Rodrigo Andrade está perto de retornar ao Fortaleza (Foto: Divulgação/Fortaleza)
Após passar por uma cirurgia no ombro esquerdo, o meia do Fortaleza, Rodrigo Andrade, iniciou os trabalhos físicos no clube na última semana. Evoluindo a cada dia de trabalho, o jogador acredita que retornará aos gramados em abril.
- A expectativa é estar à disposição da comissão técnica em abril. Vou me esforçar para isso. Já estou evoluindo bastante, sem dores e a cada dia mais confiante. Agora é preciso ter tranquilidade para voltar com tudo para ajudar a equipe na sequência da temporada. Estou muito confiante - afirmou.
Ainda de acordo com o atleta, mesmo fora das atividades, ele tem acompanhado bastante o elenco e revela estar confiante no título cearense e na tão sonhada vaga para a Série B de 2018.
- Tenho acompanhado de fora e vejo que a equipe está buscando a evolução, trabalhando para melhorar seu rendimento em campo. A torcida pode confiar neste elenco, que vai fazer de tudo para conquistar o título estadual e a vaga para a Segundona.
A contagem regressiva está cada vez mais próxima do fim. Faltavam quatro gols para o centésimo de Magno Alves com a camisa do Ceará. Agora só faltam dois. Com os tentos feitos na vitória sobre o Uniclinic, neste domingo, pelas quartas de final do Cearense, o Magnata chegou aos 98 gols marcados e está a apenas um de Zé Eduardo, que tem 99, e é o sexto maior artilheiro da história do clube.
Ao término da partida contra o Uniclinic, Magnata prometeu mais gols no jogo de volta contra a Águia da Precabura: "Sábado tem mais". Se mantiver a pontaria em dia, o atacante pode sonhar até em ultrapassar Pipiu, quarto na lista, com 115 gols. Quem sabe?
Magno Alves sinaliza: Faltam apenas dois gols para o centésimo (Foto: Tiago Gadelha/Agência Diário)
O cara a ser superado: Zé Eduardo
Zé Eduardo apaerce na lista dos artilheiros do Alvinegro de Porangabuçu em sexto, com 99 gols. É o próximo alvo de Magnata na busca por melhores posições no ranking. Zé Eduardo começou a jogar pelo Bahia em 1967 e, em seguida, foi emprestado do Flamengo em 1971.
No ano seguinte, chegou ao Ceará e naquele ano teve início um caso de amor entre atleta e clube. Foram nove anos defendendo o clube e seis títulos conquistados, entre eles o tetra de 1975 a 1978, além do bicampeonato cearense em 1980/1981.
Ronny, do Fortaleza (Foto: FortalezaEC/Divulgação)
O meia Ronny, que também atua como lateral-esquerdo, foi apresentado nesta segunda-feira (20) no Fortaleza. Ele chega para ajudar o Leão na sequência do estadual e na disputa da Série C do Campeonato Brasileiro. Ronny estava livre no mercado desde que acertou a saída do Hertha Berlim, da Alemanha, no final do ano passado. O jogador defendia o Hertha desde 2010 e ajudou a equipe alemã a conquistar o título da segunda divisão e, consequentemente, o acesso para a elite do Campeonato Alemão logo que chegou ao clube.
- Vim para ajudar. Está repercutindo muito lá fora a minha volta para o Brasil, porque tive uma passagem incrível na Alemanha. Mas eu só quero demonstrar o meu trabalho aqui a cada dia, a cada treino, a cada jogo, para ficar à disposição do professor.
Antes disso, Ronny passou cinco anos em Portugal, com destaque para a sua passagem pelo Sporting, onde foi bicampeão da Taça de Portugal e da Supercopa de Portugal. Ronny também fez parte do elenco campeão brasileiro do Corinthians, em 2005. Foi lá que começou sua carreira profissional, quando foi lançado pelo técnico Tite, hoje comandante da seleção brasileira. Com a camisa da seleção, mas nas categorias de base, conquistou a Copa do Mundo Sub-17.
