27 de julho de 2014

Açude Castanhão nova mortandade de peixe preocupa

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A produção de tilápia no Ceará deverá cair 25% neste ano em comparação com 2013. Especialistas apontam riscos de novas produções
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Açude Castanhão está com apenas 36,4% do volume de reserva. A redução tem se dado desde 2012, o primeiro da sequência de três anos de seca no Ceará
FOTOS: ELLEN FREITAS
Uma terceira grande mortandade de tilápia foi registrada no açude Castanhão em menos de dois anos. A primeira foi em abril do ano passado, quando apenas um criador perdeu uma tonelada de peixe. Em julho deste mesmo ano, foram 100 toneladas. Dessa vez, o caso aconteceu há duas semanas, um pequeno grupo de produtores perdeu 50 toneladas. O aumento do número de peixes mortos em tanques rede vem sendo acompanhado com preocupação pelos piscicultores.
Conforme explicou o engenheiro de pesca Djavan Ferreira, essa mortalidade de peixes dentro do açude ocorre devido à atuação de vários fatores, dentre eles a rápida diminuição do nível do reservatório e a grande quantidade de compostos orgânicos que se concentram no fundo, interferindo diretamente na qualidade da água.
"Por não haver chuva não há renovação das águas. Sem essa renovação, os compostos como amônia e nitrito aumentam. Eles resultam da grande concentração de compostos orgânicos na água, como ração e fezes dos peixes, e são muito tóxicos, podendo matar os peixes por asfixia", explica.
Ele conta ainda que em algumas áreas do Castanhão está havendo uma aglomeração de piscicultores, muitos oriundos de outras regiões do Estado que chegam ao Castanhão em busca de condições de continuar a pesca.
Vírus e bactérias
Ferreira ainda acrescenta que, durante um curso sobre sanidade de peixe, ministrado no início desta semana para os piscicultores do Castanhão, análises apontaram a presença de vírus e bactérias e alguns parasitas nos peixes coletados. "Essas enfermidades não contaminam o filé do peixe, mas podem causar a doenças e até a morte dele", acrescenta. Ele avalia que o momento é arriscado para quem quer investir em piscicultura no Castanhão.
De acordo com o piscicultor Bessa Júnior, do ano passado pra cá, houve um aumento de 30% na produção do açude e todos os que vieram de fora ficaram concentrados em uma área de 25% do espelho d'água. "Esses produtores de fora se concentraram próximos as áreas onde tem maior infraestrutura de estrada e energia. O Castanhão é muito grande e nem todos os locais tem essas condições, então eles acabam se aglomerando. É muita gente para pouca água em certo locais", afirma.
Ele defende que os produtores tomem uma atitude em buscar se deslocar para áreas mais adequadas, evitando inúmeros problemas, principalmente aqueles referentes à qualidade da água. Ela acrescenta que essa aglomeração de produtores é um dos fatores que tem ocasionado o aumento na mortalidade de peixes em algumas áreas. "Até agora não me afetou, porque o local onde estou é mais profundo, longe dessas aglomerações. Há o espaçamento correto entre as gaiolas e a quantidade de peixes, mas muitos não têm essa consciência", lamenta.
O produtor Emídio Chaves trabalha como piscicultor no açude há 11 anos, juntamente com um grupo de oito pessoas. Ele afirma que a mortalidade dos peixes na área do grupo vem aumentando nos últimos anos. "Em 2012 a mortalidade registrada foi de 12%, a gente considera muito pouca e é o que costumamos esperar na época do inverno. No inverno do ano passado, nossa perda subiu para 19% e, já neste ano, nós perdemos 53% da tilápia, um prejuízo para o grupo de mais de R$ 600 mil", lamenta.
Produtividade
Emídio afirma que não retirará os tanques do Castanhão, mas que segurará a produção muito abaixo do que estava acostumado a fazer. "Em um tanque rede grande, chegávamos a colocar 6 mil alevinos, agora estamos colocando só 1500, para não correr o risco de ter mais prejuízo", conta o piscicultor. Ele também afirma que esses problemas que afetam a produção do Castanhão está resultando na falta do pescado para os consumidores. "Estamos trabalhando com mais cautela devido à redução do nível de água do açude, mas se hoje tivéssemos mais produção toda ela era vendida, porque tem mercado", ressalta Emídio.
Assim como muitos estão chegando ao Castanhão, o piscicultor conta que outros estão saindo devido às dificuldades. Ele é um dos que já está em busca de outro local e já tem como certo colocar tanques-rede em um açude no Estado de Pernambuco.
Queda
A produção de tilápia no Ceará deverá cair 25% neste ano em comparação com 2013. A estimativa é da Associação Cearense de Aquicultores (Aceaq), para quem essa redução é consequência do quadro de seca que afeta o Estado desde 2012. Dos 28 açudes que mantinham a criação do pescado em tanques rede em 2011, apenas 18 ainda mantém alguma produção. Os açudes de Orós, Casanhão, Cascavel, Ubladino , Olho Dágua, Aires de Souza e outros, são os que estão suprindo a demanda do Estado.
"Estamos acompanhando essa situação muito atentos vendo a problemática no Castanhão, de modo que possamos buscar ações junto aos órgãos competentes para que haja uma melhor gestão e uma fiscalização no trabalho dentro do açude", afirmou Antônio Albuquerque, secretário executivo da Aceaq.
Mais Informações:
Associação Cearense de Aquicultores (Aceaq)
Rua Silva Paulet, 3279, sala 03, Fortaleza
(85) 3272 9219

Ellen Freitas
Colaboradora

Diário do Nordeste 

26 de julho de 2014

A Maior Torcida do Estado tem reencontro marcado para logo mais, 19 horas, na Arena Castelão, com a sua maior paixão que é o Leão do Pici, de volta aos braços da Nação Tricolor depois de 63 dias.

