4 de setembro de 2018

Por que é importante desenvolver a inteligência emocional em crianças

Lidar com frustrações, colocar-se no lugar do outro, saber ouvir “não”. Do momento no qual saímos do útero à hora da morte, tomar decisões e conviver com nossos pares serão atividades intermináveis. “A inteligência emocional é a ferramenta que temos para lidar com as adversidades da vida”, define Mario Louzã, psiquiatra especialista em Psiquiatria Geral pela Associação Brasileira de Psiquiatria (ABP). Quando trabalhada desde a infância, a habilidade torna-se natural na vida adulta — gerando indivíduos equilibrados e, consequentemente, felizes.
A capacidade de tolerar frustrações e digerir emoções é, segundo Louzã, crucial para que a criança entenda como é o mundo real, em oposição ao universo de fantasia comum da infância. “A inteligência emocional vai permear o desenvolvimento da criança tanto quanto outras características mais concretas, como o desenvolvimento neuropsicomotor.”
A infância, na verdade, é um período especialmente fértil para o aprendizado de conceitos importantes, como empatia e tolerância. De acordo com a neuropsicóloga Thaís Quaranta, a criança deve ser ensinada a se importar com os sentimentos dos outros desde pequena.
“Se ela bate ou morde o amiguinho, é mais adequado dizer que o colega está triste pelo fato de ter doído e machucado, do que simplesmente obrigar a criança a pedir desculpas”, exemplifica. Pedir desculpas apenas por pedir não ajuda a reconhecer ou a se colocar no lugar do outro”, orienta Thaís.
Na ciência, a inteligência emocional é estudada há anos. Pesquisadores da Universidade da Georgia, nos Estados Unidos, descobriram que pessoas mais altruístas e afetivas são mais habilitadas para reconheceram estados emocionais dos outros, graças à grande atividade em regiões importantes do cérebro, como a junção temporoparietal e o córtex pré-frontal medial.
Por outro lado, quando uma área cerebral chamada giro supramarginal, responsável por nos ajudar a regular o egoísmo, está em pleno funcionamento, a falta de empatia não só pode ser identificada, como corrigida. Ao mesmo tempo, danos nessa região reduzem de forma significativa a capacidade de se colocar no lugar do outro.
No universo infantil, desenvolver a inteligência emocional ajuda, por exemplo, a lidar com o bullying. Letícia Dantas Amaral, 10 anos, é outra menina depois das aulas sobre autoconhecimento. “A maior mudança é que ela está muito mais focada, tomando as próprias decisões. E está mais feliz com esta posição”, descreve a mãe da garota, Chris Dantas. “O bullying continua, mas o sofrimento não. Ela está mais empoderada.”
Chris Dantas é arte-educadora há mais de 25 anos e coordenadora do Espaço Arte há uma década. O local oferece um programa artístico de inteligência emocional infantil, no qual as emoções dos pequenos são trabalhadas por meio da música, teatro, dança e artes plásticas.
“A base da inteligência emocional é o autoconhecimento, e a arte, por si só, trabalha isso”, explica Chris Dantas. A ideia do curso é desenvolver, a partir do conhecimento de si mesmo, autogestão, resiliência e empatia.
Ter inteligência emocional, de acordo com a educadora, é, entre outras coisas, a capacidade de fazer escolhas — e de lidar com elas. “Nossa proposta é ensinar desde os 3 anos de idade como gerenciar as próprias emoções”, define Chris.
Autoconhecimento indispensável
Para Dante Sassi Lignelli, 7 anos, entrar em contato com conceitos de inteligência emocional também foi benéfico. Com autismo leve, o menino sofria para se enturmar na escola. “Nas brincadeiras, ele é sempre o ‘bobinho’ ou o que tem de correr atrás dos amigos”, conta a psicóloga Lisa Sassi, 45 anos e mãe de Dante. “Quando ele está feliz, ele canta. Se abraçava alguém, especialmente se fosse um menino, sofria bullying.”

A colônia de férias voltada para o desenvolvimento emocional de crianças foi um divisor de águas na vida do garoto. “Lá, ele mexeu com plantas, participou de ‘shows de talentos’ com as crianças. Isso ajudou muito a autoestima dele. Senti um crescimento em sua autonomia. É sutil, mas o vi mais inteiro. Mais tranquilo”, descreve Lisa. Até as disputas com a irmã, Uva Sassi Lignelli, 6 anos, diminuíram.
Comandada por uma equipe de psicanalistas, psicólogas, professoras e coachs, a Academia CrêSER também tem como foco a inteligência emocional infantil. “A maneira mais eficaz de ajudar crianças nesse processo é trabalhar com a família, pois esse é o principal ambiente de formação dessa identidade e seus valores”, ensina Robervânia Feitosa, pedagoga e coach.
Segundo Robervânia, crianças que não conseguem lidar bem com a frustração, com baixa autoestima, necessidade de chamar atenção, de fazer birra e com dificuldade de expressar seus sentimentos, por exemplo, precisam ser observadas de perto. “É necessário ler as entrelinhas do comportamento apresentado e identificar qual necessidade não foi suprida e qual habilidade precisa ser trabalhada.”
Por Glaucia Chaves
Com informações do Metrópoles 

O Estado brasileiro gasta demais?

