31 de maio de 2018

Safra de grãos deve crescer perto de 30% em 2018 no Ceará


A produção de amendoim, arroz, feijão, mamona, milho, algodão herbáceo e sorgo deve registrar crescimento de 29,38% em relação a 2017. Segundo o relatório divulgado pela Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural do Ceará (Ematerce) sobre a produção de sequeiro, a expectativa é que sejam colhidos 730.409,82 toneladas de grãos.
Comparado ao último ano, a cultura do sorgo forrageiro deve liderar os a safra de grãos. A expectativa é de que sejam colhidas 2.135,82 toneladas de sorgo, 136% a mais do registrado em 2017. A produção do algodão herbáceo deve atingir 1.113,55 toneladas e crescer 120,26% em relação ao ano passado, enquanto as safras de mamona e milho devem ser ampliadas em 31,48% e 31,63%.
Feijão (22,06%), amendoim (10,89%) e arroz (5,95%) seguem a tendência de crescimento positivo do balanço atualizado mensalmente.
Embora os números sejam positivos, a safra deste ano deve sair prejudicada pela baixa precipitação registrada entre março e a primeira quinzena de abril (veranico). “Isso acabou trazendo uma dificulda de para o processo de reservas hídricas e atrapalhou na manutenção das culturas”, explica o titular da Secretaria do Desenvolvimento Agrário (SDA), Francisco de Assis Diniz.
Em relação à expectativa de janeiro de 2018, a produção de grãos sofreu um recuo de 19,63%, mais acentuada em relação ao milho (-20,65%), feijão (16,34%), arroz (-15,09%) e sorgo (-14,09%).

Por Roberto Moreira
Com informações do Diário do Nordeste

Prazo para vacinação contra febre aftosa é prorrogado para 15 de junho

Medida evita comprometer a imunização  do gado com os problemas na produção e distribuição de vacinas em decorrência da greve dos caminhoneiros.Medida evita comprometer a imunização do gado com os problemas na produção e distribuição de vacinas em decorrência da greve dos caminhoneiros.
O Departamento de Saúde Animal do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) autorizou aos estados a prorrogação até 15 de junho do prazo para vacinação do rebanho bovino e bubalino contra a febre aftosa que, pelo calendário, terminaria em 31 de maio. 
Correspondência do Ministério encaminhada aos estados em 29 de maio explica que a prorrogação tem o objetivo de evitar o comprometimento dos resultados da imunização dos rebanhos na etapa de vacinação de maio, tendo em vista que a greve geral dos caminhoneiros afetou vários setores, inclusive a produção e distribuição das vacinas. A correspondência ressalta que “a adequada vacinação dos rebanhos, entre outros fatores, depende de adequada oferta de vacinas ao produtor e de uma logística de transporte normal”.
O Instituto Mineiro de Agropecuária (IMA) é o órgão do Governo de Minas Gerais responsável pela gestão das campanhas de vacinação dos rebanhos no estado.
“Com essa prorrogação estamos contribuindo para que os produtores que ainda não vacinaram seus animais possam realizar essa vacinação de forma adequada, garantindo o status que Minas possui de área livre de febre aftosa com vacinação obtido em 2008  junto à Organização Mundial de Saúde Animal (OIE)”, argumenta o diretor-geral do IMA, Marcílio de Sousa Magalhães.
Minas Gerais deve vacinar na etapa de maio todo o rebanho de bovinos e bubalinos, independentemente da idade, o que soma cerca de 23,6 milhões de animais em todo o estado.
“A vacinação é obrigatória e o único meio de se prevenir contra a doença. A bovinocultura é um importante gerador de emprego e renda no estado, tendo exportado, no ano passado,  US$ 598 milhões em carne bovina”, ressalta Magalhães, lembrando que os escritórios do Instituto estarão aptos a esclarecer dúvidas dos produtores a partir da próxima semana.

Com informações do Jornal Hoje em Dia

Brasileirão: Na Arena Condá, Ceará perde para a Chapecoense por 2 a 0



Não deu para o Ceará contra a Chapecoense. Em jogo válido pela 8ª rodada do Brasileirão, o time de Santa Catarina venceu o Vovô por 2 a 0. Arthur Caike abriou o marcador e Canteros, de falta, ampliou para a Chape. Na competição nacional, o Ceará tem pela frente, agora, o Cruzeiro. A partida acontece no domingo, 03/06, na Arena Castelão.

“Não é tão simples perder três jogadores, tivemos cinco mudanças para esse jogo. Estamos tentando organizar a equipe e não vamos desistir. Não existe outra fórmula que não seja o trabalho forte. Nesses momentos, bate o desânimo, mas é importante acreditar que iremos reverter essa situação. Precisamos ficar unidos para que isso aconteça”, avaliou o técnico Jorginho, em coletiva de imprensa de pós-jogo.

O elenco alvinegro terá dois dias de treinos preparatórios. Ainda em Chapecó, o grupo que iniciou a partida fará trabalhos recuperativos antes do retorno à capital cearense. O restante do elenco fará trabalhos específicos de força e treinamento integrado em campo.

Com informações do cearasc.com

28 de maio de 2018

Petroleiros convocam dia de mobilização nesta segunda-feira (28/5)

