11 de novembro de 2019

México concede asilo político a Evo Morales

Presidente Evo Morales fala durante conferência REUTERS/David Mercado/Direitos reservados
O México concedeu hoje (11) asilo político ao ex-presidente da Bolívia Evo Morales. Por meio de sua conta na rede social Twitter, o chanceler mexicano, Marcelo Ebrard, confirmou a informação. O líder boliviano renunciou ao cargo ontem (10) após uma onda de protestos que já durava 21 dias.
“Faremos valer o direito de asilo que o México sempre promoveu e exerceu em diferentes circunstâncias históricas que caracterizam nossa política externa”, destacou nota divulgada pelo governo mexicano. O comunicado cita que o país vai pedir uma reunião urgente com a Organização dos Estados Americanos (OEA) para tratar dos recentes acontecimentos na Bolívia.
Além de Evo, também renunciaram ao cargo o vice-presidente do país, Álvaro García Linera, o presidente da Câmara de Deputados, Víctor Borda, e a presidente do Senado, Adriana Salvatierra. Cabe agora ao Legislativo escolher um novo presidente do Senado, para que possa acatar a renúncia de Morales e dar início ao processo de novas eleições. 
Com informações da Agência Brasil

Bolsonaro assina medida provisória que extingue o Dpvat

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O presidente Jair Bolsonaro assinou hoje (11) medida provisória (MP) extinguindo, a partir de 1º de janeiro de 2020, o Seguro Obrigatório de Danos Pessoais causados por veículos automotores de via terrestre, o chamado Dpvat. De acordo com o governo, a medida tem por objetivo evitar fraudes e amenizar os custos de supervisão e de regulação do seguro por parte do setor público, atendendo a uma recomendação do Tribunal de Contas da União (TCU).
Pela proposta, os acidentes ocorridos até 31 de dezembro de 2019 continuam cobertos pelo DPVAT. A atual gestora do seguro, a Seguradora Líder, permanecerá até 31 de dezembro de 2025 como responsável pelos procedimentos de cobertura dos sinistros ocorridos até a da de 31 de dezembro deste ano.
“O valor total contabilizado no Consórcio do Dpvat é de cerca de R$ 8,9 bilhões, sendo que o valor estimado para cobrir as obrigações efetivas do Dpvat até 31/12/2025, quanto aos acidentes ocorridos até 31/12/2019, é de aproximadamente R$ 4.2 bilhões”, informou o Ministério da Economia.
De acordo coma pasta, o valor restante, cerca de R$ 4.7 bilhões, será destinado, em um primeiro momento, à Conta Única do Tesouro Nacional, em três parcelas anuais de R$ 1.2 bilhões, em 2020, 2021 e 2022.
“A medida provisória não desampara os cidadãos no caso de acidentes, já que, quanto às despesas médicas, há atendimento gratuito e universal na rede pública, por meio do SUS [Sistema Único de Saúde]. Para os segurados do INSS [Instituto Nacional do Seguro Social], também há a cobertura do auxílio-doença, aposentadoria por invalidez, auxílio-acidente e de pensão por morte”, acrescentou o ministério.
A MP extingue também  o Seguro de Danos Pessoais Causados por Embarcações, ou por sua carga, a pessoas transportadas ou não (DPEM). Segundo o ministério, esse seguro está sem seguradora que o oferte e inoperante desde 2016.
Por Luciano Nascimento 
Com informações da Agência Brasil

Irã anuncia descoberta de grande campo de petróleo

O presidente do Irã, Hassan Rouhani
O presidente do Irã, Hassan Rouhani, anunciou a descoberta de um grande campo de petróleo que poderá ampliar as reservas conhecidas do país em cerca de 30%.
Rouhani disse, nesse domingo (10), que engenheiros iranianos descobriram um grande campo com 53 bilhões de barris de petróleo. Acrescentou que o campo de petróleo na província sudoeste do país, Khuzestan, cobre uma área de 2.400 quilômetros quadrados.
A BP, gigante britânico do setor de petróleo, declarou que até o fim de 2018 o Irã ocupava o quarto lugar no mundo em reservas de petróleo, com total estimado de 155,6 bilhões de barris.
Se a dimensão na nova reserva de petróleo vier a ser comprovada, o volume elevaria a posição do país para logo depois da Venezuela e Arábia Saudita.
O anúncio surgiu no momento em que o Irã luta para vender seu petróleo no exterior, em meio às sanções impostas pelos Estados Unidos.
O país, aparentemente, está fazendo um apelo à comunidade internacional no sentido de reconfirmar sua importância como fornecedor de petróleo, numa tentativa de disseminar ressentimentos contra os Estados Unidos.
Com informações da Agência Brasil

Confira a tabela da primeira fase da Copa do Nordeste

A Confederação Brasileira de Futebol definiu nesta quinta-feira a tabela da Copa Nordeste do ano que vem. A partida de estreia será no dia 21 de janeiro, entre Imperatriz e CRB.

Assim como nesta temporada, foram divididos dois grupos de oito equipes. Na primeira fase da competição, os times do chave A enfrentam os da chave B, resultando em oito rodadas.