O Estado brasileiro gasta mesmo demais?
O Brasil gasta pouco para um país que pretende reduzir as desigualdades
Há anos ouvimos no debate político e econômico do País que o Estado brasileiro é muito grande e que gasta demais. Com base nessa alegação, inclusive, o Congresso aprovou no final de 2016 a emenda constitucional que congelou por 20 anos a despesa primária da União em termos reais, o que significa, dado que a população cresce, a progressiva redução dos gastos do governo em termos per capita.
A acusação de gasto excessivo geralmente se apoia em dois tipos de evidência, ambas falaciosas. A primeira  aponta que o gasto total do governo em relação ao PIB é no Brasil superior ao verificado em outras economias em desenvolvimento. 

De fato, enquanto essa relação é de cerca de 38% no País, ela é de apenas 30% na média geral desse grupo e de 33% na média da América Latina. Ocorre que a relação entre gastos do governo e PIB simplesmente não possui nenhuma ligação óbvia com o grau de desenvolvimento de uma nação, mas, sim, com o nível de desigualdade que sua sociedade considera tolerável e, daí, com a parcela do seu produto total que decide concentrar nas mãos do Estado para que ele possa implantar mecanismos distributivos como as transferências de renda e o fornecimento de serviços públicos universais.
É por isso que gastos elevados do governo são encontrados tanto em países desenvolvidos (a grande maioria deles) quanto em alguns de renda mais baixa como Moldávia e Bolívia, e gastos baixos são registrados na maioria dos países em desenvolvimento e também em alguns países ricos que são mais tolerantes à desigualdade como os EUA.
A segunda evidência aponta que o gasto do governo no Brasil seria excessivo em vista da baixa qualidade dos serviços públicos que fornece quando comparados aos existentes em países com gasto supostamente equivalente.
Ocorre que a comparação, feita com esse gasto em relação ao PIB, é, apesar de recorrente, absolutamente descabida, uma vez que o que determina a qualidade dos serviços é o valor real do gasto per capita, ajustado pelas diferenças no poder de compra entre os países, e nunca o valor relativo. Quando nos apercebemos disso e comparamos no gráfico abaixo o que importa, vemos que o gasto do Estado por habitante no Brasil é, na verdade, de três a quatro vezes menor que o registrado nos países desenvolvidos com os quais a qualidade dos serviços públicos é normalmente comparada.
Ou seja, o Estado brasileiro não gasta muito. Ao contrário, gasta pouco para um país que pretende dispor de um sistema de proteção social capaz de reduzir as desigualdades como o que existe em países desenvolvidos e que está previsto em nossa Constituição.
Certamente, a atual estrutura de gastos públicos possui distorções relevantes – certos gastos deveriam cair e muitos outros aumentar –, e sua execução possui ineficiências que devem ser decididamente combatidas.
Além disso, a estrutura tributária com a qual os recursos necessários para custear esses gastos são arrecadados é extremamente complexa e regressiva, tornando urgente sua profunda reformulação.
Entretanto, por mais importantes que tais considerações sejam, elas não devem mascarar o elemento central na discussão sobre o tamanho dos gastos do Estado, que reside no quanto a sociedade tolera que grande parte da população se mantenha na pobreza em meio à riqueza de alguns.
Essa discussão é certamente legítima, mas deve ser bem informada, evitando os argumentos falaciosos aqui apontados e tão frequentemente evocados no debate.
*Emilio Chernavsky é doutor em economia pela USP
Com informações da Carta Capital

Com alta de 1,68% anunciada para amanhã, gasolina tem recorde de preço

Greve de caminhoneiros provoca fila para abastecimento de combustível em posto de gasolina no Rio de Janeiro.
Cinco dias após o último aumento no preço da gasolina, a Petrobras acaba de anunciar que a partir de amanhã (5), nas refinarias de todo o país, o preço do derivado estará 1,68% mais caro. Com o novo aumento, o preço do litro da gasolina passará de R$ 1,1704, que vigorava desde o último sábado (1º), para R$ 2,2069. É o valor mais alto cobrado pelo preço do litro da gasolina desde junho do ano passado, quando a Petrobras mudou a política de preços e passou a acompanhar as oscilações do preço da commoditie no mercado externo.
“Os preços médios informados consideram a média aritmética nacional dos preços à vista, sem encargos e sem tributos, praticados na modalidade de venda padrão nos diversos pontos de fornecimento, que variam ao longo do território nacional, para mais ou para menos em relação à média. Essa variação pode ser de até 12% para gasolina A”, informa a Petrobras.
Na última sexta-feira, após três meses de congelamento em decorrência de acordo do governo que pôs fim à greve dos caminhoneiros e que envolveu subsídio governamental ao produto, a Petrobras anunciou aumento de 13% no preço médio do óleo diesel comercializado nas refinarias do país.
Por Nielmar Oliveira 
Com informações da Agência Brasil

