O Boa Esporte é campeão brasileiro da Série C. Mesmo entrando em campo com a vantagem do empate por 0 a 0, a equipe de Varginha dominou o Guarani, abriu 2 a 0 logo no início do jogo e não deu chances de reação, para alegria da torcida que fez uma bonita festa no Estádio Municipal de Varginha, o Melão. Nos acréscimos, deu tempo para festejar mais um gol para coroar a campanha.
Os gols foram marcados pelo paraguaio Braian Samúdio, Fellipe Mateus e Kaio Cristian. O título é a primeira conquista nacional do Boa Esporte. Além disso, o título acontece apenas um ano após o rebaixamento do time na Série B e seis meses após a queda no Mineiro.
Com grande público no Estádio Municipal de Varginha, a torcida do Boa cantou do início ao fim do jogo. Aos gritos de "o campeão voltou", a torcida embalou a festa do time mineiro.
As expectativas de recuperação da economia brasileira têm melhorado, mas ainda não será em 2017 que o país vai sair da crise. A previsão é que em 2016 haverá contração de 3,4% e que o próximo ano começará com queda de 0,5% no Produto Interno Bruto (PIB). Os dados foram apresentados pela economista Sílvia Matos no seminário Perspectivas 2017: Economia e Política em Momento de Mudança, promovido pelo Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getúlio Vargas (FGV/Ibre).
Sílvia Matos é coordenadora técnica do Boletim Macro Ibre, estudo mensal que contempla estatísticas, projeções e análises dos aspectos mais relevantes da economia brasileira. “Acho difícil imaginar uma saída tão rápida dessa recessão. Uma recessão longa, profunda, similar à dos anos 80 e, sem dúvida, baixo crescimento neste ano”, disse.
A economista disse que o movimento de “desinflação”, tem ocorrido em ritmo lento e, por isso, o Banco Central, está sendo mais cauteloso, para não errar na calibragem da economia. “Nesse momento de transição econômica a gente não sabe quanto de desinflação virá, então o Banco Central está sendo extremamente cauteloso e, provavelmente, não terá a queda na taxa de juros esperada pelo mercado, logo, a economia não vai poder se recuperar com a mesma velocidade”, disse.
Sílvia disse que o calcanhar de Aquiles da economia brasileira é a política fiscal e que a trajetória da dívida bruta é insustentável. Ela diz que existe uma agenda de reformas para retomada dos investimentos e estabilidade das regras. Além disso, é importante sinalizar para investidores estrangeiros que um novo governo que vai assumir em 2019 vai manter o modelo econômico.
“Há sempre um risco das reformas e, por isso, é importante a gente passar isso. Mudanças constitucionais que são difíceis de ser aprovadas para depois ser difícil também de reverter. Previdência é uma batalha dificílima, mas se o governo conseguir pode até gerar um cenário mais favorável do que o que a gente está avaliando”, diz.
Setor de serviços
Para a economia acelerar mais rapidamente precisaria ter um crescimento mais robusto do setor de serviços e não apenas da atividade industrial, mas o momento atual é de redução de despesas do governo e ainda de consumo das famílias. “Como a gente não tem nada de fora puxando a indústria e o setor externo não vai contribuir para este super crescimento, o que poderia vir seria da demanda interna, mas para a demanda interna vir com uma aceleração muito forte, precisa ter capacidade de aceleração que viria pelo canal do crédito, que parece ainda estar entupido”, disse após o seminário.
Para 2018, a previsão ainda é de um PIB baixo, em torno de 2%, mas os índices de desemprego podem ser melhores. “A ideia é que a taxa de desemprego no segundo semestre de 2017 pode começar a mostrar algum recuo não é nada brilhante, mas é um sinal favorável e poderia continuar em 2018 esse processo. Mas a gente vai conviver com taxas de desemprego ainda elevadas, porque antes de contratar, tem espaço para aumento de horas trabalhadas”, disse.
A economista destacou que mesmo com as dificuldades provocadas na economia pelos reflexos da Operação Lava Jato, não existe opção para o país além de fazer as reformas. “Quando a situação econômica melhora de alguma forma o político é bem avaliado. Está dando os incentivos corretos. Vamos tentar arrumar essa economia, porque com a crise ninguém ganha, todos perdemos. É essa visão um pouco mais otimista. Não quer dizer que vamos resolver todos os problemas em 2017. O cenário de curto prazo reflete esses problemas tão grandes da nossa economia”.
