1 de abril de 2020

Covid-19: veja como cada estado determina o distanciamento social

Forças Armadas promovem ação de desinfecção no Hospital Regional da Asa Norte (HRAN), uma das medidas adotadas para prevenir a contaminação pelo novo coronavírus
Com a adoção das medidas de isolamento social para combater a disseminação do novo coronavírus (covid-19) o termo quarentena passou a ser empregado também de forma comum para se referir ao cenário de fechamento de diversos estabelecimentos. Contudo, essa providência não existe no Brasil como um todo e nem em todos os estados.
Portaria 356, do Ministério da Saúde, de 11 de março, disciplina as iniciativas que podem ser adotadas para o combate à epidemia do vírus no país.
O isolamento é definido como a ação que “objetiva a separação de pessoas sintomáticas ou assintomáticas, em investigação clínica e laboratorial, de maneira a evitar a propagação da infecção e transmissão local”. Ela só pode ser definida por prescrição médica.
Já a quarentena, tem como objetivo “garantir a manutenção dos serviços de saúde em local certo e determinado”. E tem de ser determinada por secretarias de Saúde de estados e municípios ou pelo Ministério da Saúde, e pode durar 40 dias, prorrogáveis, se necessário.
No Boletim Epidemiológico 5 do Ministério da Saúde, de 14 de março, o órgão estabeleceu a quarentena quando a ocupação dos leitos de Unidade de Terapia Intensiva (UTI) chegar a 80% da capacidade mobilizada para resposta à covid-19.
Cada estado utiliza termos específicos para se referir às medidas de distanciamento social. A Agência Brasil traz a seguir cinco exemplos, a partir da seleção das cinco unidades da federação com mais casos confirmados de coronavírus no país.

São PauloFarmácias continuam funcionando em São Paulo no período de qu

Farmácias continuam funcionando em São Paulo no período de quarentena - Rovena Rosa/Agência Brasil

Dos estados com mais casos, São Paulo é o único que adota o termo quarentena. O estado é também o epicentro da pandemia no país, com 2.339 casos e 136 mortes. O  Decreto 64.881, de 22 de março, assinado pelo governador João Doria, define que “medida  de  quarentena  no Estado  de  São  Paulo,  consiste  em  restrição  de  atividades  de  maneira  a  evitar  a  possível contaminação ou propagação do coronavírus”.
A quarentena começou a vigorar na semana passada, e suspendeu atividades de comércio, shoppings, eventos, atividades culturais e boates. Foram mantidos estabelecimentos como supermercados, farmácias, padarias, clínicas, postos e serviços de logística.

Rio de Janeiro

Setores do comércio são autorizados a reabrir no Rio de Janeiro

Setores do comércio são autorizados a reabrir no Rio de Janeiro - Fernando Frazão/Agência Brasil

No Rio de Janeiro, o Decreto 47.006, de 27 de março, disciplinou as “medidas de enfrentamento da propagação decorrente do novo coronavírus”, reconheceu a manutenção da situação de emergência no estado e estendeu as providências por mais duas semanas
Foram suspensos shows, cinemas, eventos, feiras e eventos com grandes aglomerações. Já para bares e restaurantes a recomendação é permitir lotação de apenas 30%. A Lei 8.770 de 23 de março, prevê a possibilidade de requisição de quartos de hotéis e pousadas privados para cumprimento de quarentena ou isolamento e define que o estado segue as orientação do Ministério da Saúde.

Distrito Federal

 covid-19; novo coronavírus; GDF; fechamento de shoppings de Brasília

Para evitar o contágio pela covid-19 o governo do Distrito Federal decretou o fechamento de todos os shoppings - Marcello Casal Jr/Agência Brasil

Decreto 40.550, de 23 de março, fixa as “medidas para enfrentamento da emergência de saúde pública de importância internacional decorrente do novo coronavírus” . A norma indica as atividades cujo funcionamento ficou suspenso - como eventos, cinema, teatro, aulas, academias, shoppings e estabelecimentos comerciais - e aquelas que permanecem autorizadas - supermercados, padarias, clínicas, postos e lojas de material de construção.
No dia 27 de março, por meio do Decreto 40.570 o governador Ibaneis Rocha anunciou a abertura de lotéricas e lojas de conveniência.

Ceará

No Ceará, o Decreto 33.519, de 19 de março, “intensifica medidas de restrição”, vedando o funcionamento de serviços não essenciais, como comércio, templos, igrejas, academias, shopping centers, feiras, barracas de praia e outros locais que permitem aglomerações. No dia 28 de março, o governador Camilo Santana prorrogou a vigência até o dia 5 de abril.
A quarentena é prevista no decreto como um instrumento passível de adoção pelo governo, caracterizada como “restrição de atividades ou separação de pessoas suspeitas de contaminação das demais que não estejam doentes, ou ainda bagagens, contêineres, animais e meios de transporte, no âmbito de sua competência, com o objetivo de evitar a possível contaminação ou a propagação do coronavírus”.

Minas Gerais

Em Minas Gerais, o Decreto 47.886, de 15 de março, estabelece “medidas de prevenção ao contágio e de enfrentamento e contingenciamento” da epidemia. A norma cria um comitê gestor do Plano de Prevenção e Contingenciamento, formado por diversos secretários. Já o Decreto 47. 891, dia 20 de março, reconheceu o estado de calamidade pública.