O Brasil gasta mais no ensino básico do que no superior

O Brasil gasta mais no ensino básico do que no superior
Entre 2000 e 2014, o investimento em educação por aluno quase triplicou em termos reais, em especial na educação básica, que compreende a infantil, a fundamental e o ensino médio
Dentre as inúmeras divergências entre os grupos “de direita” e “de esquerda”, a necessidade de investir mais em educação parece uma convergência, a despeito das distintas concepções quanto ao método.
Nesta eleição presidencial, algumas candidaturas têm defendido a cobrança de mensalidades nas universidades públicas. Há também críticas à expansão ocorrida no ensino superior nos anos recentes. Notadamente, os representantes da área econômica de Marina Silva, Jair Bolsonaro e Geraldo Alckmin defenderam na série de entrevistas da GloboNews a cobrança de mensalidades.
Um dos argumentos utilizados é que no Brasil o gasto com ensino superior é maior do que com o ensino básico. A urgência em melhorar a formação dos nossos jovens é inequívoca, e há pouco dissenso sobre a necessidade de melhorar nossa educação básica. Entretanto, precisamos tirar conclusões com olhar acurado sobre os dados.
De acordo com os dados do censo escolar de 2017, o Brasil conta com 144.150 escolas públicas, sendo a maior parte da rede municipal. O Estado brasileiro financia 39,7 milhões de alunos no ensino básico das escolas públicas. Já os estudantes do ensino superior público chegam a 1,99 milhão em 298 instituições públicas (federais, estaduais, municipais).
O Estado no Brasil é composto por 5.570 municípios, 26 estados, 1 distrito federal e a União. Nessa medida, para termos referência do gasto no ensino público, temos que levar em conta todos os níveis de governo, haja vista que esse serviço é de responsabilidade dos três níveis.
Embora o pacto federativo ainda não esteja plenamente ajustado e haja sobreposição, em princípio, as competências seriam as seguintes: os municípios com ensino fundamental, os estados com ensino médio e a união com o ensino superior. Entretanto, a União repassa recursos para os estados e municípios, já os estados repartem recursos com os municípios para a área de educação.
Assim, o orçamento do Ministério da Educação é uma informação parcial sobre o gasto com educação no Brasil e não deve ser utilizada para conclusões sobre o total do gasto, já que a União foca seu gasto no ensino superior.
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Ao se observar a tabela 1, verifica-se que o investimento em educação cresceu no Brasil nos últimos anos, em especial no ensino médio. Verifica-se também que o gasto com ensino superior chegou a 1,2% do PIB em 2014, ao passo que o gasto com ensino básico é de 4,9% do PIB. Então, claramente, o poder público no Brasil gasta muito mais no ensino básico, o que não foge da lógica, haja vista que temos quase 40 milhões de alunos no ensino básico, ao passo que no superior somam quase 2 milhões.
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A tabela 2 demonstra que o investimento em educação por aluno quase triplicou em termos reais entre 2000 e 2014, derrubando o mito de que não houve avanço em investimento público no Brasil. Mais do que isso, o investimento cresceu mais na educação básica, com o triplo de recursos por aluno, tanto na educação infantil, quanto na fundamental e no ensino médio. Já no ensino superior, os valores são relativamente constantes, embora o custo por aluno seja bem maior. Isso não foge da lógica, uma vez que no ensino superior boa parte da mão de obra tem mestrado e/ou doutorado, além da pesquisa e da extensão, com qualidade reconhecida.
Não é possível discordar de que precisamos melhorar a qualidade do ensino brasileiro, em todos os níveis. Impõe-se também a ponderação de que os resultados do investimento em educação vêm a médio e longo prazo. Não podemos, de outro lado, tirar conclusões apressadas sobre os gastos em educação sem antes observar minimamente o que tem ocorrido nos últimos anos. É falsa a argumentação de que o Brasil gasta mais no ensino superior e também é falsa a afirmação de que não houve crescimento no investimento em educação básica no Brasil. É imperativo o rigor analítico para definir políticas públicas tão relevantes e, por certo, os profissionais que estudam a área com maior especialidade do que este autor podem contribuir mais com a discussão.
* Róber Iturriet Avila é doutor em economia e professor adjunto do Departamento de Economia e Relações Internacionais da Universidade Federal do Rio Grande do Sul
Referências:
BRASIL. Ministério da Educação. Instituto Nacional de Estudos e Pesquisa Educacionais Anísio Teixeira – INEP. Censo Escolar 2017 – notas estatísticas. Brasília, jan. 2018, disponível em: http://download.inep.gov.br/educacao_basica/censo_escolar/notas_estatisticas/2018/notas_estatisticas_Censo_Escolar_2017.pdf Acesso em : 26 ago. 2018.
INSTITUTO NACIONAL DE ESTUDOS E PESQUISAS EDUCACIONAIS ANÍSIO TEIXEIRA (INEP). Indicadores Financeiros Educacionais. Disponível em: http://portal.inep.gov.br/indicadores-financeiros-educacionais . Acesso em 26 ago. 2018.
INSTITUTO NACIONAL DE ESTUDOS E PESQUISAS EDUCACIONAIS ANÍSIO TEIXEIRA (INEP). Sinopse Estatística da Educação Superior 2016. Brasília, ago. 2018. Disponível em: . Acesso em: 26 ago. 2018.
Por Róber Iturriet Avila 
Com informações da Carta Capital