Michael Melo/Metrópoles
A dois dias da greve nacional de 72 horas marcada para começar à zero hora de quarta-feira (30/5), a Federação Única dos Petroleiros (FUP) convocou para esta segunda-feira, dia 28, um dia de mobilização em todas as unidades da Petrobras pelo País. A ideia é que os petroleiros não assumam seus postos no turno da manhã, informou o coordenador-geral da FUP, José Maria Rangel. Mobilizações do tipo já foram feitas neste domingo (27/5), em seis refinarias e duas fábricas de fertilizantes, disse Rangel.
Segundo o líder sindical, a mobilização nacional desta segunda-feira funcionará como um “esquenta” da paralisação de 72 horas decidida pela FUP em reunião na tarde de sábado (26/5). A ideia para a mobilização prévia não é parar a produção, por isso, os atos deverão se concentrar nos turnos da manhã.
No próprio sábado, a FUP entregou o comunicado de greve à Petrobras. A lista de reivindicações inclui cinco pontos, entre eles a demissão do presidente da companhia, Pedro Parente. Os sindicalistas pedem também a redução dos preços dos combustíveis e do gás de cozinha; a manutenção de empregos e retomada da produção interna de combustíveis; o fim da importação de derivados de petróleo; e a desmobilização do programa de venda de ativos promovido pela atual gestão da estatal.
Para Rangel, a pauta de reivindicações “dialoga” com os pedidos feitos pelo movimento grevista dos caminhoneiros e com uma preocupação da sociedade. “A sociedade está sendo penalizada pelos preços abusivos dos combustíveis”, afirmou Rangel, completando que o objetivo de alinhar os preços dos combustíveis internacionalmente seria uma estratégia da Petrobrás para vender refinarias.
Neste domingo, o governo federal começou a estudar a possibilidade de entrar com ação na Justiça para tentar barrar a greve dos petroleiros, como informou o Estadão/Broadcast. A ação teria de ser impetrada pela Advocacia-Geral da União (AGU), possivelmente no Supremo Tribunal Federal (STF), para ter abrangência em todas as refinarias do País. O assunto foi aventado em pelo menos uma das reuniões realizadas neste domingo no Palácio do Planalto.
Rangel disse não ter conhecimento dos movimentos da AGU, mas, segundo ele, “não será nenhuma surpresa”. O coordenador-geral da FUP disse que a entidade está certa de que cumpriu todas as exigências legais para garantir o direito de greve, tanto que a paralisação foi convocada para começar 72 horas depois de a decisão ter sido comunicada à estatal.
Com informações do Jornal Metrópoles 

Maurílio Silva deixa Ferroviário mesmo após classificação: "Motivo ficou claro"

Maurílio Silva, técnico do ASA (Foto: Reprodução/TV Gazeta)Maurílio Silva, técnico do ASA (Foto: Reprodução/TV Gazeta)

Maurílio Silva não é mais treinador do Ferroviário. Ele entregou o cargo nesta segunda-feira (28) após classificar o Tubarão da Barra para a segunda fase da Série D do Brasileiro, na liderança do seu grupo. Na partida contra o Cordino, o time coral não conseguiu conquistar a vitória. O ex-técnico do Ferrão, Maurílio Silva, foi bastante criticado pelos torcedores que assistiam o empate por 0 a 0 no Presidente Vargas.

- O motivo ficou claro no jogo. Desde quando cheguei no Ferroviário começamos um trabalho muito bom, todos estão vendo. Não perdemos, fomos líder do grupo e classificamos a equipe. Buscamos o objetivo de decidir o último jogo em casa. Se for para ver o time pressionado por minha pessoa, deixo a equipe - afirma.

O Ferroviário permaneceu invicto durante toda primeira fase da Série D, porém não venceu dentro de casa. Foram três jogos e três empates no Presidente Vargas. Maurílio conta que a decisão não foi tomada de imediato, mas que a atitude da torcida influenciou para a escolha de deixar a equipe.

- Fui para casa, não tomei a decisão antes. Estávamos todos abalados pela forma que fomos tratados, eu e minha familia, nunca passei por isso na minha carreira. Tinha como meta está a frente, conquistar o acesso, mas hoje tomei essa decisão. O Ferroviário segue e eu sigo aguardando outra oportunidade aí - finaliza.

Por GloboEsporte.com, Fortaleza, CE

Abastecimento de combustível ainda é lento no interior do CE, mesmo com liberação do cais do Porto do Mucuripe

Motoristas fizeram filas em postos de Fortaleza após a liberação do centro de distribuição de combustível no sábado (26).  (Foto: Denise Brandão)Motoristas fizeram filas em postos de Fortaleza após a liberação do centro de distribuição de combustível no sábado (26). (Foto: Denise Brandão)

Com o acesso ao centro de distribuição no cais do Porto do Mucuripe desbloqueado, caminhões-tanque abasteceram quase 100% dos postos de Fortaleza nesta segunda-feira (28). No entanto, o restabelecimento no interior do estado de 90 cidades abastecidas a partir de Fortaleza deve ser concluído somente nos próximos dias, já que os caminhões estão sendo enviados para as cidades em comboio e com escolta da Polícia Rodoviária Federal (PRF).

Nas cidades que dependem do abastecimento de outros estados, a oferta de combustível é instável, segundo informações repassadas pelo G1 por estabelecimentos. O posto Lavras, em Lavras da Mangabeira, depende de entregas vindas de Suape (PE) e está sem gasolina desde quarta-feira passada. Quatro dos cinco postos da cidade não têm combustível. Em Iguatu, apenas um posto tem gasolina. Em Crateús, 10 postos devem tem algum tipo de combustível e há falta em outros quatro. Em Independência, em um dos postos consultados o estoque deve durar apenas até esta terça.

O centro de distribuição de combustível foi bloqueado por motoristas de aplicativo e caminheiros de quinta-feira (24) até o sábado (26). A liberação ocorreu ainda no sábado, depois de um acordo entre manifestantes. Postos começaram a receber combustível no sábado, e houve filas de motoristas para abastecer.

De acordo com o vice-presidente do Sindipostos, Paulo Sérgio Pereira, o reabastecimentos dos postos na Região Metropolitana será 100% normalizado até a noite desta segunda. "O processo para reabastecer os postos no interior é um pouco mais lento até pela segurança. Os caminhões estão saindo em comboio e com a escolta sendo feita pela polícia. O abastecimento está acontecendo, mas de forma mais lenta", disse.

