18 de abril de 2016

Subtenente é morto durante assalto em uma agência bancária de Pacajus

Francisco Wellington tinha 45 anos. (FOTO: reprodução)
Francisco Wellington tinha 45 anos. (FOTO: reprodução)
O subtenente da Polícia Militar Francisco Wellington da Silva, 45 anos, foi morto nesta segunda-feira (18) durante um assalto a uma agência bancária no município de Pacajus, Região Metropolitana de Fortaleza (RMF). A ação aconteceu por volta das 14h, no centro da cidade, quando dois homens armados entraram na agência. Este é o sétimo policial morto em 2016 no Ceará.
Segundo a polícia, o subtenente Francisco Wellington teria entrado no estabelecimento bancário com um pacote, possivelmente para realizar um pagamento ou depósito. Porém foi surpreendido por dois homens armados que anunciaram o assalto. O policial estava armado mas não teve tempo de reagir.
Francisco Wellington foi baleado e morreu na área dos caixas eletrônicos. Durante a ação, uma mulher que estava dentro do banco foi atingida. Os suspeitos fugiram em um veículo prata, que supostamente teria sido abandonado na Estrada da Coluna, no município de Horizonte.
A perícia constatou que a vítima foi atingida por 13 disparos e os homens fugiram com o malote. O policial trabalhava na cidade de Pacajus há aproximadamente 20 anos. No próximo sábado (23), ele iria comemorar o aniversário de 1 ano do filho. A polícia está averiguando imagens da câmera de segurança do local para localizar os criminosos.
A ocorrência alerta para o número de policiais mortos no Ceará nos últimos tempos. Pelo menos quatro dos agentes mortos em 2016 estavam de folga e morreram ao serem vítimas de ações criminosas. Em 2015, dos 14 policiais mortos, nove estavam de folga. A maioria foi vítima de disparo de arma de fogo, decorrente de homicídio doloso ou latrocínio.
Mortes de policiais em 2016
– 7 de janeiro: Hudson Danilo Lima Oliveira, soldado da Polícia Militar
O PM foi chamado para uma ocorrência de assalto em uma fazenda de Jaguaretama, no interior do Ceará. De acordo com o Comando de Policiamento do Interior (CPI), houve troca de tiros quando o soldado chegou ao local. Ele foi baleado na cabeça e socorrido no Instituto Dr. José Frota, em Fortaleza, onde ficou internado em estado grave.
No dia 9 de janeiro, foi constatada a morte cerebral. Na noite do dia 8, quatro pessoas foram capturadas. Uma delas agiu diretamente no crime. As outras deram apoio para o criminoso fugir.
– 19 de janeiro: Benedito Gomes Assunção, Cavalaria da Polícia Militar
Policial, que não estava de serviço, se envolveu em uma discussão de trânsito com dois irmão, em Juazeiro do Norte. Poucos minutos depois, os dois suspeitos foram presos em flagrante. Antônio Nogueira da Cruz, 26, e Francisco Valtermar Nogueira da Cruz, 33, foram presos com um revólver calibre 38.
– 26 de janeiro: José Eudes da Silva Monte, sargento da Policial Militar
O PM foi baleado na cabeça durante roubo a um coletivo da linha Conjunto Ceará-Antônio Bezerra, em Fortaleza, e faleceu na manhã do dia 28 de janeiro. Foram presos Raquel Rodrigues Lima, 19, que responde na Justiça por adulteração de veículo; Carlos Maik Pinto Martins, 24, que possui antecedentes por homicídio e tráfico de drogas; Raimundo Nonato Sousa Barroso, 24, que responde por roubo e dois homicídios e Cristian Nilton Nascimento da Silva, 20, apontado pela polícia como o responsável por atirar no policial. 
– 12 de fevereiro: Augusto Herbert Félix, soldado da Polícia Militar (Raio)
O soldado aguardava o semáforo abrir, em um cruzamento de Fortaleza, quando foi abordado por dois homens em uma motocicleta. Ele reagiu e trocou tiros com os assaltantes, mas não resistiu aos ferimentos. O crime aconteceu no Bairro Planalto Pici.
O subtenente estava caminhando no Centro de Jaguaretama, no interior do Ceará, quando foi surpreendido por dois homens em uma motocicleta. Ele foi atingido por vários disparos. Equipes da PM foram acionadas ao local.
O policial civil estava indo deixar a namorada em casa no bairro Cidade dos Funcionários quando foi surpreendido por dois homens armados. Após o anúncio do assalto, Alisson reagiu e matou um dos criminosos. No entanto, o inspetor foi atingido no peito pelo segundo assaltante. Ele chegou a ser encaminhado com vida ao hospital, mas não resistiu aos ferimentos.
– 18 de abril: Francisco Wellington da Silva, subtenente da Polícia Militar 
O policial militar Francisco Wellington da Silva, 45 anos, foi morto durante um assalto a uma agência bancária no município de Pacajus, RMF. A ação aconteceu por volta das 14h, no centro da cidade, quando dois homens armados entraram na agência e levaram um malote do subtenente.  O policial estava armado mas não teve tempo de reagir. Foi baleado e morreu na área dos caixas eletrônicos.

