4 de maio de 2014

A sucessão do Ceará em cinco tópicos

1. PALAVRAS A BALBUCIAR
O PMDB fez as malas e deixou Cid Gomes. Para o partido, foi bom enquanto durou. Afinal, por um lado, lucrou com os benefícios das capitanias ocupadas durante longos sete anos e quatro meses. Por outro, não carregou na bagagem de despedida os desgastes que marcam a gestão estadual. Estes pertencem ao Governo.
O próximo passo do PMDB é exercitar um discurso de oposição. Não será fácil. Eunício Oliveira terá que balbuciar suas primeiras palavras de crítica ao Governo e ao governador que serviu. Se não o fizer, será visto pelo eleitorado como um candidato etéreo, sem rosto, sem posição. Um nada.

O toque de retirada entoado pelo PMDB oferece contornos mais nítidos para o quadro eleitoral de 2014. Do jeito que as coisas se desenham, a disputa para os cargos de governador, vice-governador e senador repetirá o cenário de 2010, com três ou mais candidaturas competitivas apresentadas como opção para o eleitor.

Mas, há diferenças fundamentais em relação a 2010. Uma: Cid Gomes (e nenhum outro Gomes) não será candidato a cargo majoritário. Outra: os nomes que se colocam no campo da oposição foram reforçados pela conjuntura e, portanto, possuem mais consistência do que os de 2010. Mais uma: a saída do PMDB e do PSB fez um rombo no latifúndio governista no horário gratuito.

2. O SONHO DA CONJUNTURA PERFEITA
Apegado ao seu modo de fazer política, o governador não se dedicou a construir uma candidatura com antecedência. Certamente, apostou todas as fichas numa conjuntura favorável que lhe permitisse voar em céu de brigadeiro e fazer o sucessor.

Acerca de Eunício Oliveira, por exemplo, dez entre dez interlocutores do governador, além do próprio, nutriam a certeza de que este não levaria adiante a sua pretensão de se candidatar ao Governo. A coisa toda se resolveria em Brasília, a partir de um chamado da presidente Dilma Rousseff.

Não só os cidistas apostavam nisso. O petismo ligado ao deputado federal José Nobre Guimarães era, à boca miúda, um notório divulgador dessa tese. Enfim, sonhava-se com um mundo perfeito onde todos permaneceriam juntos no Ceará. A eleição seria assim um agradável passeio para os aliados. Nada disso.

O governador enfrenta dificuldades bem maiores do que supunha. Veio a candidatura de Eduardo Campos obrigando-o a sair do PSB e se abrigar no guarda-chuva prosaico. Veio o movimento do PMDB esfarelando o mundo perfeito de 14 partidos na aliança. Veio a sequência de desgastes que afetam a candidatura de Dilma.

3. OS PALANQUES DA OPOSIÇÃO
Embora tudo se espere do PMDB, é improvável um recuo de Eunício. O senador já avançou muito em seu intuito. Além disso, encabeça as pesquisas de opinião, tem estrutura partidária, tempo de televisão e, é claro, indiscutível suporte financeiro para a campanha. 

É ele o único entre os pré-candidatos com mandato assegurado até 2018. Ou seja, não tem nada a perder.


O PR de Roberto Pessoa já trabalha a sua candidatura abertamente em todo o Ceará. A que parece, sairá fortalecida pela dobrada com o PSDB de Tasso Jereissati, que deverá concorrer ao Senado Federal, fortalecendo o palanque de Aécio Neves a presidente da República.

Anotem o nome de Nicolle Barbosa, do PSB, controlado novamente pelos irmãos Novais numa parceria com a Rede de Marina Silva. Oriunda do CIC, a empresária caiu nas graças de Eduardo Campos. E é aí que está a sua força. Se a chapa Campos-Marina subir, Nicolle sobe junto.

E a candidatura governista? A falta de uma decisão mais planejada e amadurecida, a difícil fórmula para unir a base, a existência de vários nomes dentro do Pros e a divisão de preferências internas entre os irmãos Gomes embaralha e traumatiza o processo no Palácio da Abolição.