Levir Culpi não é mais técnico do Fluminense. A derrota, por 4 a 2, para o Cruzeiro foi o fim do ciclo do treinador no comando do Tricolor. O anúncio foi feito ainda nos vestiários pelo presidente do clube Peter Siemsen. Marcão, ex-jogador da própria equipe carioca, e auxiliar técnico assume a função até o fim do Campeonato Brasileiro.
O técnico tem aproximadamente 52% de aproveitamento no comando do Fluminense. Foram 52 jogos, com 22 vitórias, 15 empates e 15 derrotas. O ápice foi a conquista da Liga Sul-Minas-Rio no primeiro semestre. Já no Brasileirão, o treinador engatou uma série de seis jogos sem vitória no Campeonato Brasileiro, fator que deixou o time mais longe na briga por uma vaga na Copa Libertadores da América.
Levir Culpi não é mais o técnico do Fluminense
A derrota para o Cruzeiro foi a sexta partida consecutiva sem vitória do clube das Laranjeiras. No Brasileirão, o time caiu para a nona posição, com 48 pontos, três a menos que o Atlético-PR, sexto colocado e último na zona de classificação à Libertadores.
Segundo o anúncio oficial do Fluminense, o auxiliar-técnico Marcão será o treinador do time tricolor até o final do Campeonato Brasileiro, auxiliado por Matheus Costa, que era observador técnico.
Pelo resultado conquistado pelo Ceará no primeiro tempo, até sem fazer muita força, a partida contra o Tupi-MG se encaminhava para uma vitória fácil. Mas o gol do time mineiro aos 30 do segundo tempo deu ânimo aos comandados de Ricardinho que tentou pressionar o Ceará nos minutos finais. Alívio mesmo só quando o juiz apitou o fim do jogo e o Vovô sacramentou a vitória por 2 a 1 na tarde deste sábado, no Castelão, pela 34ª rodada do Brasileiro da Série B. O Ceará abriu dois gols de frente no primeiro tempo com Bill e Lelê. Hiroshi marcou no segundo tempo e recolocou o Tupi-MG no jogo.
Com o resultado, o Ceará se recupera da derrota para o Bahia, chega a 50 pontos em oitavo lugar e segue na briga por uma vaga no G-4. O Galo Carijó volta a perder e segue no Z-4 da Série B com 30 pontos. As duas equipes entram em campo na terça-feira, às 19h15, pela 35ª rodada. O Ceará vai até o Heriberto Hülse onde enfrenta o Criciúma. No Mário Helênio, em Juiz de Fora, o Tupi-MG recebe o CRB.
Arena Castelao, Ceará x Tupi, Série B (Foto: Caio Ricard/TV Verdes Mares)
Ceará precisa da vitória para seguir na briga pelo acesso (Foto: Felipe Oliveira/Divulgação/EC Bahia)
No primeiro turno, o Tupi-MG ganhou de virada. Já estava na zona de rebaixamento neste época. O Vovô que perdeu era um dos quatro times do G-4 e brigava pela liderança da Série B do Campeonato Brasileiro. Hoje, pela 34ª rodada, o confronto marca uma nova situação. Não para a equipe mineira, que segue no Z-4 e está quase rebaixado, mas para o Ceará, que tenta uma recuperação de verdade que dê a ele uma reaproximação com o G-4. Neste sábado (5), às 17 horas (de Brasília) e 16 horas (de Fortaleza), os dois se encontram na Arena Castelão.
O Tupi, com poucas chances de permanecer na Segundona, tenta vencer para ter uma sobrevida. Por isso, o Ceará precisa, mais do que nunca, se utilizar do favoritismo e fazer o dever de casa, que lhe garantirá permanecer na briga.
Para isso, o técnico Sérgio Soares colocará em campo um time bem ofensivo. Mas, como sempre, ele faz mistério com relação ao time. De certo mesmo, só o fato de Thallyson não ir a campo. Ele pediu dispensa para resolver problemas particulares. As opções são duas: ou repetir o time que perdeu para o Bahia, no sábado passado. Ou colocar Serginho no meio-campo. Para isso, Felipe teria que ir para a reserva. Por isso, o torcedor só saberá mesmo quem entra em campo naqueles "minutos antes do jogo".