- Foi uma decisão muito difícil. Cheguei em casa, meus filhos tinham acabado de chegar da escola. Falei que tinha uma coisa muito importante pra falar com eles. Foi um choque quando eu disse que não ficaríamos mais no Hertha. Disse para o meu pai: ‘o que vamos fazer?’ Ele disse: ‘vamos treinar que vai aparecer alguma coisa legal’. Estava treinando na academia quando o Fortaleza apareceu. Foi destino. Já conhecia o Marquinhos e outras pessoas do Fortaleza, tenho amigos aqui, e ele me chamou. Conversamos e não pensei duas vezes. Estou muito feliz pelo clube ter aberto as portas pra mim novamente. Cheguei a jogar três partidas aqui da Sub-15. Até eu sair daqui para tocar a minha vida.
Na sua passagem pelo Sporting, em 2006, foi assunto na imprensa mundial ao marcar um gol de falta que atingiu os 222 km/h depois de explodir no travessão. Ainda que extraoficialmente, a bola percorreu 16,5 metros em menos de 27 centésimos de segundo. Na época, passou a ser chamado em Portugal de "homem-bomba" pelos chutes potentes, uma marca pessoal.
- Vim para ajudar. O Fortaleza tem grandes jogadores. Vou ter que mostrar o meu valor para buscar o meu espaço. A cobrança de falta é uma característica que tenho, já fiz muitos gols assim, e vou procurar aprimorar sempre para marcar muitos gols aqui - explicou.
Comunidade do Pirambu, um dos maiores aglomerados urbanos do Brasil, segundo IBGE. (Foto: Giselle Dutra/G1 CE)
O Ceará é o terceiro estado do Nordeste com mais crianças e adolescentes, de 0 a 14 anos, vivendo em situação de pobreza, segundo o relatório Cenário da Infância e da Adolescência no Brasil, divulgado nesta terça-feira (21) pela Fundação Abrinq, com base em dados de 2015. No total, 1.198.254 pessoas dessa faixa etária estavam vivendo na pobreza em 2015.
A classe de rendimento mensal domiciliar per capita foi definida pela soma de todos os rendimentos dos moradores divido pelo número de habitantes da residência. O salário mínimo federal no ano de 2015, quando a pesquisa foi realizada, era de R$ 788,00. Foi considerado pobre quem vivia com até um quarto do salário mínimo.
Com base nestes dados, o Cenário da Infância e da Adolescência colocou o Ceará como o terceiro estado brasileiro com mais crianças e adolescentes na linha de pobreza, ficando atrás apenas de Pernambuco (1.242.840) e Maranhão (1.239.396).
Em todo país, são mais de 17,3 milhões de crianças e adolescentes vivendo em situação de pobreza ou extrema pobreza. O número equivale a 40,2% da população brasileira na faixa etária de 0 a 14 anos. Os dados da população utilizados para compor o relatório foram do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística.
O relatório reúne 23 indicadores sociais relacionados ao público de 0 a 18 anos, tais como mortalidade, nutrição, gravidez na adolescência, cobertura de creche, escolarização, trabalho infantil, saneamento básico e violência.
Criada em 1990, a Fundação Abrinq pelos Direitos da Criança e do Adolescente é uma organização sem fins lucrativos que tem como missão promover a defesa dos direitos e o exercício da cidadania de crianças e adolescentes.
Outros números do Ceará
Violência: 24% dos homicídios de pessoas de 0 a 19 foram por armas de fogo. O número é maior que a média nacional apontada pela pesquisa, que foi de 20% em 2015.
Educação: 7,2% dos alunos matriculados deixaram de frequentar a escola durante o período letivo em 2015. A média nacional é de 6,8%.
Saneamento básico: 4,3% da população cearense não tem acesso à rede de esgoto. O número é superior ao da média nacional, que foi de 1,9%, em 2015.
Atos infracionais: 1.126 jovens cumpriram medida socioeducativa no Ceará pelo cometimento de atos infracionais previstos no ECA, no ano de 2016. O delito de roubo foi o maior ato infracional, com 616 casos. Em todo país foram 23.066 adolescentes cumprindo medidas socioeducativas.
Acesso à saúde: 66% da população cearense entre 0 e 17 anos foram ao médico nos últimos 12 anos, quando a pesquisa foi aplicada em 2013. O número de pessoas na mesma faixa etária que foram ao dentista foi de 36% no Ceará.
O Presidente Michel Temer anunciou
nesta terça-feira (21) que a reforma da Previdência atingirá somente os
servidores federais. Segundo ele, a reforma das previdências estaduais ficará a
cargo dos governos dos estados.
