A tarde era para ser de homenagem a Evaristo de Macedo. O Mestre Evaristo, comandante do bicampeonato brasileiro do Bahia, esteve no gramado da Fonte Nova, recebeu os seus ex-comandados e foi ovacionado pela torcida. Não tanto quanto Régis. Enquanto o ex-treinador foi a campo antes de a bola rolar, o meia precisou aguardar 61 minutos para estar nas quatro linhas. Um tempo de espera grande e proporcional ao que ele fez para o Bahia virar o jogo, vencer o Ceará por 3 a 1 – gols de Edigar Junio, Régis e Diego Felipe contra, Lelê abriu o placar – e colar novamente no G-4 da Série B do Campeonato Brasileiro.
Régis viu, do banco de reservas, o Ceará abrir o placar no primeiro tempo e deixar o Bahia com a sensação de desespero na luta pelo acesso. Mas entrou em campo e comandou o triunfo que levou o time baiano à quinta colocação, com 53 pontos conquistados. O Vozão permanece com 47 pontos e cai uma posição: é o nono colocado da tabela.
Na Arena Fonte Nova, Bahia bate Ceará de virada (Foto: Felipe Oliveira/Divulgação/EC Bahia)
O próximo compromisso do Bahia será na sexta-feira que vem. Na luta pelas quatro primeiras colocações, o Tricolor vai ao Serra Dourada para enfrentar o Vila Nova, às 21h30 (de Brasília). O Ceará joga novamente no sábado, no Castelão, às 17h, contra o Tupi-MG.
Anselmo deve permanecer no Fortaleza (Foto: JL Rosa/Agência Diário)
O atacante Anselmo deve vestir a camisa do Fortaleza na próxima temporada. Pelo menos é essa a ideia do Leão do Pici. Segundo o presidente do clube, Jorge Mota, o jogador tem um pré-contrato com o Tricolor para o ano que vem. O atacante foi o artilheiro do clube na temporada, com 23 gols, e é um dos goleadores do Brasil.
- Ele tem um pré-contrato conosco, mas estamos esperando a situação de eleições no clube para podermos finalizar o assunto - informou o mandatário ao jornal Diário do Nordeste.
As eleições para novo presidente do Fortaleza estão marcadas para o dia 3 de dezembro. Deve-se notar que, dependendo da gestão que assumir, há uma possibilidade de que o pré-contrato seja deixado de lado. As chapas para o pleito ainda não estão definidas.
A reportagem tentou contato com o presidente do clube, Jorge Mota, e com o vice, Ênio Mourão. Todas as ligações feitas caíram na caixa postal. A assessoria do clube não confirma a existência do pré-contrato.
Rescisões
O zagueiro Lima foi o último a rescindir contrato com o Leão. Antes dele, outros 13 jogadores haviam acertado rescisão de contrato. Os meias Clebinho, Daniel Sobralense e Rodrigo Andrade, o volante Pio, o lateral direito Railan, o lateral esquerdo William Simões, o zagueiro Edimar e o atacante Juninho estavam nas duas primeiras listas de dispensa do elenco tricolor.
Em seguida, na última sexta-feira (21), mais quatro atletas também saíram do Tricolor: o goleiro Ricardo Berna, o volante Guto, o meia Everton e o atacante João Paulo. Nesta terça-feira (26), o atacante Ronaldo também saiu do clube.
O Fortaleza só volta a jogar oficialmente, em 2017, quando o time estrear no Campeonato Cearense. No entanto, a pré-temporada deve iniciar ainda em dezembro, após férias de parte dos atletas e da escolha do novo treinador.
Aclamado como novo presidente executivo da Agremiação Sportiva Arapiraquense (ASA), Nelson dos Santos Filho já realizou o seu primeiro ato com gestor e na noite desta quinta-feira (27) anunciou a contratação do novo técnico alvinegro para o Campeonato Alagoano de 2017.
O nome em questão é o do treinador Cléverson Maurílio Silva, que nesta temporada comandou a equipe do Uniclinic do Ceará, dando a eles a vaga para a disputa do Campeonato do Nordeste de 2017.
Quando jogador, o novo comandante alvinegro atuava como centroavante da equipe do Palmeiras entre os anos de 1992, 1993 e 1994, atuando, desta forma, ao lado de grandes ícones do futebol brasileiro daquela época.