As normas estaduais elencam os segmentos que não podem funcionar, como shoppings, boates e centros culturais, e os que podem como coleta de resíduos, supermercados, postos e farmácias. O desrespeito a essas medidas pode implicar em sanção administrativa, como multa, ou até mesmo prisão em alguns casos.
A administração estadual anunciou na semana passada um estudo para avaliar a abertura de alguns setores. Depois de um questionamento do Ministério Público de Minas Gerais, a Secretaria de Saúde recomendou que as medidas de isolamento sejam estendidas até o dia 13 de abril.
Por Jonas Valente 
Com informações da Agência Brasil

Coronavírus: Ceasa garante abastecimento normal; feijão sofre elevação de preço

Com o período de isolamento social devido ao coronavírus (Covid-19), o consumo das famílias cearenses se elevou. Mesmo com a constante busca por alimentos, a Central de Abastecimentos do Ceará S/A (Ceasa-CE) continua com um abastecimento normal para o período, que historicamente apresenta uma queda de 2% a 3,5% na oferta, avalia Odálio Girão, analista de mercados.
Bolsonaro publicou um vídeo de um homem que apontava o desabastecimento no Ceasa, em Belo Horizonte (MG). No entanto, a ministra da Agricultura, Tereza Cristina, tem afirmado que não há risco de desabastecimento.
Para o analista, o mercado está equilibrado neste momento e segue sem nenhum "desabastecimento acentuado", mesmo diante do cenário de pandemia. Ele aponta que algumas colheitas foram amenizadas, principalmente a dos grãos, e isso afetou os preços de produtos como o feijão, que passou de R$ 5 para R$ 6.
"Neste período, os grãos tiveram uma redução nas colheitas, como é o caso do feijão carioquinha, que é produzido no Paraná, o preço  foi de R$ 5 para R$ 6 e isso o consumidor já está sentindo no bolso. Até mesmo o feijão de corda, que é produzido aqui no Nordeste também se elevou", comenta.
Outros produtos que tiveram "majoração" nos preços foram: a cenoura, a batata-inglesa e a cebola.
Abastecimento
De acordo com Girão, os produtores locais também estão auxiliando no abastecimento, como é o caso dos produtores da Serra da Ibiapaba, que estão enviando itens como maracujá, limão, pimentão, tomate e hortaliças.
Ele ainda pontua que os produtos no Ceará vindo de outras regiões do País estão chegando em boa escala e que muitos comerciantes locais possuem câmaras frias que auxiliam a preservar os itens.
"Os outros estados estão mandando itens em nível suficiente para manter o mercado abastecido. Além disso os comerciantes locais tem câmaras frias  que podem guardar grandes quantidades de produtos frescos", relata.
 
Desabastecimento

O analista de mercados, comenta que em relação ao desabastecimento  é preciso avaliar as medidas a serem adotadas pelo Governo nas próximas semanas. O abastecimento local só seria afetado caso a logística de entregas do País sofressem alterações e houvesse queda na produção de outros estados.
"A única coisa que pode afetar é a queda na produção de outros estados e a logística. E, a questão da logística é se caso haja uma interrupção de fronteiras com outros estados e, se tenha uma contenção de veículos, já que a maior parte das entregas são feitas por via terrestres", analisa.

Com informações do Diário do Nordeste

Governo prorroga prazo de entrega da declaração do IR por dois meses

Brasília - Receita Federal libera o programa da Declaração do Imposto de Renda Pessoa Física 2016, ano-base 2015 (Marcelo Camargo/Agência Brasil)
Cerca de 32 milhões de pessoas físicas ganharam mais dois meses para entregarem a declaração do Imposto de Renda Pessoa Física. O prazo, que acabaria em 30 de abril, foi estendido para 30 de junho, anunciou há pouco o secretário da Receita Federal, José Barroso Tostes Neto.
Segundo o secretário, apesar de a entrega das declarações neste ano estar em ritmo superior ao do mesmo período do ano passado, a Receita concordou em prorrogar o prazo depois de ouvir relatos de contribuintes confinados em casa com dificuldades em obter documentos na empresa ou de conseguir recibos com clínicas médicas para deduzirem gastos.
“O ritmo de entrega continua bom. Até ontem, tínhamos recebido 8,8 milhões de declarações, 400 mil a mais que no mesmo período do ano passado. Isso representa 27% do esperado. Porém decidimos pela prorrogação por demanda de contribuintes confinados em casa, mas que relatam a falta de documentos ou documentos que estão na empresa, no escritório ou na clínica. Eles estão com dificuldade momentânea de obter todos os documentos necessários”, explicou.
Tostes também anunciou a total desoneração, por 90 dias, de Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) sobre operações de crédito. A medida terá como objetivo baratear as linhas emergenciais de crédito já anunciadas pelo governo. Segundo ele, o governo deixará de arrecadar R$ 7 bilhões com a desoneração.
A última medida anunciada pelo secretário foi o adiamento das contribuições de abril e de maio para o Programa de Integração Social (PIS), o Programa de Formação do Patrimônio do Servidor Público (Pasep), para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins) e da contribuição patronal para a Previdência Social, paga pelos empregadores. As parcelas só serão pagas de agosto a outubro, permitindo a injeção de R$ 80 bilhões na economia. 
Por Wellton Máximo
Com informações da Agência Brasil

28 de março de 2020

Especialista esclareceu que as complicações na COVID-19 são diferentes para cada tipo de doença pré-existente.