Cariri desabastecido
Pereira diz que a situação do Cariri é a mais difícil. "A situação do Cariri é crítica, porque o Terminal do Mucuripe atende a região metropolitana de Fortaleza, a região Norte, a região Central e o litoral Leste. No Centro-Sul nós temos uma base em Crato da Petrobras que já está no limite. Não tem mais combustível e todo combustível dessa região está vindo de Suape, Pernambuco, mas não tem como aglomerar caminhões tanques, fazer um comboio e providenciar segurança ao mesmo tempo. É uma situação complicada porque se você carregar, por exemplo, 10 carretas em Suape, eles correm o risco de pegar algum bloqueio dos caminhoneiros e parar", diz. "Não tem nenhuma previsão para a região do Cariri, até porque Suape abastece quase todo o estado de Pernambuco, e eles estão desabastecidos, obviamente eles vão dar preferência para a Região Metropolitana do Recife, daí para outros estados, como Paraíba, Alagos e a região sul do Ceará", acrescentou.

Paralisação dos caminhoneiros
O bloqueio do centro de distribuição ocorreu durante paralisação de caminhoneiros que ocorre há oito dias no Ceará e em todo o país, motivada pela alta no preço do combustível. No Ceará, 13 trechos têm manifestações nas rodovias nesta segunda-feira.

Com informações do G1 CE

Petrobras anuncia redução de 2,8% no preço da gasolina nas refinarias

Michael Melo/Metrópoles

A Petrobras reduziu pela quinta vez consecutiva o preço da gasolina nas refinarias. A partir desta terça-feira (29/5), o combustível terá queda de 2,8% no valor e sairá por R$ 1,9526, o litro. Desde 16 de maio, o insumo não custava menos do que R$ 2. Ainda não é possível avaliar qual será o impacto para o consumidor final.

Apesar disso, no mês de maio, a gasolina acumula uma alta de 8,6%, considerando que, em 28 de abril, o litro tinha o custo de R$ 1,7977.

Acordo
Já o diesel também deve sofrer queda nos últimos dias. Após uma semana de protestos de caminhoneiros no Brasil inteiro, o presidente Michel Temer anunciou, no domingo (27), um pacote de cinco mudanças para conter a crise nas estradas brasileiras. A principal delas envolve a redução do preço do diesel: R$ 0,46 centavos, desconto válido por 60 dias.

Daqui a dois meses, segundo o chefe do Executivo nacional, os reajustes serão apenas mensais. Três das mudanças serão aplicadas por meio de medidas provisórias: isenção da cobrança do eixo suspenso nos pedágios de rodovias federais, estaduais e municipais, garantia de 30% dos fretes na Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) e tabela mínima de frete, conforme previsão do Projeto de Lei nº 121, sob análise no Senado Federal.

Ainda há bloqueios
Apesar de o acordo entre caminhoneiros e governo garantir o fim da greve da categoria – responsável por paralisar o país durante uma semana –, uma das entidades representantes do setor ressaltou que a volta ao trabalho dos motoristas pode não ser feita de forma instantânea. Conforme informou a Associação Brasileira dos Caminhoneiros (Abcam), em nota divulgada na manhã desta segunda-feira (28/5), “ainda não houve tempo hábil para que todos tivessem conhecimento da decisão tomada” na noite de domingo (27).


De acordo com a Abcam, uma força-tarefa tem sido feita no sentido de ajudar a informação a circular pelo Brasil o mais rapidamente possível. “A entidade vem trabalhando para que o acordo chegue em toda a categoria”, cita o texto dos caminhoneiros autônomos.

Com informações do Jornal Metrópoles 

Ferroviário enfrenta o Cordino-MA na segunda fase da série D

Após a primeira fase do Campeonato Brasileiro série D ser encerrada, o Ferroviário se classificou como líder do grupo A4 com 10 pontos. A equipe está invicta na competição e já conhece o seu adversário para a próxima fase.
O Ferroviário enfrentará novamente o Cordino-MA, que se classificou na segunda colocação do mesmo grupo do Ferrão. Na segunda fase da série D, os confrontos são de mata-mata. Como o Ferroviário se classificou em primeiro lugar da sua chave, faz a primeira partida fora e decide em casa a classificação.
Confira os dias dos confrontos:
Ida:
Cordino x Ferroviário
03/06/18
Horário a definir
Estádio Leandrão

Volta: 
Ferroviário x Cordino
10/06/18
Horário a definir
Estádio Presidente Vargas

Com informações do ferroviario.com

Ceará melhora taticamente, mas perde no detalhe para o Grêmio


Em jogo válido pela 7ª rodada do Brasileirão, o Ceará enfrentou o Grêmio, na Arena Castelão, e foi vencido por 1 a 0. Thonny Anderson marcou o único gol da partida, aos 35 minutos da etapa final. O próximo desafio do Vovô na Série A já é nesta quarta-feira, 30/05, diante da Chapecoense, fora de casa.


“Não temos tempo para lamentar. Mesmo com pouco tempo de trabalho do técnico Jorginho, já conseguimos mudar algumas coisas em relação a parte tática do nosso time. Fomos bem, mas isso não foi o suficiente. Temos um confronto direto, agora, para buscar a vitória, que nos ajudará a sair dessa situação incômoda no campeonato”, revelou o meia Ricardinho, em coletiva de imprensa de pós-jogo.

O elenco alvinegro já segue viagem nesta segunda-feira, 28/05, e, após escala em São Paulo, desembarca em Chapecó no final da tarde. Na terça-feira, 29/05, a programação prevê treino apronto em solo catarinense. Na Arena Condá, a bola rola para Chapecoense e Ceará às 21 horas da quarta-feira, 30/05.

Com informações do cearasc.com

Conservador e ex-guerrillheiro disputam em junho 2º turno na Colômbia

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Os 36 milhões de eleitores colombianos voltarão às urnas no dia 17 de junho para escolher o próximo presidente entre dois candidatos: um de direita e outro de esquerda, com propostas politicas e econômicas diferentes. O advogado conservador Iván Duque venceu o primeiro turno nesse domingo (27) com 39% dos votos. O ex-guerrilheiro Gustavo Petro ficou em segundo lugar, com 25% dos votos. Ambos esperam atrair os simpatizantes do matemático Sergio Fajardo, candidato de centro-esquerda, que surpreendeu conquistando quase 24% dos votos.