Os quarto primeiros avançam, formando as quartas de final. O primeiro do A diante do quarto colocado do A; o segundo do A contra o terceiro do A; o primeiro do B diante do quarto do B; e o segundo do B contra o terceiro do B.

Somando cotas e premiações, o campeão da ‘Lampions League’ 2020, além de garantir vaga direta nas oitavas de final da Copa do Brasil do ano seguinte, pode faturar 4 milhões de reais.

Confira os grupos da Copa do Nordeste 2020:
Grupo A
– Sport
– Bahia
– Fortaleza
– CRB
– Botafogo-PB
– ABC
– River-PI
– Frei Paulistano - SE

Grupo B
– Vitória
– Ceará
– Santa Cruz
– Náutico
– CSA
– América-RN
– Confiança-SE
– Imperatriz-MA

Veja a tabela completa da primeira fase:


Com informações da Gazeta Esportiva

Brics fomenta cooperação entre economias emergentes há 13 anos

VI Cúpula do Brics é realizada com segurança máxima em Fortaleza (CE)( Marcelo Camargo/Agência Brasil)
O que nasceu como um apelido do mercado financeiro ganhou fôlego e virou um mecanismo de cooperação que reúne 3,1 bilhões de pessoas e equivale a 41% da população mundial. Junção das iniciais de Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul (em inglês), o Brics é formado pelas cinco principais economias emergentes do planeta e promove, nesta quarta (13) e quinta-feira (14), a 11º reunião de cúpula em Brasília.

Em 2001, o economista britânico Jim O’Neill, então chefe de Pesquisas Econômicas Globais do banco de investimentos Goldman Sachs, cunhou o termo Bric (ainda sem a África do Sul) para simbolizar o crescimento de quatro economias em desenvolvimento. Segundo ele, ao longo do século 21, esses países passariam a dividir o poder econômico global com o G7, grupo das economias mais ricas do planeta.

O Bric, no entanto, só nasceu em 2006, quando os ministros de Relações Exteriores dos quatro países se encontraram em Nova York, num evento paralelo à Assembleia Geral das Nações Unidas. O grupo foi formalizado no primeiro encontro oficial de chefes de Estado, em junho de 2009, em Ecaterimburgo, na Rússia.

Na ocasião, os presidentes do Brasil, da Rússia, da Índia e da China concordaram em desenvolver um mecanismo de cooperação entre as quatro economias. Os governos se ajudariam mutuamente para melhorar a situação econômica global após a crise de 2008 e ampliar a participação de países emergentes em instituições financeiras internacionais, como o Fundo Monetário Internacional (FMI).

Na segunda reunião de cúpula, em abril de 2010, em Brasília, o então presidente sul-africano, Jacob Zuma, compareceu como convidado. A África do Sul juntou-se ao grupo na terceira reunião de cúpula, em abril de 2011 em Sanya (China). A partir daí, a sigla ganhou uma letra e virou Brics.

Em 2010, o Bric teve participação fundamental na aprovação da reforma que ampliou a cota de economias emergentes no FMI. O acordo só entrou em vigor em dezembro de 2015, quando o poder de voto dos países em desenvolvimento passou de cerca de 39,4% para 44,7%. O total de cotas brasileiras no capital do Fundo Monetário passou de 1,78% para 2,32%, com o Brasil subindo da 14ª para a 10ª posição como acionista.

Iniciativas

Os países do Brics estreitaram os laços em 2011, com a criação do Fórum do Brics, organização internacional independente que busca estimular cooperações políticas, comerciais e culturais entre os membros. Na reunião de 2013, em Durban (África do Sul), os governos concordaram em criar uma instituição financeira conjunta. Também conhecido como Banco do Brics, o Novo Banco de Desenvolvimento foi oficializado no encontro de 2014, em Fortaleza.

Com sede em Xangai (China), o banco nasceu em 2015, com o objetivo de atender ao problema global da escassez de recursos para o financiamento de projetos de infraestrutura e constituir-se em uma alternativa ao FMI e ao Banco Mundial. Cada um dos cinco países contribuiu com US$ 10 bilhões para formar o capital da instituição financeira.

Em outra iniciativa, os países do Brics concordaram em formar o Arranjo Contingente de Reservas, um fundo conjunto com parte das reservas internacionais de cada país, para ajudar países que passem por dificuldades nas contas externas. Com US$ 100 bilhões, o fundo tem US$ 41 bilhões da China; US$ 18 bilhões do Brasil, da Índia e da Rússia (cada um) e US$ 5 bilhões da África do Sul. O acordo não envolveu a transferência de reservas internacionais. Cada país se comprometeu a emprestar esses recursos para um membro em caso de necessidade.