Ele fez o
anúncio após reunião no Palácio do Planalto com o presidente da Câmara, Rodrigo
Maia (DEM-RJ), os líderes do governo no Senado, Romero Jucá (PMDB-RR), na
Câmara, Aguinaldo Ribeiro (PP-PB), e deputados, entre os quais Carlos Marun
(PMDB-MS) e Arthur Maia (PPS), presidente e relator, respectivamente, da
Comissão Especial da Reforma da Previdência.
"Surgiu
com grande força [na reunião] a ideia de que deveríamos obedecer a autonomia
dos estados", disse Temer, após reunião com líderes partidários no Palácio
do Planalto.
"Reforma
da Previdência é para os servidores federais", declarou. O projeto de
reforma da Previdência atualmente em tramitação na Câmara só exclui militares
das Forças Armadas, bombeiros e policiais militares.
De acordo com o
presidente, vários estados já começaram a reformular a Previdência estadual.
"Seria uma
invasão de competência, que não queremos levar adiante", afirmou.
"Sendo assim, funcionários estaduais dependerão da manifestação do seu
governo estadual ou governo municipal", complementou.
"Estou
passando ao relator [Arthur Maia] e ao presidente da comissão [Carlos Marun]
que logo no dia de amanhã [quarta, 22] todos transmitirão aos membros da
comissão que a partir de agora trabalharão com uma previdência voltada para os
servidores federais", afirmou Temer.
Ao encerrar a
fala, Temer deixou o Salão Leste do Palácio do Planalto, local do
pronunciamento, sem responder a perguntas. Jornalistas gritaram, indagando se o
anúncio era uma "derrota" da equipe econômica, mas o presidente ignorou
a pergunta.
Após o anúncio
o presidente da Câmara, Rodrigo Maia, afirmou que a decisão do presidente vai
"facilitar muito" a aprovação da reforma da Previdência. Ele pretende
concluir a votação da reforma ainda no primeiro semestre deste ano.
"Vai facilitar muito a aprovação porque vai retirar 70% da pressão que estava sendo
recebida", afirmou o presidente da Câmara, Rodrigo Maia. "Vivemos em
um estado federado e cada ente tem a prerrogativa para fazer ou não a sua
reforma. Espírito Santo e Santa Catarina já fizeram", declarou.
O juiz federal Odilon de Oliveira destranca uma gaveta de documentos sigilosos e retira um livro de capa dura preta, com letras douradas. O ar condicionado congelante de sua sala ameniza os 37 graus de temperatura em Campo Grande naquela tarde de sexta-feira. No calhamaço de quase 300 páginas, escrito e encadernado por ele, Odilon guarda uma compilação de provas e memórias das ameaças de morte mais bem arquitetadas que sofreu em seus 30 anos na magistratura federal. “Esse seboso aqui eu condenei”, afirma, sem esconder o orgulho, depois de deslizar o dedo pelo sulfite e parar no nome de um dos traficantes.
Folheia a obra com agilidade e aponta mais um, depois outro e mais outro – e assim se alonga por mais de uma hora, revisitando as histórias de cada um de seus algozes que acabou por prender. Ao cruzar com um bilhete embalado num plastiquinho e grampeado numa folha – uma ameaça do traficante Jorge Rafaat Toumani, na época considerado o “rei da fronteira” –, apressa-se: “Está vendo aqui? A vagabundagem me chama de Odi”, diz, mostrando seu apelido no papel. “O cabra escreveu de próprio punho e mandou me entregar. Naquela época, minha cabeça valia só uns R$ 500 mil. Eu ainda era barato.” Solta uma gargalhada.
Aos 68 anos recém-completados, doutor Odilon, como todos o conhecem, é um dos mais temidos juízes brasileiros que trabalham no combate ao narcotráfico. Sua trajetória profissional coleciona condenações dos mais influentes traficantes de drogas com atuação na fronteira do Brasil com o Paraguai e a Bolívia. Mandou prender o carioca Luiz Fernando da Costa, o Fernandinho Beira-Mar. E o paranaense Luiz Carlos da Rocha, o Cabeça Branca, considerado pela Polícia Federal o maior narcotraficante internacional do país.