A Maior Torcida do Estado tem reencontro marcado para logo mais, 19 horas, na Arena Castelão, com a sua maior paixão que é o Leão do Pici, de volta aos braços da Nação Tricolor depois de 63 dias. (Arte: Maciel Junior)
O Fortaleza faz hoje na Arena Castelão, o seu oitavo jogo pela Série C deste ano, mas não será apenas mais um jogo, pois terá pela frente um dos sérios postulantes à classificação para a próxima fase da competição. 

O Botafogo da Paraíba, do competente e vitorioso técnico Marcelo Vilar tem feito uma boa campanha, e em que pese estar sem vencer há três jogos, tem conseguido se manter entre os quatro primeiros, se tornando um adversário perigoso, transformando o jogo de hoje em confronto direto. 

Estamos chegando à metade da primeira fase da Terceirona, e todo cuidado é pouco para quem quiser se classificar entre os quatro e continuar na luta pelo acesso, pois a caminhada tende a se tornar cada vez mais difícil. 

O Tricolor de Aço precisa da vitória, para manter distância dos demais concorrentes e guardar alguma gordura para eventuais reveses que podem vir a ocorrer. E hoje o Leão volta aos braços da Maior Torcida do Estado após 63 dias, período em que jogou duas vez fora de casa, além da pausa para a Copa do Mundo. 

O jogo de hoje marca também o reencontro do Fortaleza com a Arena Castelão, que sediou jogos memoráveis pelo Mundial FIFA 2014, dois deles da nossa Seleção Brasileira. Uma praça de esportes que foi alvo de elogios da imprensa internacional, e que hoje recebe a Nação Tricolor, prometendo reviver as bonitas festas que costuma fazer naquela imponente praça esportiva. 

Em entrevista coletiva na noite dessa sexta-feira, o técnico Marcelo Chamusca falou sobre o apoio da torcida nesse jogo. 

"Pra nós o apoio da torcida é fundamental, tem sido em todos os momentos e esse retorno nos trouxe até ansiedade, porque a força do nosso torcedor nos motiva muito a cada jogo. Amanhã vamos jogar em um grande estádio, padrão Copa do Mundo e espero que a torcida compareça, como tem sido em todos os jogos. Vamos fazer de tudo para vencer e conseguir os 3 pontos", destacou. 

Além de voltar a ver o time em campo ao vivo e bem próximo mais uma vez, a torcida tricolor vai poder ver de perto os novos uniformes com a marca da Kappa, além de conhecer o novo Juba, mascote do Leão que reestreia totalmente renovado, sendo uma atração a mais para a Maior do Estado. 

Os ingressos seguem à venda até a hora do jogo, com preços promocionais. Os bilhetes das Cadeiras Superiores custam apenas R$ 20, 00 (vinte reais), com a meia entrada a R$ 10,00 (dez reais). Cadeiras Inferiores estão à venda ao preço de R$ 30,00 (trinta reais), com a meia custando R$ 15,00 (quinze reais). 

ASSESSORIA DE IMPRENSA DO FEC
Jornalistas: Nodge Nogueira/Raissa Feijó
 


Tasso assume compromisso com o povo cearense

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Em entrevista concedida na tarde desta sexta-feira, 25, em Juazeiro do Norte, o candidato ao senado Tasso Jereissati reafirmou o seu compromisso com os cearenses. De acordo com ele, “o representante do nosso Estado no Senado Federal deverá obedecer e ter como mestre apenas o povo cearense”. A entrevista foi concedida antes de encontro que reuniu quatrocentas lideranças políticas da região do Cariri.
“Aquilo que for necessário brigar pelo Ceará, brigar, seja pra trazer, ou pra reclamar; seja pra elogiar ou criticar, mas representando e tendo só um chefe: o povo cearense”, disse Tasso Jereissati. Segundo o candidato tucano, atualmente é preciso que haja independência no Senado Federal. “Precisa haver um senador independente que não se atemorize diante do Governo, e tem que representar o Estado, por isso resolvi me apresentar novamente, porque estava sentindo falta disso aqui no Ceará e a população vai decidir”.
Mudança
O candidato reafirmou também a necessidade de mudança. Ele acredita que o Brasil está em péssima situação e que isso se deve “a falta de administração, que foi tomada por um partidos; o serviço publico tem que ser feito por gente que entenda do assunto e não por político”.

Motivação
De acordo com Tasso, o Ceará parou, pois “há muito tempo que não vem nada importante para o Estado” e que isso se deve à falta de independência. ” As pessoas estão ligadas a um Governo ou outro, tem chefes políticos, e não tem independência pra representar”, disse.