O médico infectologista Renato Kfouri, vice-presidente da Sociedade Brasileira de Imunizações (SBIm), explicou à CNN, neste sábado (28), como o coronavírus afeta o organismo das pessoas do grupo de risco por conta de comorbidades. O especialista esclareceu que as complicações são diferentes para cada tipo de doença pré-existente. 

Diabetes 
 
"No caso dos diabéticos, de uma maneira geral, o fato da glicemia estar muito elevada vai causando uma lesão na parede dos vasos de todo o corpo", explica. "Então há uma deterioração da circulação e da resposta imune do diabético, por isso que grande parte das infecções que existem acometem com maior gravidade o diabético - especialmente quando mais descontrolado".

Doenças pulmonares

Nesse grupo, o especialista incluiu pessoas com doenças pulmonares como enfisema, bronquite crônica, e ainda os fumantes. "Quando o vírus atinge o pulmão levando a uma pneumonia em cima de um pulmão que já tem sua capacidade de reserva reduzida, a função pulmonar - que traz o oxigênio para dentro e oxigena nosso sangue - acaba sendo muito mais comprometida. Ele já trabalha no limite e, com agravo em cima dessa situação, piora".

Doença cardíacas

"Quem tem doenças coronarianas ou cardíaca é a mesma coisa. O coração já está funcionando em um trabalho limite, dentro de uma insuficiência cardíaca de algum grau, e qualquer sobrecarga é motivo de descompensação",

Outros casos

O câncer baixa muito a resistência com o tratamento de quimioterapia, os transplantados que ainda não tiveram o sistema imunológico totalmente restabelecido, quem usa drogas que reduz imunidade, além de pessoas com lúpus o qualquer condição que reduza a imunidade também estão no grupo no risco.