Por Rosana Romão

Tribunadoceara.uol.com

Cobra que se alimentava de cabras de um sítio é capturada por morador no Ceará

A cobra foi capturada e será devolvida ao seu habitat, na Floresta Nacional do Araripe. (FOTO: Reprodução/José Itamar)
A cobra foi capturada e será devolvida ao seu habitat, na Floresta Nacional do Araripe. (FOTO: Reprodução/José Itamar)
José Itamar, 56 anos, proprietário do Sítio Serra Velha, no município de Salitre – a 450 quilômetros de Fortaleza– , estava preocupado com o sumiço das cabras que criava. Ao contrário do que o homem acreditava, não era um ladrão que roubava seus animais, mas uma cobra.
A jiboia de quatro metros que estava se alimentando dos animais de criação foi capturada por José, após engolir uma cabra. Sem saber o que fazer, o homem ligou para a Rádio Cidade AM de Campos Sales e pediu ajuda ao radialista Dan Oliveira. “O José Itamar ligou e falamos fora do ar. Ele explicou a situação, disse que tinha capturado a cobra, que não queria matá-la, mas que precisava que ela fosse retirada do sítio para evitar prejuízos”, conta Dan.
O radialista entrou em contato com a Polícia Ambiental de Juazeiro do Norte, que atendeu o chamado e foi até a propriedade retirar o animal. O policial Rodrigo Barbosa explica que o animal vai ser devolvido ao seu habitat natural ainda nesta sexta-feira (15). “O proprietário relatou que o réptil estava se alimentando de uma criação de caprino, que o mesmo possui, sendo que esta manhã flagrou o réptil devorando uma de suas cabras. A cobra foi capturada e será devolvida ao seu habitat, na Floresta Nacional do Araripe”, destaca.
O chefe do escritório regional do Ibama em Iguatu, Fábio Bandeira, explica que apesar do tamanho – que pode a princípio assustar -, a cobra não oferecia nenhum risco aos humanos que entraram em contato com ela. “Se trata de um animal que não é venenoso, que só caça quando sente fome. Esse tipo de cobra não tem o instinto de atacar só por atacar e agora ela só vai caçar outro animal quando estiver novamente com fome”, explica.
Segundo Fábio, existem duas possíveis causas para a proximidade do animal com os seres humanos, as desmatamento e as chuvas. “As pessoas costumam achar que o animal está invadindo sua área, mas é o contrário. Os seres humanos que estão invadindo cada vez mais as florestas, habitat desses animais. Acontece, também, de cobras desse porte aparecerem quando há grandes chuvas que acabam fazendo com que esses animais que vivem em cima da serra, desçam para regiões mais baixas”, aponta.
Contraponto
O biólogo e apresentador do programa Zoa da TV Jangadeiro, Hugo Fernandes-Ferreira, afirma que a possibilidade da cobra capturada por José Itamar ter quatro metros é remota. Segundo o especialista, jiboias costumam ter em média dois metros de comprimento, podendo, em casos raros, chegar a três metros e meio.
“Uma cobra de três metros não consegue comer jamais uma cabra adulta. Mesmo comer um filhote seria difícil para esse animal. Uma jiboia grande, de um metro e 80 centímetros só consegue comer mamíferos de pequeno e médio porte como gatos, cutias ou um cachorro. Mas uma cabra seria impossível”, explica.
Hugo aponta que possivelmente o fazendeiro esteja perdendo suas cabras para um animal como a onça vermelha. “O fazendeiro pode estar atribuindo o problema para a cobra que ele viu na mata, mas ele pode estar perdendo sua criação para uma onça vermelha, mesmo que não seja comum vê-las por estarem em perigo de extinção, ou para um grupo de cachorros domésticos em estado selvagem. Mas, se esse fosse o caso, as cabras não sumiriam”, aponta.
Confira o vídeo da captura do réptil: 

Por Juliana Teófilo

Tribunadoceara.uol.com

“Camilo terá de reconstruir uma polícia destruída por Cid”, avalia Lúcio Alcântara