Ainda na noite desta sexta, Tasso e Eunício participam de caminhada pelas ruas da cidade de Barbalha. Em seguida, reúnem-se com lideranças na cidade de Nova Olinda. Na manhã de sábado, os candidatos participarão de caminhada em Mauriti, às 10h e de lá seguem para Iguatu, onde participarão de procissão às 16h.
Blog do Roberto Moreira

Icasa anuncia Leandro Sena como treinador para o restante da Série B

Leandro sena em treino amigão (Foto: Nelsina Vitorino / Jornal da Paraíba)Leandro Sena é o novo treinador do Icasa (Foto: Nelsina Vitorino / Jornal da Paraíba)
O mistério durou menos de três dias. Após o técnicoTarcísio Pugliese pedir demissão para assumir o Ituano, o Icasa já anunciou o novo treinador. Leandro Sena chega a Juazeiro do Norte na tarde desta quinta-feira para comandar o Verdão do Cariri no restante da Série B.
O Icasa é o terceiro clube comandado por Leandro Sena, de 38 anos. Ele começou a carreira de treinador no final de 2013 no América-RN e conseguiu livrar o time potiguar do rebaixamento. Neste ano, Leandro levou a equipe de Natal às semifinais da Copa do Nordeste, mas foi demitido após a derrota por 4 a 0 para o Ceará. 

Na sequência, ele foi contratado pelo Treze, mas uma campanha irregular no Campeonato Paraibano,fez com que o treinador não tivesse vida longa em Campina Grande.
Flávio Araújo e Sidney Moraes, ambos com passagens pelo clube de Juazeiro do Norte, eram os mais cotados para assumir o cargo. O primeiro descartou a possibilidade e disse que preferia entrar em um período de descanso após anunciar sua saída do Sampaio Corrêa. O segundo segue como técnico do Náutico.

Leandro Sena assume um Icasa na 14ª colocação da Série B, com 15 pontos conquistados. O verdão do Cariri vem de vitória por 2 a 0 sobre a Portuguesa na última terça-feira, quando já não teve Pugliese no banco de reservas, sendo comandado por seu auxiliar, Gustavo Scarleze.

O primeiro desafio de Leandro Sena será fora de casa, contra o Náutico, dia 29 de julho, na Arena Pernambuco, pela 14ª rodada da Série B.

Por Juazeiro do Norte, CE

Em duelo de defesas distintas, Fortaleza recebe Botafogo-PB no Castelão

treze x fortaleza (Foto: João Brandão Neto / GloboEsporte.com/pb)Fortaleza volta a campo neste sábado pela Série C (Foto: João Brandão Neto / GloboEsporte.com/pb)
O duelo deste sábado, na Arena Castelão, marca o confronto da melhor defesa contra uma das piores da Série C do Campeonato Brasileiro. Enquanto o Fortaleza tomou apenas três gols, o Botafogo-PB, 12 gols: mesmo número sofrido também por Águia de Marabá e Duque de Caxias. É nesse clima que os dois times se enfrentam, a partir das 19 horas, pela 8ª rodada do Grupo A da Terceirona.
O técnico Marcelo Chamusca tem o banco de reservas como trunfo para esta partida. O volante Corrêa está de volta à equipe depois de contusão. O meia Erick Flores, regularizado, é outro ponte forte entre as opções da equipe. Os titulares serão os mesmos das últimas duas rodadas.
Detalhe importante é que a diretoria espera um bom público na primeira partida do clube na Arena Castelão, durante a Série C deste ano. O Tricolor do Pici está próximo de assinar o contrato de parceria com a empresa administradora da Arena. Com isso, a maioria dos jogos deve ser mandada lá.
O Botafogo-PB vai fazer contra o Fortaleza o terceiro jogo consecutivo fora de casa. No final de semana passado, o time empatou contra o ASA no interior de Alagoas e caiu de segundo para quarto lugar na tabela de classificação do Grupo A. E no meio de semana foi derrotado por 2 a 1 pelo Santa Cruz e foi eliminado da Copa do Brasil. O Belo, agora, quer vencer o Fortaleza para ter ao menos uma vitória nesta sua sequência de confrontos longe de João Pessoa.

Apesar da eliminação na Copa do Brasil, a equipe mantém um discurso otimista e diz que a partir de agora vai ter foco exclusivo na terceira divisão. E completa destacando que o acesso para a Série C continua sendo seu principal objetivo no ano. A comissão técnica do clube pondera também que o time está bem na questão física e que vai dar trabalho aos rivais, mesmo estes sendo os atuais líderes do grupo.