Com informações da CNN Brasil

Diálogo e rotina são essenciais para crianças durante quarentena


A vivência em isolamento, causada pela pandemia da Covid-19, provoca ainda mais questionamentos sobre como lidar com as crianças nesse período, protegendo-as, mas sem prejudicar seu desenvolvimento nem as tornar alheias à situação.
As primeiras questões abarcam a própria compreensão acerca da pandemia do coronavírus: como explicar para as crianças? De acordo com o doutor em Psicologia e professor da Universidade de Fortaleza (Unifor), Lucas Bloc, a explicação deve ser feita de acordo com a idade. "Às vezes, a gente tem uma falsa ideia de que as crianças não entendem as coisas, mas elas percebem a nossa tensão, o estresse, e às vezes, o noticiário. Então a primeira coisa é utilizar esse contato pra falar sobre o assunto de uma forma lúdica, por exemplo", diz.
Ele pontua que crianças de até três ou quatro anos têm maior dificuldade para compreender o que significa adoecer, uma gripe, e como isso afeta as pessoas. "Quando a gente chega a uma idade entre a infância e a adolescência, eles já estão muito ligados nas redes sociais e na Internet, e aí que a atuação dos pais precisa ser mais assertiva, de conscientizá-los e orientar, e propor atividades em casa".
Um guia, divulgado pelo Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef), sugere abordar os pequenos, convidando-os a falar sobre o assunto, descobrindo quais dúvidas eles têm e o quanto já sabem sobre o tema. Conforme a publicação, é preciso deixá-los seguros para conversar com o adulto, ressaltando que é normal sentir medo. Caso a criança seja muito nova e não tenha ouvido falar sobre o coronavírus, reforce sobre boas práticas de higiene.
O grande desafio, segundo o psicólogo, é minimizar o impacto da grande ruptura que acontece atualmente. Pai de um menino de dois anos, o especialista aponta como ponto positivo, neste momento, a vivência em família.
"Uma das coisas que eu acho importante é a gente se respeitar como pais, inicialmente. Que evitem o excesso de informações, que acaba afetando tanto eles quanto os filhos, psicologicamente, e não se martirizar tanto, não se culpar porque em algum momento vai recorrer a algo que normalmente não faria, como deixar o filho usar o celular. E uma última recomendação seria o diálogo em família, que protege e permite que todo mundo enfrente a situação juntos", avalia.
Construindo a rotina
A manutenção da rotina é essencial para as crianças durante o período de isolamento, conforme análise da psicopedagoga Ticiana Santiago, professora da Universidade Federal do Ceará (UFC). Manter os horários de dormir e de se alimentar torna-se particularmente necessário porque é dessa forma que os pequenos constroem a noção de tempo, regulando a passagem das horas e dos dias da semana.
Ela recomenda desenhar um quadro e ir construindo a rotina, especificando o que deve ser feito a cada dia, de forma a estimular as crianças a se autorregularem. "Isso acaba contribuindo para a dinâmica da própria família, então é uma atividade simples, mas que pode ser feita com todos os familiares, para que as crianças entendam", explica.
A psicopedagoga enfatiza, ainda, a importância de manter algumas atividades-padrão básicas da rotina antiga para manter um sentimento de segurança nas crianças. Ela acrescenta que deve ser proporcionado um momento para a ludicidade, que pode incluir a contação de histórias, música, e o uso de brinquedos que as crianças tenham. "A brincadeira é um recurso muito importante para o desenvolvimento e pra elaboração dos medos e angústias delas, que podem ser expressados", diz.
Também é essencial manter atividades que tenham movimento para o corpo. "Tem yoga para crianças, tem treinamentos, circuitos que você pode fazer em casa. A criança se expressa muito pelo movimento. Ela tem muita energia, e se não gastar esse acumulado, não vai dormir bem", detalha Ticiana Santiago.
Já em relação às atividades educativas, ela ressalta que, embora muitas escolas elaborem modelos e tarefas e enviem para os pais, é necessário ter atenção para que as crianças não fiquem limitadas ao conteúdo, mas explorem a experiência educativa. "São jogos pedagógicos, literatura, construção, experimentos, a própria culinária. Por exemplo, quando for fazer um bolo, quantas xícaras de farinha é pra usar? Trazer isso para o cotidiano delas".
Proteção
O cuidado em relação à proteção deve acontecer sem pavor. "As atividades de higiene devem ser feitas com tranquilidade, colocando como processo de saúde. Deve-se explicar para as crianças o que é saúde", sugere. Ou seja, ensinar que é preciso lavar as mãos com água e sabão regularmente e usar o álcool em gel como forma de proteção às doenças. O não sair de casa, por exemplo, deve ser explicado como forma de garantir o não adoecimento.
Já para quem tem muitos filhos em casa, é importante reservar um momento para cada um deles, para que, além das atividades em conjunto, possam se sentir singularizados e se expressar diante de uma dificuldade ou de um novo aprendizado. No que diz respeito à coletividade, a família pode propor à criança de algo em conjunto, como uma 'obra de arte', um jogo ou uma comida.
A psicopedagoga Ticiana Santiago sugere, ainda, a aproximação com os membros idosos da família, uma vez que o contato com avôs e avós é benéfico também para a saúde mental de pessoas com idade avançada. "Ver fotografias, imagens antigas, escrever uma cartinha e mandar para eles. É muito importante cuidar da saúde mental deles, mesmo sem o encontro presencial".
Recursos
Cada atividade na família da dona de casa Renata Teixeira, 37, é pensada em triplo. Ela relata que escolheu abordagens diferentes para explicar aos filhos Daniel, 7, Bernardo, 4, e Lara, 2, sobre o novo dia a dia em isolamento. "Com o mais velho, a gente já procura conversar com ele sobre a situação, até porque a gente sabe que é uma coisa que ele vai levar para o resto da vida, vai poder contar para os filhos dele que viveu a época do coronavírus e que não podia sair de casa", diz. Por um lado, ela percebe a dificuldade em fazer as crianças entenderem a restrição de não sair para brincar com os amigos no parquinho do residencial.
No caso de Daniel, a escola tem enviado tarefas online para serem feitas em casa, o que, segundo Renata, ajuda a manter a rotina. "É um pouco mais flexível. Ele tem podido jogar videogame, o que não fazia durante a semana. Mas de tarde, no horário em que ele normalmente estaria na escola, ele senta pra fazer as tarefas. Tem o lado positivo, que é poder estar bem mais perto deles".
Ela explica que tem aproveitado recursos online para diversificar a programação em casa, como o curso gratuito de desenho. Para os mais novos, são oferecidos vídeos ao vivo de contação de histórias pela rede social Instagram que, segundo a dona de casa, são uma oportunidade de entreter as crianças.
Com viagem para a Ásia marcada, Renata conta que, antes de iniciar o período de isolamento, os colegas de classe de Daniel comentavam o assunto. "Eu conversei bastante com ele, essa questão de não deixar as pessoas colocarem tanto medo nele. Ele perguntava 'mãe, a gente vai pegar coronavírus?'", lembra.
A viagem foi cancelada, e os avós das crianças, que moram em outro Estado, viriam para passar uma temporada com os netos. Essa vinda, porém, também foi cancelada. "Minha mãe é um caso suspeito, vai até fazer o teste. Então, eles sentiram mais essa falta dos avós", revela.
Orientação deve priorizar linguagem da criança
Um desafio ainda maior é fazer com que crianças com autismo compreendam a vida na quarentena. Deixar de ir à escola, restringir contatos físicos e ficar momentaneamente sem terapia psicológica. Ações necessárias no momento devido à pandemia de coronavírus, mas que quebram padrões de rotinas e, no caso das crianças com autismo, essa interrupção demanda maior atenção dos pais. A pedagoga Fernanda Cavalieri, integrante da Associação Fortaleza Azul explica que para proteger as crianças é necessário nas tentativas de orientação, sobretudo, adotar linguagens que façam sentido e facilitem o entendimento.
"Algumas crianças com autismo têm deficiência intelectual também, então temos que facilitar essa linguagem. E ao mesmo tempo, eles têm facilidade com os sistemas visuais. Então, através de história, de vídeos se torna de fácil compreensão para eles para explicar sobre o coronavírus". De acordo com ela, uma das estratégias é explicar de forma concreta, através de desenhos, por exemplo, atitudes práticas como a necessidade de ficar em casa e de lavar as mãos.
Esse público, enfatiza Fernanda, acaba sendo vulnerável por não terem tanto noção de perigo, de riscos e distanciamento. "Meus filhos são muito próximos, muito carinhosos e também têm uma busca oral muito forte devido à questão sensorial. Então, querem colocar coisas na boca. Passa a mão em objetos e depois põe na boca. É um risco por conta da higiene, não sabe se esquivar se alguém tossir próximo", explica.
Para crianças com autismo, manter a rotina é ainda mais importante. "Temos que tentar manter a rotina deles o mais próximo possível do cotidiano. Rotina de sono, de alimentação, horário de fazer tarefa mais didática na hora que geralmente vai para a escola. Manter muito próximo".
Mas, ainda assim, explica Fernanda Cavalieri, apesar das tentativas dos pais de tentarem garantir rotinas semelhantes aos dias de normalidade, muitas crianças com autismo têm entrado em crise nas últimas semanas, pois não conseguem compreender as limitações de circulação, as restrições de encontros e a suspensão das atividades escolares.