Se vencer, o Alvinegro chega aos 50 pontos. Empata em pontuação com o Luverdense, mas fica à frente no número de vitórias. E com uma pequena combinação de resultados, teria chance de ficar a quatro pontos do G-4. Empate ou derrota podem sacramentar o fim da esperança de acesso. Por isso, jogando em casa, a palavra de ordem é atacar. E com todos os 11 jogadores, se possível.
A escalação alvinegra para o jogo deve ser a seguinte: Éverson; Tiago Cametá, Ewerton Páscoa, Charles e Eduardo; Richardson, Felipe Menezes, Felipe e Wescley; Lelê e Bill. Serginho entraria no lugar de Felipe, no que seria a mudança mais óbvia. Mas com o papel decisivo do meia nos últimos compromissos alvinegros, a opção poderia ser também a saída do outro Felipe, o Menezes.
O Ceará entra em campo às 17 horas (de Brasília) e 16 horas (de Fortaleza), na Arena Castelão, pela 34ª rodada da Série B do Brasileiro.
Ceará tenta mais uma vitória em casa pela Série B. Triunfo pode garantir mais vida ao Vovô na competição (Foto: Christian Alekson/Cearasc.com)
Com apenas 7,9% da capacidade total de armazenamento, a situação dos 153 açudes do Cearámonitorados pela Companhia de Gerenciamento de Recurso Hídricos (Cogerh), em parceria com o Departamento Nacional de Obras Contra as Secas (Dnocs), é preocupante. A realidade dos açudes é consequência da escassez de chuvas registrada nos últimos cinco anos, quando o volume ficou bem abaixo da média histórica.
Segundo o boletim hidrográfico da Cogerh,152 açudes monitorados pela Companhia, 47 estão secos e 42 estão em volume morto. O volume morto é a água que fica no fundo das represas, abaixo dos canos de captação que normalmente são usados para retirar água da barragem para seu uso. Ou seja, é o que fica abaixo da captação por gravidade (sem o uso de bombas).
Das 12 bacias hidrográficas do Estado, sete estão com volume de armazenamento de água inferior a 10%: Baixo Jaguaribe (0,0%), Sertões de Crateús (1,95%), Curu (1,78%), Banabuiú (2,11%), Médio Jaguaribe (5,65%), Salgado (9,60%) e Acaraú (7,79%). Outras três têm volume armazenado abaixo de 20%: Alto Jaguaribe (16,95%), Serra da Ibiapaba (16,02%) e Metropolitana (12,56%). Apenas duas estão com volume superior a 20%: Coreaú (30,41%) e Litoral (31,17%).
Um exemplo da crise hídrica no Ceará é a situação do maior açude do Estado, o Castanhão. Localizado no município de Nova Jaguaribara, a 260 quilômetros de Fortaleza, o reservatório tem capacidade para armazenar 7,5 bilhões de metros cúbicos de água, mas hoje acumula apenas 382 milhões, que representa 5,7% da sua capacidade de armazenamento, o pior índice desde que foi inaugurado, há 12 anos. Além de Fortaleza, outros 25 municípios são abastecidos pelo Castanhão.
Em 2016, as chuvas no primeiro semestre ficaram 25% abaixo da média histórica no Ceará, de acordo com a Fundação Cearense de Meteorologia e Recursos Hídricos (Fuceme). Em março, o mês mais chuvoso no estado, quando são esperados mais de 200 milímetros, em média, nos municípios, o índice registrado foi 129 milímetros.
Açude Castanhão está com menor nível desde que foi inaugurado (Foto: DNCOS/Divulgação) Do G1 CE
Image copyrightTHINKSTOCKImage captionCom tantos graduados no mercado, muitos não conseguem exercer suas profissões
Enquanto você lê esta reportagem, milhares de jovens pelo Brasil se preparam para o Enem (Exame Nacional do Ensino Médio), prova que pode garantir a entrada deles na universidade. Os estudantes apostam na graduação para começar uma carreira. No entanto, muitos dos que pegam o diploma hoje não conseguem exercer sua profissão.