Novas áreas

Desde 2015, os países do Brics têm buscado ampliar as áreas de cooperação. Entre os setores considerados prioritários para o Brasil, estão saúde, ciência, tecnologia, inovação, economia digital, combate ao crime transnacional e aproximação entre o Novo Banco de Desenvolvimento e as empresas. Como preparação para a 11ª cúpula, em Brasília, os ministros de Comunicações do Brics assinaram uma carta conjunta, em agosto deste ano, com o objetivo de instituir a cooperação no setor de tecnologia da comunicação e de informação.
Por Wellton Máximo 
Com informações da Agência Brasil

Enem dos próximos anos será um exame técnico, diz ministro da Educação

O Ministro da Educação, Abraham Weintraub, e o presidente do Inep, Alexandre Lopes, fazem balanço sobre o ENEM 2019
O Ministro da Educação, Abraham Weintraub, e o presidente do Inep, Alexandre Lopes, fazem balanço sobre o ENEM 2019 - Antonio Cruz/ Agência Brasil
O Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) será, nos próximos anos, “um exame técnico e não ideológico”, afirmou hoje (10) o ministro da Educação, Abraham Weintraub. “O objetivo é que seja feita uma seleção justa para todos os brasileiros”, disse.
O Enem 2019 foi aplicado no dia 3 e neste domingo. Ao todo, cerca de 3,9 milhões de estudantes de todo o país participaram de pelo menos um dia de prova. Na análise de especialistas, o exame deste ano foi mais conteudista que de anos anteriores.
“[O estudante] não vai precisar mais ficar buscando nos manuais de esquerda ou de direita ou em qualquer lugar que seja, ideologias”, disse. “Como foi para a redação. [O participante] poderia escrever uma redação de esquerda, de direita ou técnica. Queremos apenas ver quem sabe elaborar uma boa redação. As questões foram feitas com esse intuito, selecionar as pessoas mais bem preparadas”. O tema da redação este ano foi Democratização do acesso ao cinema no Brasil.
Segundo o presidente do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), Alexandre Lopes, as questões deste ano foram todas retiradas do Banco Nacional de Itens (BNI), e já estavam elaboradas. Para integrar o BNI, as questões passam por um longo processo de aprovação e testagem.
“Não houve direcionamento para mais ou menos conteudistas”, disse Lopes. “O que houve foi a equipe buscando dentro do Banco de Itens uma prova equilibrada, que cobrisse matrizes do Enem. Para oferecer às universidades um conjunto de alunos com boas notas, para escolherem os melhores para seus cursos”.
Neste ano, o Inep criou uma comissão para definir o que não seria usado no Enem 2019. De acordo com nota técnica publicada pela autarquia, a comissão, criada no dia 20 de março deste ano, deveria "identificar abordagens controversas com teor ofensivo a segmentos e grupos sociais, símbolos, tradições e costumes nacionais" e, com base nessa análise, recomendar que tais itens não fossem usados na montagem do exame deste ano.
comissão concluiu o trabalho no começo de abril. No entanto, pelo caráter sigiloso do BNI, o resultado não foi divulgado. O Inep esclareceu que como a elaboração de um item é um processo longo e oneroso, nenhum item será descartado. Eles poderão ser posteriormente adequados.
Por Mariana Tokarnia -
Com informações da Agência Brasil

Em meio a protestos, Evo Morales renuncia à presidência da Bolívia

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O presidente da Bolívia, Evo Morales, anunciou hoje (10), em um pronunciamento transmitido a partir da cidade de Cochabamba, sua renúncia ao cargo, em meio à escalada dos protestos que se seguiram à eleição de 20 de outubro no país.
Ao lado de Morales, o vice-presidente Alvaro García Linera também anunciou que deixa seu posto. Posteriormente, o ex-presidente boliviano falou sobre o assunto em suas redes sociais.

Renuncio para que Mesa y Camacho no sigan persiguiendo, secuestrando y maltratando a mis ministros, dirigentes sindicales y a sus familiares y para que no sigan perjudicando a comerciantes, gremiales, profesionales independientes y transportistas que tienen el derecho a trabajar.
Quiero que sepa el pueblo boliviano, no tengo por qué escapar, que prueben si estoy robando algo. Si dicen que no hemos trabajado, vean las miles de obras construidas gracias al crecimiento económico. Los humildes, los pobres que amamos la Patria vamos a continuar con esta lucha.

15,3 mil pessoas estão falando sobre isso
“Queremos preservar a vida dos bolivianos”, disse Morales no pronunciamento. Ele disse que decidiu deixar o cargo “para que não continuem maltratando parentes de líderes sindicais, prejudicando a gente mais humilde. Estou renunciando e lamento muito esse golpe”.
Imagens de TV mostraram oposicionistas comemorando nas ruas de La Paz. A pressão sobre Morales aumentou depois que o comandante das Forças Armadas bolivianas, William Kaiman, sugeriu, na tarde deste domingo, que Morales renunciasse para permitir a “pacificação e a manutenção da estabilidade, pelo bem da nossa Bolívia”.
Mais cedo, Morales havia anunciado a realização de novas eleições e a substituição dos integrantes do Tribunal Superior Eleitoral boliviano, mas não conseguiu melhorar os ânimos dos adversários. Na ocasião, ele disse que sua “principal missão é proteger a vida, preservar a paz, a justiça social e a unidade de toda a comunidade boliviana”.
O anúncio da nova eleição foi feito depois de a Organização dos Estados Americanos (OEA) ter divulgado um informe sobre uma auditoria do processo eleitoral, em que o órgão recomendou a realização de um novo pleito.
Antes da renúncia de Morales, a imprensa boliviana noticiou a realização neste domingo de diversos ataques a residências, incluindo casas de familiares de Morales, e a prédios públicos. No Twitter, o ainda presidente havia denunciado que “fascistas” tinham incendiado a casa dos governadores de Chuquisaca y Oruro, e também de sua irmã, Esther Morales, em Oruro. Emissoras de rádio e TV estatais, como a Bolívia TV, foram alvo de protestos.