Hoje, aos 46 anos, Maurílio chega pra ser o treinador do Gigante Arapiraquense na próxima temporada, tendo a missão de acabar com o jejum de cinco anos sem títulos alagoanos que o alvinegro atravessa.
O Ceará está com 73,26% em estado de seca extrema ou excepcional, segundo o Monitor de Secas do Nordeste. Outro dado alarmante é que os reservatórios do estado acumulam apenas 8,1% da capacidade total. Após cinco anos de seca, a Fundação Cearense de Meteorologia e Recursos Hídricos (Funceme) diz que a perspectiva para os próximos meses não é animadora.
Segundo o meteorologista da Funceme, Raul Frits, devido às poucas chuvas, esse quadro de seca extrema ou excepcional pode piorar até o fim do ano. "Já que as chuvas são sempre muito poucas, a tendência é de um agravamento ainda maior deste quadro até que as primeiras chuvas cheguem", explica.
A progressão das secas foi classificada em cinco categorias: 'fraca', que no mapa aparece em branco; 'moderada', em amarelo-claro; 'grave', de cor laranja; 'extrema', em vermelho; e a pior: excepcional, de tom de vinho.
“Ela (categoria 'excepcional') caracteriza uma total falta de condição de aproveitamento agrícola. As culturas perdem-se totalmente, as pastagens desaparecem, pequenos cursos de água somem e assim por diante. É um retrato muito grave da situação de seca sobre o estado", analisa o especialista.
A Funceme reforça também que a comparação do cenário entre setembro do ano passado com o mesmo mês deste ano mostra que a seca se alastra gradativamente e de forma preocupante.
Já na comparação do panorama entre agosto e setembro deste ano, a situação parece ainda mais complicada. Em agosto, o Ceará era tomado principalmente pela seca 'extrema'. Apenas um mês depois, o mapa mostra que a região Centro-Sul do estado foi tomada quase praticamente pela seca excepcional, e o quadro começa a se agravar no litoral.
Edimar esteve em campo 46 vezes pelo Fortaleza em 2017 (Foto: Deborah Cinthia/Fortaleza)
Foram 46 jogos na temporada, todos como titular. Edimar tem motivos para comemorar o bom desempenho individual no ano de 2016. Mesmo que tenha sofrido críticas no início da temporada. Mas como nem tudo são flores, apesar de ter conquistado o título estadual e ter boa campanha na Copa do Brasil, o Leão do Pici não conseguiu o acesso para a Série B do Campeonato Brasileiro.
O defensor, que caiu nas graças do torcedor ao longo do ano, queria muito fechar a temporada com essa conquista. No mata-mata da Série C, o Fortaleza ficou pelo caminho contra o Juventude.
- Fiquei muito feliz pelo meu ano. Por mais que coletivamente não conquistamos nosso objetivo, que foi uma grande frustração coletiva, falando do desempenho em campo fui muito bem. Comecei a temporada com alguns erros que não estou acostumado, mas depois consegui a volta por cima em grande estilo. Joguei o ano todo, sem lesão nenhuma, fiquei fora de um jogo apenas da Série C. Agora é dar sequência no próximo ano - afirmou.
Nas últimas semanas, Edimar rescindiu o contrato com o Fortaleza. Emocionado, escreveu uma longa mensagem em suas redes sociais, afirmando estar triste por não ter conquistado o acesso, mas reiterando toda sua entrega com a camisa do clube. Muitos torcedores, inclusive, pediram a permanência do jogador após as eleições no Fortaleza.
- Eu vi muita gente querendo que eu fique, fazendo campanha, mandando muitas mensagens legais. Isso mostra que eles viram que dei meu máximo pelo clube e fiz grandes jogos. É verdade que tem a possibilidade de ficar depois das eleições, mas meu empresário que cuida de tudo. Sei que já tem algumas equipes interessadas, que conversaram com ele querendo contar comigo. Confio nele e sei que Deus está preparando algo muito bom para mim em 2017 - finalizou.
Uniclinic resolve jogar o Nordestão (Foto: Normando Sóracles/Ag. Miséria de Comunicação)
A novela sobre o segundo representante cearense na Copa do Nordeste ganha um novo e decisivo capítulo nesta quarta-feira (26). Depois de desistir de jogar a competição, o Uniclinic mudou de ideia e entregou, através de seu presidente Vanor Cruz, documentação para jogar o torneio na sede da Federação Cearense de Futebol (FCF). Os papeis evidenciando a mudança de postura do time cearense será encaminhando à Confederação Brasileira de Futebol (CBF).