Lucio Alcantara Fernanda Moura (1)
Lucio Alcantara Fernanda Moura (1)
Ex-governador Lúcio Alcântara diz que não tem pretensões de disputar cargo público novamente. (Foto: Tribuna do Ceará/Fernanda Moura)
Quase dez anos desde que deixou o Palácio do Cambeba (residência oficial antes da reforma do Palácio da Abolição), o ex-governador Lúcio Alcântara não se conforma com a condução da segurança pública pelo seu sucessor, o agora ex-governador Cid Gomes (PDT). Para o presidente estadual do PR, Cid “destruiu a Polícia com a história de fazer outra”. Ele entende que atual governador, Camilo Santana (PT), está reconstruindo a estrutura de segurança no Ceará.
Lúcio Alcântara concedeu entrevista ao Tribuna do Ceará na segunda-feira (12), em sua residência, em Fortaleza. Além das críticas a Cid Gomes, o ex-governador falou sobre o cenário político nacional e municipal e as atividades que desempenha desde que deixou o Governo.
Apoiador do impeachment da presidente Dilma Rousseff (PT), Lúcio criticou que a crise econômica e política no Brasil é culpa tanto do Governo como da oposição que, para ele, “podia ter colaborado mais”. “A melhor solução seria eleição geral para presidente, mas isso está politicamente difícil”, pontua.
O PR se articula para lançar a candidatura do deputado estadual Capitão Wagner para a Prefeitura de Fortaleza, com apoio do PSDB do senador Tasso Jereissati, afirma Lúcio. Ele critica que adversários políticos, como os irmãos Cid e Ciro Gomes (ambos do PDT), tentem minimizar a influência do deputado, dizendo que ele só entende de segurança pública. “Não posso me calar quando vejo demagogia”, afirma.
A desavença política com os Ferreira Gomes é antiga. Cid derrotou Lúcio em 2006 em sua campanha pela reeleição. O sucessor, contudo, é acusado pelo presidente do PR de ter mentido em suas promessas de campanha. “A preocupação do meu sucessor era destruir a imagem do meu governo e desfazer tudo o que eu tinha feito”, afirma Lúcio. Cid preferiu não comentar a críticas.
Confira a entrevista completa concedida ao repórter Matheus Ribeiro:
Tribuna do Ceará – Como o senhor enxerga o atual cenário político nacional?
Lúcio Alcântara – É muito lamentável que a gente chegue onde chegamos. Há uma culpa grande do governo do PT, mas houve uma colaboração da oposição. (A oposição) mesmo combatendo e procurando saídas para o afastamento da presidente, podia ter colaborado mais, aprovando algumas medidas que qualquer um que seja presidente vai ter que tomar para o Brasil sair do fosso. A melhor solução seria eleição geral para presidente, mas isso está politicamente difícil. Embora o impeachment seja uma medida excepcional, embora a nossa história seja de muitos presidentes que, por uma razão ou outra, não concluíram o mandato, vão ter que chegar a essa medida extrema que é o impeachment. A essa altura eu não vejo outra alternativa, sabendo que vamos ter muitas dificuldades com essa sucessão.
Tribuna – O PR tem certa indefinição em ser a favor ou contra o impeachment. Alguns são contra, outros são isentos. Como tem sido o diálogo dentro do partido?
Lúcio – Para o PR fechar a questão, é uma deliberação nacional. Não é nossa. Temos o deputado federal Cabo Sabino, que já se pronunciou (a favor do impeachment), os dois deputados estaduais, Capitão Wagner e Fernanda Pessoa e o Roberto Pessoa, que é presidente de honra do partido, e eu, que acabei de manifestar (apoio ao processo). A deputada (federal) Gorete Pereira mantem-se ainda indecisa. Quer escutar ainda a opinião pública, pois está ligada a muitos prefeitos, a municípios que dependem muito de recursos.
Tribuna – Como está o diálogo do PR com o PSDB para o apoio ao Capitão Wagner à Prefeitura de Fortaleza
Lúcio – Muito bom. Está sendo produzido em menor parte por mim, em maior parte pelo Capitão Wagner e o nosso presidente de honra, Roberto Pessoa. Praticamente já se fechou uma aliança com o PSDB. Temos muito tempo para a realização das convenções, mas esse acordo já está praticamente acertado entre os dois partidos.
Tribuna – Como o próprio Capitão Wagner trata as questões das críticas que ele recebe?
Lúcio – Muita gente tenta diminui-lo, dizendo que ele só entende de segurança. Mas ele, na verdade, está colhendo material, se preparando para formular um plano de governo. Ele é uma pessoa serena, fala sempre com compostura. Não é aquele tipo estérico que a gente vê em alguns que são ligados à área da segurança. Quando o governador o chamou, foi lá dar suas colaborações. Não posso me calar quando vejo demagogia, certas posturas para atrair pessoas que não percebem as coisas. O próprio irmão do ex-governador (Ciro Gomes, irmão de Cid Gomes) uma vez disse: “nós vamos derrotar o Capitão”, como se ele só entendesse de segurança. Ele mesmo (Ciro), no governo do irmão, disse que havia milícia (dentro da Polícia do Ceará) e nunca mostrou. Por que o deputado do governo não o deixa (Ciro) ir lá (na Assembleia Legislativa)? Há um pedido de convocação para ele explicar essas questões (da milícia). É muito grave, (há) muita acusação vaga.
Tribuna – O senhor pretende inserir alguém de confiança na prefeitura da cidade de São Gonçalo do Amarante (cidade natal de Lúcio)?
Lúcio – Não temos ainda uma decisão. Há conversas com outros partidos de oposição, mas o quadro ainda não está definido. Vamos aprofundar os entendimentos e acelerar essa decisão. A ideia geral – e nisso nós temos mantido várias conversas com o Luiz Pontes, presidente do PSDB, o deputado estadual Danniel Oliveira (PMDB), que representa o senador Eunício Oliveira (PMDB), e o Solidariedade –, para ver, onde for possível, uma união em torno de um candidato.
Tribuna – Como o senhor avalia a segurança pública após o seu governo?
Lúcio – Uma razão do descrédito da classe política, porque a própria Dilma (Rousseff) se elegeu prometendo o que ela não pôde fazer. Eu, por exemplo, me elegi em 2002 e, por reconhecer que esse problema é grave e sério, nunca disse que acabaria com a violência e resolveria o problema. Mas disse que lutaria, que faria tudo o que estivesse ao meu alcance. Recentemente os jornais fizeram algumas matérias sobre isso, inclusive sobre a evolução da violência aqui, no Ceará, e mostraram que o meu período foi o mais tranquilo. A violência aumentou um pouco, mas foi o período em que menos aumentou, apesar das dificuldades políticas e de recursos. O meu sucessor (Cid Gomes) ganhou a eleição dizendo que acabaria com a violência, o que é um tremendo absurdo. Estava que nem a Dilma, prometendo o que não podia fazer. Então criou Ronda (do Quarteirão), disse que você chamaria a Polícia e ela estaria na sua porta em cinco minutos, que você saberia o nome do policial, e, na verdade, houve um aumento exponencial da violência. Nos oito anos dele, só em Fortaleza, morria mais gente do que em todo o meu governo no Ceará todo. Com o agravante: primeiro que ele mentiu, prometeu acabar atrás de voto e a segurança era, como hoje, uma coisa que incomoda. Então, a primeira coisa: ele mentiu para o povo. A segunda: foi o gasto. Ele sempre dizia: “mas eu fui o que mais gastou”. Pior, porque foi o que mais gastou e teve os piores resultados. Estão aí os carros sucateados, uma despesa enorme, com uma manutenção enorme. A manutenção, em alguns casos, era quase o preço de uma nova. Pernambuco baixou a criminalidade com carros pequenos e outras medidas mais práticas. Havia uma arrogância e um desperdício e o resultado foi péssimo. É preciso ser humilde diante disso. É necessário sempre buscar as melhores solução, mas nunca enganar o povo, nunca mentir.
Tribuna – Quais as medidas que o senhor enxerga para mudar essa situação?
Lúcio – A primeira coisa o governador Camilo Santana está fazendo que é a de recompor as forças de segurança. O meu sucessor destruiu a Polícia com a história de fazer outra. Ele só abria a boca para falar mal da Polícia, da qual ele mesmo era o comandante. Não quero dizer que a Polícia não tem lado ruim. Ela tem e são muitos, mas ele só viu o lado negativo. Camilo mostrou-se capaz de dialogar. A preocupação do meu sucessor era destruir a imagem do meu governo e desfazer tudo o que eu tinha feito. Fizemos uma coisa que funcionou no Rio de Janeiro: o disque denúncia. Trouxemos e instalamos aqui. Havia um sistema montado, com denúncias anônimas. A primeira coisa que ele (Cid Gomes) fez foi acabar com isso. Ele foi petulante, arrogante e acabou destruindo isso. O Laécio Noronha (advogado e autor do livro Políticas Públicas de Segurança), na última campanha do Eunício Oliveira (candidato ao Governo do Estado em 2014), publicou um livro com todas as sugestões, diagnósticos e propostas sobre segurança pública que estão sendo feitas. Camilo está evitando desperdícios, comprando carros menores… Perdemos oito anos com esse desmando na área da segurança.
Tribuna – O que lhe motiva a continuar participando dessas questões para melhorar a segurança pública no Ceará?