A disputa pelos votos dos candidatos mais moderados, excluídos do segundo turno, já começou. Duque e Petro têm algo em comum: uma mulher como vice. Mas o divisor de águas é o acordo de paz, assinado há dois anos, entre o governo e as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) – a maior guerrilha do pais. O documento encerrou meio século de guerra civil: 7 mil guerrilheiros depuseram suas armas, em troca de anistia e o direito de formar um partido politico com a mesma sigla, com dez assentos garantidos no Parlamento até 2026.

Duque e Petro
Assim como seu padrinho politico, o ex-presidente Alvaro Uribe – Duque foi um duro crítico do acordo, por achar que foram feitas demasiadas concessões aos ex-guerrilheiros. No discurso, comemorando a vitória no primeiro turno, ele ressaltou que não vai destruir o documento, assinado em 2016, pelo atual presidente, Juan Manuel Santos, e Rodrigo Londoño, o líder das Farc, conhecido por Timochenko. o candidato deu a entender que vai rever o perdão a ex-guerrilheiros que financiaram suas atividades com o narcotráfico. Ele também se comprometeu a combater a corrupção – um dos pilares da campanha de Fajardo.
Petro apoia o acordo de paz: ele é a prova de que pode funcionar. Antes de ser legislador e prefeito de Bogotá, ele foi guerrilheiro do M-19. O grupo aceitou depor as armas em 1990, para formar um partido politico. No discurso, apos o primeiro turno, ele destacou a importância de uma Colômbia com propostas diversificadas, e não apenas um único modelo de país. O candidato propõe reduzir a dependência da economia colombiana no petróleo e carvão, além de cobrar impostos aos latifúndios improdutivos e investir em produção. Petro falou da importância da educação – a principal bandeira defendida por Fajardo.
Eleições
Mais da metade dos eleitores colombianos foram às urnas nesse domingo – foi a maior participação em quase duas décadas. Um dos motivos foi a falta de violência: o grupo guerrilheiro Exercito de Libertação Nacional (ELN) aceitou um cessar-fogo durante a votação e também está negociando a paz com o presidente Juan Manuel Santos.
Apesar de o acordo de paz ter sido o tema nessa histórica eleição, os assuntos que hoje preocupam o eleitorado colombiano são o desemprego (9%) e a segurança, os ex-guerrilheiros, ex-paramilitares e os narcotraficantes, que estão ocupando as áreas antes controladas pelas Farc.
Por Monica Yanakiew
Com informações Agência Brasil

Chegam ao Congresso primeiras MPs do acordo com caminhoneiros

Resultado de imagem para  MPs do acordo com caminhoneirosJá estão no Congresso as três medidas provisórias (MPs) editadas ontem (27) pelo presidente Michel Teme,r que resultaram do acordo firmado com os caminhoneiros para o fimdos protestos iniciados no dia 21 deste mês. A partir de agora, uma comissão mista, composta por deputados e senadores, é formada para discutir cada uma das medidas. Depois de votadas nessa comissão, elas precisam ser apreciadas pelo plenário da Câmara e do Senado.

Convocação

Em uma semana mais curta, por causa do feriado de Corpus Christi (31), a expectativa é de que deputados e senadores tenham uma segunda-feira (28) atípica, já que foram convocados para sessões deliberativas às 16h em suas respectivas casas. Os presidentes Rodrigo Maia (Câmara) e Eunício Oliveira (Senado) enviaram e-mail aos parlamentares e líderes partidários para reforçar a importância da presença de todos no Congresso. No Senado, o reforço também foi feito por telefone.

Na pauta da sessão dos deputados está o projeto sobre o cadastro positivo obrigatório (Projeto de Lei Complementar 441/17), além de três medidas provisórias. O texto-base do cadastro positivo foi aprovado no último dia 9, mas ainda restaram os destaques apresentados à proposta. Um deles, de autoria do PT e do PSOL, pretende manter o cadastro positivo como opção do consumidor e evitar o envio de informações financeiras aos gestores de banco de dados sem quebra de sigilo bancário.

Na lista das MPs está, por exemplo, a 820/18, que disciplina ações de assistência emergencial para acolhimento de estrangeiros que se refugiam no Brasil em razão de crises humanitárias em seus países de origem. Inicialmente, a MP tem como foco os venezuelanos que estão migrando em massa para Roraima, mas o projeto de lei de conversão que torna a medida definitiva, do deputado Jhonatan de Jesus (PRB-RR), é mais abrangente. Ele alcança também migrantes nacionais e prevê a ampliação das políticas de proteção social e atenção à saúde, além da oferta de atividades educacionais, cursos de profissionalização.

Senado

Os senadores, por sua vez, tentam limpar a pauta trancada por seis medidas provisórias. Já o regime de urgência do PLC 121/17, que define uma política de preços mínimos para o setor de transporte de cargas, deve ficar prejudicado com a edição de uma MP com o mesmo objetivo.

Combustíveis

Ainda na pauta da crise com os caminhoneiros, amanhã (29), às 9h, deputados e senadores estarão juntos em uma comissão geral, para debater o preço dos combustíveis no Brasil. Entre os temas que poderão ser abordados estão a política de reajustes quase diários da Petrobras, os reflexos da paralisação dos caminhoneiros e o desabastecimento de diversos produtos no país.

MPs

A MP 831/18 reserva 30% do frete contratado pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) para cooperativas de transporte autônomo, sindicatos e associações de autônomos, a 832 institui a Política de Preços Mínimos do Transporte Rodoviário de Cargas e a 833 dispensa o pagamento de pedágio do eixo suspenso de caminhões, uma das principais reivindicações dos grevistas.