Fortaleza recebe o Figueirense visando reencontrar caminho das vitórias

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Líder da Série B do Campeonato Brasileiro, o Fortaleza pretende se recuperar da dura derrota no final de semana nesta terça-feira, às 21h30 (de Brasília), diante do Figueirense, no Castelão. Pela 25ª rodada da competição, os comandados de Rogério Ceni desejam reencontrar o caminho das vitórias.
“Gostaria de ter vencido, mas só tenho de tecer elogio ao time, por jogar, manter posse de bola. Você se desorganiza quando está perdendo, é normal. Não estou irritado, estou chateado. Mas feliz porque todos fizeram o melhor dentro de campo”, disse Ceni na saída de campo após o revés diante do Goiás, por 3 a 1, no sábado. “Temos de nos preparar para tentar fazer a nossa melhor partida contra o Figueirense, contar com o torcedor e vencer”, finalizou.
O meia Dodô também comentou o revés e os passos para o próximo duelo. “Levantar a cabeça, a gente é líder. Viemos de uma fase boa. Então, é levantar a cabeça para na terça a gente voltar ao caminho da vitória”. Mesmo com o resultado, o Fortaleza é o líder da Série B com 46 pontos, seis a mais do que o segundo colocado, o CSA.
O time ainda não se manifestou sobre as condições físicas de Gustavo e Ederson, lesionados e substituídos na derrota. No entanto, a formação deve ser a mesma da que vem sendo frequentemente utilizada.
O Figueirense, ao contrário, vem de importante vitória contra seu maior rival, o Avaí, fora de casa, após um mês de altos e baixos. Mesmo sem ter tido muito tempo para comemorar, já que o plantel viajou para Fortaleza no último domingo, o técnico Milton Cruz ressaltou que os aspectos negativos durante o torneio ficaram para trás e a expectativa agora é retomar os bons resultados, principalmente contra o líder da Série B, com quem briga diretamente pelo acesso à elite do futebol.
“O mês de agosto foi triste para nós. Pessoal fala que agosto é mês do desgosto, do cachorro louco… Não via a hora de virar o mês. Começamos bem setembro, com o pé direito. O que tinha que acontecer de ruim já aconteceu”, disse o treinador após o triunfo em cima do Avaí.
Para o confronto, o técnico não poderá contar com Zé Antônio, suspenso, e conta com a volta do zagueiro Nogueira. No mais, a formação deve ser a mesma que aquela da vitória do último final de semana.
FICHA TÉCNICA

FORTALEZA X FIGUEIRENSE


Local: Estádio Castelão, em Fortaleza (CE)

Data: 4 de setembro de 2018 (terça-feira)
Horário: 21h30 (de Brasília) 
Árbitro: Ronei Candido Alves (MG)
Assistentes: Magno Arantes Lira e  Luiz Antonio Barbosa (MG)

FORTALEZA: Marcelo Boeck; Tinga, Diego Jussani, Ligger e Bruno Melo; Derley, Felipe, Dodô, e Marlon; Ederson e Gustavo

Técnico: Rogério Ceni

FIGUEIRENSE: Denis; Matheus Ribeiro, Cleberson, Eduardo Bauermann e João Paulo; Betinho, Matheus Sales, Renan Mota e Gustavo Ferrareis; Elton e Juninho

Técnico: Milton Cruz

Com informações da Gazeta Esportiva

30 de agosto de 2018

Mais de 50% de alunos de 14 a 17 anos não sabem português e matemática

Divulgação/Agência Brasil
Mais da metade dos alunos brasileiros de 14 a 17 anos não aprendeu o esperado para as séries que estão cursando, tanto na disciplina de português quanto em Matemática. Até mesmo no 3º ano do ensino médio, a maior parte dos estudantes não sabe identificar a informação principal de um texto após realizar leitura ou fazer cálculos de porcentagem, por exemplo.
O Distrito Federal ocupa a terceira posição no ranking nacional na proficiência média dos estudantes de português no ensino médio, com 278,3 pontos, atrás apenas de Espírito Santo (283,7) e Rio Grande do Sul (278,5). Em relação a 2015, estava em primeiro lugar, com 284 pontos. Em matemática, a capital ficou em segundo lugar, com 286,2 pontos, atrás de Espírito Santo (291,6).
Mas o que chamou a atenção no DF foi a desigualdade do rendimento escolar entre os alunos mais ricos e os mais pobres. Os alunos brasilienses de bom nível econômico atingiram 357 pontos em matemática, contra 256 daqueles mais pobres. Uma diferença de 28,3%. Em português, a variação ficou em 74 pontos.
O indicador de desigualdade separa as escolas pela situação socioeconômica dos estudantes, levando em conta elementos como “posse de bens domésticos, renda e contratação de serviços” da família dos alunos e pelo nível de escolaridade de seus país.
Esses são alguns do resultados do Sistema de Avaliação da Educação Básica (Saeb), o mais importante exame brasileiro, que mede desempenho dos alunos. A prova é feita pelo Ministério da Educação (MEC) para todos os estudantes do 5º ano e 9º ano do ensino fundamental e do 3º do médio desde 1995 nas escolas públicas. A rede particular este ano pôde se voluntariar para participar (até o ano passado, o MEC as selecionava por amostragem).
Os resultados do exame de 2017 foram divulgados nesta quinta-feira (30/8) pelo governo. Mais de 5,4 milhões de alunos participaram do Saeb. O desempenho de Português e Matemática é usado para compor o Índice de Desempenho da Educação Básica (Ideb), que inclui ainda dados de aprovação e reprovação.
Ensino médio
O quadro é mais grave no ensino médio, em que 7 em cada grupo de 10 alunos estão nos níveis considerados insuficientes de aprendizagem nas duas disciplinas. “É uma das coisas mais preocupantes que a gente tem no país. Ou o aluno abandona a escola ou fica e não aprende nada”, diz o ministro da Educação, Rossieli Soares Silva.