Lúcio – Não pretendo disputar mais nenhum cargo político. Mas, por tudo o que eu recebi do povo cearense, pelos cargos e oportunidades que tive, tenho uma responsabilidade que está acima de procurar ter desempenhado bem as funções que ocupei. Encaro isso como minha obrigação. Pela experiência e gratidão que tenho ao povo do Ceará, tenho o dever de fornecer um pouco do meu conhecimento à sociedade. Acabo sendo um ombudsman da sociedade. Tenho certa responsabilidade partidária, por está presidindo um partido político, mas hoje me sinto muito mais livre para falar e me manifestar, pois agora estou querendo colaborar. Hoje, estou presidindo o Instituto do Câncer, que meu pai foi um dos fundadores, então eu estou colaborando lá.

O Tribuna do Ceará entrou em contato com o ex-governador Cid Gomes, mas ele optou por não responder às críticas de Lúcio Alcântara.
Por Jéssica Welma
Tribunadoceara.uol.com

Senado recebe hoje pedido de impeachment; entenda o passo-a-passo

Até o fim, o processo contra Dilma ainda poderá passar por cinco votações no Senado: duas em comissões especiais e três no Plenário
Com sua admissibilidade aprovada na Câmara dos Deputados, o processo de impeachment da presidente Dilma Rousseff deve chegar nesta segunda-feira (18) ao Senado Federal. Se os senadores acatarem o pedido e instaurarem de fato o processo, a Casa será palco de um julgamento a ser presidido pelo presidente do Supremo Tribunal Federal, Ricardo Lewandowski.
Até o julgamento final, alguns passos precisam ser dados. Após o recebimento do processo, a expectativa é que ainda nesta segunda ou na terça-feira (19), seja feita a leitura do texto no Plenário e já eleita a comissão especial que vai analisar se aceita ou não o pedido da Câmara para abrir processo de impeachment contra Dilma. O colegiado terá dez dias para apresentar um parecer, que será aprovado se tiver o apoio da maioria simples dos membros (22 senadores).
Se for aprovado na comissão, o texto ainda precisa ser votado em Plenário pelos 81 senadores, o que deve ocorrer até o fim da primeira quinzena de maio. É a fase de admissibilidade da denúncia. Se o Senado aprovar a abertura do processo, por maioria simples (41 senadores), a presidente Dilma Rousseff é afastada do cargo. Nesse caso, assume interinamente o vice-presidente, Michel Temer.
Testemunhas e provas
O afastamento de Dilma poderá durar até 180 dias. Nesse período, uma comissão se reúne para ouvir testemunhas, coletar provas e comprovar ou não as acusações feitas perante a Câmara dos Deputados. É a fase de pronúncia. Feito isso, o colegiado vota o parecer que, para ser aprovado, precisa novamente de apoio da maioria simples de seus integrantes.
Se for aprovado nessa segunda votação em comissão, o parecer (sentença de pronúncia) é lido e votado pelo Plenário do Senado. Mais uma vez, para ser aprovada a sentença precisa de apoio de 41 senadores (maioria simples).
O julgamento

O julgamento final ocorrerá no Plenário do Senado, em sessão presidida pelo presidente do Supremo Tribunal Federal. O Senado funcionará como um tribunal, sendo os jurados os 81 senadores.