Por Karine Melo
Com informações da Agência Brasil

Governo quer aumentar impostos para bancar redução no preço do diesel

RAFAELA FELICCIANO/METRÓPOLES

Para compensar o desconto concedido no preço do diesel, o governo estuda transferir para a população os custos da operação que culminou no fim da greve dos caminhoneiros. Na manhã desta segunda-feira (28/5), o ministro da Fazenda, Eduardo Guardia, disse que o Executo terá de aumentar impostos ou retirar benefícios tributários para garantir a redução de R$ 0,46 no preço do diesel.
De acordo com o chefe da pasta, as alterações no modelo causarão um impacto de R$ 9,5 bilhões aos cofres públicos. “As medidas que estamos colocando aqui podem ser majoração de impostos e eliminação de benefícios hoje existentes”, afirmou.
O chefe da pasta explicou que R$ 0,16 serão retirados de tributos (Cide, PIS e Cofins) e os outros R$ 0,30 passarão a ser bancados pelo governo através da liberação de um crédito extraordinário. “Essa redução é amplamente clara, legal e segura do ponto de vista fiscal. Estamos fazendo todas as compensações necessárias”, garantiu.
O ministro, ainda, a importância da aprovação do projeto de reoneração no Congresso Nacional para dar prosseguimento às medidas.
“Tão logo o Congresso aprove a reoneração da folha, iremos dar seguimento ao que foi acordado com os caminhoneiros. O governo está full time trabalhando nas negociações. Assinamos um termo de compromisso e, agora, acho que chegamos a um conjunto de medidas. Nossa expectativa é que o transporte de cargas volte a funcionar”, disse Guardia.
Na avaliação dele, as contas do estado não são capazes de suportar mais reduções. “Não há disponibilidade fiscal. O preço do petróleo não é definido pelo governo e aumentou no mundo inteiro”, ressaltou.
Acordo
Na noite do domingo (27), o presidente Michel Temer anunciou a redução de R$ 0,46 no preço do diesel nas bombas por 60 dias. Além disso, a Petrobras só irá reajustar os preços praticados de 30 em 30 dias.

“Fomos no limite para reorganizar a situação. Não é o governo que estabelece o preço do petróleo. As commodities subiram no mundo inteiro. Não temos condições fiscais de ir além disso. O mundo inteiro está pagando mais caro pelo petróleo. O governo não fará nenhum controle de política de preços. Isso é com a Petrobras”, reforçou o ministro da Fazenda em coletiva.
As medidas foram anunciadas após sete dias de greve dos caminhoneiros que causou uma crise de abastecimento geral no país. Na manhã desta segunda (28), ainda há registro de manifestações e paralisações em algumas rodovias federais.
Por Saulo Araújo
Com informações do Metrópoles 

24 de maio de 2018

O que está por trás do aumento dos preços de combustíveis?

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Somente no último mês o preço da gasolina subiu 19%
Nesta semana, os protestos protagonizados pelos caminhoneiros em função dos recorrentes aumentos dos preços dos combustíveis tem tomado conta do noticiário no Brasil. De fato, nos últimos meses, os preços dos derivados vendidos pela Petrobras cresceram de forma intensa e contínua.
Desde 20 de fevereiro, o preço da gasolina vendido pelas refinarias da Petrobras aumentou 35% saindo de 1,52 real o litro para 2,04 reais o litro. Somente no último mês, o aumento foi de 19%.
Cabe ressaltar que, nesse período, não houve nenhuma mudança estrutural na cadeia produtiva dos derivados de combustíveis (variações nas alíquotas dos impostos ou significativas alterações nas margens dos distribuidores e postos), o que torna muito frágil a tese que enxerga os aumentos dos combustíveis como decorrência dos impostos e dos carteis dos postos. Nesse sentido, a questão central a ser debatida é a atual política de preços da Petrobras e seus efeitos para a empresa e para os consumidores.
Em primeiro lugar, é importante entender que a cadeia de produção do petróleo é bastante oligopolizada nos segmentos de produção, refino e distribuição e, por isso, a formação dos seus preços não obedece somente à lógica da microeconomia clássica de equilíbrio entre oferta e demanda.
Como lembra recente texto de Rubens Sawaya, professor da PUC-SP, “o debate sobre os preços deve tomar o capital como seu nexo central, resultado de sua forma de organização. As empresas (...) são entidades que pensam, planejam e atuam segundo táticas e estratégias muito bem elaboradas, com o objetivo de abocanhar o máximo possível da riqueza (...). Seus métodos de definição de preço seguem estratégias específicas. Como também apontava Kalecki, o mais normal são as grandes empresas operarem com custos marginais constantes, se não decrescente, podendo ofertar qualquer quantidade no mercado sem qualquer alteração do custo unitário”.
Esses aspectos também devem ser observados na determinação do preço, ainda mais por se tratar de um setor oligopolizado dominado por empresas gigantescas e com amplo poder de marcação de preços.
Em segundo lugar, a variação de preços no setor petróleo está relacionado a um conjunto de fatores geopolíticos, como conflitos entre os maiores produtores, embargos realizados pelos grandes consumidores, entre outros. Ou seja, um embargo realizado pelos Estados Unidos ao Irã pode afetar o preço do petróleo no mercado internacional.
Em uma economia aberta e onde há escassez da produção de derivados de petróleo, a política de preços para esse segmento apresenta poucas alternativas. Como essas economias são dependentes das importações de gasolina, diesel etc., o preço doméstico dos derivados obrigatoriamente acaba seguindo os internacionais. Como eles são obrigados a comprar os derivados pelo preço internacional do petróleo, as variações internas obrigatoriamente incorporam para as variações ocorridas no mercado internacional.
No entanto, os países (como o Brasil) que apresentam uma ampla capacidade de produção de derivados não necessitariam recorrer às importações de derivados para abastecer seus mercados. Com isso, os preços podem responder muito mais à estrutura de custos e receitas das empresas produtoras dos combustíveis do que à variação do preço internacional.
No caso brasileiro, essa relação causal entre preço e custos é ainda maior porque o País tem autossuficiência na produção de petróleo cru, ou seja, o Brasil tem uma demanda marginal de importação de petróleo cru para atender a demanda do parque nacional do refino.
Desse modo, a formação dos preços deve estar mais relacionada à capacidade de cobrir os custos variáveis das empresas e gerar um excedente do que aos movimentos dos preços internacionais.
Entre 2013 e 2017, a empresa reduziu o volume de produção de derivados em mais de 300 mil barris/dia, saindo de 2.124 mil barris/dia para 1.800 barris/dia. Nesse período, o consumo de derivados ficou relativamente estável na casa dos 2.400 mil barris/dia.
Com isso, enquanto em 2013 a Petrobras tinha capacidade de atender cerca de 90% da demanda interna de combustíveis, em 2017 esse percentual caiu para 76%, num cenário em que a empresa ampliou seu parque de refino (saiu de 2060 mil barris/dia para 2350 barris/dia). Ou seja, mantida a utilização das refinarias, a Petrobras seria capaz de ofertar ao mercado nacional quase toda a demanda de derivados sem necessitar das importações.
No entanto, a opção da companhia tem sido subutilizar suas refinarias e favorecer a entrada dos importadores. Em 2013, a Petrobras utilizava praticamente 100% do seu parque de refino e, em 2017, esse percentual caiu para 76%. Com isso, uma parcela substancial do mercado interno tem sido suprida com importações.
Com a enxurrada de importações (que já detém por 24% do mercado interno), a Petrobras fica refém de uma política de preço atrelada ao mercado externo. Isso porque, caso a empresa decida controlar os preços, os importadores sairão do jogo e a Petrobras terá de arcar sozinha com o diferencial de preços praticados no mercado doméstico e no exterior.
É evidente que, dado o custo de oportunidade existente em economias abertas, não é possível praticar durante um longo período um preço doméstico tão distante do mercado externo. Todavia, o maior uso do parque de refino daria graus de flexibilidade temporais e de intensidade para o reajuste dos preços.
Não resta dúvida que a atual política de preços da Petrobras tem gerado, por um lado, uma redução do papel da Petrobras no mercado de derivados e no refino e, por outro, tem potencializado o aumento da entrada e expansão de players internacionais. Isso ocorre em virtude da manutenção a “qualquer custo” do preço de paridade internacional mesmo que isso implique a redução das margens de refino (bruta e líquida) com a perda de mercado.
O que causa enorme estranheza é que a Petrobras abdicou de sua posição de price maker(formador de preço) – que lhe possibilitava mantém maiores margens - para adotar uma posição de price taker (tomador de preço) num mercado claramente oligopolizado.
A questão, portanto, não está na política de preços strictu sensu, mas sim na política adotada para o refino como um todo.
Por fim, cabe lembrar que essa política de subutilização do refino, combinada com a política de paridade do preços,visa facilitar a venda desses ativos para as empresas estrangeiras, tornando o mercado de petróleo nacional ainda mais dependente do mercado e do preço internacional.
*Rodrigo Leão é mestre em desenvolvimento econômico (IE/UNICAMP). Atualmente, é diretor técnico do Instituto de Estudos Estratégicos de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis Zé Eduardo Dutra (INEEP) e pesquisador visitante do NEC-UFBA.
Eduardo Costa Pinto é professor titular do Instituto de Economia da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e pesquisador do Instituto de Estudos Estratégicos de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis Zé Eduardo Dutra (INEEP).
Por Eduardo Costa Pinto e Rodrigo Leão*
Com informações da Carta Capital