Em suas três décadas como juiz federal, Odilon não só colocou na cadeia algumas centenas de criminosos, como também esvaziou as contas bancárias das quadrilhas. “Se você só prende, os bandidos continuam mandando lá de dentro e, quando saem, usufruem de tudo aqui fora. Se você confisca os bens, dá um duro golpe na espinha dorsal da organização. Ela fica sentada no chão como um João Sem Terra, não se levanta nunca mais”, afirma. Confiscou 282 imóveis do crime, 761 veículos e 27 aeronaves – parte deles vendida em leilões por um total de R$ 27 milhões. Seu legado como juiz, entretanto, ficará por aqui.
No final de fevereiro, Odilon anunciou no Facebook que vai se aposentar. Pediu a contagem do tempo de trabalho e agora espera o término do trâmite, previsto para meados de setembro. “Já queria ter parado há uns dois anos, mas preciso antes resolver minha segurança. Se sair na rua sozinho, tomo uma surra de porrete”, diz. “Virei refém da toga.” Odilon é o único juiz do Brasil que conta com uma operação permanente da Polícia Federal (PF). Há 18 anos, é acompanhado 24 horas por dia, sete dias por semana, por uma escolta armada com pistolas e submetralhadoras. Sua casa é monitorada por câmeras de segurança. O carro que usa, um SW4 prata, tem uma blindagem que suporta tiros de fuzil. Assim que parar de trabalhar, Odilon deverá perder todo esse aparato. A portaria do Ministério da Justiça que trata da segurança de autoridades, de 8 de janeiro de 2001, não menciona casos de aposentadoria. Procurada, a PF afirmou que ainda não tem uma definição sobre esse caso.
Odilon debocha da “vagabundagem”, mas conhece bem seu poder de retaliação. Já esteve na iminência da morte em pelo menos dois atentados. O mais grave ocorreu em 2005. Num hotel do Exército em Ponta Porã, uma cidade de Mato Grosso do Sul na fronteira com o Paraguai, Odilon dormia numa madrugada de abril quando foi acordado com tiros. “Os estampidos estavam tão próximos que pareciam ser dentro do quarto. Pá-pá-pá-pá-pá”, diz. “Fiquei quietinho, com receio.” Odilon nunca diz que tem medo. Receio é o mais perto de medo que admite ter sentido.
Na mesma época, traficantes da região formaram um consórcio para assassinar Odilon. Cada um dos chefões do crime deu uma quantia de dinheiro. O juiz estava em Ponta Porã para dar vazão aos processos judiciais acumulados. Passou uma temporada de pouco mais de um ano. Por três meses dormiu no próprio Fórum, que se tornou uma espécie de bunker para acomodá-lo. Num colchonete no chão iluminado por um abajur, passava madrugadas estudando as ações e tomando uísque. A bandidagem enlouqueceu.
O brasileiro de origem libanesa Jorge Rafaat Toumani, assassinado com uma metralhadora .50 numa ação cinematográfica no ano passado, era um dos que compunham o consórcio. O bilhete mandado por ele, do qual Odilon zombou naquela tarde de sexta-feira em seu gabinete, foi um entre dezenas de recados. A organização criminosa paulista Primeiro Comando da Capital (PCC) já ofereceu R$ 1,5 milhão a quem entregasse Odilon morto. A facção carioca Comando Vermelho (CV) afirmou que pagava R$ 2,5 milhões, segundo investigações da polícia brasileira. Odilon é uma unanimidade, capaz de unir concorrentes como Rafaat, PCC e CV.
Diante de tantas notícias de ameaças, Odilon já acabou sendo dado como morto. Em 2006, recebeu um convite para participar de uma solenidade no Espírito Santo. Só no decorrer do evento percebeu o equívoco. Todos os homenageados haviam morrido no exercício de sua profissão: o jornalista Tim Lopes, a missionária americana Dorothy Stang, o juiz corregedor de Presidente Prudente José Antonio Machado Dias... Odilon era o único vivo. “Eu mesmo fui receber minha homenagem póstuma. Achei um barato, sabe?”
Desde que pediu proteção à Justiça Federal, em junho de 1998, Odilon vive enclausurado como os traficantes que manda prender. Sonha sempre que pula o muro e foge da escolta, e depois acaba por se arrepender. Odilon nunca entra numa sala imediatamente depois de abrir a porta – assim que gira a chave, um agente se antecipa para se certificar de que não há ninguém à espreita. Depois que passou a andar na companhia dos policiais, nunca mais visitou a mãe, já falecida, na tentativa de preservá-la. Pagava um táxi para ela ir até ele.