Para aprovar o impeachment, são necessários 54 votos favoráveis (2/3 dos senadores). Se condenada, Dilma será deposta de seu mandato e ficará inelegível por oito anos, passando definitivamente o cargo ao vice, Michel Temer.
“Só nesta votação é que os senadores vão decidir se a presidente da República será afastada, se os fatos são graves o suficiente para isso, se os crimes de responsabilidade de fato existiram e se ela ficará inabilitada por oito anos para o exercício de cargos públicos, uma vez condenada”, explica o consultor legislativo da Câmara Roberto Carlos Pontes.
Nesta terça-feira (19), uma reunião de líderes partidários no Senado deve discutir questões que ainda estão em aberto. Existe, por exemplo, dúvidas sobre como contar o prazo da comissão especial, se em dias corridos ou úteis.
Governo e oposição

Líder do DEM no Senado, o senador Ronaldo Caiado (GO) acredita que o processo caminhará rapidamente e que não há motivos para adiá-lo. Em sua avaliação, Dilma Rousseff não tem mais condições de governar, o que foi confirmado pela admissibilidade do impeachment na Câmara dos Deputados.

“Esse governo é incapaz de produzir qualquer ato, já que não tem apoio político. Não faz sentido procrastinar a decisão. A Casa que representa o povo brasileiro mostrou, por mais de 2/3 dos deputados federais, que realmente quer a votação do processo”, disse Caiado.
Diferentemente de Caiado, o vice-líder do governo no Senado Lindbergh Farias (PT-RJ) avaliou que a oposição entre os senadores não consegue maioria contra Dilma. Ainda há, segundo ele, muitos indecisos e a opinião pública pode influenciar os trâmites.
“Eles [a oposição] não têm 2/3. Se o Michel Temer [vice de Dilma] assume a presidência da República, de cara vai vir a ilegitimidade. O povo brasileiro está desconfiado disso. Eles assaltaram o poder”, afirmou Lindbergh, que considera o impeachment uma tentativa de golpe contra Dilma.
Reportagem – Noéli Nobre
Edição – Natalia Doederlein  


Agência Câmara

Conheça os cinco "homens fortes" que cercam o vice-presidente Michel Temer

  • Homens fortes de Temer, da esq. para a dir.: Padilha, Jucá, Geddel, Henrique e Moreira Franco
    Homens fortes de Temer, da esq. para a dir.: Padilha, Jucá, Geddel, Henrique e Moreira Franco
A possibilidade de que o vice-presidente Michel Temer (PMDB) possa assumir a cadeira hoje ocupada pela presidente Dilma Rousseff (PT) vem aumentando, assim como a curiosidade sobre o peemedebista e as pessoas que o cercam. Discreto e tido como "reservado", Temer é a principal liderança do PMDB, maior partido do Congresso Nacional.
A reportagem do UOL conversou com parlamentares e políticos de dentro e de fora do partido, que apontaram cinco pessoas como as mais próximas do vice-presidente. Todas elas, aliás, integrantes do PMDB.
Hoje, os homens apontados como os mais próximos de Temer são Eliseu Padilha (RS), Henrique Eduardo Alves (RN), Moreira Franco (RJ), Geddel Vieira Lima (BA) e Romero Jucá (RR).
Além da proximidade com o vice-presidente, os cinco têm em comum o fato de já terem ocupado cargos importantes em administrações petistas. Os quatro primeiros foram ministros durante os governos do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e de Dilma. Jucá, por sua vez, foi líder do governo no Senado tanto nas gestões de Lula quanto de Dilma.
Agora, os cinco atuam na defesa de Temer contra os ataques do PT e, tanto nos bastidores quanto sob os holofotes, na construção de um possível "governo Temer", que começaria ainda em 2016 caso o impeachment da presidente Dilma seja aprovado no Senado. O vice-presidente nega que já esteja articulando um novo governo.

Geddel Vieira Lima, o articulador

Geddel Vieira Lima é filiado ao PMDB da Bahia desde 1990. Foi deputado federal por cinco mandatos consecutivos e contemporâneo de Temer na Câmara dos Deputados. Geddel foi um dos integrantes do PMDB mais críticos em relação à aproximação entre o PMDB e o PT quando Lula assumiu seu primeiro mandato, em 2003.
Divulgação
Geddel Vieira Lima, do PMDB da Bahia
Mesmo assim, ele foi nomeado ministro da Integração Nacional em 2007, com o aval do PMDB da Câmara dos Deputados, à época, liderado por outro homem de confiança de Temer, Henrique Eduardo Alves. Em 2010, suas críticas ao PT ganharam mais força quando ele perdeu a disputa ao governo da Bahia para Jaques Wagner (PT).
Em 2014, Geddel foi candidato a uma vaga no Senado, mas perdeu para Otto Alencar (PSD-BA), que contou com o apoio do PT. Por pessoas próximas, ele é considerado um "articulador combativo" e um dos únicos capazes de discordar, publicamente, de Temer. "Ele é o único que tem coragem de dizer, na cara de Temer, que ele está errado. Já fez isso em mais de uma ocasião. Essa característica, inclusive, já incomodou Temer algumas vezes", afirmou um senador próximo ao grupo.
Essa faceta ficou evidente quando ele defendeu abertamente o rompimento do PMDB com o governo em julho de 2015, enquanto Temer defendia a manutenção da legenda na base governista. "Acabou esse constrangimento de silenciar por amizade e respeito ao Temer", disse Geddel à época.
"Não temos nada contra o Temer e o Padilha. Mas está havendo uma extrapolação. Os dois fazem uma defesa intransigente do governo. E expressam posições que não correspondem ao pensamento da maioria do PMDB", complementou Geddel.