Em tal cenário, não é difícil imaginar que a eleição precisará de dois turnos para apresentar um vencedor.

4. UMA FACA DE MUITOS GOMES
Com base no apurado das avaliações que vicejam no mercado político, vamos a alguns pontos para explicar a lógica que, no momento, rege o Pros. Uma unanimidade: a decisão será familiar. Ou seja, os irmãos Gomes é que batem o martelo. Mas, nota-se que as preferências entre eles estão diluídas.

Ivo Gomes trabalha abertamente para Izolda Cela, sua companheira de trabalho na educação de Sobral e do Estado e, ainda por cima, esposa de Veveu Arruda, o petista-cidista a quem o deputado Ivo pretende suceder em Sobral como prefeito em 2016.

Ciro Gomes dispõe de três opções. Pela ordem de preferência: Leônidas Cristino, Mauro Filho e Zezinho Albuquerque. São três velhos amigos de geração política e administrativa. Ciro, é claro, trabalhará para emplacar um companheiro de sua confiança.

Mas, é o governador Cid Gomes quem tem mais motivos para fazer um sucessor que não destrua ou se aproprie de seu legado. Esfinge, introspectiva, a cabeça do governador é a mais difícil de ser lida. Porém, com base na sequência de acontecimentos, não seria arriscado afirmar que Cid pode bandear-se para o lado de Domingos Filho.
 
Foi Domingos o escolhido pessoalmente por Cid para ser o seu vice. Antes, em 2006, foi o então deputado que trabalhou com ardor para colocar o PMDB no palanque de Cid, que, naquele momento, era um concorrente com poucas chances de bater o bem avaliado governador Lúcio Alcântara.

Mas, e os episódios recentes dando conta do suposto desconforto do governador com Domingos? Os dias seguintes àquela reunião emitiram alguns sinais. O principal: em visita ao O POVO, Cid tanto desmente abalos com Domingos como reafirma que o vice se mantém no páreo entre os pré-candidatos.

Por fim, na mesma entrevista, Cid ainda culpou terceiros pelos supostos problemas na relação ao dizer o seguinte: “estão querendo fazer intriga” (entre ele e Domingos). Dias depois, na data em que fazia 51 anos, o governador saiu de Sobral para Tauá. Foi participar de uma festa político-familiar preparada por Domingos. São sinais consideráveis.

5. A LÓGICA DA DECISÃO
E então, como se definirá o candidato governista? Eis a questão. É bem possível, e até provável, que os Ferreira Gomes adotem o tradicional estilo de escolha entre si e arrisquem a eleição com base tão somente na aprovação da gestão de Governo, que dizem ir muito bem obrigado.

Outra hipótese é ouvir os demais partidos parceiros, as pesquisas quantitativas e qualitativas e, como já tratei aqui, escolher a candidatura que reúna as melhores condições de vencer o pleito sem ampliar o risco iminente. É a lógica de escolha mais racional e política.

Outro ponto: o PT será peça fundamental na montagem do Governo. O Pros ficou muito dependente dos minutos na televisão e dos votos do Partido dos Trabalhadores. Tem ainda o imbróglio do Senado a ser resolvido que pode desarrumar o casamento pros/petista.

Como dentro do Pros existem preferências e intenções, mais não existem ainda decisões e nem vetos aos pré-candidatos, o certo é que o resultado da equação para ampliar as possibilidades de êxito do candidato governista terá que levar em conta o maior potencial de chances de vitória que o nome agregar.

Da coluna Fábio Campos, no O POVO deste domingo (4)

Reforma política será ponto central da campanha de Dilma

A reforma política é um dos pontos centrais das diretrizes do programa de governo para a candidatura da presidenta Dilma Rousseff à reeleição. O programa foi discutido durante o 14º Encontro Nacional do PT, que terminou hoje (3) em São Paulo. Para o partido, a reforma vai ao encontro das demandas da população demonstradas nas manifestações de junho do ano passado. O conteúdo dos documentos foi aprovado, mas ainda precisa passar por uma redação final antes de ser oficializado pelo Diretório Nacional do partido.