santa cruz x botafogo-pb (Foto: Aldo Carneiro / Pernambuco Press)
O trio de arbitragem é do Rio Grande do Norte. Pablo Ramon Gonçalves Pinheiro apita o jogo, com os assistentes Flávio Gomes Barroca e Luis Carlos Câmara Bezerra. O GloboEsporte.com confere todos os detalhes em tempo real, a partir das 18h30min.
HEADER escalacoes 690 (Foto: Infoesporte)
Fortaleza: O técnico Marcelo Chamusca terá muito trabalho para montar a equipe tricolor. E não por falta de jogadores. Com a volta e Corrêa e a regularização de Erick Flores, o treinador terá reforços de peso para montar o time. No entanto, a equipe titular deve repetir a escalação dos últimos jogos: Ricardo; Tiago Cametá, Genilson, Adalberto e Fernandinho; Guto, Walfrido, Marcelinho Paraíba e Edinho; Waldison E Robert..
Botafogo-PB: Marcelo Vilar tem duas questões principais para resolver no time titular. O primeiro deles é no gol. O goleiro titular Genivaldo não joga e ele só vai decidir minutos antes da partida qual dos reservas vai ter sua primeira chance. Outra dúvida é na lateral-esquerda. Alex Cazumba vinha sendo o titular, mas ficou dois jogos de fora e viu o recém-contratado Badé entrar bem. O time base para o jogo tem Carlos (Edson), Ferreira, Magno Alves, André Lima e Alex Cazumba (Badé); Zaquel, Hércules, Lenílson e Doda; Frontini e Rafael Aidar.
header quem está fora (Foto: Editoria de Arte/Globoesporte.com)




Fortaleza:
 Os zagueiros Eduardo Luiz e Max Oliveira estão em fase de recuperação e ainda não jogam nesta rodada da Série C do Campeonato Brasileiro. O atacante Romarinho tem lesão no ombro e está em processo de recuperação.
Botafogo-PB: Dois jogadores-chave do time titular estão suspensos com o terceiro cartão amarelo e, portanto, não pegam o Fortaleza. O goleiro Genivaldo deixa a meta livre para os dois reservas disputarem vaga; enquanto que Pio será substituído por Hércules.
Por Fortaleza, CE

Rio na China fica vermelho misteriosamente

A cidade de Wenzhou, no leste da China, amanheceu ontem com um rio em cor de sangue. Segundo a imprensa local, a cor começou a ser avermelhar a partir das 6h. Moradores da cidade, uma das principais do país, disseram que nunca haviam visto o fenômeno antes.
Inspetores do Escritório de Proteção Ambiental de Wenzhou se dirigiram ao local para estudar o rio de sangue.
rio-vermelho
Rios ficarem vermelhos na China não são uma novidade, especialmente nos grandes como o Yangtzé, o mais importante do país, ao lado do Huang He. Em 2012, o Yangtzé ficou vermelho, em 2011 foi a vez do Jian. Os motivos, embora nem sempre comprovados, variam entre proliferação de algas, acúmulo de fragmentos de rochas trazidos por chuvas ou, claro, poluição causada por fábricas nos arredores. Aqui, a situação do Yangtzé há dois anos:
Vale lembrar que o Yangtzé é o rio Azul e o Huang He, o Amarelo. Já o Rio Vermelho percorre o Estado de São Paulo. Feitos os esclarecimentos confusos cromáticos, esperamos que o fenômeno na China não seja mais uma ação de marketing debiloide.
rio-vermelho2Rio de isotônico?
(mais informações e fotos: Crienglish.com)

Por Felipe van Deursen
Revista Super Interessante

24 de julho de 2014

CBF detalha tabela da Série C e todos os jogos do Fortaleza serão transmitidos pela TV

tv brasil
A CBF divulgou a tabela detalhada com as datas, horários e locais das partidas da 1ª Fase da Série C do Campeonato Brasileiro. E o que se confirmou nos primeiros jogos da Competição, foi ratificado até a 19ª Rodada.
Todos as partidas do Fortaleza serão transmitidas pela TV. De acordo com o site da CBF, Esporte Interativo (E.I), TV Brasil e Sportv vão exibir os jogos do time tricolor durante a 1ª Fase da Competição.
Confira as datas, horários, locais e as emissoras que irão transmitir os jogos do Fortaleza:
Sábado – 26/07 – 19h – Fortaleza – Fortaleza x Botafogo-PB – TV Brasil e E.I
Sábado – 02/08 – 19h – Arapiraca – ASA x Fortaleza – TV Brasil
Sábado – 09/08 – 16h – Fortaleza – Fortaleza x Salgueiro – Sportv e E.I
Domingo – 17/08 – 19h – Cuiabá – Cuiabá x Fortaleza – TV Brasil e E.I
Segunda – 25/08 – 21h30 – Marabá – Águia x Fortaleza – E.I
Segunda – 01/09 – 21h30 – Fortaleza – Fortaleza x Crac – E.I
Domingo – 07/09 – 19h – Maceió – CRB x Fortaleza – TV Brasil e E.I
Domingo – 14/09 – 19h – Fortaleza – Fortaleza x Paysandu – TV Brasil e E.I
Segunda – 22/09 – 21h30 – Fortaleza – Fortaleza x Treze – E.I
Domingo – 28/09 – 19h – João Pessoa – Botafogo x Fortaleza – TV Brasil e E.I
Sábado – 04/10 – 19h – Fortaleza – Fortaleza x ASA – E.I

Blog do Kempão

23 de julho de 2014

Velho conhecido dos palmeirenses é o artilheiro do país na temporada

Lembra dele? Com passagens recentes por Palmeiras e Cruzeiro, Robert vive grande fase no futebol cearense. O jogador está defendendo o Fortaleza e, com 24 gols no ano, é o artilheiro do país na temporada.
Robert foi contratado pelo Palmeiras em 2009, vindo do América do México. O jogador chegou com status de artilheiro mas não convenceu os torcedores, que logo questionaram seu trabalho. Pelo clube paulista foram 43 jogos e 19 gols anotados, marca que já foi ultrapassada com a camisa do Fortaleza.