Depois que manifestantes atacaram a sua casa, o presidente da Câmara dos Deputados, Víctor Borda, também renunciou ao cargo neste domingo.
Eleição polêmica
As eleições presidenciais bolivianas ocorreram em 20 de outubro. Morales obteve 47,07% dos votos, enquanto seu principal concorrente, Carlos Mesa, alcançou a 36,51%. Pelas regras eleitorais bolivianas, Morales foi declarado eleito, por ter obtido mais de 10% de votos além de Mesa.
A apuração dos votos, no entanto, foi acompanhada por polêmica, com acusações de ambos os lados. Uma missão de observação da Organização dos Estados Americanos (OEA) apontou problemas como a falta de segurança no armazenamento das urnas e a suspensão da apuração.
Diante da polêmica, Morales e líderes oposicionistas sugeriram que a Organização dos Estados Americanos (OEA) auditasse o resultado das eleições – e Morales convidou países como Colômbia, Argentina, Brasil e Estados Unidos a participarem do processo. Desde então, os protestos populares se acirraram, com oposicionistas chegando a estabelecer um prazo para que Morales deixasse o cargo.
Por Felipe Pontes
Com informações da Agência Brasil

Em clássico com 46 mil no Castelão, Fortaleza vence o Ceará

Leonardo Moreira/FEC
Em jogo com grande festa nas arquibancadas, o Fortaleza derrotou o rival Ceará por 1 x 0, na noite deste domingo (10/11/2019), pela 32ª rodada do Campeonato Brasileiro. O duelo, disputado na Arena Castelão, teve mais de 46 mil torcedores no estádio.

Além de vencer o maior rival, o Fortaleza deu um respiro na luta contra o rebaixamento, chegando aos 39 pontos, em 13º lugar. O Ceará, por sua vez, ficou com 36, em 14º, ainda ameaçado de queda para a Série B.

O Fortaleza ainda diminuiu a diferença em número de vitórias em clássicos. Em 582 jogos, os tricolores levaram a melhor 175 contra 197 do rival. Ainda tiveram 204 empates e sete jogos sem resultado final registrado.

O espetáculo nas arquibancadas foi um belo aquecimento do que estava por vir quando a bola rolasse. Os torcedores do Fortaleza prepararam um mosaico mostrando as principais vitórias sobre o maior rival, incluindo o 8 x 0, em 1927. Os alvinegros responderam com uma bandeira que fazia alusão aos rebaixamentos do rival.

A expressividade dos torcedores chegou até a parar o jogo no meio do primeiro tempo. O árbitro Flávio Rodrigues de Souza (SP) paralisou o jogo ao ver uma bandeira com os dizeres “Parem! VAR já chega!”. A partida só voltou quando o objeto foi retirado.

Os dois rivais voltam a campo na noite do próximo domingo em confrontos diretos contra o rebaixamento. O Ceará visita a Chapecoense, às 18 horas, na Arena Condá, em Chapecó (SC), enquanto o Fortaleza recebe o CSA, no Castelão.