“O fato é que, após mais de uma década de melhorias sociais relevantes, a população reivindica reformas, muitas das quais contidas em nossas plataformas de luta, como é o exemplo da reforma política”, destaca o texto. A reforma foi um dos tema abordados pela presidenta em seu discurso ontem (2), quando foi confirmada como pré-candidata do PT.

Segundo o documento, a reestruturação do sistema político vai abrir espaço para outras mudanças e avanços sociais. “A reforma política é a mãe de todas as reformas. Sua realização permitirá que a sociedade tome o destino do país em suas mãos, corrigindo as profundas distorções que marcam o nosso sistema representativo e o funcionamento equilibrado dos poderes”, acrescenta o texto.

O presidente do PT, Rui Falcão, ressaltou que o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva terá papel central na campanha de Dilma. “O Lula deixou claro que ela é a candidata e ele vai se engajar diretamente e totalmente na campanha assim que retornar de sua viagem ao exterior”, destacou. 

Para Falcão, as declarações do ex-presidente devem acabar com os rumores de que ele tentaria um novo mandato à frente do Palácio do Planalto. “Ficou claro aquilo que a gente já vinha afirmando há muito tempo: de que a Dilma era a candidata e de que não havia nenhuma intenção do Lula de impedir a reeleição dela”.

Uma das preocupações da campanha de Dilma será conciliar a aliança nacional com as candidaturas do PT nos estados. “Primeiro, lutar por palanques unitários. Onde isso não for possível, ter uma coordenação que permita, ao mesmo tempo, a campanha do nosso candidato majoritário no estado conviver sem sectarismo com as candidaturas [de outros partidos] que apoiam Dilma, mas estão em confronto com a nossa candidatura”, explicou Falcão.

Daniel Mello - Agência Brasil

África do Sul enfrenta problemas após a Copa, diz jornalista

Joanesburgo (África do Sul) - Soccer City foi o maior estádio da África do Sul construido para a Copa do Mundo de 2010 (Marcello Casal Jr./ Agência Brasil)
Joanesburgo, maior cidade da África do Sul, viveu por anos a expectativa de melhoras na condição de vida da população, com a realização da primeira Copa do Mundo no Continente Africano, em 2010. Quatro anos depois, no entanto, o país enfrenta problemas, como o endividamento público e estádios ociosos, de acordo com o jornalista sul-africano Niren Tolsi.

Ele conta que as duas arenas construídas para receber partidas do Mundial, o Ellis Park Stadium e o Soccer City, estão subutilizadas. O último recebe atualmente mais atividades musicais e políticas do que partidas de futebol.

Tolsi veio ao Brasil para participar do Encontro dos Atingidos – Quem Perde com os Megaeventos e Megaempreendimentos, em Belo Horizonte.

O jornalista relata que os moradores esperavam que a preparação para a Copa projetasse Joanesburgo internacionalmente e proporcionasse mudanças na infraestrutura urbana, com o alargamento de estradas e a multiplicação de opções de transporte coletivo.

As obras de mobilidade feitas no país à época são úteis para a população. Porém, o Mundial foi marcado também por denúncias de corrupção na construção dos estádios, deslocamentos forçados de famílias, aumento da repressão policial e expulsão de moradores de rua e de vendedores ambulantes das áreas centrais de Joanesburgo, segundo o jornalista.

“A Fifa foi embora com R 25 milhões [R é o símbolo de rand, moeda oficial da África do Sul] de lucro e o país ficou endividado”, lamentou.

Tolsi vê semelhanças entre os problemas apontados pelos movimentos sociais no Brasil e o que ocorreu, há quatro anos, em seu país. Com a mobilização dos movimentos sociais e populações atingidas pelos grandes eventos, ele espera que “essa lógica mude e que a Fifa tenha que parar de agir em outros países, como faz hoje, trabalhando a favor das corporações, colocando em questão a soberania nacional”.

O Mundial na África do Sul também não aqueceu o mercado de trabalho, como previsto, por causa da crise financeira que abala a Europa, de onde sairiam muitos dos turistas que o país esperava receber em 2010.