Os prazeres mais simples se tornaram um suplício. Odilon costumava correr na rua toda semana, até que os policiais descobriram um plano para matá-lo no trajeto. Passou a usar a pista de um quartel do Exército. Mas a burocracia para recebê-lo era tamanha – o pedido era feito via ofício, e a resposta com a liberação vinha cerca de um mês mais tarde – que ele capitulou. Corrida agora é só na esteira de casa ou na academia. “Entrei nessa academia há quase 30 anos, meu convívio social é ali”, diz. A Polícia Federal recomendou a Odilon cortar também as idas à academia, um padrão de rotina perigoso. Por ofício, Odilon respondeu que não obedeceria. “Então vou comprar um carro-forte e me trancar dentro...”, afirma.
A família também paga um preço alto. Odilon é casado com Maria Divina há 42 anos. Tem uma filha e dois filhos, todos formados em Direito. A menina mora em São Paulo, longe das ameaças. O do meio, numa residência colada à dos pais, também monitorada. O mais novo nunca mudou de casa. Odilon e a mulher nunca mais puderam frequentar as aulas de polca paraguaia, uma dança popular na região da fronteira, programa que adoravam. Pelo volume de trabalho, o casal tampouco consegue viajar. O lugar mais distante em que já estiveram é a Argentina.
O juiz Odilon de Oliveira pretende processar a União para conseguir a permanência da escolta
Os amigos também foram rareando. Para as poucas festas que oferece em sua casa, Odilon convida somente autoridades, como generais e o governador. No casamento de um dos filhos, Odilon tirou a mulher para dançar e se viu cercado de casais de policiais à paisana rodopiando ao redor. Precisavam proteger o juiz, mas sem chamar a atenção dos convidados. O juiz passa sábados e domingos às voltas com processos. Vez ou outra, vai ao shopping e deita na rede em casa para ler (adora literatura policial, mas não está lendo nada no momento).
Até a mais elementar atividade diária requer cautela. Odilon quase nunca come fora de casa. Sua alimentação é preparada pela empregada, e ele leva todos os dias uma marmita para a Justiça Federal. O cuidado tornou-se necessário depois que a PF descobriu um plano para envenená-lo. Os traficantes tentaram subornar soldados do Exército nos tempos em que Odilon morava em Ponta Porã para batizar sua comida.
Odilon é conhecido pelo estilo linha-dura com os bandidos. Durante um julgamento no começo de março, na 3ª Vara de Mato Grosso do Sul, ouviu por cerca de três horas dois investigados por tráfico de drogas. Seu tom de voz era o mesmo de quando trava uma conversa cordial. Odilon tampouco alterou as expressões faciais. Contudo, foi tão detalhista nos questionamentos que parecia difícil engambelá-lo. O primeiro suspeito começou negando o crime. Aos 12 minutos, confessou. Aos 44, caiu no choro. O segundo réu respondeu a 53 perguntas de Odilon num período de dez minutos. Acabou também por confirmar sua participação no crime.
Antes de condenar alguém, Odilon coloca a vida do réu sob rigoroso escrutínio. No auge das grandes operações na fronteira, autorizava mais de 1.000 interceptações telefônicas por mês durante as investigações. Sua lealdade aos policiais federais, parceiros na missão, é notável. Certa vez, um delegado novato proibiu os agentes de se encontrar com Odilon para atualizá-lo do andamento dos casos. Queria ele próprio se reunir com o magistrado. Odilon sentou-se diante do delegado e disparou questionamentos. Sem resposta para boa parte deles, o delegado levou um sermão e os policiais retornaram.
O perfil duro vem da criação. Seus pais, agricultores de subsistência da pequena Exu, no sertão de Pernambuco, deram aos oito filhos uma educação rigorosa. “Lembro deles dizendo para a gente nunca pegar no alheio”, diz. Como inúmeros nordestinos, sua família migrou para o sul para fugir da seca. Viajou de pau de arara, comendo banana e farinha. Odilon tinha só 4 anos na época, mas até hoje preserva um forte sotaque pernambucano. O nome de sua cidade natal ele pronuncia com um acento imaginário no “e” (É-xu).