Com informações do Metrópoles 

10 de novembro de 2019

Relatório aponta uso indevido de tratores doados por projeto

Equipamentos que deveriam fomentar o desenvolvimento no campo, encontram-se sucateados ou são usados de forma indevida
Estudo preliminar inédito realizado pela Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural do Ceará (Ematerce) aponta que mais de 30% dos tratores fornecidos pelo Projeto de Desenvolvimento Rural Sustentável, conhecido como São José, estão sendo utilizados de forma indevida. O levantamento começou no início do ano e foi divulgado nesta quinta-feira (7) pela Secretaria de Desenvolvimento Agrário (SDA).
No intervalo de 25 anos, associações comunitárias receberam do Estado cerca de 1.841 tratores, dentro da política de mecanização e desenvolvimento agrícola no Ceará.
Fora do Padrão
De todas as situações investigadas pelos técnicos da Ematerce, 593 estão em desacordo com a política de uso recomendada. Foram observados que 35 tratores foram vendidos, um foi roubado e um destruído. Além disso, três tratores foram alugados por prefeituras e 34 apresentaram problemas mecânicos. Ainda de acordo com o relatório, 148 não possuem qualquer informação sobre sua situação.
Observou-se também que 38 tratores estão sendo usados por particulares por meio da venda direta sem autorização da SDA. Foi identificado que alguns tratores foram alugados para terceiros ou são utilizados apenas pelo indivíduo que "cuida do trator".
Em valores atuais de mercado cada veículo custa, em média, R$ 105 mil.
Visitas Preliminares
O documento não está finalizado e, portanto, o número pode ser alterado. Porém, após as primeiras visitas às associações, a visão geral informada pelos técnicos é de que "muitos tratoristas não têm o conhecimento técnico e acabam causando acidentes e diminuindo a vida útil da máquina; a gestão da maior parte das associações é feita de forma precária; e que muitos implementos foram trocados, vendidos ou encontram-se inutilizados".
Projeto
Diante do cenário, a SDA informou que "ainda não é possível determinar quantas associações foram atendidas, uma vez que se trata de um relatório preliminar. Além de situações pontuais, que contrariariam o interesse do Estado, temos ouvido os presidentes de associações, e o nosso desejo é realizar, juntos às associações, cursos para capacitar novos tratoristas e entregar implementos agrícolas para que os equipamentos cumpram a sua total finalidade".
O Projeto São José III forneceu 180 tratores no valor de quase R$ 22 milhões para 180 associações comunitárias. Cada associação recebeu também cinco implementos agrícolas, totalizando 850 equipamentos entre carretas reboques, grades hidráulicas, batedeiras de feijão, debulhadoras de milho, cultivadores de milho, guinchos, ensiladeiras acopladas e colhedeiras.
Recomendações
A Ematerce recomenda desenvolver mecanismos para evitar desvios de finalidade. Sugere o recolhimento de tratores, máquinas e implementos, usados indevidamente, verificando possibilidade de realocação; novo ordenamento de uso - planejamento e controle; capacitação de operadores de máquinas agrícolas; capacitação de técnicos; recolhimento das unidades de mecanização em estado de sucata ou paradas para a Secretaria .

Com informações do Diário do Nordeste

Conheça algumas curiosidades de como é viver na Antártica

Durante a 38ª Operação da Marinha na Antártica foi realizada uma inspeção para acertar os detalhes da reinauguração da Estação Brasileira Comandante Ferraz no continente gelado, prevista para janeiro de 2020.
Desde a década de 80, por meio do Programa Antártico Brasileiro (Proantar), o Brasil contribui para o desenvolvimento da ciência com pesquisas, principalmente, nas áreas de glaciologia, biologia marinha e meteorologia.
Na última semana, a Agência Brasil mostrou as dificuldades da viagem até a Antártica, desvendou a base brasileira, contou sobre as riquezas antárticas e embarcou no Navio Polar Almirante Maximiano. Mas ainda restam curiosidades sobre o continente polar. O repórter Mauricio de Almeida revela pequenas curiosidades da rotina de quem vive no continente gelado.
Acesse a playlist completa do Diário de Bordo.
Estação Antártica Comandante Ferraz é uma base antártica pertencente ao Brasil localizada na ilha do Rei George, a 130 quilômetros da Península Antártica, na baía do Almirantado, na Antártida. Na foto, Pinguins.
Baía do Almirantado, na Antártida. Na foto, Pinguins. - Alan Arrais/NBR/Agência Brasil
Quando eu recebi a notícia de que iria viajar para a Antártica fiquei um pouco preocupado. Afinal quem nasceu e sempre morou no Rio de Janeiro não está acostumado com o frio. Não tinha a menor ideia de como iria reagir diante de temperaturas negativas. Além de um possível problema de saúde surgiram algumas dúvidas como por exemplo: como vou tomar banho na Antártica? Embarquei sem saber ao certo o que iria encontrar no continente gelado e volto para a casa com vontade de algum dia conseguir retornar ao extremo sul do planeta.