O ensino médio é considerado por especialistas como a etapa mais preocupante da educação brasileira pelos altos índices de evasão e por ter um currículo distante dos jovens. Apesar dos resultados serem ruins em todas as etapas, estudantes do fundamental têm desempenho melhor. “Se continuar tudo como está, há possibilidade de, em 2021 e 2023, os alunos do fundamental já terem ultrapassado os médio”, afirma o ministro.
Os dados do Saeb mostram que, em três estados, isso já aconteceu. No Ceará e no Amazonas, estudantes do 9º ano já têm nota maior que os do ensino médio em Português. Em Santa Catarina, isso acontece em Matemática. Isso quer dizer que se ambos fizessem a mesma prova, os mais novos se sairiam melhor.
O governo do presidente Michel Temer enviou ao Congresso por medida provisória – que depois se tornou lei – uma reforma para o ensino médio que flexibiliza o currículo e cria diversos caminhos que podem ser escolhidos pelos jovens, entre eles o ensino técnico.
A proposta é polêmica, principalmente pela dificuldade de estrutura e professores para oferecer as diferentes formações. Entre os candidatos à Presidência, há os que defendem a revogação da lei. A Base Nacional Comum Curricular (BNCC) para a etapa, desenvolvida pelo atual governo, ainda não foi aprovada e também corre risco de ser mudada numa próxima gestão.
Fundamental
Na etapa de 1º ao 5º, o cenário é um pouco melhor, com 39% dos alunos nos mais baixos níveis de aprendizagem em Português e 33% em Matemática no Saeb. Foi também a média nacional que mais cresceu com relação ao último exame, em 2015. Passou de 208 para 215 (numa escola de 0 a mil) em Português e de 219 para 224 em Matemática. Mesmo sendo o melhor resultado, as crianças de 11 anos no Brasil, em geral, não são capazes de reconhecer o assunto de um poema ou uma tirinha, por exemplo.

Cerca de 5,46 milhões de alunos do fundamental e do médio fizeram a prova no ano passado. A previsão é que o ministério divulgue os resultados do Ideb na próxima semana. Pela primeira vez, os dados do Saeb e do Ideb foram divulgados separadamente. O ministério informou que o fatiamento da divulgação tem o objetivo de dar ênfase à discussão sobre aprendizagem. 
Por Ingred Suhet
Com informações do Metrópoles 

População brasileira passa de 208,4 milhões de pessoas, mostra IBGE

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A população brasileira é de 208.494.900 habitantes, espalhados pelos 5.570 municípios do país, de acordo com dados divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). A estimativa é referente a 1º de julho e mostra crescimento populacional de 0,82% de 2017 para 2018. No ano passado, o Brasil tinha 207.660.929 habitantes.
Segundo as informações já publicadas no Diário Oficial da União (DOU), o município de São Paulo continua sendo o mais populoso do país, com 12,2 milhões de habitantes, seguido do Rio de Janeiro (6,7 milhões de habitantes), de Brasília e de Salvador, com cerca de 3 milhões de habitantes cada.
De acordo a divulgação, 17 municípios brasileiros concentram população superior a 1 milhão de pessoas e juntos somam 45,7 milhões de habitantes ou 21,9% da população do Brasil.
Serra da Saudade, em Minas Gerais, é o município brasileiro de menor população, 786 habitantes, seguido de Borá (SP), com 836 habitantes, e Araguainha (MT), com 956 habitantes.

Estados

Os três estados mais populosos estão na Região Sudeste, enquanto os cinco menos populosos, na Região Norte. O mais populoso é o de São Paulo, com 45,5 milhões de habitantes, concentrando 21,8% da população do país. Roraima é o menos populoso, com 576,6 mil habitantes, apenas 0,3% da população total.
As estimativas da população residente para os municípios brasileiros, com data de referência em 1º de julho de 2018, foram calculadas com base na Projeção de População (Revisão 2018) divulgada no último dia 27 de julho pelo IBGE.

Imigrantes venezuelanos cruzam a fronteira com o Brasil.
Estudo incluiu imigrantes venezuelanos no estado de Roraima  - Marcelo Camargo/Agência Brasil
Segundo o instituto, essa revisão incorporou os imigrantes venezuelanos no estado de Roraima, dos quais 99% estavam concentrados nos municípios de Boa Vista e Pacaraima.
As estimativas populacionais municipais são um dos parâmetros usados pelo Tribunal de Contas da União (TCU) no cálculo do Fundo de Participação de Estados e Municípios e são referência para vários indicadores sociais, econômicos e demográficos.

Regiões metropolitanas

Entre as regiões metropolitanas e Regiões Integradas de Desenvolvimento (Rides), a de São Paulo é a mais populosa, com 21,6 milhões de habitantes, seguida do Rio de Janeiro (12,7 milhões de habitantes), de Belo Horizonte (5,9 milhões de habitantes) e da Região Integrada de Desenvolvimento (Ride) do Distrito Federal e Entorno, com 4,3 milhões de habitantes.
Ainda entre as regiões metropolitanas ou Rides, 28 têm população superior a 1 milhão de habitantes e somam 98,7 milhões de habitantes, representando 47,3% da população total. O conjunto das 27 capitais totaliza 49,7 milhões de habitantes, reunindo 23,8% da população do país.
Por Nielmar Oliveira 
Com informações da Agência Brasil

Presidenciáveis arrecadaram R$ 95,5 milhões, mostra TSE

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Duas semanas após o início oficial da campanha eleitoral, dez dos 13 candidatos à Presidência da República declararam ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) que arrecadaram R$ 95,5 milhões. O maior volume – 45,4% – é do tucano Geraldo Alckmin, que informou ter recebido R$ 43,4 milhões da direção nacional do PSDB. A menor arrecadação declarada, até o fechamento desta reportagem, foi do candidato João Goulart Filho (PPL): R$ 1,8 mil de financiamento coletivo e gasto de R$ 157,10 de taxa de administração.