Atual vice-campeão cearense e dono natural da vaga, o Uniclinic tinha argumentado falta de recursos para jogar o Nordestão. No entanto, com essa reviravolta, pode nem mais haver reunião na CBF na próxima semana. Vanor Cruz já levantado a possibilidade de recuar da decisão se não pudesse ficar com a cota de participação mesmo sem jogar o torneio.
A empresa Oxitec investiu R$ 20 milhões no projeto, que ocupa área de 5 mil m² e amplia em 30 vezes a capacidade atual de produção
Uma fábrica com capacidade para produzir 60 milhões de mosquitos Aedes aegypti transgênicos por semana foi inaugurada nesta quarta-feira, 26, em Piracicaba, no interior de São Paulo. É a primeira unidade de produção em grande escala do mosquito geneticamente modificado para combater o Aedes aegypti selvagem, transmissor da dengue, da zika e da chikungunya. O volume semanal é suficiente para tratar áreas urbanas com até 3 milhões de pessoas.
A empresa Oxitec investiu R$ 20 milhões no projeto, que ocupa área de 5 mil m² e amplia em 30 vezes a capacidade atual de produção. A empresa já desenvolve desde abril 2015, em parceria com a prefeitura, projeto de controle do mosquito selvagem com o uso do chamado Aedes do Bem. No Cecap/Eldorado, primeiro bairro tratado, houve diminuição de 82% na população de larvas e de 91% nos casos de dengue - foram 133 de julho de 2014 ao mesmo mês de 2015 e apenas 12 no período seguinte. Em julho deste ano, o programa foi estendido à região central da cidade e, em setembro, a outros dez bairros, atingindo cerca de 60 mil moradores.
O Aedes transgênico recebeu parecer favorável da Comissão Técnica Nacional de Biossegurança (CTNBio), que o considerou seguro do ponto de vista humano, ambiental, animal e vegetal. Os machos geneticamente modificados, que não picam, nem transmitem dengue, buscam as fêmeas selvagens para se reproduzir e transmitem a seus descendentes um gene que os faz morrer antes de atingirem a idade reprodutiva. Eles herdam um marcador fluorescente que permite a identificação em laboratório, possibilitando o rastreamento e avaliação dos resultados.
O projeto em Piracicaba tem caráter de pesquisa e vai custar à prefeitura R$ 3,7 milhões.
No Ceará, apenas 2,7% das estradas são "ótimas", diz CNT (Foto: Ivan Edson/Arquivo Pessoal)
Dos 3.525 quilômetros de estradas - federais e estaduais - que atravessam o Ceará, 95 foram classificados como ótimo (2,7%); 1.161 bom (32,9%); 1.287 regular (36,6%); 854 ruim (24,2%) e 128 quilômetros péssimo (3,6%), o que representa 64,4% das estradas com algum tipo de problema. Os dados são foram divulgadas pela Confederação Nacional do Transporte nesta quarta-feira (26).
A pesquisa analisa o estado geral, pavimento, sinalização e geometria da via. O maior problema identificado no levantamento, foi na categoria geometria da via, com 1.450 km em estado classificados como péssimos.
Em relação às condições da superfície do pavimento, 2.319 km, que corresponde a 65,8% foram considerados desgastados, em 9% existem trincas, afundamento, ondulações e buracos foram identificados em 113 km (3,2%). No entanto, 21,4%, que corresponde a 755 km dos avaliados são considerados perfeitos.
Sobre a pintura da faixa, 71,3% estão visíveis. 24,8% desgastadas e 1,3% não existe. As placas de limite de velocidade também apresentam números positivos, 86,6% e 13,7 para presente e ausente, respectivamente.
Em todo o brasil foram pesquisadas uma extensão total de 103.259 km, no nordeste 27.898 km; no Ceará foram 3.525 km.
A etapa de coleta da Pesquisa CNT de Rodovias 2016 durou 30 dias (de 4 de julho a 2 de agosto). Os resultados são apresentados por tipo de gestão (pública e concessionada), por jurisdição (federal e estadual), por região e por unidade da Federação. O estudo avalia também os corredores rodoviários, que unem dois ou mais polos de atração econômica com denso fluxo de tráfego de veículos; apresenta análises socioeconômica e ambiental e traz o ranking de qualidade de 109 ligações rodoviárias pesquisadas. Há ainda informações sobre infraestrutura de apoio e resultados por rodovia.