Por Bárbara Câmara
Com informações do Diário do Nordeste

Governador prorroga decreto estadual de isolamento social por mais sete dias

Camilo assina decreto e bloqueia recursos para associações de ...
Em transmissão ao vivo pelas redes sociais na tarde deste sábado (28) o governador Camilo Santana anunciou a prorrogação, até o domingo da próxima semana (5), do Decreto Estadual que, entre outras medidas para conter a pandemia de coronavírus (Covid-19), mantém o isolamento social em todo o território cearense.
“Não tenho dúvida que tomo a decisão mais correta nesse momento para proteger os cearenses”, avaliou o governador. “A partir de dados científicos e técnicos que nossos especialistas em saúde estão nos orientando, das orientações da Organização Mundial da Saúde, e a partir de experiências que o mundo inteiro está vivendo, tomei a decisão de renovar o decreto por mais sete dias, valendo até domingo da próxima semana o isolamento social aqui no Estado do Ceará”.
Camilo Santana ressaltou que o que está em jogo neste momento é a vida das pessoas e isso, destacou, precisa estar em primeiro lugar. “As decisões não podem ser tomadas pelo ponto de vista partidário ou ideológico, mas pelo ponto vista científico, técnico, por orientação dos especialistas que entendem desse tipo de pandemia. São essas pessoas que estudam, vivem nessas áreas e conhecem a realidade”.

Diálogo

A decisão foi anunciada após o governador participar de reunião remota com o Comitê dos Poderes, composto pelo presidente do Tribunal de Justiça, Washington Luis Bezerra de Araújo; presidente da Assembleia Legislativa do Ceará, José Sarto; chefe do Ministério Público Estadual, procurador geral Emanuel Pinheiro; e o prefeito de Fortaleza, Roberto Cláudio.
Também neste sábado Camilo Santana se reuniu com membros das áreas econômica e social do Estado e, ainda pela manhã com especialistas em saúde. “Temos uma equipe técnica que tem me mostrado todos os números do Covid-19 aqui no Ceará. É uma equipe de especialistas altamente competentes, liderada pelo secretário da Saúde Dr. Cabeto”, reconheceu o governador. “Ontem tive reuniões com o setor produtivo do Ceará. Meu comportamento tem sido de dialogar, conversar e ouvir as demandas e anseios de cada setor. Isso é fundamental num momento de crise. Precisa de diálogo, ouvir e construir conjuntamente as decisões”.
O governador Camilo Santana destacou, ainda, que continuam funcionando os serviços essenciais da indústria e comércio. “Todas as atividades essenciais à vida da população permanecem funcionando, toda a sua cadeia. Desde a produção de alimentos, a distribuição, logística, supermercados. Da mesma forma para as áreas da saúde, segurança e higiene, todas permanecem funcionando, porque são essenciais para a cadeia de funcionamento da sociedade cearense. O decreto prevê isso. Vamos permanecer com todas essas atividades para atender supermercados, farmácias e todas as necessidades básicas da população”, assegurou.
“Continuo orientando a população a evitar aglomerações. Só saiam de casa para as necessidades básicas. Os idosos precisam ser protegidos nesse momento e nós continuamos com todas as recomendações que temos feito ao longo dessas semanas aqui no Estado do Ceará”, afirmou o governador Camilo Santana.
Com informações do Governo do Ceará

Brasil tem 3.904 casos e 114 mortes por covid-19

O ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta,atualiza dados em coletiva de imprensa  sobre à infecção pelo novo coronavírus no Brasil
A covid-19 já foi diagnosticada em 3.904 pessoas no Brasil, tendo resultado na morte de 114 vítimas. Com isso, a taxa de letalidade da doença no país está em 2,8%, segundo balanço do Ministério da Saúde, divulgado neste sábado (28).
No balançode ontem (27), o número de diagnosticados estava em 3.417, e o de mortes em 92 (taxa de letalidade de 2,7%). O número de casos registrados nas últimas 24 horas, portanto, soma 487.
São Paulo é o estado com maior número de infecções comprovadas, com 1.406 casos e 84 óbitos, com taxa de letalidade em 6%. Apesar de ter os maiores números absolutos, São Paulo tem taxa de letalidade menor que o Piauí, que soma 11 casos e uma morte, com índice de letalidade em 9,1%; e que Pernambuco (68 casos, cinco mortes e letalidade em 7,3%).
O segundo estado com mais casos absolutos confirmados é o Rio de Janeiro, com 558 pessoas infectadas e 13 óbitos (letalidade em 2,3%). Minas Gerais vem em terceiro lugar, na contabilidade dos casos, com 558 comprovações, mas sem mortes registradas até o momomento.
Veja como os casos estão espalhados por região no país:
Casos por região do país em 28/3