Não somente na África do Sul, a população ficou desapontada com o legado deixado por grandes eventos. A ativista grega Chará Tzouna avalia que os empréstimos tomados para a realização das Olimpíadas de 2004 intensificou o problema econômico que o país já vivenciava. “Há 30 anos, já tomavam empréstimos para viver. Nas Olimpíadas, criaram mais empréstimos para construir edifícios e estádios, que não conseguem se manter. Além das dívidas, ficamos com elefantes brancos”, diz.

Para Chará Tzouna, a organização popular foi um dos pontos positivos do evento esportivo. “Houve o crescimento da participação e da organização política. As pessoas estão tentando recuperar espaços públicos que foram privatizados ou que estão inativos”, disse.

Helena Martins - Agência Brasil

Escassez de água causa queda de 35% na produção de coco no Vale do Curu

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Colono do Perímetro Irrigado Curu-Pentecoste, produtor Francisco Lopes, diz que a alternativa tem sido captar água dos poços profundos
FOTOS: NATINHO RODRIGUES
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Açude Pentecoste, que abastece parte da região do Vale do Curu, está com apenas 3% de sua capacidade
Em mais um ano de poucas chuvas, a produtividade associada ao manejo agrícola que demanda muita água está em tempos mais difíceis. Mas isso representa a maioria dos perímetros irrigados do Ceará. Produtores reclamam dos órgãos de governo pela redução ou mesmo corte no fornecimento de água. As instituições, por sua vez, explicam que, com tão pouca água, a prioridade é o abastecimento humano. A intenção é de que, pelo menos em períodos como o atual, a fatia de água para consumo doméstico seja maior em muitos açudes do que a disposta para a produção irrigada de alimentos.
Tem coco, mas com a escassez de água o produto está mais caro e menor. "Aqui, só o que aumenta é o preço", diz o agricultor Antônio José, do perímetro irrigado Curu-Paraipaba, neste município. A "terra do coco" tem sofrido tempos de agonia, com queda de aproximadamente 35% na produtividade por hectare, com tendência de piora.
Em mais de 5 mil hectares de produção de coco, cerca de 800 colonos que 2014 estão mais um ano com perda de produção.
Produtividade
Cada coqueiro recebia, em média, 280 litros de água por micro aspersão. Com a queda no fornecimento de água, o valor cai para 100 litros de água - e geralmente quando chove. Com isso, o coco diminui em tamanho e o coqueiro em produtividade. De 12 mil cocos por mês, o produtor Antônio José só está tirando em média 3,5 mil unidades no mesmo período. A redução reflete no preço: a fruta que partia da colheita a R$ 0,15 centavos está custando hoje próximo de R$ 1, mesmo de menor tamanho.
A produtividade cai ainda mais porque se está no quarto mês seguido de corte no fornecimento de água do Açude Pentecoste. A saída encontrada por colonos e produtores particulares é captar água de lagoas e poços. Mas para a maioria a única opção é mesmo a água das chuvas, que já são poucas.
O reservatório, por sua vez, está a minguados 3,8% de volume armazenado, o que já o coloca em situação de colapso. Em maio de 2013, quando já havia racionamento de água para o perímetro irrigado, o açude mantinha 18% da capacidade, volume já bastante crítico. Era quando Antônio José e os demais colonos do perímetro conseguiam irrigar por até quatro horas por dia. "Hoje está zero, está nada", lamenta o produtor. Isso porque a frequência média de vazão três anos atrás permitia até 10 horas de irrigação por dia.
Açude Pentecoste
Em Pentecoste, o perímetro irrigado, que fica próximo ao açude que leva o nome da cidade (o nome verdadeiro e pouco conhecido é Pereira Miranda), a situação é a mesma. Alguns colonos ainda conseguem tirar água de poços profundos, como Francisco Lopes de Paiva, só conhecido por Chico Miúdo. Ele reclama que os outros colonos do perímetro-irrigado Curu-Pentecoste não se prepararam para o pior. Mas quando viu que os poços "não dão vença", viu que o pior está atingindo a todos.
Os coqueiros estão crescendo devagar, a fruta está menor, mas as folhas que vão secando ele vai tirando para não atrapalhar o nascimento de mais unidades. Chico Miúdo tem 89 anos. Viúvo há cinco, faz dos seus quatro hectares de colono a companhia o dia todo. "Ficaria bom se chovesse", admite.
Outro Francisco, o Evaristo, morador da comunidade de Malhada, à beira do Açude Pentecoste, lamenta que "só agora" tenham se preocupado com diminuir a água para plantação. "Já está chovendo pouco, se não tivessem tirado tanta água para irrigação, talvez mesmo o pouco que tem não fosse problema pra abastecer", lamenta.
Espera