Antes de chegar a Antártica, é claro que você precisa colocar roupas especiais, afinal a temperatura pode atingir menos 40 graus em algumas épocas do ano. Por sorte eu cheguei no verão antártico, quando o termômetro costuma girar em torno dos 6 graus negativos. Pode parecer pouco, mas para a região isso é considerado um dia quente. Esta foi justamente a primeira surpresa que eu tive logo depois de desembarcar no continente gelado. Ainda caminhando na pista do aeroporto da base chilena, o funcionário que nos acompanhava nos deu as boas-vindas e disse: “Vocês deram sorte porque chegaram num dia quente”. Achei que era uma espécie de brincadeira, mas todos que moram na Antártica estavam satisfeitos com o suposto “calor” polar. No alojamento brasileiro na Antártica, encontrei um militar com bermuda e camiseta que estava saindo para correr na praia da Ilha de Rei George, onde fica a Base Brasileira Comandante Ferraz. A imagem me impressionou e cheguei à conclusão de que para quem suporta menos 40 graus, 6 graus negativos é o auge do verão.
Estação Antártica Comandante Ferraz é uma base antártica pertencente ao Brasil localizada na ilha do Rei George, a 130 quilômetros da Península Antártica, na baía do Almirantado, na Antártida
Baía do Almirantado, na Antártida - Alan Arrais/NBR/Agência Brasil
Eu não tenho um perfil antártico então usava o tempo todo as roupas especiais. O problema era vestir o material. Ele é composto por um macacão, casaco, gorro, botas revestidas, óculos escuros e luvas. Todo o equipamento é impermeável e com diversos lacres para evitar a entrada do vento polar. Você precisa vestir sobre a sua roupa mesmo para aumentar a proteção térmica. Pode parecer simples colocar essa roupa, mas não é. A vestimenta chamada de andaina tem um monte de locais para fechar e depois que você coloca a luva grossa fica sem tato algum. Caso algum botão ou zíper não estejam completamente lacrados vai permitir a entrada do gelado vento Antártico e você não vai suportar ficar fora da base. A maior dificuldade mesmo é quando chega a hora de calçar a bota. Ela só entra à força. Um detalhe: você precisa colocar e tirar a roupa várias vezes durante o dia porque dentro da estação a temperatura é aquecida. Ao longo do dia, fazendo minhas reportagens, eu precisava entrar e sair várias vezes da base, então o troca-troca de roupa foi intenso.
Tudo é difícil para um marinheiro de primeira viagem, mas na estação brasileira existe um grupo especial de militares da Marinha, uma espécie de anjo da guarda dos visitantes. Eles nos acompanham o tempo todo e, gentilmente, ajudam os marujos recém-desembarcados no continente gelado. Eles também cuidam da nossa segurança, e sempre caminhamos pelo gelo acompanhados. Esta é uma regra Antártica nunca sair da base sozinho e sem rádio. O clima é muito instável e você pode ficar sem condições de voltar ou sofrer alguma queda no gelo e por isso a comunicação e a companhia podem ser a diferença entre a vida e a morte.
Para evitar sujar o interior da estação existe um vestiário logo na entrada. O primeiro procedimento é mergulhar as botas (ainda calçadas) num balde de água para limpar. Em seguida você tira a bota e deixa no meio de dezenas de botas iguais. Fiquei pensando como iria encontrar a minha depois, mas o grupo da base me orientou a colocar num local destinado aos visitantes e não tive problemas.
Agora vamos a questão do banho. Achei que seria impossível, mas foi uma experiência bem tranquila. Logo na chegada, o chefe da base ensinou como funcionava o sistema de água e consegui tomar um banho normal. Nem parecia que estava num lugar tão gelado. Aliás, dentro da base você pode usar roupas normais porque a temperatura é agradável. Na hora de dormir, os quartos possuem um sistema de aquecimento especial e você escolhe a temperatura. No primeiro dia, nossa equipe não conseguiu ligar o aquecedor e acordamos quase congelados no meio da noite. Mais uma vez os militares do grupo nos salvaram e mostraram como o equipamento funcionava.
Outra preocupação que eu tinha era com a comida, mas a alimentação foi perfeita. A base brasileira tem um grande estoque que é transportado para o local por navios da Marinha. Tudo é cozinhado lá mesmo e a comida é deliciosa.
Comida
Estrogonofe - Mauricio de Almeida - TV Brasil
Na hora de sair da base, você precisa passar protetor solar e reaplicar várias vezes ao dia porque sem ele certamente vai ficar queimado pelos fortes reflexos do sol nas camadas de gelo. O único problema de reaplicar, no meu caso, foi que o protetor congelou durante uma caminhada. Aliás, o protetor labial que eu levei também estava congelado e a tela do celular de um colega de equipe deixou de funcionar por causa do frio. Além disso, o cabo flexível do microfone da câmera ficou duro ao ser exposto a uma fina camada de neve. O cabo congelou, justamente, na hora da minha participação ao vivo no telejornal, e ninguém sabia o que poderia acontecer, mas a transmissão foi perfeita debaixo da neve. Tudo muito normal: afinal você está na Antártica.
Por Mauricio de Almeida
Com informações da TV Brasil

Fortaleza e Ceará se enfrentam em Clássico-Rei decisivo na Série A

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Este 10 de novembro de 2019 é daqueles dias que a rotina de uma cidade inteira fica diferente. Não à toa que o domingo começou mais cedo para torcedores de Fortaleza e Ceará. Seja na praia, no tradicional almoço em família ou em reunião de amigos na mesa de um bar, o assunto entre os apaixonados por futebol na capital alencarina é um só. Hoje é dia de Clássico-Rei!

Tanto é que até o Enem (Exame Nacional do Ensino Médio), que hoje terá o segundo e último dia de provas, acaba ficando em segundo plano para torcedores ávidos pela manutenção na Série A do Campeonato Brasileiro. Às 19 horas, quando a bola rolar no gramado da Arena Castelão, tricolores e alvinegros verão mais uma edição do centenário clássico num encontro que rememora o passado, mas que nesta edição está diretamente ligado ao futuro.

A partida de número 579 entre Leão e Vovô tem muita coisa em jogo. Por si só, o duelo já possui os elementos necessários para garantir emoção de sobra. Sendo ainda um confronto direto entre dois times que, restando somente sete jogos para o fim do campeonato, disputam, ponto a ponto, a manutenção na elite do futebol nacional.