O atacante foi o artilheiro do Leão no Campeonato Cearense com 21 gols. Na série C, são três gols marcados. O retrospecto com a camisa do Fortaleza só é superado pela passagem pelo futebol Mexicano, quando defendeu o Atlas. Na oportunidade, em 2004, Robert foi o artilheiro do Clausura com 32 gols.
O jogador é perseguido de perto pelos atacantes Lima, cujo defendia o Paysandu e foi transferido para o Ceará, e Magno Alves, também do Vozão. A dupla já anotou 20 gols na temporada. Entre os clubes da Série A, os maiores goleadores são do Grêmio e do Sport. Barcos e Neto Baiano já balançaram as redes 17 vezes em 2014.
LANCE!Net

Ariano transformou o ‘matuto’ do interior em estrela de cinema

O escritor Ariano Suassuna posa em sua casa, no bairro de Casa Forte, Recife, em 13 de junho de 2005 (Foto: Rodrigo Lobo/Estadão Conteúdo)O escritor Ariano Suassuna posa em sua casa, no bairro de Casa Forte, Recife, em 13 de junho de 2005 (Foto: Rodrigo Lobo/Estadão Conteúdo)
Escritor, dramaturgo, professor e político, Ariano Suassuna se encontrava mesmo era na arte, que considerava a sua “festa”. Do primeiro contato com o circo e com peças colegiais, no Sertão paraibano, até a diversificada biblioteca que encontrou em uma escola do Recife quando ainda era estudante do ensino fundamental, o menino franzino sempre apontou sinais de que seria um artista em sua essência, completo. Após 87 anos de vida e um legado inegável na literatura, no teatro, nas artes plásticas e até na música, o Brasil se despede de um dos maiores ícones da cultura nordestina nesta quarta-feira (23).

Filho de João Urbano Pessoa de Vasconcelos Suassuna, na época governador do estado da Paraíba, e Rita de Cássia Dantas Villar, Ariano Villar Suassuna nasceu no dia 16 de junho de 1927, no Palácio da Redenção, na cidade da Parahyba, atual João Pessoa. O oitavo filho do casal passou seus primeiros anos em meio a uma situação política conturbada – o Brasil vivia os momentos que antecederam a derrubada das oligarquias, com a Revolução de 1930.

A última vez que vi meu pai foi no cais do Recife. A gente veio trazer meu pai para ele ir ao Rio – onde foi assassinado. Só me lembro desse momento: ele já no navio, mamãe me apontando. Eu não via. De repente, enxerguei: meu pai estava emoldurado pela janela do navio – dando [adeus] com a mão. Aquela foi a última vez que o vi"
Ariano Suassuna
A instabilidade social em que o país estava mergulhado iria deixar marcas que seguiriam em Ariano por toda a sua vida. Político influente em todo o Nordeste, em 1928, João Suassuna decide se mudar para a Fazenda Acauhan, no Alto Sertão paraibano, para evitar seus inimigos de poder. Na trajetória para encontrar paz, a família chegou a passar um ano na cidade de Paulista, no Grande Recife. Porém, em 9 de outubro de 1930,  em uma viagem ao Rio de Janeiro, o pai de Ariano foi assassinado com um tiro pelas costas.
A saudade até do que não conseguiu compartilhar com seu pai perseguiu Ariano para sempre. Em entrevista dada ao jornalista pernambucano Geneton Moraes Neto, do canal Globonews, veiculada em 15 de junho de 2013, o escritor revelou que ainda buscava perdoar os assassinos de seu pai – possivelmente morto devido à rivalidade política com João Pessoa, então governador paraibano, candidato a vice-presidente da República e assassinado em junho de 1930, no centro do Recife.  Mesmo com apenas três anos de idade quando o crime aconteceu, as memórias permaneceram na mente de Ariano.

“A última vez que vi meu pai foi no cais do Recife. A gente veio trazer meu pai para ele ir ao Rio – onde foi assassinado. Só me lembro desse momento: ele já no navio, mamãe me apontando. Eu não via. De repente, enxerguei: meu pai estava emoldurado pela janela do navio – dando [adeus] com a mão. Aquela foi a última vez que o vi”, disse o escritor na ocasião.

Viúva e mãe de nove filhos, Rita Suassuna passa a morar em Taperoá, Sertão da Paraíba, a cerca de 240 km de João Pessoa. Na cidade, Ariano fez seus primeiros estudos e teve o primeiro contato com a arte teatral, com o circo e pequenos eventos. Em 1937, já com 10 anos, o escritor se muda para o Recife, onde torna-se interno do Colégio Americano Batista – apenas cinco anos depois, toda a família Suassuna passa a viver na capital pernambucana. 

Aos 12 anos, Ariano começa a nutrir o desejo de se tornar um escritor, quando faz o seu primeiro conto. Entretanto, apenas em 1945 Ariano tem publicado o seu primeiro texto, o poema "Noturno", no Jornal do Commercio, do Recife.  O poema foi enviado ao jornal, em segredo, pelo professor de Suassuna, Tadeu Rocha, que havia percebido ali um talento. Nesta época, os textos de Ariano eram ilustrados pelo seu amigo Francisco Brennand, que mais tarde se tornaria um dos mais renomados artistas plásticos do Brasil.