De acordo com Marcílio Caetano, gerente de fiscalização da Companhia de Gestão dos Recursos Hídricos, o primeiro semestre já não é de muita demanda irrigada justamente por esperar que a chuva resolva o período.
O problema é que a espera já dura três anos - após 2009, quando em 13 de abril daquele ano o açude sangrou ao atingir seus 395 milhões de metros cúbicos. De lá para cá, praticamente esvaziou. "O volume que se vê no açude é praticamente formado pelo pouco que choveu", afirma Marcílio Caetano.
Após um ano de racionamento, seguido do corte da liberação de água no dia 5 de janeiro deste ano, os plantios no perímetro-irrigado Curu-Paraipaba tem vivido momentos bem diferentes de quando só havia orgulho ao se chamar "Terra do Coco".
O Vale do Curu é o maior centro de produção desta fruta no Ceará. Os produtores ainda estão contabilizando os números referentes à produção dos dois últimos anos. Em 2011, o Estado ainda respondia por mais de 16% de todo o coco produzido no País.
Irrigação já teve 96% do fornecimento
Pentecoste Tradicionalmente, a bacia hidrográfica do Vale do Curu, com 13 açudes monitorados pela Companhia de Gestão dos Recursos Hídricos (Cogerh), foi a que mais cedo sofreu com a falta de recarga pelas chuvas nos três últimos anos de seca. De acordo com o gerente estadual de fiscalização da Cogerh, Marcílio Caetano - que já foi gerente na Bacia do Curu, cerca de 96% da demanda de água dos reservatórios se dava para a irrigação, ficando apenas 4% para o abastecimento humano.
Foi só com a seca que os números se inverteram. De reservatório sangrando para a festa de milhares de pessoas no histórico dia 13 de abril de 2009, o Açude Pereira Miranda está com apenas 3% da capacidade. "E graças às chuvas que caíram nos últimos dois meses", complementa Marcílio Caetano. Acima desse, e mesmo assim secando, somente os açudes Escuridão (17%), em Canindé, e os açudes Itapajé (23%) e General Sampaio(8%), nos municípios homônimos.
A comunidade de Malhada, à beira do Açude Pentecoste, vive uma realidade paradoxal. Além do abastecimento, a falta de água afeta a travessia que liga o povoado ao Centro da cidade. "Sei que muita gente vive situação muito pior, que não tem água nem na vista. Mas não é fácil ver esse açude cheio, sangrando de água, pra uma cena dessa agora. Há muito tempo deviam ter resolvido alguma coisa", lamenta o morador Francisco Evaristo.
Enquanto isso, o volume total armazenado nos reservatórios públicos do Estado é de apenas 32,6% - excluindo o Açude Castanhão, que atende Vale do Jaguaribe e parte da Região Metropolitana de Fortaleza, esse volume total de reserva se limitaria a drásticos 18% da capacidade. Significa que é esse volume o que sobra armazenado em diversos açudes para todo o restante do Estado. No total, 98 açudes estão em Estado de alerta, com menos de 30% da capacidade.
"A gente vem buscando uma gestão da água desde 97. Mas desde 2010 a bacia vem perdendo água. Somente no ano passado, tivemos uma redução para todo o vale de 50% do que conseguíamos fornecer antes.
Proibição
A bacia do Curu representa apenas 1% de toda a água ainda armazenada nos açudes do Estado. Especificamente em relação a essa bacia, uma reunião realizada em março pelos comitês de bacias junto à Cogerh se concluiu que manter a proibição de água para agricultura era a melhor, senão única, saída para segurar o máximo de tempo possível o pouco de água que se tem.
Consome muita água o sistema de microaspersão, pelo qual são abastecidos os cerca de 350 mil pés de coco no Perímetro Irrigado Curu-Paraipaba.
Uma nova reunião será realizada em junho para discutir sobre a possível liberação diante do volume acumulado de água. "É quando a situação deverá ser mais crítica", antevê Marcílio Caetano, gerente de fiscalização da Cogerh. "Até 2012, era possível atender todo mundo e praticamente essa demanda de 96% para irrigação. Hoje, não".
Outros perímetros públicos irrigados ainda mantêm a demanda, sem maiores prejuízos. É o caso do Jaguaribe-Apodi, em Limoeiro, Tabuleiro de Russas, em Russas, e o Perímetro do município de Morada Nova, por estarem na área que comporta o açude Castanhão.
Com 2,6 milhões de metros cúbicos, o Castanhão possui cerca de 40% de toda a água armazenada no Ceará. No mesmo período do ano passado estava com 51% de reserva.
De acordo com Sérgio Baima, da diretoria de agronegócio da Agência de Desenvolvimento do Ceará (Adece), a perfuração de poços profundos é uma das principais demandas do setor de produção de cocos no Ceará.
Os maiores produtores de coco do Ceará estão nos municípios de Acaraú, Amontada, Beberibe, Camocim, Cascavel, Itapipoca, Itarema, Paraipaba, Pentecoste e Trairi.
Parte do produto abastece o mercado internacional, sendo para os Estados Unidos a maior oferta desta produção.
Mais informações:
 