Eliseu Padilha, o operador

Sérgio Lima (3.mar.2010)/Folhapress
Eliseu Padilha é um dos quadros mais antigos do PMDB. Está na legenda desde quando ela se chamava MDB (Movimento Democrático Brasileiro), nos anos 1960. Ao todo, foi deputado federal por cinco mandatos desde 1995. No governo de Fernando Henrique Cardoso (PSDB), Padilha ocupou o Ministério dos Transportes entre 1997 e 2001 como parte da aliança entre PSDB e PMDB.
Já durante a gestão petista, Padilha ocupou a Secretaria da Aviação Civil em janeiro de 2015. Deixou o cargo em dezembro de 2015, em meio ao agravamento das relações entre PMDB e o PT. É um dos principais aliados de Temer e participou de diversas reuniões da chamada articulação política no ano passado, quando o vice-presidente era o encarregado de dialogar, em nome do governo, com o Congresso.
Para o ex-líder do PT na Câmara dos Deputados Sibá Machado (AC), Padilha é a pessoa para quem Temer telefonaria em "caso de emergência".
"Todo mundo tem uma pessoa para quem você ligaria em caso de emergência. Ao longo das reuniões em que eu participei com o Temer, a impressão que eu tenho é de que o Padilha é essa pessoa para o vice-presidente. Ele é o operador", disse Sibá. Um deputado do PMDB ligado ao grupo corrobora essa ideia. "O Padilha é o mais organizado de todos. Ele conversa com todo mundo e filtra isso tudo", afirmou.
Procurado pela reportagem, Padilha não atendeu aos pedidos de entrevista.
Um senador do PMDB próximo a Padilha e a Temer diz que a capacidade de "mapear" votos é um diferencial de Padilha. "Ele é muito bom nesse mapeamento. Ele conversa com todo mundo e monitora bem como serão os votos. Ele é muito preciso", afirmou o senador.

Henrique Eduardo Alves, o amigo

Pedro Ladeira/Folhapress
Filiado ao PMDB desde 1982, Henrique Eduardo Alves tem a experiência de 11 mandatos de deputado federal consecutivos e é considerado o mais próximo de Temer. Segundo ele mesmo, a amizade com o vice-presidente se estreitou durante o período em que Temer era presidente da Câmara e Henrique era líder do PMDB, em 2007.
"Essa amizade cresceu quando atuamos juntos na Câmara, no dia a dia daquela Casa, eu como líder e ele como presidente. Quantas dificuldades passamos? Inúmeras", afirmou Henrique. Um deputado do PMDB afirma que, dos cinco da "tropa de choque", Henrique é mais próximo de Temer. "Com o Henrique, não é só uma relação política. É uma amizade, mesmo. Ele escuta o que o Henrique fala. São muitos anos de convivência", afirmou.
Derrotado nas eleições para o governo do Rio Grande do Norte em 2014, Henrique Alves assumiu o Ministério do Turismo em abril de 2015 como parte de uma estratégia do governo para aumentar o apoio do PMDB no Congresso Nacional. Em meio ao agravamento da crise política, ele deixou o cargo em março deste ano.
Henrique diz, no entanto, que prefere não comentar sua proximidade com o vice. "Eu sou um grande admirador do vice-presidente, sobretudo por sua discrição. Nesse momento tão delicado, não gostaria que ficasse especulando sobre isso", diz.

Moreira Franco, o "pensador"

Presidente da Fundação Ulysses Guimarães, braço do PMDB destinado à formação de quadros e formulação de políticas, Moreira Franco é apontado como o "pensador" do grupo. "Ele pensa as estratégias e avalia os passos", diz um deputado do PMDB. "Ele é um estrategista e conversa muito com o vice-presidente", afirmou um senador ligado ao grupo.
Alan Marques - 27.fev.2013/Folhapress
Moreira Franco, presidente da Fundação Ulysses Guimarães
Um dos principais líderes do PMDB, Moreira Franco acompanhou o partido em sua "metamorfose" ao longo dos últimos 20 anos. Durante o governo do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, atuou como assessor especial da Presidência. Quando o PMDB passou a integrar a base governista do ex-presidente Lula, Moreira Franco também ocupou cargos importantes.
Em 2007, assumiu a vice-presidência de Fundos e Loterias da Caixa Econômica Federal e, em 2011, a Secretaria de Assuntos Estratégicos do governo da recém-eleita Dilma Rousseff. Em 2013, assumiu a Aviação Civil, cargo que deixou em janeiro de 2015 dando lugar ao colega Eliseu Padilha.
Nos últimos meses, ele tem assumido o papel de um dos porta-vozes do PMDB na condução da ruptura do partido com o governo. Quando Padilha deixou a pasta da Aviação, ele defendeu que outros ministros do PMDB fizessem o mesmo. 
Temer e Moreira Franco se conhecem há pelo menos 30 anos e, segundo Moreira Franco, os dois têm uma relação "fraterna". Questionado sobre o papel de "pensador" que lhe atribuído, ele desconversa.
"Não sei se me vejo nessa posição, mas gente conversa muito sobre isso: o que fazer e como fazer. Debatemos muito. Os dois gostamos muito de militar e pensar antes para agir depois", afirmou.

Romero  Jucá, o "centroavante"

Pedro Ladeira/Folhapress
Enquanto os outros quatro integrantes desse "núcleo duro" estão no PMDB desde os anos 80 ou 90, Romero Jucá só chegou ao partido em 2003, depois de deixar o PSDB.
A mudança de partido permitiu a Jucá estabelecer uma curiosa marca: ser líder do governo no Senado tanto nas gestões de Fernando Henrique Cardoso quanto nas de Lula e Dilma Rousseff.
A capacidade de transitar entre diferentes legendas faz com que ele seja avaliado por correligionários como um "ótimo centroavante". "Todo time precisa de um centroavante. Ele é muito habilidoso e executa bem as missões que dão para ele", afirmou um cacique do PMDB. O colega Moreira Franco complementa: "ele é um dos melhores quadros que temos", disse.
Nem o fato de ser investigado pela Operação Lava Jato e apontado por executivos da empreiteira Andrade Gutierrez como beneficiário do pagamento de propina (suspeitas que ele nega) impediu que Jucá recebesse de Temer duas missões espinhosas: conduzir a ruptura do PMDB com o governo, oficializada no final de março, e defender o vice-presidente dos ataques que vem sofrendo por integrantes do governo. 
Ele mesmo admitiu que uma de suas funções à frente do PMDB é evitar que Temer seja alvo do que chamou de "briga de rua".  
"Isso retira o presidente Michel Temer da tentativa de alguns setores de trazer o presidente Michel para uma briga de rua", afirmou logo após assumir o comando do partido. 