Após terminar os estudos secundários, Ariano passa a estudar na Faculdade de Direito do Recife. Junto aos anos de formação como advogado – profissão que ele detestava –, Suassuna se firmou no campo da arte. Em 1946, no Teatro de Santa Isabel, no centro da capital, acontece o que ele considerava sua primeira aula-espetáculo. Dois anos mais tarde, Ariano escreve sua primeira peça teatral: "Uma mulher vestida de sol", ganhando o prêmio Nicolau Carlos Magno. Nesse mesmo ano, conhece sua futura esposa, Zélia de Andrade Lima, no centro do Recife.

Ariano Suassuna usa jornal para criticar situação da música brasileira durante aula-espetáculo (Foto: Débora Soares / G1)Ariano Suassuna usa jornal para criticar situação da música brasileira durante aula-espetáculo (Foto: Débora Soares / G1)
O alcance da cultura nordestina
Com quatro anos de formado, em 1954, Ariano Suassuna abandona a carreira de advogado e se dedica inteiramente ao ofício de artista. "Queimei os livros de direito. Foi uma coisa simbólica, não queria mais nada com direito", contou o escritor em entrevista ao Jornal da Globo, em 2007. Um ano depois, ele escreveria um dos seus maiores clássicos: "O Auto da Compadecida", texto baseado em três narrativas do romanceiro nordestino.

Na primeira encenação, no Teatro de Santa Isabel, no Recife, em 1957, a peça não teve sucesso de público. Suassuna, então, levou o Auto da Compadecida para participar de um festival de estudantes no Rio de Janeiro, no Teatro Dulcina, centro da cidade. A obra ganhou o primeiro lugar e explodiu nacionalmente com o sucesso.  Em toda a sua trajetória como escritor, a obra é considerada a mais famosa, devido às adaptações para a televisão e o cinema.

Vejo os melhores artistas brasileiros deixados de lado e trocados por lixo cultural que vem de fora e nos é empurrado por goela abaixo. Por essa preocupação, resolvi reunir um grupo de artistas de todas as áreas e que tivessem preocupações semelhantes às minhas, para, juntos, procurarmos uma arte brasileira erudita fundamentada na raiz popular da nossa cultura"
Ariano Suassuna, sobre o Movimento Armorial
Com o reconhecimento que ia conquistando, Ariano começou a escrever, em 1958, aquele que considera o seu melhor livro: o “Romance d'A Pedra do Reino e o príncipe do sangue do vai-e-volta”, que só foi concluído em 1970. Na época, Suassuna já havia se tornado professor da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) e membro-fundador do Conselho Nacional de Cultura, além de ter começado a articular o Movimento Armorial, que defendeu a criação de uma arte erudita nordestina a partir de suas raízes populares.

A data que marcou o início de fato do movimento foi 18 de outubro de 1970. Na Igreja São Pedro dos Clérigos, no centro do Recife, foi promovido o concerto "Três séculos de música nordestina - do Barroco ao Armorial" e inaugurada uma exposição de gravuras, pinturas e esculturas.
Em entrevista à Globo Nordeste em 2006, Ariano falou sobre o que o motivou a criar um movimento artístico de resgate da arte genuinamente brasileira. “Eu comecei a ficar preocupado com o processo de vulgarização e descaracterização da cultura brasileira. O processo hoje que infelizmente está em curso. Por isso, o Armorial continua atual e atuante. Essa luta não pode parar. Vejo os melhores artistas brasileiros deixados de lado e trocados por lixo cultural que vem de fora e nos é empurrado por goela abaixo. Por essa preocupação, resolvi reunir um grupo de artistas de todas as áreas e que tivessem preocupações semelhantes às minhas, para, juntos, procurarmos uma arte brasileira erudita fundamentada na raiz popular da nossa cultura”, destacou.

Quatro anos após a criação do Movimento, o grupo instrumental Quinteto Armorial lança seu primeiro disco: "Do romance ao galope nordestino". O quinteto era formado pelos músicos Antônio José Madureira, Antônio Carlos Nóbrega, Fernando Torres Barbosa, Edilson Eulálio e Egildo Vieira e foi sucesso de crítica na época.

O escritor Ariano Suassuna será homenageado na Bienal  (Foto: Alexandre Nóbrega/divulgação)Escritor Ariano Suassuna posa na janela da sua casa, na Zona Norte do Recife (Foto: Alexandre Nóbrega/divulgação)
Política e reconhecimento
Em 1975, Ariano começou a ter contato direto com a política, tornando-se secretário de Educação e Cultura da cidade do Recife. Dentre seus feitos, está a fundação do Balé Popular da capital pernambucana. Nos anos seguintes, Suassuna chegou a escrever alguns livros de poesia, como “Sonetos com mote alheio” (1980), “Sonetos de Albano Cervonegro”, e outras peças de sucesso, como “As conchambranças de Quaderna”.