Em uma decisão corajosa e forte, o governo francês anunciou que a partir de 2020 só poderão ser comercializados talheres, copos e pratos descartáveis que sejam biodegradáveis. Produtos fabricados com plástico estarão banidos das prateleiras das lojas.
A lei, que acaba de ser aprovada, foi proposta pelo Europe Ecologie-Greens Party (o Partido Verde francês). O governo aceitou a ideia com o objetivo de reduzir o uso de energia e água utilizado na fabricação de produtos plásticos, além de diminuir a poluiçãoprovocada pelos mesmos.
Apesar dos ambientalistas terem afirmado que a lei deveria entrar em vigor já no ano que vem, Segolene Royal, ministra do Meio Ambiente, defendeu que ela só entre em prática em 2020, para que indústria, supermercados, lojas e restaurantes tenham tempo para se adequar à nova regulamentação.
Críticos da decisão do governo da França disseram que não há garantias que o material a ser usado na produção de copos, talheres e recipientes serão realmente biodegradáveis. Eles argumentam ainda que a nova medida poderá incentivar a população a simplesmente jogar lixo na natureza e achar que ele irá se decompor.
O sucesso da nova lei vai depender agora de que tipo de normas e exigências os franceses terão para a fabricação destes itens e se a fiscalização será eficiente. Não basta criar a lei, é preciso que haja acompanhamento contínuo.
Depois de sediar a Conferência das Nações Unidas pelas Mudanças Climáticas (COP21), em 2015, a França lançou o plano nacional La Transition Énergétique pour la Croissance Verte (Plano de Transição Energética para o Crescimento Verde, em tradução livre), em que se compromete, entre outras metas, em reduzir a emissão de gases de efeito estufa(aqueles que provocam o aquecimento da superfície da Terra) em 40% até 2030 (em relação aos índices de 1990); diminuir, até 2050, em 50% o uso de energia do consumidor final, comparados aos números de 2012, e 30% a dependência nos combustíveis fósseis(gasolina, diesel e carvão).
O cerco ao plástico se fecha
O plástico demora milhares de anos para se decompor na natureza. E para piorar, há mais de 50 tipos diferentes de plástico. Invariavelmente, o destino final de resíduos feitos com essa matéria-prima são os oceanos. Cientistas afirmam que até 2050, quase todas as aves marinhas terão plástico em seus organismos. Não escaparão nem as mais remotas comunidades de pinguins da Antártica ou albatrozes nascidos em ilhas e rochedos distantes do continente (leia mais sobre o assunto neste post).
Mas muitos governos já estão se posicionando contra o uso insustentável destes materias que provocam imenso impacto ambiental. Em julho último, por exemplo, a cidade americana de São Franciso proibiu a comercialização de embalagens e produtos feitos com isopor. Em 2014, a prefeitura tinha banido a venda de garrafas plásticas em espaços públicos.
Em diversos países, como Inglaterra, Irlanda, Escócia, Dinamarca, Alemanha, Portugal e Hungria, também não se mais distribuir gratuitamente sacolas plásticas no comércio. Há uma cobrança por elas, que mesmo sendo ínfima, faz com que consumidores mudem seu comportamento e comecem a levar suas sacolas de casa.
Com mais pressão do governo, tecnologias inovadoras – que já existem (leia sobre elas aqui) e conscientização da população, é possível reduzir drasticamente o uso do plástico e assim, a poluição nas cidades e nos oceanos.
O relatório Situação da População Mundial 2016 lançado pela ONU retrata 10 meninas de 10 anos de diferentes países. Uma delas, Samantha Borges Mota, é brasileiraMarcello Casal Jr/Agência Brasil
A educação formal para meninas a partir dos 10 anos e a construção de projetos de vida que adiem a gravidez na adolescência são questões decisivas para o desenvolvimento socioeconômico mundial. As informações fazem parte do relatório “Situação da População Mundial”, lançado hoje (26) pelo Fundo de População das Nações Unidas.
A representante auxiliar do Fundo no Brasil, Fernanda Lopes, explicou que as economias global e locais “premiam” aquelas pessoas que tem competências desenvolvidas a partir do ensino médio. Segundo ela, é nessa etapa que elas ganham mais qualificação e ao entrar no mercado de trabalho podem ter melhores cargos e salários.