Chegou a hora de Ciro Gomes?

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O presidenciável Ciro Gomes e o grão-mestre do PDT
A eleição presidencial deste ano é a mais imprevisível desde a de 1989, motivo de no “mercado” circularem várias pesquisas paralelas, encomendadas por endinheirados que tentam enxergar o futuro de todo o jeito, a fim de enriquecer mais.

Em breve, por exemplo, o instituto Ipsos fará enquetes diárias para que o Eurasia Group, uma consultoria política global, prepare análises para dez grandes clientes brasileiros, algo inédito na trajetória da consultoria por aqui.

Após a última pesquisa vir a público, na segunda-feira 14, a Eurasia disparou um relatório em inglês a observar: “Ainda é cedo, mas é interessante notar que o único candidato que cresceu em comparação a março foi Ciro Gomes. Suas intenções de voto cresceram 1 ponto, e sua rejeição diminuiu um pouco”. 

Aos 60 anos, o presidenciável do PDT tem mais chances de vitória agora do que nas duas tentativas anteriores. Não que seus índices entusiasmem. No novo levantamento, feito de 9 a 12 de maio pela MDA para a Confederação Nacional do Transporte, ele aparece com 5,4%. Em abril, tinha 5% no Datafolha e, apenas em São Paulo, 4% no Ibope.

Números até piores do que a votação obtida em 1998 (7% do total de eleitores) e 2002 (9%). Mas o potencial de Ciro hoje é maior. Há 20 anos, a disputa encontrava um sentimento continuísta na população, devido ao Plano Real, daí a reeleição de FHC. Em 2002, o contrário. O povo queria mudança, insatisfeito com a vida, e aí o símbolo oposicionista era o PT.

Em 2018, o desencanto dá o tom de novo, graças ao desastre do governo Michel Temer, mas o líder do petismo está na cadeia, sua candidatura é incerta. Sem Lula, só Ciro cresce nas pesquisas, chega a 9% no Datafolha e na MDA.

Sem competidores que tenham caído no gosto popular e com muita gente no páreo, é possível que um candidato chegue ao duelo final com uma votação modesta. “Nos nossos cálculos, quem tiver de 17% a 20% vai para o segundo turno”, diz o deputado cearense André Figueiredo, líder do PDT na Câmara.

É outra semelhança com 1989. Fernando Collor foi ao round decisivo com 25% do total de eleitores e Lula, com 14%. Quer mais uma? Temer é o neo-José Sarney, o presidente de quem todos fogem. Quer outra? Ciro repete Leonel Brizola, fundador do PDT, graças à relação com Lula e o PT.