Após 32 anos nas salas de aula, Suassuna se aposentou do cargo da UFPE, em 1989. O período também ficou marcado pelo reconhecimento nacional do escritor – Ariano tomou posse na cadeira 32 da Academia Brasileira de Letras (ABL), no Rio de Janeiro, em 1990. Três anos depois, foi realizada, na cidade de São José do Belmonte, Sertão de Pernambuco, a primeira festa da Pedra do Reino – uma cavalgada em que os participantes usam trajes como os descritos no romance de Ariano Suassuna.

“Para mim não tem diferença [entre viver e escrever], porque escrever foi a maneira que encontrei para enfrentar essa cruel, às vezes, injusta, mas também fascinante e bela tarefa de viver"
Ariano Suassuna
Nos anos 1990, Ariano se tornou figura pública ainda mais conhecida, com as adaptações de “Uma Mulher Vestida de Sol” (1994) e “O Auto da Compadecida” (1999) para a Rede Globo de Televisão – a segunda obra ainda virou filme em 2000, dirigido pelo pernambucano Guel Arraes e sendo um dos maiores sucessos de bilheteria e crítica do cinema nacional. Em 2006, "A Pedra do Reino" também virou série de televisão, dirigida por Luiz Fernando Carvalho – as cenas foram gravadas em Taperoá e reuniam mais de 200 pessoas.
Como político, Ariano foi nomeado, em 1995, secretário estadual da Cultura pelo então governador de Pernambuco, Miguel Arraes. Em 2007, assumiu novamente a função no primeiro governo de Eduardo Campos. O último cargo ocupado foi o de secretário-chefe da assessoria especial do governo de Pernambuco, em 2011.
O legado que Ariano Suassuna deixou para o Nordeste e para o Brasil é inegável. Ele transformou o “matuto” do interior em estrela máxima de cinema e criou universos mágicos em meio à seca e à pobreza do Sertão nordestino. Ariano foi apaixonado por sua terra, pelo seu país, e, até os últimos dias, militou pela arte de qualidade, ao alcance de todos os brasileiros. Uma vez, ele respondeu o que ele preferia: a vida ou literatura. Para Ariano, uma não se desvencilhava da outra. “Para mim, não tem diferença, porque escrever foi a maneira que encontrei para enfrentar essa cruel, às vezes, injusta, mas também fascinante e bela tarefa de viver".

Vitor TavaresDo G1 PE

Morre aos 87 anos o escritor Ariano Suassuna, o cavaleiro do sertão


O escritor paraibano Ariano Suassuna morreu nesta quarta-feira, aos 87 anos. Ele estava internado no Real Hospital Português, em Recife, Pernambuco, desde segunda-feira, depois de sofrer um acidente vascular cerebral hemorrágico. O autor passou por uma cirurgia de emergência, acabou entrando em coma e não resistiu. Integrante da Academia Brasileira de Letras, Suassuna teve seis filhos e 15 netos. Defensor da cultura popular brasileira, era um dos maiores dramaturgos do país, além de autor de romances e poemas.

No dia 21 de agosto do ano passado, ele foi atendido no mesmo hospital por causa de um infarto, “com comprometimento cardíaco de pequenas proporções”. Uma semana depois, passou mal e voltou a ser internado, sendo submetido a uma arteriografia para corrigir um aneurisma que vinha lhe provocando fortes dores de cabeça.


Nascido em 16 de junho de 1927 em Nossa Senhora das Neves, hoje João Pessoa, capital da Paraíba, Ariano Vilar Suassuna era filho de João Suassuna, então governador de seu estado natal. Com o fim do mandato, um ano depois, toda a família se mudou para o interior.

O velho contador de histórias do sertão tinha apenas 3 anos quando um fato trágico marcou sua infância. No desenrolar da Revolução de 1930, um pistoleiro de aluguel assassinou seu pai com um tiro pelas costas, numa rua do Rio de Janeiro.

O assassinato foi motivado por boatos que apontavam o patriarca da família Suassuna como mandante da morte de João Pessoa, seu sucessor no governo, fato que serviu de estopim para a revolução. Um ambiente assim, com dívidas de sangue e rivalidade entre famílias, cobrava dos órfãos a vingança. Mas, um dia antes de ser assassinado, João Suassuna deixou uma carta aos nove filhos pedindo que eles não se tornassem assassinos por sua causa.


UMA BIBLIOTECA DE HERANÇA

Ariano Suassuna obedeceu. Em vez disso, dizia estar perto de perdoar os criminosos que mataram seu pai. A mãe e viúva também ajudou, ao dizer que o pistoleiro responsável pelo crime já havia morrido (era mentira). Com a tragédia, a família mudou-se para a pequena cidade de Taperoá, no interior da Paraíba. E Ariano herdou a biblioteca do pai, onde encontrou livros importantes para sua formação. Um dos mais importantes, sem dúvida, foi “Os sertões”, de Euclides da Cunha. A obra lhe apresentou um dos personagens que mais marcaram sua vida: Antônio Conselheiro, profeta e líder de Canudos.

Em 1942, Suassuna foi para Recife concluir o ensino básico. Anos depois, na faculdade de Direito, ajudou a fundar o Teatro do Estudante de Pernambuco. Em 1947, encenou sua primeira peça: “Uma mulher vestida de sol”. Nove anos depois, levaria aos palcos seu texto mais conhecido, “Auto da Compadecida”, que ganharia adaptações na TV e no cinema.