“A educação formal também faz diferença na vida dessas meninas porque, quanto mais tempo elas ficam na escola, mais podem pensar na construção de seus projetos de vida que caibam uma gravidez mais no longo prazo, relações afetivas mais duradouras, também as protege do casamento infantil e de algumas práticas nocivas que as sociedades impõe a essas meninas”, explicou.
Para Fernanda, a gravidez na adolescência é um impacto danoso para a vida de muitas meninas. “Elas terão menos oportunidades para tudo, para exercer seus direitos, estarão em desvantagens nas relações de gênero, mas sobretudo não conseguirão romper alguns ciclos, principalmente o ciclo da pobreza. A possibilidade dessas meninas construírem as habilidades para a vida precisa estar no centro das atenções e investimentos”, reforçou.
A representante auxiliar do Fundo de População das Nações Unidas no Brasil, Fernanda Lopes, durante lançamento do relatórioMarcello Casal Jr/Agência Brasil
A edição deste ano do relatório, intitulada “10 – Como nosso Futuro Depende de Meninas nessa Idade Decisiva”, analisa a importância dos investimentos em meninas na faixa etária de 10 anos e como fatores cruciais tais como leis, serviços, políticas, investimentos, dados e padrões que garantam os direitos das meninas a partir dos 10 anos podem determinar o cumprimento dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS).
Os 17 ODS, expressos em 169 metas, representam o eixo central da Agenda 2030 para o Desenvolvimento Sustentável, que entrou em vigor no dia 1º de janeiro deste ano. Eles vão orientar as ações nas três dimensões do desenvolvimento sustentável - econômica, social e ambiental - em todos estados-membros das Nações Unidas até 2030.
O relatório traz insumos para a elaboração e aprimoramento de políticas públicas, incluindo um conjunto de dez ações essenciais recomendadas para assegurar o pleno desenvolvimento das 60 milhões de meninas dessa idade que vivem hoje no mundo. Segundo o relatório, elas já estão entre os grupos populacionais sob maior risco de serem deixados para trás, fora de um desenvolvimento igualitário e inclusivo.
No Brasil
A secretária Nacional de Promoção dos Direitos da Criança e do Adolescente, Cláudia Vidigal, explicou que a secretaria está mapeando as iniciativas que já existem de empoderamento de meninas e circulando as informações para os diversos órgãos para provocar novas políticas públicas.
“O que mais preocupa é a invisibilidade do tema”, disse, explicando que é preciso enxergar que a desigualdade do gênero está colocada e que ela participa diariamente da nossa vida.
Um dos problemas citados por Cláudia é o casamento precoce. “São cerca de 800 mil meninas casadas antes dos 18 anos no Brasil. Muitas vezes se casam porque esse é o único projeto de vida possível pra elas. Precisamos apresentar novos projetos, empoderá-las desde os 10 anos para que elas compreendam que há muitos caminhos possíveis”, explicou.
Samantha Borges tem 10 anos, vive em Ceilândia, no Distrito Federal, e seu perfil é apresentado no relatório junto ao de outras noves meninas de 10 anos de outros países. Ela espera ir para a faculdade e gostaria de se casar um dia, mas sonha em ser policial. “É um trabalho importante, vou poder ajudar outras pessoas”, disse.
Os perfis das meninas mostram um pouco da diversidade de contextos, desafios e aspirações dessa geração que terá um papel chave para o desenvolvimento global.
O relatório “Situação da População Mundial” é publicado anualmente desde 2004 e apresenta indicadores sociodemográficos atualizados para todos os países, além de uma análise detalhada sobre um tema significativo para a agenda global de população e desenvolvimento. Todas as edições estão disponíveis na página do Fundo de População das Nações Unidas na internet.