Companhia de Gestão dos Recursos  Hídricos (Cogerh)
Rua Adualdo Batista, 1550 - Parque Iracema
Telefone: (85)3218.7020

Melquíades Júnior
Repórter
DN

Como mandante, mas sem sua torcida, Fortaleza tenta engatar segunda vitória seguida na competição nacional contra o Cuiabá

pv
O Fortaleza fará seu primeiro jogo como mandante na Série C sem a presença da torcida, já que o clube paga pena imposta pelo Superior Tribuna de Justiça Desportiva devido aos incidentes no último jogo da edição de 2013
FOTOS: KIKO SILVA
ataque
O atacante Robert, autor do gol da vitória na estreia do Leão na Série C, na partida fora de casa contra o Salgueiro na última segunda feira, é a principal esperança do ataque leonino, que formará com Romarinho
Vencer para adquirir a confiança da torcida e ao mesmo tempo superar um adversário qualificado na Série C do Campeonato Brasileiro. Esses são os objetivos do Fortaleza, no duelo sem vozes de torcida, neste domingo às 19 horas, no Estádio Presidente Vargas, diante do Cuiabá, pela segunda rodada da competição.
As duas equipes venceram suas partidas de estreia no certame. O Tricolor derrotou o Salgueiro por 1 a 0 e o Cuiabá superou o Crac/GO por 3 a 1, o que transforma o jogo em confronto direto pelo G-4.
"É um time muito bom, com atletas de bom porte físico. Eles marcaram muito bem o Internacional, na Copa do Brasil. Não se pode esquecer que a Copa do Brasil fornece uma motivação a mais para as equipes", elogiou o técnico do Leão, Marcelo Chamusca, referindo-se ao adversário deste domingo.
Chamusca reconhece a dificuldade que sua equipe deve enfrentar para superar um adversário que atravessa um bom momento. "Eles foram os campeões estaduais, num campeonato que tem o Luverdense/MT, que está numa divisão acima da nossa. Além disso, estão fazendo boa campanha na Copa do Brasil. Mas, temos que superar todos esses obstáculos, em nome da nossa vitória e da nossa campanha, na luta pelo acesso à Série B", comentou Chamusca.
O técnico tricolor deve promover apenas uma modificação, em relação ao time que derrotou o Salgueiro. O atacante Romarinho entra no posto de Fernandinho, que sente dores musculares na coxa e passa a ser dúvida.
A última vez em que o Fortaleza jogou de portões fechados pelo Brasileiro foi em 2005, quando estava na Série A e ganhou da Ponte Preta no PV por 2 a 1.
Neste domingo, o Tricolor estará fazendo o seu 110º jogo pela Série C. "Ninguém aguenta mais ficar na Série C", completou o técnico tricolor.
Bom momento
O adversário do Leão vive um momento positivo. Além de ter sido campeão estadual em cima do rival Luverdense, na última quinta-feira a equipe mato-grossense deu uma demonstração de força ao empatar com o Internacional em 1 a 1 pela Copa do Brasil, na Arena Pantanal. O detalhe é que o time do técnico Luciano Dias saiu na frente com Washington, e só cedeu o empate aos 40 minutos do 2º tempo.
O treinador do Cuiabá deve manter a formação que empatou com o Colorados, mas advertiu sobre a condição física de sua equipe. Segundo o treinador, seus comandados foram muito exigidos no meio de semana.