Perfil dos infectados

Com relação à faixa etária, 90% dos óbitos foram de pessoas com idade acima de 60 anos (91 casos). Seis óbitos foram de pessoas com idade entre 40 e 59 anos; e quatro, de pessoas com idade entre 20 e 39 anos.
Considerando os grupos de riscos, 84% dos óbitos são de pacientes que apresentavam pelo menos um fator de risco.
De acordo com o ministério, 59 óbitos ocorreram com em pessoas com algum tipo de cardiopatia. "Essa é uma doença que às vezes apresenta poucos sintomas. Mas ao se prolongar ela cansa as pessoas. Temos muitos relatos de pessoas que se dizem cansadas por causa dela. Por isso, em pacientes com cardiopatias, o coração não aguenta. É um vírus que cansa o corpo depois de dias", disse o ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta.
Ainda no âmbito dos grupos de risco, entre os óbitos, 43 tinham histórico de diabetes; 19 de pneumopatia; dez apresentavam doença renal; dez tinham quadro de imunodepressão; sete, doença neurológica; quatro, asma; três, doença hematológica; duas pessoas apresentavam obesidade; uma tinha doença hepática; e uma era puérpera.
Veja a evolução do número de casos no país, desde o registro do primeiro caso:
número de casos por dia em 28/3

Estrutura, respiradores e UTIs

Durante a coletiva, tanto Mandetta quanto  o secretário executivo da pasta, João Gabbardo, elogiaram a estrutura do país em termos de unidades de terapia intensivas (UTIs).
Peguntado sobre se esse otimismo levava em consideração que boa parte dos leitos de UTI está em hospitais privados, o secretário disse existe a previsão de usar os leitos de hospitais privados: “Vamos usar também os leitos das unidades privadas. Se for o caso, vamos pagar por isso”, disse ao ressaltar que o Brasil tem, proporcionalmente, uma quantidade de leitos de UTI acima da de muitos países.
O ministro lembrou que os leitos de UTIs são, muitas vezes, ocupados por pessoas que sofreram traumas e que, com menos pessoas circulando nas ruas em razão do isolamento social, a tendência é que mais leitos estejam disponíveis: “Nossas estradas matam muito. Temos muitos acidentes de trânsito, principalmente de motociclistas. Por isso, com a determinação de paralisação [isolamento social], diminui o número de acidentes e traumas. Sobram, portanto, leitos que podem ser utilizados para essa virose.”
Segundo o secretário Gabbardo, o governo está aumentando em mais 15 mil o número de leitos. “Se precisar vamos colocar mais. Além disso vamos produzir 17 mil respiradores nos próximos meses”.
Gabbardo disse que a preocupação maior é com o risco de, em meio ao embate contra a doença, profissionais da saúde acabarem se contaminando e tendo de se afastar do trabalho. Por esse motivo, há especial preocupação do governo com a aquisição dos materiais de proteção. “O Ministério da Saúde já comprou 45 milhões de máscaras e distribuímos 9 milhões. Estamos com licitação para adquirir mais 200 milhões de máscaras.”, disse.
“Muitos médicos não atuam em apenas um hospital e, ao se afastarem do trabalho, causarão prejuízos a esses hospitais. As roupas para esses médicos são hoje objeto de consumo de todo o mundo”, disse ele ao informar que negociações têm sido feitas com a China visando à importação de diversos tipos de equipamentos.

Cloroquina e hidroxicloroquina

Mandetta voltou a criticar a automedicação, em especial relacionada ao uso da cloraquina e da hidroxicloroquina, medicamentos que já têm prescrição autorizada pelo ministério, em caráter experimental para casos graves de covid-19.
“Esse medicamento, se tomado, pode dar arritmia e paralisar a função do fígado. Então se a gente sair com a caixa na mão dizendo que pode tomar, podemos ter mais mortes por mau uso do medicamento do que pela própria virose”, alertou o ministro.
Por Pedro Peduzzi
Com informações da Agência Brasil

Ministério alerta para risco do uso de cloroquina sem indicação médica

Ministério alerta para risco do uso de cloroquina sem indicação médica
O Ministério da Saúde divulgou uma nota técnica sobre o uso da cloroquina e da hidroxicloroquina em casos graves, com pacientes hospitalizados, infectados pelo novo coronavírus. O protocolo prevê cinco dias de uso, em complemento a outras medidas como auxílio para respirar e medicação contra febre e mal-estar.
O ministério, no entanto, alerta para o risco do uso desses medicamentos, que não devem ser administrados fora dos hospitais. Segundo a nota, dentre os efeitos colaterais, estão lesões na retina, prejudicando a visão, e distúrbios cardiovasculares.
Em coletiva de imprensa neste sábado (28), o ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta, ressaltou que é importante que os medicamentos só sejam usados em casos mais complexos e não para os pacientes em geral. “Esse medicamento pode dar arritmia cardíaca, pode paralisar a função do fígado. Então, se sairmos com a caixa na mão falando 'pode tomar', nós podemos ter mais mortes por mau uso do medicamento do que pela própria virose”, enfatizou.
Apesar de alguns estudos indicarem que os medicamentos podem conter a covid-19, ainda não existem evidências conclusivas sobre os efeitos das substâncias nesse tipo de tratamento.