Ceará e Fortaleza estão rigorosamente empatados na tabela em número de pontos (36), vitórias (10), empates (6) e derrotas (15). O Vovô leva a melhor no saldo de gols (1 x -6), e por isso ocupa a 13ª colocação, enquanto o Leão vem logo atrás, em 14º.

A distância de ambos para a zona de rebaixamento, porém, é de somente três pontos. O óbvio está posto. Quem vencer, além de garantir maior tranquilidade na luta pela permanência, empurra o rival para uma situação ainda mais complicada. Empate, porém, pode acabar complicando todo mundo.

O contexto do Clássico-Rei mudou drasticamente na última rodada. É óbvio que os dois times possuem grande necessidade de vitória, mas se antes o Ceará era quem teria maior responsabilidade de triunfo, agora é o Fortaleza quem se vê mais pressionado pelos três pontos.

Muito pelos resultados do meio de semana, em que o Vovô venceu o Internacional e o Tricolor do Pici perdeu para o Corinthians.

Buscando recuperação

O empate com o Atlético/MG e a derrota para o Corinthians ligaram o sinal de alerta no Fortaleza. Se chegou a abrir vantagem de cinco pontos para o Z-4, o Tricolor agora tem chances de terminar a 32ª rodada dentro da zona da degola.

Os resultados recentes foram ainda mais frustrantes pela forma como aconteceram. Contra o Galo, estava vencendo até os 41 minutos do 2º tempo. Contra o Timão, teve boa atuação, mas não venceu por contas de falhas defensivas.

O técnico Rogério Ceni terá a missão de fazer o time voltar a apresentar o futebol envolvente e de imposição que o torcedor se acostumou a ver. Para isso, ele não poderá contar com o meia Marlon, suspenso pelo terceiro cartão amarelo. Por outro lado, conta com o retorno de importantes jogadores como Wellington Paulista e André Luis, que não atuaram contra o Timão.

“A gente sabe da importância do jogo, sabe que vai ser um jogo muito difícil. O quanto mais rápido a gente fizer a pontuação que dá a nossa permanência, melhor. Agora, a gente tem que pontuar porque vai nos dá confiança para o decorrer do campeonato”, destacou o atacante Romarinho

A partida será especial para o zagueiro Juan Quintero, que completará 50 jogos com a camisa leonina.

Pra seguir no embalo

O Ceará vem motivado por bons resultados recentes. Nos últimos cinco jogos, foram três vitórias, um empate e somente uma derrota. O recente triunfo sobre o Internacional fez o Alvinegro ultrapassar o rival e chegar para o clássico com motivação mais elevada.

“Não só para mim, mas para todos nós do elenco é jogo importantíssimo. Se trata de um jogo diferente. É em um momento de definição da Série A, com o campeonato se afunilando e os dois clubes com a mesma pontuação. Em um jogo como esse, um clássico, sem duvida que a ansiedade aumenta, mas é trazer para o lado bom, pois um jogo como esse dá um motivação natural”, declarou o meia Felipe Silva.

O Camisa 10 será titular e, com ótimas atuações recentes, é um dos trunfos do time de Adilson Batista, que não poderá contar com dois jogadores. O atacante Bergson e o volante Pedro Ken foram advertidos com o terceiro cartão amarelo da série na partida contra o Internacional e não poderão atuar contra o maior rival.

As maiores preocupações do treinador alvinegro ficam por conta de dois jogadores do sistema defensivo. Luiz Otávio e William Oliveira sentiram dores na partida contra o Inter e acabaram sendo substituídos durante a partida, sendo dúvidas para o jogo de hoje. Se não atuarem, Eduardo Brock e Auremir devem ganhar chance no time titular.

Festa dos mosaicos

A promessa é de uma Arena Castelão lotada. Por ser mandante, o Fortaleza detém 70% dos ingressos e terá maioria nas arquibancadas e os tricolores esperam que isso possa fazer a diferença.

O aporte financeiro veio de todos os lados: através de empresas parceiras, iniciativas privadas e até rifas entraram na cota a fim de colaborar com a festa.

O Diário do Nordeste apurou que os torcedores do Leão preparam três mosaicos para a partida. O fato é que o Leão, mascote do Fortaleza, será estampado em um dos mosaicos com bastante papel picado, TNT e um show pirotécnico, cenário costumeiramente traçado para os principais jogos do clube ao longo desta temporada.

Mesmo em menor número, a torcida do Ceará não ficará atrás. A reportagem apurou que as torcidas organizadas do clube se reuniram para montar um mosaico em homenagem aos artilheiros históricos do clube, Mota e Sérgio Alves. O objetivo é reviver os “fantasmas do arquirrival” e tem inspiração em arranjos preparados pelo time alemão Borussia Dortmund, no campeonato nacional.

Certo é que a festa nas arquibancadas será mais um elemento para apimentar um Clássico-Rei, já histórico por tudo que foi comentado. Para o alívio – ou tensão – dos torcedores, o dia chegou.