Leandro Prazeres
Do UOL, em Brasília

Votação acirrada entre os Deputados Cearenses

Os deputados federais que formam a bancada cearense na Câmara Federal, em Brasília, acabaram ficando divididos na sessão de ontem, que votou o pedido de impeachment contra a presidente Dilma Rousseff (PT).
0125
Isso porque, 11 deles se declararam contrários à continuidade do processo – desta vez no Senado; nove se manifestaram a favor do impedimento do governo da petista. Houve uma abstenção – por parte da deputada Gorete Pereira (PR), que antes se dizia contrária ao impeachment, mas justificou sua mudança de opinião. “Pela Constituição Brasileira, contra a corrupção, queremos uma eleição nova. Tenho que me abster porque não posso acreditar nem em uma chapa nem na outra”, disse. Já o parlamentar Aníbal Gomes (PMDB) não compareceu ao plenário da Câmara, devido a um grave problema de saúde que o levou a realizar uma cirurgia de emergência e ele permanecia internado na Unidade de Terapia Intensiva (UTI).
Dentre os integrantes da bancada cearense, os deputados Cabo Sabino (PR), Danilo Forte (PSB), Genecias Noronha (PSD), Moses Rodrigues PMDB), Moroni Torgan (DEM), Raimundo Gomes de Matos (PSDB), Ronaldo Martins (PRB) e Vitor Valim (PMDB) votaram a favor da continuidade do processo de impeachment da presidente Dilma, no Senado Federal. Uma das surpresas da votação de ontem, foi a manifestação do deputado Adail Carneiro (PP) – que anteriormente teria dito que votaria pela continuidade do mandato da presidente, acabou votando a favor do impeachment. Na oportunidade, ele chegou a pediu desculpas ao ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, à própria Dilma Rousseff e, inclusive, ao ex-governador Cid Gomes, por tal mudança de opinião. Isso porque, segundo ele, teria de ouvir ao apelo da voz das ruas, uma vez que a população brasileira tem comparecido maciçamente às ruas, pedindo a saída da petista do comando do Palácio do Planalto.
Dentre os parlamentares que se posicionaram a favor da continuidade do governo de Dilma Rousseff à frente das decisões do País, ficaram o deputado Ariosto Holanda (PDT), que já havia dito que seria contrário ao que os governistas chamaram de “golpe contra a democracia”. Seguiram esse mesmo raciocínio os deputados Chico Lopes (PCdoB), Domingos Neto (PSD), José Airton Cirilo (PT), José Nobre Guimarães (PT), Luizianne Lins (PT), Leônidas Cristino (PDT), Odorico Monteiro (PROS) e Vicente Arruda (PDT). Estes votos já eram esperados em favor do Palácio do Planalto, uma vez que a grande maioria faz parte da base aliada do Partido dos Trabalhadores ou já participaram do próprio governo de Dilma Rousseff ou do ex-presidente Lula.
O deputado Danilo Forte (PSB-CE) declarou na noite deste domingo, 17, votar “sim ao impeachment” da presidente Dilma Rousseff pelo respeito a Constituição e a responsabilidade fiscal.

“O Ceará é feito por homens e mulheres de bem. E em respeito ao meu povo que me mandou para cá não para ser achincalhado, não para ser chamado de covarde, de picareta, de vendilhão do voto, mas para ter a honradez de um povo que precisa reconstruir a esperança e que foi enganado num castelo de mentiras que elegeu a presidente Dilma no segundo mandato”, disse.

O parlamentar cearense declarou também ter votado favorável ao pedido de impeachment por entender que o atual governo “cometeu erros” que não conseguiram ser explicados pelo advogado-geral da União, ministro José Eduardo Cardozo. “Ele não conseguiu defender o indefensável”, disse.
Jornal oestadoce.com

Câmara autoriza instauração de processo de impeachment de Dilma com 367 votos a favor e 137 contra

Sessão especial para votação do parecer do dep. Jovair Arantes (PTB-GO), aprovado em comissão especial, que recomenda a abertura do processo de impeachment da presidente da República
Deputados pró-impeachment comemoram aprovação do relatório do deputado Jovair Arantes, que recomenda a abertura de processo de impedimento da presidente Dilma por crime de responsabilidade
Com os votos favoráveis de 367 deputados, 137 contrários e 7 abstenções, o Plenário da Câmara dos Deputados aprovou o relatório pró-impeachment e autorizou o Senado Federal a julgar a presidente da República, Dilma Rousseff, por crime de responsabilidade. Se abstiveram de votar os deputados Pompeo de Mattos (PDT-RS), Vinícius Gurgel (PR-AP), Beto Salame (PP-PA), Gorete Pereira (PR-CE), Sebastião Oliveira (PR-PE), Mário Negromonte Jr. (PP-BA) e Caca Leão (PP-BA).