Distribuição

Ontem (27), o ministério começou a distribuição para os estados de 3,4 milhões de unidades dos dois medicamentos para uso em casos graves de infecção pelo novo coronavírus.
Os remédios já são distribuídos pelo Sistema Único de Saúde (SUS) para o tratamento de malária, que também é uma virose, e de doenças autoimunes (quando o sistema imunológico causa inflamações) como lúpus e artrite reumatoide.
Por Daniel Mello
Com informações da Agência Brasil

Veja a diferença entre emergência em saúde e estado de calamidade

No Eixão Sul painéis luminosos exibem dicas aos motoristas para evitarem o coronavírus
Em meio à pandemia de covid-19 no Brasil, o governo federal está adotando medidas de atenção à saúde da população e à economia. As ações dão efeito à emergência em saúde pública, declarada em fevereiro pelo Ministério da Saúde. Na semana passada, o Congresso Nacional também reconheceu o estado de calamidade pública no país.
Entenda a diferença entre emergência em saúde e estado de calamidade e para que servem os dois atos.
A Emergência em Saúde Pública de Importância Nacional foi declarada pelo Ministério da Saúde por meio da Portaria nº188/2020 após a Organização Mundial da Saúde (OMS) ter declarado Emergência em Saúde Pública de Importância Internacional, em 30 de janeiro de 2020.
Para isso, o ministério considerou a complexidade das situações causadas pela disseminação do coronavírus e a necessidade de esforços e ações de resposta coordenadas em todo os sistemas de vigilância e atenção à saúde. Ou seja, a medida fundamenta todas as ações urgentes de prevenção, controle de riscos e danos à saúde pública.

Duração indeterminada

A duração da situação de emergência é indeterminada e também será definida pelo Ministério da Saúde, mas não será maior que o tempo de emergência declarado pela OMS.
Para dar andamento a essas ações de saúde e também a outras áreas do poder público, o governo federal editou e o Congresso Nacional aprovou a Lei nº 13.979/2020, que traz as medidas de enfrentamento à emergência e a seus efeitos. A lei também só vigora enquanto vigorar a emergência em saúde.
Considerando o aumento de gastos, o impacto dessas medidas para conter o vírus na atividade econômica e a consequente diminuição da arrecadação dos cofres públicos, o governo federal pediu que o Congresso reconhecesse o estado de calamidade pública, que o dispensa de cumprir as metas de execução do orçamento e de limitação de empenho de recursos. O Congresso aprovou o pedido e publicou o Decreto Legislativo nº 6/2020.
O estado de calamidade, entretanto, tem prazo para acabar e vai até 31 de dezembro deste ano.
Por Andreia Verdélio
Com informações da Agência Brasil

23 de março de 2020

Presidente revoga artigo que permitia suspender contrato de trabalho

O presidente Jair Bolsonaro avisou há pouco nas redes sociais que revogou o Artigo 18 da Medida Provisória (MP) 927, que permitia a suspensão do contrato de trabalho por até quatro meses sem salário. O Artigo 18 previa que, durante o estado de calamidade pública, o contrato de trabalho poderia ser suspenso por até quatro meses, para participação do empregado em curso de qualificação profissional não presencial, oferecido pela empresa ou por outra instituição. Essa suspensão poderia ser acordada individualmente com o empregado e não depende de acordo ou convenção coletiva.
- Determinei a revogacao do art.18 da MP 927 que permitia a suspensão do contrato de trabalho por até 4 meses sem salário.
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A MP 927 traz outras medidas trabalhistas para enfrentamento do estado de calamidade pública no país e da emergência em saúde pública decorrente da pandemia da covid19. A MP entrou em vigor neste domingo (22) ao ser publicada em edição extra do Diário Oficial da União, e tem validade de 120 dias para tramitação no Congresso Nacional. Caso não seja aprovada, perde a validade.