Assim que chegou a Mato Grosso do Sul, a família comprou um pedaço de terra. Odilon ia para a roça durante o dia e à noite estudava numa escola improvisada no quintal. Um conhecido com primário completo ensinava a lição às crianças sob a luz de uma lamparina. A geração de Odilon foi a primeira da família a conhecer as letras. O pai só sabia assinar o nome; a mãe, nem isso. Quando aprendeu a ler, Odilon reunia os parentes e lia literatura de cordel em voz alta. Treinava a leitura e ainda os entretinha.
A convite de um primo vereador, Odilon saiu da colônia para estudar na cidade. O primo despertou no menino a vontade de cursar uma faculdade de Direito. “Meu primo contava causos de advogado que soltava preso. Então pensei: ‘Quero ser isso aí’”, diz. Seu mundinho se abriu. Já na faculdade, descobriu que, além de soltar, poderia mandar prender. Começou a sonhar com a magistratura.
É assim, numa constante expansão de horizontes em mundos recém-descobertos, que Odilon escolhe seus objetivos de vida. Depois de dois anos como advogado, passou no concurso para procurador federal (em 2º lugar). Depois para promotor de justiça (em 10º). Então para juiz estadual (em 2º). E, por fim, para juiz federal (em 19º). Com a altivez de quem reconhece o longo caminho que percorreu, Odilon faz questão de enfatizar suas boas colocações nos concursos ao relembrar sua trajetória.
Odilon é declaradamente vaidoso, um dos poucos prazeres que ainda consegue manter. Já fez cirurgia plástica para corrigir as bolsas debaixo dos olhos e Botox. Apara a barba todos os dias, inclusive em feriados, e sempre carrega uma escova de cabelo no carro. Vai à manicure para tirar a cutícula das unhas das mãos e dos pés uma vez por semana. Numa sexta-feira de março, Odilon chegou ao salão de beleza, cumprimentou a cabeleireira e uma cliente com bobes no cabelo e seguiu para o espaço privado onde é atendido. Como estava com pressa, fez só a mão.
Depois de mandar soltar e mandar prender nos mais de 40 anos no serviço público, Odilon cogita agora fazer suas próprias leis. Há mais de dez anos, o juiz é sondado por partidos para entrar na política. Há cinco, passou a refletir sobre o assunto. Agora, com a aposentadoria, a ideia começa a ser amadurecida. Se aceitar algum dos muitos convites, se candidatará para o Senado. “Reconhecimento popular eu tenho, mas não sei se é meu perfil. A política é, digamos assim, uma devassidão muito grande. De repente, a gente vai para lá e é aquele covil, aquela coisa danada, um aborrecimento do capeta”, diz. Odilon afirma que não iria para um partido grande, como PT, PSDB ou PMDB. Mas para um nanico do chamado centrão, desde que seja coligado a uma sigla maior.
O Senado seria uma forma de resolver sua segurança. Odilon, entretanto, trabalha paralelamente em outras frentes. Planeja processar a União caso não consiga manter sua escolta de forma amigável. Em 2014, enviou um ofício ao Conselho Nacional de Justiça (CNJ) para tratar do assunto, mas não recebeu retorno (O CNJ não respondeu ao pedido de entrevista de ÉPOCA). Se tudo der errado, tem uma alternativa mais inusitada: mudar-se para a Romênia, país de origem de seu genro. Ele trocaria mesmo o calorão de Campo Grande pelo frio de lá? “Faz 20 graus abaixo de zero, mas meu genro disse que as casas têm aquecimento. Vou para o gelo também, não tem problema. Ainda é melhor que ficar preso aqui”.
Ex-presidentes Lula e Dilma são recebidos por milhares de pessoas em Monteiro, no sertão da Paraíba, para celebrar chegada do rio São Francisco no município
Os ex-presidentes da República Lula e Dilma foram até o sertão da Paraíba neste domingo (19) participar da inauguração simbólica da transposição do rio São Francisco. Lula foi o responsável pelo início das obras que levaram água até o sertão nordestino, em 2007. As obras foram interrompidas no governo Dilma, devido a diversas causas, entre elas denúncias de corrupção e crise política instalada antes do processo de impeachment.
Milhares de pessoas acompanham a cerimônia. Um grande engarrafamento se formou nas estradas que dão acesso à cidade de Monteiro. O objetivo dos petistas é rebater o discurso do atual governosobre a “paternidade” da obra.