arte
Ivan Bezerra
Repórter

DN

ARTIGO: "A culpa é de quem?" "A violência no futebol é um problema planetário. No Brasil, em particular, as mortes pontuais se acumulam

Você certamente ouvirá piadas sobre. A privada assassina. O vaso voador. O crime sanitário. A latrina mortal. É o jeito brasileiro de lidar com as tragédias alheias. E a tragédia é sempre alheia até bater na sua porta. Aí o humor acaba, o sorriso se desidrata, a gargalhada engasga.

Para Paulo Ricardo Gomes da Silva, foi assim. A graça acabou de repente. O que Paulo Ricardo fez na sexta-feira à noite? Decidiu acompanhar um jogo no Mundão do Arruda. E morreu. Foi ao futebol e morreu.

E esse é o futebol... brasileiro. 

Esse é o país que vai organizar, daqui a 40 dias, a maior competição do futebol mundial.

torcedor morto santa cruz arruda (Foto: Thiago Augustto)Paulo Ricardo Gomes da Silva tinha apenas 26 anos (Foto: Thiago Augustto)

A violência nas arquibancadas é um problema planetário. Já tivemos massacres na Europa e mais recentemente na África. No Brasil, nossa tolerância para a barbárie tem provocado a morte pontual. Você simplesmente corre risco de morrer caso saia de casa para ver um jogo no auto-intitulado país do futebol.

A culpa é de quem?
É da polícia - que não consegue prender todos esses marginais que frequentam locais públicos regularmente?
É da justiça - que não consegue manter na cadeia os marginais eventualmente presos?
É dos legisladores - que não conseguiram produzir uma lei capaz de manter na cadeia esses bandidos reincidentes e facilmente identificáveis?
Ou é sua que elege esses legisladores?

Talvez uma parte da resposta esteja aqui.

Em outubro - quando você for escolher um deputado ou senador pra chamar de seu - lembre-se de Paulo Ricardo. Da latrina que decolou. E da morte que veio voando. 

Em junho - quando o primeiro apito soar em Itaquera - lembre-se de Paulo Ricardo. Do vaso que o atingiu. E das palavras de sua mãe ao telefone:

- Não, não... O Paulinho, não!"
Por 
Rio de Janeiro

Após impasse, Patati e Patatá podem substituir “Morning Show” na RedeTV!

Patati Patatá devem fechar contrato com a RedeTV!
Patati Patatá devem fechar contrato com a RedeTV!
A RedeTV! anunciou profundas mudanças no “Morning Show”, inclusive no próprio nome. Agora, a atração vai se chamar “Muito Show” e terá novos apresentadores, Babi Rossi, Vinícius Vieira e Andressa Urach. As novidades entram no ar a partir de segunda-feira (05) em novo horário, às 18h45.
No entanto, segundo o jornalista Flávio Ricco, a emissora ainda não escalou nenhum outro produto para substituir o programa na faixa das manhãs, das 08h30 até às 09h30.
De acordo com o site da RedeTV!, a atração continuará sendo exibida nos dois horários, o que já acontecia desde o início do ano. Porém, segundo Ricco, a emissora pode estrear o novo programa dos palhaços Patati Patatá na mesma faixa.
As negociações esfriaram nas últimas semanas, considerando que a contratação era dada como certa. Mas, a partir de agora, elas podem ser retomadas com mais tranquilidade. O faturamento da atração infantil seria o ponto-chave para o canal, que enfrentou no ano passado uma profunda crise financeira.
rd1.ig