Ciro não perdoa os petistas por não o apoiarem, igual Brizola na primeira eleição pós-ditadura. Um dos principais líderes políticos derrotados pelo golpe de 1964, Brizola achava que, após o regime militar, a primazia no campo popular era dele. Com o PT abalado pela Operação Lava Jato, Ciro também crê que é a hora dele na raia progressista. A diferença é o argumento usado para desopilar o fígado. 

Morto em 2004, o ex-governador gaúcho dizia que Lula e o PT não eram de esquerda, eram o adversário do sonho da direita. Em um debate na tevê entre os candidatos há 29 anos, comentou que a crítica de Lula ao getulismo, berço de Brizola, “me distancia léguas desse cidadão e me faz desconfiar muito dele e do PT como partido de natureza social”. E arrematou: “Ou o PT substitui esse candidato hoje ou amanhã, ou ele vai perder a credibilidade nacional”. O texto campeão de leitura hoje no site do PDT intitula-se “Brizola tinha razão sobre o PT”, de 23 de janeiro de 2017.

O ex-governador do Ceará prefere ligar Lula ao MDB, ao pregar que o petista fique fora da eleição. Foi assim em julho de 2017, em Goiânia. “Se o Lula entrar, ele destrói completamente o ambiente de discussão do futuro do País, vai ser uma eleição marcada pelo ódio”, faltará “autocrítica de quem botou o Michel Temer na linha de sucessão (de Dilma Rousseff), de quem empoderou o Eduardo Cunha para ser o presidente da Câmara, tudo isso foi o seu Lula.”

A recente coleção de declarações de Ciro contra o ex-presidente é de espantar petista. Em setembro, após um evento no Rio, Ciro comentou: “Não é possível insultar a inteligência do povo brasileiro” ao falar de perseguição política contra Lula. No mês seguinte, no SBT:  “Eu acho que o Lula, que é o maior líder popular que o Brasil moderno produziu, tem cometido erros gravíssimos, porque faltam a ele petistas que digam a ele para não fazer tanta bobagem, para não brincar de Deus”. Em fevereiro, ao ir à Folha, disse que a condenação de Lula não era “arbitrária”, que ele “não é um mito”.

Declarações que levam um integrante do comitê da pré-campanha petista a comentar que “o Ciro parece ter feito o cálculo de que estar perto do Lula tira mais do que dá voto”.

O prisioneiro está magoado com seu ex-ministro. Conversa sempre com a presidente do PT, Gleisi Hoffmann, e abre o coração. Ciro reagiu publicamente, dizendo ter “pena” da senadora, ao saber de um comentário feito por ela, a portas fechadas, de que o pedetista “não passa nem com reza brava” no PT, ou seja, não teria o apoio petista no primeiro turno. Talvez Ciro não saiba, mas quem fechou a porteira foi Lula, ressentido.

Em março, o governador da Bahia, Rui Costa, do PT, defendeu que o partido não precisava ter candidato, poderia indicar o vice de Ciro. Seu aliado baiano Jaques Wagner disse o mesmo em Curitiba, em 1º de maio. Dois dias depois, Wagner entrou na cela de Lula e foi enquadrado. Nada de azedar a relação com Ciro, disse Lula, nem de se entregar a ele. Só quem insiste publicamente no apoio ao pedetista é Camilo Santana, governador do Ceará.

Soldado antigo da família Gomes no Ceará, o deputado Leônidas Cristino, do PDT, está animado quanto às chances de Ciro. Enquanto no petismo há quem veja o presidenciável como autoritário, Cristino aponta nele a personalidade necessária hoje no País. “Ele é um líder, o Brasil precisa de um líder, até para não ser engolido por este Congresso.”

O Parlamento tende a seguir, em 2019, muito parecido com o atual, patronal e corrupto. Uma salva de palmas à Lava Jato, que na guerra contra o sistema político levou-o a aprovar regras facilitadoras da reeleição dos parlamentares.

O tempo de campanha caiu à metade, para 45 dias, pior para os desconhecidos. A grana do fundo eleitoral público, novidade em 2018, será rateada entre os partidos de acordo com as bancadas atuais (98% serão divididos assim) e, dentro de cada sigla, conforme a ordem das direções. 