Senadores, deputados e membros do Partido dos Trabalhadores também participaram da homenagem aos ex-presidentes da legenda. No Twitter, internautas utilizaram a rede social para prestar apoio com a #ComLulaOSertaoVirouMar que ficou no ranking dos assuntos mais falados no Brasil durante boa parte do dia.
Dilma, Governador da Paraíba Ricardo Coutinho e Lula a caminho da inauguração simbólica
Há nove dias, o trecho leste da transposição foi inaugurada, em meio a protestos, pelo presidente Michel Temer. Também presente ao evento, o senador Cássio Cunha Lima (PSDB-PB) saiu em defesa do peemedebista. O senador disse que Lula deu início às obras, mas que sua conclusão dependeu da “determinação” do atual presidente.
10ª Região Militar divulga edital para contratação com salários de até R$ 6,4 mil (Foto: 10ª RM/Divulgação)
O Comando da 10ª Região Militar divulgou edital de seleção para contratação de Oficial Técnico Temporário (OTT) com formação em Direito, Ciências Contábeis e Engenharia Elétrica. Os selecionados vão atuar em Fortaleza e Teresina.
Os salários variam de R$ 3,5 mil a R$ 6,4 mil. A seleção é para contrato temporário, com atuação de um ano com prorrogação anual, sendo o período máximo de oito anos.
A seleção também prevê a função de Sargento Técnico Temporário (STT) Técnico em Administração, Técnico em Contabilidade, Técnico em Edificações, Técnico em Eletrotécnica, Técnico em Enfermagem, Técnico em Manutenção de Equipamentos Médico Hospitalar e Técnico em Informática.
Os interessados devem se inscrever de 22 a 31 de março. Em Fortaleza, o endereço para inscrição em Fortaleza é Avenida dos Expedicionários, 1589, Bairro de Fátima; em Teresina, na Avenida Frei Serafim, 2833. Nas duas cidades, o horário de inscrição é das 8h às 11h30 e das 13h às 16h, de segunda a quinta-feira. Na sexta, o horário é das 8h às 11h30.
Em Fortaleza, a seleção prevê a contratação de Oficial Técnico Temporário (OTT) com formação em Direito, Ciências Contábeis e Engenharia Elétrica.
Já para Teresina, as vagas são para Oficial Técnico Temporário formado em Psicologia e para Sargento Técnico Temporário Técnico em Enfermagem.
O presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Gilmar Mendes, defendeu hoje (20) uma reforma no sistema político do país para as próximas eleições. Ao participar da abertura de seminário sobre o assunto, em Brasília, Mendes criticou o atual sistema de eleição por meio de lista aberta de candidatos e com coligações. "No nosso sistema hoje, vota-se em Tiririca e elege-se Valdemar da Costa Neto e Protógenes [Queiroz]", disse o ministro.
Para Gilmar Mendes, é preciso discutir com a sociedade e com o Congresso um modelo mais adequado para evitar distorções no processo eleitoral, como candidatos que se elegem com votos de terceiros porque não têm votos para atingir o quociente eleitoral. São eleitos pelos chamados "puxadores de votos" – artistas e personalidades atraídos pelos partidos para obter votos para a coligação.
"O debate não pode ser fechado em uma fórmula simples. Sabemos o que não queremos. O que nós não queremos? Este sistema que aí está. Este sistema de lista aberta com coligação, sem nenhum freio, que nos levou a esse estágio em que nós estamos hoje", disse o ministro.
O seminário ocorre na sede do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) até amanhã (21) e tem a participação de autoridades internacionais e representantes do Instituto Internacional para a Democracia e a Assistência Eleitoral (Idea).
No Clássico dos Maiorais de número 400, o Treze jogou melhor, criou mais chances, mas, mesmo assim, não conseguiu vencer. O Campinense chegou menos vezes perto de balançar as redes. No fim, o 0 a 0 no Amigão, neste domingo, deixou um gosto amargo para os trezeanos, que viram Marcelinho Paraíba acertar a trave aos 12 minutos do primeiro tempo e desperdiçar uma cobrança de pênalti aos 27.
O capitão do Galo bateu mal e Gledson fez a defesa. O Alvinegro ainda teve outras oportunidades, com Dico e Jean Carlos, e o Rubro-Negro chegou perto com Augusto.
O ritmo diminuiu na segunda etapa, que foi mais equilibrada e, no fim, o empate sem gols acabou sendo menos prejudicial para o Campinense.