Saiba quais são as dez ações essenciais definidas pela ONU para as meninas de 10 anos:
1- Estipular a igualdade legal para as meninas, respaldada por uma prática jurídica correspondente 2- Banir todas as práticas nocivas às meninas e estabelecer a idade mínima de 18 anos para o casamento. 3- Oferecer educação segura e de alta qualidade, que apoie integralmente a igualdade de gênero nos currículos, nos padrões de ensino e nas atividades extracurriculares. 4- Ao promover a universalização da atenção em saúde, instituir a realização de exames de checkup de saúde mental e física para todas as meninas aos 10 anos de idade. 5- Oferecer educação integral e universal em sexualidade no início da puberdade. 6- Instituir um foco rigoroso e sistemático na inclusão, atuando sobre todos os fatores que contribuem para deixar as meninas em situação de vulnerabilidade para trás. 7- Mapear e preencher as lacunas de investimento nas jovens adolescentes. 8- Mobilizar novos fundos para saúde mental, proteção e redução do trabalho não remunerado que limitam as opções para as meninas. 9- Usar a revolução de dados da Agenda 2030 para mapear o progresso das meninas, inclusive em saúde sexual e reprodutiva. 10- Envolver as meninas, os meninos e todas as pessoas próximas no questionamento e mudança das normas discriminatórias de gênero.
O ministro da Educação, Mendonça Filho, e o ministro da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações, Gilberto Kassab, defenderam hoje (26), o investimento em educação como uma das principais soluções para a crise pela qual o Brasil passa. "Quando existe uma crise, temos que investir de um maneira muito privilegiada em educação. Para sair de uma crise, seja econômica, seja política, seja moral. O grande instrumento de solução dessa crise é o investimento em educação, o investimento nas pessoas", disse Kassab.
Os ministros participaram da entrega do Prêmio Anísio Teixeira, que, a cada cinco anos, premia personalidades brasileiras que tenham contribuições relevantes para o desenvolvimento da educação básica ou para a melhoria da qualidade da formação de professores. Neste ano, a premiação ocorre junto à comemoração dos 65 anos da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes).
Em discurso para educadores, reitores, conselheiros de educação, parlamentares e funcionários das pastas, o ministro da Educação, Mendonça Filho, disse que é um momento delicado da vida nacional. "Creio que qualque pessoa sensata há de concordar que mesmo nos momentos mais difíceis, a gente deve convergir, tendo como foco principal aquilo que a sociedade brasileira consagra, conceitos e objetivos comuns, como, por exemplo, a necessidade de investimento forte na área da educação como imperativo da transormação verdadeira da realidade brasileira".
PEC 241
Os discursos ocorrem um dia após a aprovação em segundo turno pela Câmara dos Deputados da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 241/2016, que limita os gastos do governo pelos próximos 20 anos. Educação e saúde não estão sujeitas a tetos específicos. No entanto, limitadas pelo teto geral, um maior investimento nas áreas fica a cargo da decisão dos governos.
"Junto com toda a alegria de receber o prêmio estou muito triste com a aprovação da PEC 241, que aconteceu na noite de ontem, por uma vantagem esmagadora. Infelizmente nós não conseguimos sensibilizar os nossos interlocutores políticos de que educação, ciência, tecnologia e inovação não são gastos, são investimentos", disse a presidente da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC), Helena Nader, uma das premiadas.
De acordo com Helena, o financiamento para ciência e tecnologia cairá com a PEC. "Para ciência e tecnologia, o financiamento é um quinto do que tínhamos, em valores nominais, sem correção pela inflação, em 2013 e 2012. Isso significa pôr o Brasil na contramão do mundo", diz. "Hoje, o Brasil investe 1,04% do PIB [Produto Interno Bruto]. Com a PEC devemos cair para 0,9%, 0,8%, 0,7%, até desaparecer. É preocupante".
Perguntado, Mendonça Filho diz que a medida não terá impacto negativo na educação. "A gente vai continuar crescendo. Tanto que o Orçamento de 2017 será cerca de R$ 9 bilhões superior ao Orçamento deste ano, mesmo diante de um quadro de muita dificuldade econômica". A PEC 241 ainda será votada em dois turno no Senado Federal.
População brasileira com mais de 80 anos pode chegar a 19 milhões em 2060, estima IBGEArquivo/Marcelo
Camargo/Agência Brasil
O número de idosos com 80 anos ou mais pode passar de 19 milhões em 2060, um crescimento de mais de 27 vezes em relação a 1980, quando o Brasil tinha menos de 1 milhão de pessoas nessa faixa etária (684.789 pessoas). Na projeção para 2016, o país contabiliza 3.458.279 idosos com mais de 80, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
As estimativas populacionais de 1980 a 1999 foram acrescentadas hoje (26) pelo IBGE aos dados de 2000 a 2060 - divulgados em 2013. As informações fazem com que a série histórica tenha um intervalo de 80 anos.