Por André Almeida
Com informações do Diário do Nordeste

Brasil gera 79 milhões de toneladas de resíduos sólidos por ano

Rio de Janeiro - Microlixo vindo do mar coletado na areia da praia de Botafogo. (Fernando Frazão/Agência Brasil)
No Brasil, em 2018, foram geradas 79 milhões de toneladas de resíduos sólidos urbanos, um aumento de pouco menos de 1% em relação ao ano anterior. Desse montante, 92% (72,7 milhões) foram coletados - uma alta de 1,66% em comparação a 2017, o que mostra que a coleta aumentou num ritmo um pouco maior que a geração. Apesar disso, 6,3 milhões de toneladas de resíduos ficaram sem ser recolhidos nas cidades.

Os dados fazem parte do Panorama dos Resíduos Sólidos, da Associação Brasileira de Empresas de Limpeza Pública e Resíduos Especiais (Abrelpe), lançado hoje (8). Comparando com os países da América Latina, o Brasil é o campeão de geração de lixo, representando 40% do total gerado na região (541 mil toneladas/dia, segundo a ONU Meio Ambiente).

“Os números mostrados no panorama colocam o Brasil numa posição muito abaixo de outros países que estão no mesmo nível de renda do Brasil. O nosso déficit é muito grande e nós precisamos realmente de medidas urgentes para não só recuperar esse déficit, como avançar em direção a melhores práticas de gestão de resíduos sólidos”, disse o presidente da entidade, Carlos Silva Filho.

Os resíduos sólidos urbanos abrangem o lixo doméstico e a limpeza urbana - coletados nas cidades pelos serviços locais.

A tendência de crescimento na geração de resíduos sólidos urbanos no país deve ser mantida nos próximos anos. Estimativas realizadas com base na série histórica mostra que o Brasil alcançará uma geração anual de 100 milhões de toneladas por volta de 2030.

“Há uma consolidação na geração de resíduos sólidos, o que não está sendo acompanhada na oferta da infraestrutura necessária para lidar com todos esses resíduos. O que a gente percebe é que a geração de lixo aumenta no Brasil, mas a destinação adequada, a reciclagem, a recuperação, não acompanham esse crescimento na geração”, avaliou Silva Filho.

Coleta ameaçada
Lixão da Estrutural
Em 2018, 29,5 milhões de toneladas de resíduos sólidos urbanos seguiram para lixões - Wilson Dias/Arquivo Agência Brasil

De acordo com o estudo, há um contingente considerável de pessoas que não são alcançadas por serviços regulares de coleta porta a porta: 1 em cada 12 brasileiros não tem coleta regular de lixo na porta de casa.  

Na visão do presidente da Abrelpe, a falta de recursos dos municípios é um dos motivos. “Temos dois problemas, um é justamente a falta de percepção da importância da gestão adequada de resíduos sólidos para proteger o meio ambiente e para prevenir doenças, não existe essa percepção clara na sociedade e no Poder Público. O segundo fator, que é mais grave, é que, como esse serviço é municipal e os municípios estão bastante endividados, não têm recursos para custear todo esse processo”, lamenta Silva Filho.

A estagnação ou o retrocesso de alguns índices é potencializado pela falta de recursos destinados para custeio dos serviços de limpeza urbana que, em 2018, registrou queda de 1,28% de investimentos, além da perda de quase 5 mil postos de trabalho direto/formal. Para a execução de todos os serviços de limpeza urbana foram aplicados pelos municípios apenas R$ 10,15 por habitante/mês, em média.

De acordo com o estudo, o país utiliza o aterro sanitário como forma de disposição ambientalmente correta (59,5% do volume coletado). Entretanto, mais de 3 mil municípios ainda destinam seus resíduos para locais inadequados.

Em 2018, 29,5 milhões de toneladas de resíduos sólidos urbanos seguiram para lixões ou aterros controlados, que não contam com um conjunto de sistemas e medidas necessários para proteger a saúde das pessoas e o meio ambiente contra danos e degradações. Considerando países com a mesma faixa de renda (países de média-alta renda, segundo classificação do Banco Mundial), o Brasil apresenta índices bastante inferiores, pois a média para destinação adequada nessa faixa de países é de 70%.

Conscientização ambiental
A Abrelpe enfatiza que a coleta seletiva está distante de ser universalizada, e que os índices de reciclagem estão estagnados há quase uma década. Para a entidade, enquanto o mundo fala em economia circular e alternativas mais avançadas de destinação/reaproveitamento de resíduos, o país ainda registra lixões em todas as regiões e precisa lidar com um problema de comportamento da população: o brasileiro ainda está aprendendo a jogar lixo no lixo e a fazer a separação do resíduo com potencial de reciclagem.

“Na questão da reciclagem, para que ela aconteça, a primeira etapa começa justamente com o cidadão, que precisa estar conscientizado da necessidade de separar o lixo dentro de casa, estar educado de como fazer essa separação de maneira correta e a grande maioria da sociedade brasileira não tem essa consciência. A partir do momento que não há essa preparação dentro de casa, toda a sequência na cadeia da reciclagem acaba sendo prejudicada”, avaliou o presidente da Abrelpe.

Por Ludmilla Souza
Com informações da Agência Brasil