A culpa não é só da crise econômica, que levou o desemprego a 11,8% no terceiro trimestre deste ano, segundo o IBGE, mas do perfil dos recém-formados. Eles se concentram em poucas áreas e, quando buscam uma vaga, percebem que não há tanto espaço para as mesmas funções.
Essa análise foi feita pelo economista e professor da USP Hélio Zylberstajn, a partir de um cruzamento de dados do Censo do Ensino Superior e da Rais (Relação Anual de Informações Sociais), do Ministério do Trabalho.
Os números de 2014, os mais recentes disponíveis, mostram que 80% dos formandos estudavam em seis ramos: comércio e administração; formação de professor e ciências da educação; saúde; direito; engenharia e computação. Ao olhar o que faziam os trabalhadores com ensino superior, o professor notou que os cargos não existiam na mesma proporção dos diplomas.
Um bom exemplo é o setor de administração que, em 2014, correspondia a 30% dos concluintes. Apesar da fatia expressiva, apenas 4,9% dos trabalhadores com graduação eram administradores de empresa. Outros 9,4% eram assistentes ou auxiliares administrativos, função que nem sempre exige faculdade.
"As pessoas fazem esses cursos, mas evidentemente não há demanda para tantos advogados ou administradores. Elas acabam sendo são subutilizadas", diz Zylberstajn.
O professor também diz que o número total de graduados seria superior ao que o mercado brasileiro pode suportar. De acordo com o Censo do Ensino Superior, em 2014, um milhão de pessoas saíram das salas de aula. Em 2004, eram 630 mil.
Mais gente no ensino superior
Mas o que levou esse número a crescer tanto?
A multiplicação das instituições privadas, ao lado da maior oferta das bolsas do Prouni e do Fies (Fundo de Financiamento Estudantil), facilitaram o acesso dos brasileiros à graduação. De 2000 a 2014, a quantidade de instituições dessa natureza aumentou 15%. Outro fator, dizem os entrevistados, é cultural: no país, a beca é sinônimo de status.
"A gente despreza o técnico e supervaloriza o superior. É uma tradição ibérica. Como por muito tempo foi uma coisa da elite, passou a ser considerado um meio de ascender socialmente", afirma Zylberstajn.
Para a professora Elisabete Adami, da Administração da PUC-SP, esse objetivo está ligado à ideia de que o diploma basta para ganhar mais.
Ela diz que deu aulas em faculdades privadas de São Paulo e notava o desejo de seus alunos de melhorar de vida.
"Na sala, tinha três que eram carteiros, muitos motoboys, o pessoal que trabalhava em lojas. O que eles queriam ali? Subir."
Image copyrightARQUIVO PESSOALImage captionRodolfo Garrido foi fazer faculdade de engenharia porque queria ganhar mais
Rodolfo Garrido pensava nisso quando largou o ensino técnico para entrar em uma faculdade privada. Ele ganhava R$ 2.600 como programador de produção em uma metalúrgica. Como engenheiro, diz, seu salário poderia subir para R$ 4.000.
Com a oportunidade do financiamento estudantil, decidiu apostar.
"Já trabalhava na área, então só juntei os estudos. Para poder me graduar e ter um salário melhor, poderia ganhar o dobro. Quando surgiu o incentivo do governo, comecei a pesquisar, porque antes era uma bolada."
Depois de três semestres, teve que deixar as aulas porque ficou desempregado.
Segundo a diretora do Escritório de Desenvolvimento de Carreiras da USP, Tania Casado, a crença de Rodolfo é endossada por pesquisa. Elas indicam salários maiores para empregos de nível superior. Mas A a professora faz uma ressalva: os estudos são feitos com quem já está trabalhando nesses cargos.
"Os dados são verdadeiros, só que é preciso lê-los corretamente. O fato de você fazer uma faculdade não significa que vai para um vaga desse tipo."
Os motivos pelos quais Rodolfo escolheu engenharia também ajudam a explicar a concentração dos estudantes em seis áreas, que incluem saúde, direito e computação. São profissões tradicionais, teoricamente mais estáveis e bem pagas. Além disso, são as mais oferecidas pelas instituições privadas, responsáveis por 87,4% da educação superior no país.
"As pessoas vão para faculdades pagas, que têm cursos de menor custo, como Direito e Administração", diz o professor Hélio Zylberstajn.