A sessão foi tensa, iniciada com princípio de tumulto. Cada voto dos 511 deputados – estavam ausentes os deputados Aníbal Gomes (PMDB-CE) e Clarissa Garotinho (PR-RJ) - foi pontuado com comemorações de cada lado. O voto de número 342, mínimo para garantir o julgamento pelo Senado, foi celebrado à exaustão pelos partidários do impeachment, que tiveram apoio de deputados de 22 partidos. Apenas Psol, PT, e PCdoB não deram votos à favor do impedimento da presidente Dilma. 

A sessão de votação durou cerca 6 horas, mas todo o processo de discussão e votação do impeachment, iniciada na sexta (15) consumiu quase 53 horas.

No Senado
Agora, o parecer que recomenda a investigação contra a presidente Dilma Rousseff segue para o Senado Federal. Lá, será constituída uma comissão especial para decidir se convalida, ou não, o pedido de abertura de investigação. Se for aprovado por 41 senadores, a presidente será afastada do cargo e julgada pelo Senado. Uma eventual condenação, que depende do aval de 2/3 da Casa (54 senadores), tira Dilma do cargo e a torna inelegível por oito anos. 

Repercussão
A maioria dos líderes favoráveis ao impeachment referiu-se não apenas às acusações contra a presidente, mas ao fato de ela já não ter condições de governar por falta de apoio no Congresso e da população. “Não há canto nenhum desse País em que se possa vislumbrar no rosto das pessoas algum sinal de esperança. Vamos decidir com o nosso voto o futuro de um país destroçado por uma presidente que, com sua arrogância, humilhou o Parlamento e governou de costas para a população”, criticou o líder da Minoria, deputado Miguel Haddad (PSDB-SP). 

Para o líder do PSC, deputado André Moura (SE), o vice-presidente, Michel Temer, tem capacidade de pacificar e reunificar o brasileiro. O PT, segundo ele, “está falido”.

O presidente da comissão especial que aprovou o pedido de abertura de processo de impeachment, deputado Rogério Rosso (PSD-DF), afirmou que o desafio agora é buscar a reunificação de uma população tão dividida. “A partir de amanhã, todo o líder político, todo líder partidário vai precisar superar pessoalmente as suas posições para que a gente possa sair das crises instaladas”, disse. 

O líder do governo, deputado José Guimarães (CE), afirmou que o impeachment não é a solução. “O afastamento da presidente Dilma Rousseff não é o caminho para a solução dos problemas brasileiros.” Ele questionou se também seriam afastados o vice-presidente, Michel Temer, e 16 outros governadores que fizeram as mesmas manobras fiscais que pesam contra Dilma. 

Decretos e pedaladas
Segundo o relatório aprovado, uma das infrações da presidente Dilma Rousseff seria a edição de decretos suplementares sem autorização do Legislativo e em desconformidade com um dispositivo da Lei Orçamentária que vincula os gastos ao cumprimento da meta fiscal. O deputado Jovair Arantes (PTB-PE), relator da matéria na comissão especial, avalia que, sem a revisão da meta fiscal aprovada, o Executivo não poderia por iniciativa própria editar tais decretos, tendo de recorrer a projeto de lei ou Medida Provisória. “Nessa abordagem, todos os decretos citados na denúncia, independentemente da fonte utilizada, estariam desprovidos de autorização legislativa”, diz o texto do relator. 

Em relação às pedaladas fiscais, foram analisados apenas o uso de recursos do Banco do Brasil para pagar benefícios do Plano Safra. O governo atrasou os repasses ao banco, que pagou os agricultores com recursos próprios. Esse atraso, na avaliação do Tribunal de Contas da União (TCU), se configura uma operação de crédito irregular. Ao comprometer a saúde fiscal do País, avalia Jovair Arantes, o governo põe em risco a democracia, já que os governos precisam zelar pela estabilidade financeiro-econômica do País. “O descumprimento de normas fiscais e a falta de transparência nesse campo sinalizam a deterioração das contas públicas e, no limite, o risco de insolvência do País”, afirma o relatório. 

Defesa
Todas as acusações foram rebatidas pelo Advogado-Geral da União, José Eduardo Cardozo, que atuou na defesa da presidente Dilma Rousseff. Para ele, não há, no relatório, fatos que comprovem que a presidente cometeu atos intencionais que atentem contra o País.

Tanto os decretos quanto o atraso nos repasses, segundo Cardozo, são atos comuns de todas as administrações e foram considerados crimes por uma mudança de interpretação do Tribunal de Contas da União. “Esse procedimento era pedido por outros Poderes, inclusive pelo próprio TCU, que pediu ao chefe do Executivo o decreto de suplementação. Por quê? Porque o TCU admitia isso, porque o TCU dizia que isso era possível”, afirmou, durante a defesa em Plenário. “Subitamente, o TCU muda de opinião. E quando o TCU muda, o governo para de baixar decretos. Então, onde está a má-fé?”, criticou. 

Antes mesmo de finalizada a votação, o líder do governo na Câmara, deputado José Guimarães (CE), admitiu a derrota, mas ressaltou que as ruas estão com o governo: “Os golpistas venceram, mas a luta continua. Vamos barrar o processo no Senado. O Senado pode corrigir essa ação dos golpistas”. 

O líder enfatizou que a decisão da Câmara a favor do impeachment é uma agressão à legalidade democrática e um desrespeito aos 54 milhões de pessoas que votaram na presidente Dilma Rousseff. Para ele, o vice-presidente, Michel Temer, não tem condições de administrar o País e “o processo de impeachment foi conduzido por pessoas que não tem ética”.
Reportagem - Carol Siqueira
Edição - Luciana Cesar

Agência Câmara