Segundo dados disponíveis no portal do TSE, até este momento, a campanha do PSDB não informou despesas eleitorais. O teto de gastos estabelecido pelo TSE, no primeiro turno de cada campanha presidencial, é de R$ 70 milhões.

O candidato do MDB, Henrique Meirelles, informou uma doação própria de R$ 20 milhões e gastos de R$ 50 mil, com o impulsionamento de conteúdos na internet. Meirelles declarou um patrimônio total de R$ 377, 5 milhões.

Fundo de campanha
Conforme declaração ao TSE, o PT movimentou R$ 20 milhões do Fundo Especial de Financiamento de Campanha (FEFC).  A campanha gastou R$ 550 mil na confecção de adesivos. O valor foi pago à gráfica Mack Color, segundo informações disponíveis no portal do tribunal.

A candidata Marina Silva (Rede) arrecadou R$ 5,8 milhões, sendo a maior parte (R$ 5,6 milhões) repassada pela direção nacional do partido. Pouco mais de R$ 171 mil são de financiamento coletivo e R$ 45 mil de doação individual.

Do total arrecadado, a campanha aplicou R$ 1,5 milhão na produção dos programas para o horário eleitoral gratuito nas emissoras de rádio e televisão. Também pagou quase R$ 13 mil da taxa de administração do financiamento coletivo e R$ 1,1 mil do aluguel de equipamentos de informática.

Horário eleitoral
A totalidade da verba usada pela campanha de Guilherme Boulos (PSOL) é do fundo especial: R$ 4 milhões. O partido declarou ter gasto R$ 1,1 milhão na produção dos programas para o horário eleitoral, no pagamento de serviços de assessoria, advogados, pesquisa e no aluguel de imóvel.

O Pode transferiu R$ 3,2 milhões para a campanha do candidato Alvaro Dias, que arrecadou mais R$ 510 mil de doações individuais. A maior parte foi doada pelo professor Oriovisto Guimarães, empresário do setor de educação que disputa uma cadeira no Senado Federal pelo Paraná. À Justiça Eleitoral, Guimarães declarou patrimônio de R$ 240 milhões.

A campanha de Dias destinou a totalidade da verba repassada pelo Pode à produção do programa de televisão do candidato. O presidenciável tem direito a 40 segundos em cada bloco da propaganda eleitoral gratuita e 53 inserções. O horário eleitoral dos candidatos à Presidência vai ao ar às terças-feiras, às quintas-feiras e aos sábados.

Doação individual
O candidato João Amoêdo (Novo) arrecadou R$ 505 mil, sendo R$ 308 mil de financiamento coletivo, R$ 153 de doações individuais e R$ 43,9 mil repassados pelo partido. Amoêdo gastou cerca de R$ 200 mil com impressão de material de campanha, transporte, aluguel de bens móveis (exceto carros), taxa de administração do financiamento coletivo e locação de imóvel.

O presidenciável Ciro Gomes (PDT) declarou R$ 53,6 mil de financiamento coletivo e o pagamento de R$ 2,3 mil de taxa de administração. A candidata Vera Lúcia (PSTU) informou que o partido repassou R$ 50 mil para a campanha, sendo R$ 27,4 mil usados para a produção de material impresso.

Neste ano, a principal fonte de financiamento das campanhas eleitorais é o fundo de R$ 1,7 bilhão criado para essa finalidade. Até agora, 34 partidos políticos já tiveram os recursos liberados pelo TSE. O partido Novo decidiu não utilizar os recursos do fundo.

Por Luiza Damé 
Com informações da Agência Brasil

Alunos deixam ensino fundamental com desempenho pior do que entraram

Brasília - Alunos da Escola Classe 29 de Taguatinga participam de atividades do projeto Adasa na Escola, que ensina crianças a ajudar na preservação da água (Marcelo Camargo/Agência Brasil)
Estudantes deixam o ensino fundamental com desempenho pior do que entraram, em média, no Brasil. É o que mostram os resultados das avaliações do Sistema Nacional de Avaliação da Educação Básica (Saeb), divulgados hoje (30) pelo Ministério da Educação (MEC).
As provas que avaliam os estudantes de escolas públicas em língua portuguesa e matemática mostram que os estudantes chegam a um nível maior de aprendizagem nas disciplinas no 5º ano do que no 9ª ano, quando deixam o ensino fundamental.
Os resultados mostram que, quando fazem a avaliação no 5º ano, os estudantes ficam, em média, no nível 4 de proficiência, tanto em língua portuguesa quanto em matemática - em uma escala que vai de 0 a 9 em português e de 0 a 10 em matemática. De acordo com os critérios do MEC, no nível 4, os estudantes aprenderam o básico em ambas disciplinas.
No 9º ano, o resultado piora. Em média, os estudantes estão no nível 3, tanto em língua portuguesa quanto em matemática, o que significa que não alcançaram nem mesmo o nível básico e tiveram uma proficiência insuficiente. Nessa etapa, a escala vai até 8 em português e 9 em matemática, mas os critérios do MEC para classificar a aprendizagem como suficiente permanecem os mesmos.

