmar um novo acordo com a Kappa em reunião na tarde desta terça-feira em São Paulo. O vice-presidente do tricolor, Ênio Mourão, e o diretor, Evangelista Torquato, estão na terra da garoa para negociar com a empresa.

kappa
No novo contrato, o Fortaleza passará a ganhar uma porcentagem do valor adquirido nas vendas de camisas oficiais, algo que não vinha acontecendo. Também haverá mudanças na fabricação dos materiais.
E a grande novidade é justamente quanto ao fabricante. Assim como acontece com o Santos, que também tem o uniforme produzido pela Kappa, o Fortaleza agora produzirá seu próprio uniforme. A ideia é que o tricolor crie sua própria marca, algo semelhante ao que fez o Paysandu, e a empresa Italiana estampará somente seu nome nos uniformes.
A diretoria deve se manifestar sobre o assunto nos próximos dias.
Por: Ricardo Tavares