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Pompa magna: Temer ainda aposta em Doria, a rigor com Sergio Moro e senhora de longo em Nova York, mas Meirelles não desiste (Marcos Oliveira/Ag. Senado)
Ciro é também, segundo Cristino, mais experiente, preparado e conhecedor do Brasil do que os rivais vistos hoje como os principais, Jair Bolsonaro (PSL), Geraldo Alckmin (PSDB) e Marina Silva (Rede), traços que serão explorados na campanha.
No PDT, há uma análise crua do trio a reforçar otimismos. Bolsonaro é deputado desde 1991 e nunca disputou nada, falta-lhe consistência.  A propaganda dele na tevê será, provavelmente, de míseros segundos, pois o PSL é nanico. Idem para a de Marina, tachada de meio monotemática, a causa ambiental. Alckmin teria um rosto demasiado paulista, e São Paulo não é o Brasil, embora pense que é. O que não impede Cristino de prognosticar um segundo turno contra o tucano. “O próximo presidente será de Pindamonhangaba”, terra natal de Ciro e Alckmin.
Mas Alckmin sobrevive até a eleição? Na nova pesquisa, foi o único a dar marcha à ré para além da margem de erro. Tinha 6,4% em março, agora tem 4%. Sua rejeição subiu de 50% para 55%, inferior apenas à de Marina (56%) e à de Temer (87%). É o resultado da ligação do PSDB com Temer, o impopular, e da vidraça ética de Alckmin, investigado pelo Ministério Público em São Paulo com base na delação da Odebrecht.
Um quadro a confirmar uma previsão de agosto do Eurasia Group. Alckmin seria a “Hillary do Brasil”, o establishment destinado à derrota, como a sra. Clinton perdeu para Donald Trump, comparação a aborrecer o tucano até hoje.
Antes da pesquisa, Alckmin ouvira de um deputado: “Você ganha a eleição se no primeiro debate na Globo o sorteio der que a primeira pergunta será do Bolsonaro para o Ciro”, esperança de que a dupla de esquentados quebrasse o pau, enquanto Alckmin posaria de sensato. Agora o PSDB se desespera. Um plano B com João Doria Jr. não pode ser descartado, para alegria de Temer. 
Henrique Meirelles, menos de 1% nas pesquisas,  foi lançado pré-candidato pelo MDB e aceita até pagar a campanha do próprio rico bolso, mas Temer, que voltou a festejar a chegada ao poder como se um impeachment não fosse um trauma, torce por Doria no páreo.  O presidente tem sido incapaz de convencer Alckmin a aliar-se ao MDB. Doria, que acaba de posar para fotos numa noite black-tie em Nova York ao lado de Sergio Moro, o imparcial, topa casar.
Uma troca no PSDB ajudaria a unir um tal “centro” de que falam Temer e tucanos, humorismo ridicularizado até pelo neoliberal americanófilo Arminio Fraga. “O centro é uma gororoba que, no fundo, é conservadora de maneira muito primitiva. É o conservadorismo para manter poder e dinheiro. Não tem valor”, disse no Estadão do dia 13.
Ciro também ironiza, como dia 7 na Band. “O centro é um ponto imaginário da geometria, ele não existe. O que está se reunindo é a direita, a direita que vai carregar o caixão do Michel Temer e seu conjunto absurdo de providências antipovo, antipobre e antinacional.”
pedetista ataca com paixão o MDB do presidente antipovo. Adora chamá-lo de “quadrilha”, promete destruí-lo, botá-lo na oposição, algo que não aconteceu desde o fim da ditadura, exceto por um hiato esquisito no abreviado governo Collor (1990-1992).
Sua artilharia poupa uns poucos emedebistas, caso do senador Roberto Requião, do Paraná. Que, aliás, acaba de mandar um e-mail a 30 mil delegados do partido com a proposta de ser candidato a presidente, uma jogada destinada a matar o sonho de Meirelles, afastar o MDB de Alckmin e, quem sabe, obter uma aproximação com o PT, de quem Requião toparia ser vice.
Quem não enfrenta o MDB, teoriza Ciro, vira seu “testa de ferro”, é destruído por ele. O pedetista diz e repete que foi ministro dos dois únicos governos que resistiram à chantagem emedebista, o de Itamar Franco (1992-1994) e o primeiro de Lula (2003-2006). Nesse último, sempre lembra da crise do “mensalão”, entre 2005 e 2006, quando fazia parte do núcleo duro de Lula e pregava que a salvação viria das ruas, não do MDB.
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Perón no exílio descarregou em Cámpora e ganhou (Arquivo/AFP)
Uma graúda testemunha petista daquele momento dramático simpatiza com a ideia de uma vitória de Ciro. Acha que ele seria um bom presidente e faria um governo parecido com o de Lula, não há barreira para o PT apoiá-lo em um segundo turno contra um direitista. Por ora, contudo, o PT insiste na candidatura de Lula e inspira-se no peronismo.
Juan Domingo Perón estava na ilegalidade e no exílio e não podia disputar a Presidência da Argentina, em 1973. Ele então escolheu o candidato de sua corrente, alguém para ser seu porta-voz, Héctor José Cámpora, e este ganhou com o slogan “Cámpora no governo, Perón no poder”. Uma vez empossado, Cámpora anistiou Perón e renunciou. Uma nova eleição foi realizada.  O vencedor? Perón, com 60% dos votos.
O PT não chega ao ponto de esperar por renúncia e nova eleição, mas o indulto a Lula está na mesa de negociação, embora o prisioneiro diga que não quer ver o tema tratado. Ciro foge do compromisso. Na terça-feira 15, estava na Suécia e disse que prometer perdão seria uma “loucura”. “Indulto é apenas para aqueles que já foram condenados em todas as instâncias.”
No mesmo dia, seis ex-líderes europeus progressistas defenderam o direito de Lula ser candidato. “A luta legítima e necessária contra a corrupção não pode justificar uma operação que questiona os princípios da democracia e o direito dos povos de eleger os seus governantes”, diz o manifesto, articulado e redigido por Françoise Hollande (França) e assinado ainda por José Luis Zapatero (Espanha), Elio Di Rupo (Bélgica) e os italianos Massimo D’Alema, Romano Prodi e Enrico Letta.
O chanceler Aloysio Nunes Ferreira teve um chilique. Em nota, chamou o gesto europeu de “preconceituoso, arrogante e anacrônico”, baita mal-estar no Itamaraty. Ferreira reagiu imediatamente, apesar de estar desde o dia 7 na Ásia, onde se reuniu, por exemplo, com autoridades do golpe militar tailandês de 2017.  Já sobre a ruptura dos EUA no acordo nuclear com o Irã, silêncio de uma semana do Itamaraty, quebrado por uma nota anódina.
A propósito, Ferreira reservou para si a embaixada em Paris e a de Roma e Portugal para Temer e algum emedebista encrencado com a Justiça, um plano de fuga pós-governo contra processos judiciais. 
No PDT, não há ilusão. Mesmo que não seja Lula, o PT terá candidato. A prioridade pedetista é conseguir outros apoios na seara progressista. Na quarta-feira 16, o presidente do partido, Carlos Lupi, foi cortejar o do PSB, Carlos Siqueira. No PCdoB, Ciro tem conversado com a presidenciável Manuela D’Ávila e encontra no governador do Maranhão, Flávio Dino, um defensor.
Uma eventual união das três siglas consolidaria o viés progressista da candidatura, apesar da possibilidade de o pré-candidato ter um vice empresário. Tudo somado, André Figueiredo, líder do PDT na Câmara, espera que o partido tenha melhor sorte agora do que em 1989.
Pedetista desde 1984, viu Brizola perder a vaga para Lula no turno final contra Collor por menos de 500 mil votos e depois apoiar o “Sapo Barbudo”, a quem a elite teria de engolir. Agora, quem quer ser sapo é Ciro. 
Por André Barrocal 
Com informações da Carta Capital