3 de maio de 2014

Após título estadual, América-RN faz clássico com ABC pela Série B

O terceiro clássico entre América-RN e ABC deste ano terá um sabor especial para os dois clubes. A partida válida pela terceira rodada da Série B do Campeonato Brasileiro servirá como evento-teste da Arena das Dunas para a Copa do Mundo e terá acompanhamento de uma equipe do Comitê Organizador Local. Além disso, a rivalidade entre as duas equipes está mais acirrada, por conta da invencibilidade de 12 jogos do Mecão sobre o Mais Querido. 
Fabinho, volante do América-RN - ABC x América-RN (Foto: Frankie Marcone/Divulgação/ABC)Fabinho, volante do América-RN, e Gilmar, atacante do ABC, fazem novo duelo (Foto: Frankie Marcone/Divulgação/ABC)

Nas equipes, as situações são bem distintas. O Mecão ainda comemora o título do Campeonato Potiguar, conquistado na última quarta-feira, após o empate sem gols com o Globo FC. O técnico Oliveira Canindé chegou a declarar que o time está cansado e, por conta disso, jogou o favoritismo para o arquirrival, embora tenha um retrospecto favorável na Arena das Dunas, onde nunca perdeu. Quanto à equipe, Fabinho deve ser mantido na ala direita, já que Marcelinho e Walber estão vetados. Na esquerda, o titular será Wanderson. 
Já o ABC, que vem de vitória sobre o Boa Esporte, quer derrubar a invencibilidade de 12 jogos, que já dura mais de dois anos, e subir ainda mais na classificação. O técnico Zé Teodoro não terá o atacante Dênis Marques, que sentiu dores no tornozelo direito após o último jogo. O treinador quer deixar o tabu de lado e foca na vitória para manter a autoestima do elenco alvinegro, além da meta de se manter entre os quatro primeiros até o início da Copa do Mundo.
A arbitragem para o Clássico Rei será da Fifa e contará com um trio alagoano. O árbitro central será Francisco Carlos do Nascimento, auxiliado por Carlos Jorge Titara da Rocha e Otávio Correia de Araújo Neto.
HEADER escalacoes 690 (Foto: Infoesporte)
América-RN: A principal novidade é o retorno do lateral-esquerdo Wanderson, que não disputou o Campeonato Potiguar. Com isso, o América-RN deve jogar com Fernando Henrique, Fabinho, Cleber, Edson Rocha e Wanderson; Márcio Passos, Jean Cléber, Val e Arthur Maia; Max e Rodrigo Pimpão.
ABC: Sem contar com Dênis Marques, o técnico Zé Teodoro vai escalar Gilmar no ataque, ao lado de Lúcio Flávio. As outras duas mudanças são as entradas de Liel e Xuxa nas vagas de Michel Schmöller e João Henrique, respectivamente. Com isso, o ABC vai jogar com Gilvan, Patrick, Samuel, Suéliton e Luciano Amaral; Liel, Daniel Amora, Somália e Xuxa; Lúcio Flávio e Gilmar.
HEADER quem esta fora 690 (Foto: Infoesporte)


América-RN: O lateral-direito Marcelinho voltou a sentir dores na coxa esquerda e foi vetado para o jogo. O goleiro Andrey, os laterais Walber e Thiago Cristian e o volante Tiago Dutra também continuam entregues ao departamento médico.
ABC: Com dores no tornozelo direito, o atacante Dênis Marques foi vetado pelo departamento médico. O lateral-direito Renato, que se recupera de um fratura na clavícula direita, ainda não tem condições de jogo.
Por 
Natal

SENSUS APONTA SEGUNDO TURNO ENTRE DILMA E AÉCIO