Entre as medidas estão o teletrabalho, a antecipação de férias, a concessão de férias coletivas, o aproveitamento e antecipação de feriados, o banco de horas, a suspensão de exigências administrativas em segurança e saúde no trabalho, o direcionamento do trabalhador para qualificação e o adiamento do recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS).
Com informações da Agência Brasil

Covid19: Campos Neto diz que BC tem arsenal para enfrentar crise

 O presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, concede entrevista coletiva para apresentar os resultados de implementação da Agenda BC#.
O Banco Central (BC) tem um arsenal muito grande para fazer frente a qualquer tipo de crise, afirmou o presidente da instituição, Roberto Campos Neto, hoje (23), ao anunciar medidas de enfrentamento aos efeitos da pandemia do novo coronavírus na economia.
“O arsenal que o Banco Central tem é muito grande pra combater qualquer tipo de crise. O Banco Central está absolutamente tranquilo e o sistema financeiro nacional vai funcionar perfeitamente. Estamos aqui para prover qualquer tipo de incentivo que for necessário”, disse, em entrevista, transmitida pela internet.
Hoje, o BC anunciou redução de depósitos compulsórios (recursos que os bancos são obrigados a deixar depositados no Banco Central) e linha de empréstimos a instituições financeiras, com garantia de debêntures (títulos privados). Além disso, foi autorizada a captação de depósito a prazo com garantia especial do Fundo Garantidor de Crédito (FGC), o que permite expansão na concessão de crédito em cerca de R$ 200 bilhões, entre outras medidas para liberar recursos na economia.
Campos Neto afirmou que não está descartada nova redução de compulsório e que o BC estuda ainda outra medida, que seria o empréstimo do BC aos bancos, tendo como garantia a carteira de crédito. Segundo ele, o valor pode chegar a R$ 670 bilhões.
Segundo Campos Neto, o conjunto de medidas de liberação de liquidez (recursos disponíveis no mercado) anunciadas até agora pelo BC correspondem a 16,7% (R$ 1,2 trilhão) do Produto Interno Bruto (PIB), soma de todos os bens e serviços produzidos no país. Na crise financeira internacional, de 2008, esse percentual foi menor: 3,5% (R$ 117 bilhões) do PIB. Campos Neto classificou as medidas anunciadas até agora como “o maior plano de injeção de liquidez e capital da história do país”.

Corrida por ativos seguros

Campos Neto avaliou que, com a crise, houve uma migração de investimentos de maior risco pra os de menor risco, ou seja, uma “corrida por ativos mais seguros”. “Houve grande saída de dinheiro de mercados emergentes, uma grande saída de todos os ativos de risco no mundo, com grande parte das moedas desvalorizando, principalmente as moedas de países emergentes. E a gente tem então esse fator incerteza que tem dominado o cenário nas últimas semanas. As reações dos mais diversos governos nesse ambiente de incerteza tem indicado esse grau de gravidade e nós entendemos que essas turbulências financeira vão estar conosco durante um tempo”, afirmou.
Campos Neto disse que, enquanto para os consumidores a incerteza os leva a querer estocar comida e álcool em gel, as empresas buscam ter recursos para atravessar a crise. “O mundo empresarial não é muito diferente. As empresas, principalmente as pequenas e médias, têm incerteza de quanto tempo elas vão ter que navegar nessa crise, quanto tempo vão ter que ficar sem receber o dinheiro das atividades do dia a dia. Então, tem uma busca por liquidez. Do mesmo jeito que as pessoas se comportam tentando estocar produtos, no mundo financeiro tem uma procura maior por liquidez. É muito importante entender isso. O Banco Central tem que ter condições para garantir liquidez para ter certeza que vamos atravessar isso sem maiores problemas”, disse Campos Neto.

Ondas

Campos Neto afirmou que a crise veio em “ondas”. “Tivemos primeiro uma grande onda, com efeito mais localizado na Ásia. Existia um entendimento de que teria problema de oferta. Vários componentes produzidos na Ásia não chegariam às nossas fábricas e poderia atrapalhar a produção de bens. Era um choque de oferta. Existia uma preocupação que isso fosse criar uma ruptura no processo produtivo, que fosse ter alguns impacto na parte de emprego. Mas a economia do Brasil é relativamente fechada, então o efeito disso no Brasil seria pequeno”
Segundo o presidente do BC, a segunda onda é a que veio com o isolamento social no Brasil, impactando “fortemente” o setor de serviços, responsável por 63% do PIB. Segundo ele, esse cenário foi antecipado pelo BC que começou a prover o mercado de liquidez.
De acordo com Campos Neto, a recuperação do setor de serviços é diferente da indústria, por exemplo, que passada a crise, pode aumentar as horas trabalhadas para produzir. “Quando deixa de consumir serviços, é difícil compensar a perda. A indústria pode recuperar o que foi perdido”, disse citando como exemplo, que não se corta o cabelo várias vezes para recuperar os dias em que não foi possível ter acesso ao serviço.
Campos Neto disse ainda que a crise atual é diferente da de 2008. “Foi uma crise de alavancagem financeira. Alavancagem gerou a percepção de que o sistema financeiro tinha problemas. Isso permeou para a economia real. Essa crise agora é totalmente diferente. A gente tem um cenário em que os bancos estão muito menos alavancados no Brasil e no mundo. O sistema financeiro passou por uma reformulação completa. O sistema bancário está muito mais sólido. É uma crise muito mais da economia real”.
Questionado sobre o tempo de duração da crise, Campos Neto afirmou: “é uma incógnita para todo mundo”. “Esse é um tema do Ministério da Saúde. O que eu preciso é ter amplas condições de liquidez e capital para atravessar essa crise, de ter condições estimulativas para que a economia se recupere. As medidas que nós tomamos estão atendendo essas exigências”, afirmou.
Por Kelly Oliveira 
Com informações da Agência Brasil