Trajetória

Em média, os estudantes do 5º ano obtiveram 215 pontos em língua portuguesa em 2017 e 224 pontos em matemática. Os números apresentam aumento em relação à avaliação anterior, em 2015, quando as pontuações foram respectivamente 208 e 219. Os resultados do 5º ano melhoram a cada ano desde 2003 tanto em português quanto em matemática.
No 9º ano, as médias crescem a ritmo mais lento, desde 2007 em português e, desde 2015 em matemática. A média passou de 252 para 258 em língua portuguesa de 2015 para 2017 e de 256 para 258 no mesmo período em matemática.
No 5º ano, cerca de 58% dos municípios que participaram da avaliação tiveram média inferior à nacional em português e 56% tiveram média inferior à brasileira em matemática. No 9º ano, essa porcentagem aumenta, cerca de 63% dos municípios ficaram abaixo da média em português e 61% em matemática. A etapa de ensino é ofertada majoritariamente pelas redes municipais. Esses municípios estão concentrados principalmente nas regiões Norte e Nordeste.

Ministério da Educação

Na avaliação do MEC e do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), responsável pela avaliação no ensino fundamental há avanços, sobretudo no 5º ano, em ambos os componentes avaliados. A pasta reconhece que no 9º ano, “os avanços foram menores”.
Os resultados são do Saeb, aplicado em 2017 aos estudantes do 5º e do 9º ano do ensino fundamental de escolas públicas, além dos estudantes do último ano do ensino médio de escolas públicas de forma censitária e para estudantes de escolas particulares de forma amostral. Cerca de 77% dos estudantes participaram das provas, totalizando cerca de 5,5 milhões de alunos de 73 mil escolas.
Por Mariana Tokarnia
Com informações da Agência Brasil

19 de agosto de 2018

De virada, Fortaleza vence o Boa Esporte pela Série B

Fortaleza venceu o Boa Esporte de virada com gol de Gustagol (Foto: Luan Erick/Fortaleza EC)
Neste sábado, jogando no Estádio Castelão, o Fortaleza recebeu o Boa Esporte, pela 21ª rodada da Série B do Campeonato Brasileiro. Após sair atrás, a equipe comandada por Rogério Ceni virou o placar para 2 a 1. Alyson marcou para os visitantes, enquanto Gustagol e Bruno Melo anotaram a favor dos donos da casa.
A partida acabou sendo mais difícil do que o imaginado. O Tricolor não fez um grande primeiro tempo, e levou o gol logo no início do segundo tempo. No entanto, conseguiu fazer um bom jogo, mais uma vez e assim, virou o placar.
Com o resultado, o Fortaleza chega aos 43 pontos, e se aproxima ainda mais da elite do futebol nacional no ano que vem. O time de Varginha por sua vez, está mais próximo de cair para a terceira divisão, pois ocupa a 20ª colocação, com 17 pontos.
PRÓXIMOS JOGOS
Na próxima terça-feira o Boa Esporte recebe o Figueirense no Dilzon Melo, em Varginha (MG), às 20h30. No mesmo dia e horário, o CRB joga com o Fortaleza no Rei Pelé, em Maceió (AL), pela 22ª rodada do Campeonato Brasileiro da Série B.
Com informações da Gazeta Esportiva

Eleições 2018: Investimento em professor é desafio para a Educação

 EducaçãoDados revelaram que estudantes de um bom professor têm maior probabilidade de iniciar o ensino superior Foto: GABRIELA BILÓ/ESTADÃO

Nos últimos anos, o Brasil aumentou três vezes o valor investido por aluno no ensino básico e deu importância a políticas como avaliações, base curricular e financiamento de estudantes em faculdades. No entanto, pouco olhou para a sala de aula. E os resultados da aprendizagem das crianças mostram que se caminha a passos lentos para chegar perto dos países que mudaram o rumo da sua educação. Ao olhar para as melhores experiências no mundo, especialistas garantem que só haverá evolução se o próximo governo investir fortemente no professor. 

As mudanças em várias nações vêm da constatação de que a qualidade do docente é fator determinante para o ganho de aprendizagem do aluno. Um estudo recente, que tem entre os autores o economista da Universidade de Stanford Raj Chetty, analisou 2,5 milhões de crianças durante 20 anos nos Estados Unidos. Os dados revelaram que estudantes de um bom professor têm maior probabilidade de iniciar o ensino superior, entrar em faculdades de melhor qualidade, receber maiores salários e poupar mais para aposentadoria. 

Outras pesquisas anteriores já indicavam que crianças que tiveram aulas com bons profissionais obtiveram um ganho médio de um ano de escolaridade. Melhores professores são particularmente importantes para crianças com perfil socioeconômico baixo. A atuação deles por anos seguidos pode mudar o destino de um aluno pobre e eliminar a distância de aprendizagem entre ele e um estudante de classe alta. Segundo pesquisas, um professor de qualidade tem o domínio do conteúdo que ensina e uma boa gestão de sala de aula, com estratégias que mantêm alunos envolvidos e técnicas de ensino eficazes. 