Se confirmada a projeção, o Brasil chegaria a 2060 com 19.111.509 de pessoas com 80 anos ou mais. Esse contingente, se comparado aos dados atuais, perderia apenas para a população total de São Paulo e Minas Gerais.
A alta é resultado da melhoria da esperança de vida ao nascer do brasileiro, que era de 62,58 anos em 1980 e pode atingir 81,2 anos segundo a projeção de 2060.
Crianças
Na outra ponta da pirâmide etária, o grupo de crianças de até 4 anos em 2060 deve representar praticamente a metade do estimado na década de 80 (16.942.583).
A previsão é que esse número mantenha a queda iniciada no fim daquela década e chegue a 8.935.080 em 2060.
Atualmente, segundo projeções do órgão, o país tem 14.545.488 crianças de 0 a 4 anos (2016).
A diferença no número de crianças é reflexo de outro dado demográfico que vem caindo: o número de filhos por mulher. Em 1980, a média era de 4,12 filhos por mulher, taxa que já tinha diminuído para 2,39 em 2000 e deve chegar a 1,50 em 2060.
Consumidor que usa cheque especial paga 324,9% ao ano de juros Imagem de Arquivo/Agência Brasil
A taxa de juros do cheque especial continuou a subir em setembro. Segundo dados do Banco Central (BC), divulgados hoje (26), a taxa do cheque especial subiu 3,8 pontos percentuais, de agosto para setembro, quando chegou a 324,9% ao ano, estabelecendo novo recorde na série histórica do BC, iniciada em julho de 1994.
Neste ano, a taxa do cheque especial já subiu 37,9 pontos percentuais em relação a dezembro de 2015, quando estava em 287% ao ano.
Outra taxa de juros que voltou a registrar recorde foi a do rotativo do cartão de crédito. O rotativo é o crédito tomado pelo consumidor quando paga menos que o valor integral da fatura do cartão.
Em setembro, na comparação com agosto, houve alta de 5,3 pontos percentuais, com a taxa em 480,3% ao ano, a maior da série iniciada em março de 2011. Neste ano, essa taxa já subiu 48,9 pontos percentuais.
A taxa média das compras parceladas com juros, do parcelamento da fatura do cartão de crédito e dos saques parcelados, subiu 2,5 pontos percentuais e ficou em 154,7% ao ano.
Essas duas taxas – do cheque especial e do cartão de crédito – são as mais caras na pesquisa do Banco Central e estão bem distantes dos juros médios do crédito para pessoa física (73,3% ao ano, em setembro). A alta em relação a agosto foi de 1,5 ponto percentual.
Juros do cartão de crédito são de 480,3% ao ano Arquivo Agência Brasil
A taxa do crédito pessoal subiu 2,8 pontos percentuais para 135,1% ao ano. A taxa do crédito consignado (com desconto em folha de pagamento) ficou estável em 29,3% ao ano, em relação a agosto.
Inadimplência estável
Os dados do BC também mostram que a inadimplência do crédito, considerados atrasos acima de 90 dias, para pessoas físicas, ficou estável em 6,2%, pelo quarto mês seguido.
A taxa de inadimplência das empresas também ficou inalterada em 5,5%. A taxa média de juros cobrada das pessoas jurídicas ficou em 29,8% ao ano, queda de 0,8 ponto percentual em relação a agosto.
Esses dados são do crédito livre em que os bancos têm autonomia para aplicar o dinheiro captado no mercado e definir as taxas de juros.
No caso do crédito direcionado (empréstimos com regras definidas pelo governo, destinados, basicamente, aos setores habitacional, rural e de infraestrutura) a taxa de juros para as pessoas físicas ficou estável em 10,4% ao ano. A taxa cobrada das empresas caiu 0,4 ponto percentual para 12% ao ano. A inadimplência das famílias ficou em 2%, com alta de 0,2 ponto percentual e das empresas permaneceu em 1,3%.
O saldo de todas as operações de crédito concedido pelos bancos caiu 0,2% de agosto para setembro quando ficou R$ 3,109 trilhões. Em 12 meses encerrados, o saldo das operações de crédito caiu 1,7%.
O saldo correspondeu a 50,8% de tudo o que o país produz – Produto Interno Bruto (PIB), ante o percentual de 51,2% registrado em agosto deste ano.