Eles são mais baratos porque não usam outros equipamentos a não ser a sala de aula. Cursos de Química, por exemplo, exigem laboratórios e substâncias controladas.
Outro fator para decisões tão parecidas seria a pouca idade com que os brasileiros escolhem uma profissão.
"É uma meninada de 17, 18 anos, que faz Administração porque o pai fez, ou porque acha legal ser CEO", diz a professora Elisabete Adami, da PUC-SP.
Image copyrightARQUIVO PESSOALImage captionEvelyn queria ser administradora de empresas, mas trabalha como assistente administrativa
Aceitar o que tiver
Com tantos professores, administradores e advogados no mercado, muita gente tem dificuldade de conseguir um bom cargo na sua área. Às vezes o jeito é aceitar vagas que pedem apenas ensino médio.
Quando Evelyn Maranhão se formou, em 2011, pensava que seria administradora de empresas. Cinco anos e muitas negativas depois, trabalha como assistente administrativa. Ela registra pedidos e lança horas-extras no sistema de uma empresa de manutenção predial.
"Achei que ia lidar com estatística, relatório, análises, e, na verdade, faço o que uma secretária faria. Imaginava que estaria na tomada de decisões."
Há quem nem consiga exercer sua profissão.
Antes de cursar enfermagem, Vivian Oliveira trabalhava com eventos. Mesmo depois da formatura, continua organizando congressos, feiras e festas. Nesse meio tempo, diz, mandou incontáveis currículos, mas não foi chamada para entrevistas. Só foi contratada por uma clínica, onde ficou um ano.
"Até há vagas, mas como não tenho muita experiência, eles não chamam."
Para a enfermeira, o fato de não ter estudado em uma universidade conceituada prejudicou sua trajetória "Se surgir uma posição no (hospital Albert) Einstein, vai entrar alguém de faculdade renomada. Vi que meus colegas buscam fazer pós em lugares reconhecidos, porque colocam esse nome no currículo."
Image copyrightARQUIVO PESSOALImage captionFormada em enfermagem, Vivian trabalha com eventos
Faculdade renomada
A falta de experiência e a formação em instituições pouco prestigiadas são os principais empecilhos que os formandos enfrentam nos processos de seleção, diz Luciane Prazeres, coordenadora de Recursos Humanos da agência de empregos Luandre.
Prazeres relata que muitos profissionais chegam no mercado sem ter feito estágio porque precisavam trabalhar para pagar os estudos. E alguma experiência na área é sempre requisitada pelos empregadores.
"A maioria são recepcionistas, operadores de call center que buscam o oposto do que estão fazendo. Mas, se ele não sai do mercado para fazer estágio, é difícil conseguir uma oportunidade."
Segundo ela, é comum que, ao abrir um posto, as empresas peçam candidatos formados em determinada universidade.
Professora na PUC-SP, Elisabete Adami diz notar essa diferença ao ver que seus alunos saem empregados do curso.
"Pega estudantes da PUC, da FGV, do Insper, da USP...eles não estão tão sem trabalho. O pessoal de faculdades de segunda linha não encontra espaço e vai ter que fazer uma pós para complementar a formação."
Para Adami, houve uma proliferação de escolas com menos qualidade, que entregariam profissionais deficientes.
"Esses conglomerados pagam, em média, R$ 17 a hora-aula. Que tipo de professor você vai ter?"
No entanto, pondera, a estrutura ruim não é sempre sinônimo de profissionais mal-preparados. Só que, nesses ambientes, eles são mais frequentes do que em instituições de ponta.
"Sai gente boa, mas por conta própria, porque são esforçados."
Entre uma graduação ruim e uma boa formação técnica, diz Adami, ela aposta na segunda.
"Essa mania de ser o primeiro da família a se formar é uma ilusão, mas é forte no Brasil. É algo secular. Na França e na Alemanha, você não tem esse percentual de jovens na universidade."
Image copyrightTHINKSTOCKImage captionProliferação de faculdades levou à formação de profissionais deficientes, diz professores
Ensino técnico
O ensino técnico é citado pelos entrevistados como uma opção interessante.
Hélio Zylberstajn, da USP, diz que o ensino é negligenciado e faz falta para o país. O professor sugere que disciplinas ligadas ao ensino técnico sejam incluídas na grade curricular do ensino médio, e não em institutos, como acontece hoje.