“Não adianta nada discutir Base Curricular se a gente não conseguir resolver o problema do magistério”, diz a consultora e ex-secretária de Educação do Rio Grande do Sul Mariza Abreu. “Só podemos ter alguma esperança de que a educação vai melhorar quando a agenda do professor se tornar prioritária. É preciso uma mudança estrutural”, aponta o diretor de políticas educacionais do Movimento Todos pela Educação, Olavo Nogueira Filho. 

Os professores apareceram na pauta do governo Michel Temer no começo deste ano, com um investimento de R$ 1 bilhão em 190 mil vagas para bolsas de estágios, residência pedagógica e formação. Mas o Brasil tem hoje 1,5 milhão de alunos em cursos de Educação e 2,1 milhões de docentes nas escolas. Outra comparação é o valor investido em outras políticas, como o Financiamento Estudantil (Fies), que beneficia alunos de universidades privadas. Em 2017, foram R$ 19 bilhões, 18 vezes mais que no programa para docentes – que ainda está com as bolsas ameaçadas por causa de cortes no orçamento. 

O MEC, nos últimos anos, colocou esforços também para aprovar a Base Nacional Comum Curricular, que indica objetivos de aprendizagem para cada nível de ensino. As ideias tanto da Base quanto da reforma do ensino médio, que virou lei em 2017, preveem uma educação moderna e interdisciplinar. Algo muito distante da formação atual do professor. 

Raio X

Qualidade da educação
Fonte
Censo da Educação Superior, Censo Escolar, OCDE, Todos Pela Educação
Exemplos de países que deram saltos recentes, como Finlândia, Cingapura e Estônia, mostram que focar as políticas no professor significa agir em várias frentes. É preciso selecionar os melhores alunos do ensino médio para estudar Pedagogia, formar o professor com qualidade, ensinar práticas de ensino. Eles também fecharam cursos ruins e passaram a avaliar e orientar os que já estão trabalhando nas escolas – além de aumentar salários. 
Uma experiência bem sucedidas são os programas de observação de sala de aula, que analisam práticas didáticas, atenção do aluno, materiais. Um projeto da Fundação Lemann em escolas do Ceará ensinou coordenadores a fazerem um trabalho de coaching dos professores. Depois disso, aumentou o tempo usado pelos docentes para conteúdos e atividades – eles perdiam horas com chamadas e indisciplina. Entre as técnicas aprendidas estavam a de ajudar o estudante a chegar sozinho à resposta certa, demonstrar altas expectativas para todos e avaliar constantemente. 
Salários. Paga-se ainda pouco ao profissional no Brasil - metade dos Estados sequer respeita o piso salarial estipulado por lei, de R$ 2.455,35. A média entre os países desenvolvidos é de US$ 100 mil (cerca de R$ 391 mil) por ano, ou U$ 8 mil (R$ 31,2 mil) por mês. Mas nações que só pagam mais – e não promovem outras políticas de valorização – não têm melhores resultados. E, apesar do professor não ganhar bem, gasta-se muito com salário: 70% do dinheiro da educação no País. 
O especialista em financiamento Binho Marques diz que o problema é a carreira do professor. “Há carreiras muito caras e longas, outras cheias de penduricalhos. Fora gente que recebe pela educação porque é amigo do vereador.” No País, docentes passam a ganhar mais quando fazem cursos de especialização – independentemente da qualidade – ou por tempo de serviço. Não há diferença de salário entre os melhores e os piores profissionais. 
Mesmo assim, especialistas defendem o aumento de salário para tornar mais atrativa a profissão. Hoje, professores com ensino superior ganham 50% menos que outros profissionais. “Se o Brasil quer dar um salto nos próximos anos, não pode continuar pegando os piores alunos do ensino médio para ensinar as novas gerações”, diz o diretor executivo da Fundação Lemann, Denis Mizne. No Enem, 70% dos estudantes que entram em Pedagogia têm nota abaixo da média.
Dez qualidades de um bom professor
1- Tem o domínio da conteúdo da disciplina que ensina
2- Sabe usar o tempo de maneira eficiente
3- Consegue manter os alunos envolvidos
4- Tem técnicas de ensino eficazes, como auxiliar o aluno a chegar a resposta certa sozinho
5- Demonstra ter a mesma expectativa de aprendizagem para todos
6- Está sempre coletando dados para avaliar os alunos durante a aula e não só em provas
7- Organiza os móveis da sala conforme a atividade
8- Tem boa interação com outros professores para observar e aprender com a prática dos colegas
9- Garante que todos participem das aulas
10- É equilibrado emocionalmente
Dez políticas para o magistério em países de alto desempenho 
1- Seleção rígida sobre quem pode se tornar professor, como nota de corte alta em vestibulares
2- Sistema de estágio longo e eficiente antes de começar a lecionar
3- Avaliação do professor durante a carreira
4- Fechamento de cursos ruins que formam professores
5- Formação do professor focada na prática de ensino
6- Incentivo para os melhores professorespara dar aulas para os alunos de classe baixa e pior desempenho
7- Forte programa de treinamento para professores que já estão na carreira, com monitoramento das aulas por professores mais experientes
8- Autonomia para escolas selecionarem e demitirem professores
9- Aumento salarial
10- Promoções por desempenho

Por Renata Cafardo
Com informações do jornal O Estado de S.Paulo