Matheus Nachtergaele e Selton Mello na versão de "Auto da Compadecida" para o cinema dirigida por Guel Arraes no ano 2000 - Divulgação/Nelson di Rago
Por causa do teatro, deixou o Direito de lado seis anos após ter se formado. O romance surgiu mais tarde em sua vida. Em 1971, Ariano Suassuna lançou seu “Romance d’a pedra do reino e o príncipe do sangue vai-e-volta”, com nome comprido como seus cordéis tão adorados e pensado para ser uma trilogia. Com o livro, o escritor avança em relação à literatura regionalista dos anos 1930, representada por João Guimarães Rosa e José Lins do Rego. Mais tarde, Ariano Suassuna diria que “A pedra do reino” era, de certa forma, uma tentativa de trazer seu pai de volta à vida.

Havia quem acusasse o escritor de lutar contra moinhos de vento: o escritor se apresentava como um defensor da cultura popular brasileira, contra a invasão da indústria cultural norte-americana. Falava mal de Madonna e Michael Jackson. Não à toa, quando foi secretário de Cultura do governo Miguel Arraes, nos anos 1990, tornou-se um ferrenho opositor do maracatu eletrônico e do manguebeat. Ele se recusava, por exemplo, a chamar Chico Science, o vocalista da Nação Zumbi, pelo nome artístico. Dizia “Chico Ciência”.



A defesa da cultura nacional, que muitas vezes lhe rendeu o rótulo de xenófobo, já vinha no sangue e no nome da família. Na onda nacionalista depois da Independência, em 1822, vários brasileiros adotaram nomes indígenas. Seu bisavô Raimundo Sales Cavalcanti de Albuquerque escolheu Suassuna, de origem tupi, e nome de um riacho da região onde a família vivia. Nos anos 1970, fazendo jus ao nacionalismo da linhagem, Ariano fundou o Movimento Armorial, que defendia a criação de uma cultura erudita com bases na cultura popular — e toda a sua obra orbita em torno desse ideal. 
Em 1989, o sertanejo foi eleito para a cadeira de número 32 da Academia Brasileira de Letras, cujo patrono era Araújo Porto-Alegre. Sexto ocupante da cadeira, Suassuna nunca foi um imortal de frequentar os eventos da instituição. Era uma espécie de filho pródigo da ABL.


NOVA OBRA VINHA SENDO ESCRITA HÁ MAIS DE 20 ANOS

Para além de sua obra, o escritor paraibano ficou famoso também por dar aulas em que dissecava a cultura brasileira, as suas origens ibéricas, a tradição dos violeiros, dos cantadores, das rabecas, dos cordéis. Eram aulas-espetáculo. E a última foi na sexta-feira passada, no 24º Festival de Inverno de Garanhuns, a 230 quilômetros de Recife. O Teatro Luiz Souto Dourado ficou lotado, como sempre acontecia nesses eventos. Um dos motivos de tanto sucesso era o bom humor do escritor, uma de suas marcas. Não que tenha sido sempre assim. Suassuna atribuía o aparecimento do humor em sua vida ao encontro com Zélia, sua mulher há mais de 50 anos. Para Suassuna, ela havia “desatado alguma coisa” dentro dele. “O riso a cavalo e o galope do sonho são as duas armas de que disponho para enfrentar a dura tarefa de viver”, escreveu em “A pedra do reino”.


Ariano Suassuna e sua mulher, Zélia, em março de 2000 - Agência O Globo/Josenildo Tenório/6-3-2000
Ariano Suassuna trabalhava em um novo livro havia mais de 20 anos, e dizia estar longe de terminar. Não era para menos. Seu processo de criação era lento: escrevia e reescrevia, várias vezes, à mão. Depois, copiava para a máquina de escrever e, só então, corrigia. Era aí que o escritor passava tudo a limpo, novamente à mão. Às vezes, descartava todo o material e voltava ao começo do processo. Como ilustrava os próprios livros e ainda parava para dar suas famosas aulas-espetáculo pelo país, demorava mais ainda. Sem título, o romance seria a continuação de “A pedra do reino”.


Além do amor pela literatura, havia espaço para o futebol: seu time do coração era o Sport Club do Recife, que até o homenageou em seu uniforme em 2013 com uma frase que ele costumava repetir: "Felicidade é ser Sport". Suassuna tinha fama de pé quente.

Entre as muitas homenagens que recebeu, uma das que mais o marcaram foi o desfile da escola de samba Império Serrano, que levou para a avenida o enredo "Aclamação e coroação do imperador da pedra do reino Ariano Suassuna", em 2002. "Um escritor que ama o seu país não pode querer homenagem maior que esta", disse.

Em 2007, ele assumiu a secretaria de Cultura de Pernambuco a convite do governador Eduardo Campos, e chegou a ocupar outros cargos até deixar o governo recentemente, em abril de 2014.

O ano de 2007 também foi marcado pela celebração dos 80 anos do escritor em todo o Brasil. As homenagens o levaram a viajar de Norte a Sul do país. Uma epopeia para um homem que, além de apreciar o sossego, detestava avião. Mesmo assim, o apaixonado e muitas vezes polêmico defensor da cultura popular brasileira seguia adiante. Mas brincava: se soubesse que chegar aos 80 anos daria tanto trabalho, teria ficado nos 79.