"Estamos carentes de técnicos. No ensino médio, deveríamos formar mão de obra em cooperação com as empresas."
Esse tipo de formação é uma possibilidade que deve ser analisada antes da decisão definitiva pelo ensino superior, diz Tania Casado, do Escritório de Desenvolvimento de Carreiras da USP.
"É preciso olhar para o lado e ver que há muitas posições não preenchidas, porque as pessoas não têm estudo específico. Os jovens precisam saber disso ao se lançarem em um curso."
Se a escolha for pelo ensino superior, Casado diz que o estudante não deve conhecer apenas a profissão, mas as ocupações que ela abrange. Um graduado em Medicina, por exemplo, pode tornar-se um gestor de plano de saúde. Da mesma forma, alguém formado em Administração pode tornar-se um consultor.
Além de analisar as alternativas que o mercado oferece, aconselha a diretora, o candidato deve olhar para si e escolher algo com o que se identifique. Se depois quiser mudar de área, a transição não tem que ser dolorosa. Nem sempre uma nova faculdade é necessária, afirma. Às vezes uma especialização ou cursos livres são suficientes.
"Carreira é isto: olhar o entorno e se olhar, o tempo inteiro. E saber que à medida que você vai evoluindo, pode haver outros interesses, o que é bom. É preciso se preparar para esses interesses, mas não necessariamente isso passa por uma graduação."
Baixada a poeira do resultado acirrado da eleição em Fortaleza, o deputado estadual Capitão Wagner (PR) tem o desafio de transformar a derrota sofrida para o prefeito Roberto Cláudio (PDT) nas urnas, no último domingo, 30, em motivação política na disputa local.
O parlamentar quer aproveitar o capital político adquirido no pós-eleição e se manter como a principal liderança de oposição para 2018 ao grupo político que governa Fortaleza e a maioria dos municípios do Ceará, liderado pelos irmãos Ferreira Gomes.
“Fazendo uma análise bem fria, disputei com a campanha mais cara do País. Ao contrário da gente que ainda está devendo... Foi extremamente positivo e vitorioso (o resultado da votação), e o mérito não é só meu, mas de um grupo de pessoas que aderiu à nossa candidatura”, analisou o parlamentar.
Com poucos dias de folga após o fim do segundo turno na Capital, Wagner retornou ontem às atividades de deputado estadual na Assembleia Legislativa do Estado do Ceará (AL-CE).
No primeiro discurso após a campanha municipal, criticou a imprensa em episódios pontuais da disputa eleitoral e relembrou sua trajetória de votos nas candidaturas dos últimos seis anos, desde quando disputou pela primeira vez um cargo eletivo ao tentar vaga na AL-CE no ano de 2010.
Em aparte do discurso de retorno, o deputado recebeu apoio e elogios de colegas governistas e de membros da oposição ao governador Camilo Santana (PT) na Casa legislativa, como Heitor Férrer (PSB), Joaquim Noronha (PP), Roberto Mesquita (PSD), Audic Mota (PMDB) e Danniel Oliveira (PMDB).
“Você foi um grande trunfo para quem fazia oposição ao status quo”, disse Heitor, candidato derrotado no primeiro turno da disputa ao Paço Municipal. Já Roberto Mesquita (PSD), que pediu votos para RC na Capital, disse que Wagner “é o maior líder que a política teve nesses últimos seis anos”.
O deputado do PR afirmou ao O POVO que vai trabalhar nos próximos anos e ter “cuidado” para não perder o capital político que conquistou nos últimos meses.
“É um momento para ter cuidado de não perder esse capital político. E, a partir de então, vou ter que me desdobrar para, nesses dois anos, manter essa liderança (de oposição) junto com as forças que se opõe aos Ferreira Gomes”, analisou o parlamentar.
Sem citar a estratégia eleitoral para 2018, o parlamentar citou os senadores Tasso Jereissati (PSDB) e Eunício Oliveira (PMDB), além do ex-prefeito Roberto Pessoa (PR) e o ex-governador Lúcio Alcântara (PR) como nomes fortes de oposição que pretende continuar ao lado para os próximos embates eleitorais no Ceará.
Apesar da recusa do ex-candidato ao termo “padrinho político”, os dois senadores foram fundamentais para o arranjo da aliança partidária que deu sustentação à candidatura nos dois turnos da eleição em Fortaleza.
Wagner terminou a campanha em Fortaleza com 588 mil votos, embora tenha gastado um terço do recurso investido na candidatura do adversário. RC foi reeleito com 678 mil votos.
Saiba mais
Em seis anos de vida pública, Capitão Wagner (PR) chegou próximo aos 600 mil votos na Capital e se consolida como uma liderança de oposição aos irmãos Cid e Ciro Gomes (PDT) no Ceará.
Com duas votações históricas em Fortaleza, quando se elegeu vereador em 2012, e no Estado, quando se elegeu deputado estadual em 2014, o policial reformado não acredita ser “apenas” um “fenômeno eleitoral” passageiro.
O desafio para Wagner é manter a oposição unida para tentar voos mais altos em 2018, quando tem disputa para o governo estadual e Senado.
Mapa criado por arquiteto japonês Hajime Narukawa busca refletir com precisão as proporções entre continentes e países (Foto: AutaGraph)
O mapa mundi que os alunos usam na escola e consta no Atlas não corresponde extamente à realidade.
Esse mapa, conhecido como projeção de Mercator, mostra a Antártida e a Groenlândia, por exemplo, de forma distorcida e desproporcional.
Um artista e arquiteto japonês desenvolveu uma representação que busca mostrar com precisão as proporções reais entre os países e continentes. A criação foi inspirada no origami, arte milenar japonesa de dobradura de papel.
O mapa se chama AutaGraph e seu autor, Hajime Narukawa, ganhou com a sua criação um dos mais respeitados prêmios de design do Japão, o Good Design Award, concedido pelo Instituto de Promoção de Design Japonês.
Tradicional e problemático
A tradicional projeção de Mercator foi apresentada pela primeira vez pelo geógrafo e cartógrafo flamengo Gerardus Mercator em 1569. Foi ele também que introduziu o termo "atlas" para descrever uma coleção de mapas.
Projeção de Mercator, que está no Atlas, mostra a Groenlândia tão grande quanto a África (Foto: Wiki commons)
O sistema desenvolvido pela projeção de Mercator respeita as formas dos continentes, mas não os tamanhos. Seus mapas ganharam popularidade e foram usados como cartas náuticas, uma vez que permitiam traçar rotas como linhas retas, diferentemente de outras projeções mais precisas.
As distâncias entre os meridianos e paralelos, no entanto, estão distorcidas. E os países e regiões próximas aos polos aparecem em um tamanho muito maior do que o real.
A Groenlândia, por exemplo, aparece quase tão grande quanto a África, sendo que o continente africano tem uma área 14,4 vezes maior.
A técnica de origami
Como Hajime Narukawa criou seu mapa de origami?
Técnica de origami foi usada para criação do mapa (Foto: AutaGraph)
O arquiteto dividiu o globo terrestre em 96 triângulos, que logo foram transformados em tetraedros, poliedros com quatro faces. Poliedros são formas geométricas com faces planas e volumes definidos.
A partir desta técnica, Narukawa conseguiu exibir as informações da esfera terrestre em um retângulo, mantendo suas proporções.
'AuthaGraph representa fielmente os oceanos e continentes, promovendo uma perspectiva precisa e moderna de nosso planeta',disse a instituição de premiou Narukawa (Foto: AutaGraph)
Representação fiel
O mapa pode não ser o ideal para navegação e pode parecer estranho à primeira vista, com uma mudança de posição da Ásia e da América do Norte.
Narukawa (agachado na primeira fileira à esquerda) com alunos de seu laboratório na Universidade de Keio, em Tóquio (Foto: Gentileza Narukawa lab)
Ele resolveu, no entanto, o difícil desafio de projetar um planeta esférico em um mapa plano.
"AuthaGraph representa fielmente os oceanos e os continentes, incluindo a Antártida, e fornece uma perspectiva precisa e moderna do nosso planeta", disse a organização que concedeu o prêmio a Narukawa.
Os organizadores do prêmio acrescentam, no entanto, que o mapa poderia ser mais detalhado, "aumentando o número de subdivisões", para refinar ainda mais a precisão.